Tuesday, August 16, 2016

Uma poesia de Alfredo Benialgo


ES QUE ESTÁS MUY LEJOS

Alfredo Benialgo

Y es que estás muy lejos...
muy arriba de las nubes.
En esa inmensidad que techan las estrellas
adónde no puedo tocarte, ni saber si te llegan mis palabras.
Sólo muy de vez en cuando
mis sueños se levantan en maromas
se entreveran en tus piernas
y te obligan a que bajes y a que te aprietes a mi lado.
Pero eso dura muy poco.
Enseguida te elevas.
Y yo vuelta a tratar de alcanzarte,
a revolear las manos
como banderazos deshilachados en el aire vacío.

É QUE ESTAIS MUITO LONGE

É que estais muito longe...
Muito acima das nuvens.      
Na imensidão em que tocam as estrelas
onde não posso tocar-te, nem saber se a ti chegam minhas palavras.
Só muito, de vez em quando,
meus sonhos se levantam em cordas
que se emaranham em tuas pernas
e que te obrigam a que baixes e que te apertes a meu lado.
Porém, isso dura muito pouco.
Em seguida te elevas.
E eu volto a tentar te alcançar,
a fazer girar as mãos
como bandeiras esgarçadas descerradas no ar vazio.

Ilustração: www.obaoba.com.br




Monday, August 15, 2016

MOMENTO, MOMENTO


Não há muito tempo mais.
Ainda assim me perco em coisas banais,
Em ações e movimentos sem lógica e sem explicação.
Agarro tua mão,
Embora sabendo que este carinho todo, em breve,
Será tido apenas como dissimulação,
Como parte de uma falsidade que não há.
Todo amor, no entanto, por mais forte
E doce que seja,
É uma luta contra o egoísmo e a natureza.
Uma tentativa de unir
O que sempre esteve separado.
Não, não digo nada.
Não diga nada.
Deita do meu lado e sente este momento-
É tudo que temos
E, nunca se pode saber,
Se não é tudo que teremos.  


Ilustração: www.lindizzima.com.br

Mais uma poesia de Giovanna Marmo


Una medusa

Giovanna Marmo

Le strade si svuotano, le tane sono piene
di lucertole, ragni e bisce. Una medusa
scura pulsa nel cielo, la stoffa che tiene
l’universo si spezzerà.
Costellazioni di sedie, divani logorati
dal tempo. Gli oggetti risaltano nel vuoto,
disegnano atlanti immaginari.
Non riesco a leggere i segni. Che qualcuno
mi spieghi, mi riconduca a una forma.
Temo di non sapere chi sia il carnefice.
E la vittima poi, ci sta?
Baciatemi presto,
sto lottando contro il crepuscolo.
Posso resistere fino a quando la luce nella casa
di fronte si accende. Non c’è tempo,
baciatemi.

UMA ÁGUA-VIVA

As ruas estão vazias, os buracos estão cheios
de lagartos, aranhas e cobras. Uma água-viva
escura pulsa no céu, o tecido que mantém
o universo se esgarça.
Constelações de cadeiras, sofás usados
pelo tempo. Os objetos se destacam num vácuo,
desenho de atlas imaginários.
Não consigoo ler os sinais. Qualquer um
me explique, me leve de volta a uma forma.
Temo não saber quem é o agressor.
E, em seguida, a vítima, não é?
Beije-me rápido,
estou lutando contra o anoitecer.
Posso resistir até quando a luz na casa
da frente se acender. Não há tempo,
me beije.


Ilustração pixabay.com 

Uma poesia de Henry Parland

"Yo qué sé ..."                
 Henry Parland

Yo qué sé
quién rompió las nubes a patadas
pero ahora el sol resplandece.
Yo qué sé
quién derribó
todas las sombras
pero yacen inmóviles en el suelo.
Yo qué sé
quién tiró la bomba
pero ha dado en el blanco.

Eu que sei

Eu que sei
que rompeu as nuvens a patadas
porém, agora o sol resplandece.
Eu que sei
que derrubou
todas as sombras,
porém, jazem imóveis no solo.
Eu que sei
quem lançou a bomba,
porém, não o fez em vão.

(Uma tradução da  tradução espanhola de Francisco J. Uriz).

Ilustração: www.homemberinjela.com.br

Friday, August 12, 2016

Uma poesia de Juan Antonio Massone

Viendo crecer el dia                   
Juan Antonio Massone

Un álamo pequeño                   
a nadie da que hablar,             
apenas sobresale entre la hierba,   
pero algún día será más alta sombra.
De pie, esperando                   
aquel día y creciendo,             
aunque escaso de hojas aún         
mostrar sabe al invisible viento   
y no se inquieta por más           
que de seguir alzando el cuerpo.   
Sólo espera y crece ahora           
en su apenas de hojas               
batidas por el aire verde.         
A nadie da que hablar,             
pero erguido y silencioso,         
confía la promesa de sus hojas     
al invisible viento que lo mece.     

Vendo crescer o dia

Um pequeno álamo 
a ninguém dá o que falar,
apenas se destaca sobre a grama,
mas, algum dia será mais alta sombra.
De pé, esperando
aquele dia e crescendo,
ainda que, com folhas pequenas,
mostra saber do vento invisível
e não se inquieta por mais
que continuar a aumentar o corpo.
Só espera e cresce agora
apenas nas parcas folhas 
batidas pelo verde ar.
A ninguém dá o que falar,
mas, altaneiro e em silêncio
confia a promessa de suas folhas
ao invisível vento que o mede.



Ilustração: arbolesmadrid.wordpress.com3648



Uma poesia de Arturo Carrera

 
OTRA MONEDA

Arturo Carrera

Y el dialecto de ellos, moneda de la infancia,
aunque la infancia fuera nuestra sombra
que pesa sobre la levedad de otro paladar ínfimo

—el diapasón,
diapasón para todos,
de la primera moneda —aguda en cada orden.

Entre la orfandad y el colmo de las madres,
las tías y las primas y las abuelas,

y abuelos padres,
tíos y primos últimos,

granizo de verano sobre cada imagen;
vago error en cada compás del caos.

Debiste de ir al fondo,
contar cada detalle, cada pelito, y
cómo se hacía el dinero en el metal,
cómo se dibujaba su poderosa métrica
infantil cuando al comienzo
ellas también tenían
bellezas del balbuceo: tin-tin-eo.

Pero no tienen estilo,
y aunque tengan repeticiones, sílabas,
se llaman monedas;
susurros parecidos, altos agudos pistilos
como en las flores;

no tendrán el asidero de tus sueños,
ni tu verdad, ni tu sigilo de la forma
en esa trama en zig-zag parecida al toma y daca.

¿Quién puso de relieve la regularidad oculta
de ciertos afectos tan vivos
que parecían desordenados?

Outra moeda

E o dialeto deles, a moeda da infância
ainda que a infância fosse nossa sombra
que pesa sobre a leveza de outro infímo paladar

-o diapasão,
diapasão para todos,
da primeira moeda afiadas em cada ordem.

Entre os órfãos e a altura das mães,
tias e primos e avós,

pais e avós,
tios e primos últimos,

granizo de verão sobre cada imagem;
vago erro em cada compasso do caos.

Deves ir ao fundo,
contar cada detalhe, cada bigode, e
como fazer dinheiro do metal,
como se desenhava sua poderosa métrica
infantil, quando no início
elas também tinham
belezas de balbucio: tin-tin-e.

Porém, elas não têm estilo,
e mesmo que tenham repetições, sílabas,
moedas são chamadas;
sussurros como de altos pistilos agudos
como nas flores;

não tem as alças de seus sonhos,
e a tua verdade, nem a tua discrição, a forma
desta trama em zig-zag,  do toma lá, dá cá.

Quem destacou a  regularidade oculta
de certas emoções tão vivas
que pareciam tão desordenadas?


Ilustração: www.mbaeditores.com

Uma poesia de Dionísio Ridruejo




Memoria

Dionísio Ridruejo

Y resbaló el amor estremecido
por las mudas orillas de tu ausencia.
La noche se hizo cuerpo de tu esencia
y el campo abierto se plegó vencido.

Un ayer de tus labios en mi oído,
una huella sonora, una cadencia,
hizo flor de latidos tu presencia
en el último borde del olvido.

Viniste sobre un aire de amapolas.
Como suspiros estallando rojos,
bajo el ardor de las estrellas plenas,

los labios avanzaron como olas.
Y sumido en el sueño de tus ojos
murió el dolor en las floridas venas.

Memória

E resvalou o amor adormecido
Pelas silenciosas fronteiras de tua ausencia.
A noite se fez corpo de tua essência
E o campo aberto se postou vencido.

Um ontem de teus lábios em meu ouvido,
Uma trilha sonora, uma cadência,
Fez flor de pulsações de tua presença,
Na última dobra do olvido.

Viestes sobre um ar de amapolas,
Como suspiros exalando vermelhos,
Sob o ardor das estrelas plenas,

Os lábios avançaram como ondas.
E sumido no sono de teus olhos
Morreu a dor nas tuas veias floridas.  

Ilustração: www.ciencia-online.net

Uma poesia de Gunnar Ekelöf

Nota a Dedicatoria

Gunnar Ekelöf

En atención a las exigencias estéticas
(que también son las de la funcionalidad)
los arquitectos han hecho las nubes cuadradas.
Sobre los bosques desolados se extienden pues los suburbios.
Por encima de las colinas, se alinean las altas nubes cúbicas
reflejándose profundamente en el confiado lago forestal,
inmensas filas de ventanas vacías
subrayadas por el bello neón rojo de la puesta de sol.
Allí juegan, en montones de cúmulos piadosamente respetados, higiénicos niños
(jamás rozados por manos humanas)
mientras revolotean en torno a ellos con sombrillas rotatorias
niñeras municipales severamente remuneradas.
Cada día se hace noche y asexuados trabajadores vitaminados
llegan en rebaños a sus casas, por quintas, según convenios colectivos
a su vida privada, a Svea, la reina de las hormonas,
vigilada rigurosamente por porteros que inspiran confianza.

Y se hace noche y silencio. Únicamente el helicóptero de la basura
susurra despacito de puerta en puerta
conducido por un futuro marginado, un anarquista y poeta
condenado de por vida a retirar toda la pornografía de la fantasía.
A distancia parece un gigantesco esfíngido
zumbando ante el racimo matinal de madreselva rosácea
por encima, oh, muy por encima de los salutíferos bosques de los deportistas
donde no vagabundeará ya nunca más vagabundo alguno.

Nota para dedicatória

Em atenção às exigências estéticas
(que também são as de funcionalidade)
os arquitetos fizeram nuvens quadradas.
Sobre os bosques desolados se estendem, pois, os subúrbios.
Por cima das colinas se alinham as altas nuvens cúbicas
refletindo-se profundamente no confiante lago florestal,
imensas filas de janelas vazias,

sublinhadas pelo belo neon vermelho de uma réstea de sol.
ali jogam, em grupos aglomerados piedosamente respeitados,  meninos limpos
(jamais roçados por mãos humanas)
enquanto dão voltas com sombrinhas rotativas   babás  municipais regiamente pagas.
Cada dia se faz noite e assexuados trabalhadores vitaminados
chegam em rebanhos as suas casas,, por ordem, segundo acordos coletivos
de sua vida privada, a Svea, rainha dos hormônios
vigiada rigorosamente por porteiros que inspiram confiança.

E se faz noite e silêncio. Unicamente o helicóptero do lixo
sussurra devagarinho de porta em porta
conduzido por um futuro proscrito, um anarquista e poeta ,
condenado por toda a vida a retirar toda pornografia da fantasia.
À distância parece uma gigantesca borboleta
zumbindo ante o cacho matinal de madressilvas róseas,
por cima, oh!, muito por cima dos saudáveis bosques dos
desportistas
onde já não vagabundeará mais vagabundo algum.

Ilustração: vejasp.abril.com.br
(Tradução de uma tradução de Francisco J. Uriz)


Tuesday, August 09, 2016

Uma poesia de Giovanna Marmo

Il punto di fuga           
Giovanna Marmo

Il film della sua vita la segue.
Per proteggerla dalle altre comparse
si adegua al suo percorso lento,
non la trascina con sé.
Cieli di rame, strade invase dal fango,
sfregi di pallottole esplose sui muri,
facciate distrutte. La guerra è dichiarata.
Ma non accade niente.
Per lei tutto ciò che conta
è già avvenuto fuori campo.
Si muove quasi senza spostare l’aria,
nonostante gli arti lunghi e arrugginiti.
E non chiede mai:
cosa avete fatto alle mie gambe?
Non ha bisogno di mantenersi in equilibrio,
non capisce niente del filmato
che la sta riprendendo.
Ha un nome di copertura,
ha scelto di vedersi
come se fosse un’altra. Quando si specchia
nell’obiettivo il volto riflesso è una città
assente nel ricordo.
Pronuncia solo due battute:
– Dissolvenza in nero.
– Fine.

O ponto de fuga

O filme de sua vida segue.
Para protegê-la dos outros comparsas
se adequa ao seu percurso lento,
não a arrasta consigo.
Céus de cobre, ruas invadidas pela lama,
cicatrizes de balas explodindo nos muros,
fachadas destruídas. A guerra foi declarada.
Mas, nada acontece.
Para ela, é o que conta
e já aconteceu fora da tela.
Se move quase sem mover o ar,
apesar dos membros longos e enferrujados.
E nunca pergunta:
O que você fez com as minhas pernas?
Não precisa de manter o seu equilíbrio,
não entende nada do filme
que está a recuperar.
Há um nome de cobertura,
Ele escolheu se ver
como se fosse outro. Quando se espelha
num objetivo e volta o reflexo é uma cidade
ausente na memória.
Pronuncia apenas duas piadas:
- Dissolva-se em preto.

- Fim.

Ilustração: portaldoprofessor.mec.gov.br


Monday, August 08, 2016

LAMENTO DE AGOSTO


Um dia de agosto                                                                 
Sinto do futuro o gosto
Como se fosse de ameixas secas
E eu, que nasci para ser Raul Seixas,
Me perdi na desafinação,
Não sei cantar,
Nem tenho guitarra
Nem fiz nenhuma canção.
Tenho só esta garra de viver
E a saudade enorme de você.
Diante do computador
Embaralhado em imagens e palavras
Perdido num mundo virtual
De pikachus e pokemóns
Não consigo mais escutar os sons
E nem preciso de check-up,
Para saber que me sinto mal
Com o cansaço de um velho animal
E, para piorar, este infernal calor
Que me acelera a pulsação
e me torna um sem tudo:
sem jeito,
sem paz,
sem meu amor.

Ilustração: www.destinointernet.com

VIDA DE PALHAÇO


Eu bem sei que o mundo não é justo.  
Só eu sei como o mundo é cruel
E vou vivendo do jeito que posso
Encenando o meu triste papel.
Sou o palhaço de um circo mambembe,
Que faz piadas das quais ninguém ri,
Apaixonado pela bailarina
Que, indiferente, de tudo sorri.
Aposto sempre na próxima praça
No sucesso que nunca virá
E gargalho da própria desgraça 
Vendo a vida rápida passar

Ilustração: g1.globo.com

VIDA DE PALHAÇO



Eu bem sei que o mundo não é justo.                             Só eu sei como o mundo é cruel
E vou vivendo do jeito que posso
Encenando o meu triste papel.
Sou o palhaço de um circo mambembe,
Que faz piadas das quais ninguém ri,
Apaixonado pela bailarina
Que, indiferente, de tudo sorri.
Aposto sempre na próxima praça
No sucesso que nunca virá
E gargalho da própria desgraça 
Vendo a vida rápida passar


Ilustração: g1.globo.com

Saturday, August 06, 2016

VOLTA RÁPIDA


Com um acento sibilino e áspero fui advertido
Como se fora um pecador, um vil bandido
E até também fui acusado de não saber nada
Numa catilinária que disparou a madre superior
Com raro descalabro e atitude inflamada
Que me culpou de desejar derrubar o pilar
Único com o qual poderia o povo contar
Ao negar a existência de Deus. Quem você é-
Me interpelou com furor- para acabar com a fé?
Não se tira de ninguém a última esperança
Ainda que não exista é melhor ao povo crer
Quando é tudo que lhe resta, então, não vê?
Confesso que, numa iluminação, ali eu vi
E, logo, sem contestar dali, veloz, corri
Para me redimir do erro e voltar para Alice.
Foi preciso um discurso irado para perceber
Que perder o que nos resta é pura tolice.
Perdoei, com rapidez, tudo que ela me fez,
Pois, afinal quem senão ela me faz, café, mingau
E, nas noites frias, é a costelinha que me dá calor
Como jogar tudo fora por um erro, um breve torpor?  


Thursday, August 04, 2016

CANÇÃO DA FERA ADORMECIDA


Sinto-te mais próxima, quando não te alcanço
E mais me animo, quanto mais me canso
E mais me deleito, quanto menos consigo.
Sei que devo ir, mas, também não sigo
Nem há de me deter o que só me arrasta
Só tenho, de certo, o tempo que desgasta.
Nada em mim se presta a gozo ou a alegria
Nem meu querer deixa de ser agonia
Só me resta ativo algum pensamento
E tudo que penso é só dor e lamento
Que numa canção, em desespero, tento
Traduzir, sem jeito, o que não tem cura
Este sentimento que descontente dura
E, no meu coração, lateja desigual
Desejando ativar, em mim, o animal,
Que, certamente, um dia já foi teu
E nesta sonolência imensa se perdeu....


Ilustração: rebobinandomemoria.blogspot.com

Um poeta indiano


No hay palabras para definir el amor...

Kabir

No hay palabras para definir el amor
ni manera de adivinarlo.
Es como el mudo que toma azúcar
y no puede describirnos su dulzura.

Não há palavras para definir o amor....

Não há palavras para definir o amor
nem maneira de adivinhá-lo.
É como o mudo que come o açúcar
e não pode descrever sua doçura.


Tradução para o espanhol de Enrique Gallud Jardiel.

Tuesday, August 02, 2016

Uma poesia de Antonella Anedda

14-18                     
Antonella Anedda

A volte mi illudo di afferrare i nessi tra le cose:
mio nonno in trincea a diciassette anni
che scrive versi d’amore ignaro
che l’inferno doveva ancora venire.
Lui vivo e tutto il resto perduto
a cominciare dalla bambina
sepolta in Istria con sua madre.
Di notte stabilisco i nessi tra le cose
rivedo un vecchio esitare sulle scale
scambiare il buio con l’acqua
fare di sé stesso un grumo
di vestiti e vetri, un’ultima volta
per provare a rovesciare il male.

14-18

Às vezes finjo entender os nexos entre as coisas:
meu avô na trincheira aos dezessete anos
que escreve poemas de amor ignorando
que o inferno ainda estava por vir.
Ele vivo e todo o resto perdido
a começar da criança
enterrada em Istria com sua mãe.
À noite eu estabeleço nexo entre as coisas
observo um velho hesitar nas escadas
trocar o escuro com água
tornar-se um nódulo
de roupas e óculos, uma última vez
para tentar derrubar o mal.

Ilustração: pequenograndenada.blogspot.com


Monday, August 01, 2016

Uma poesia de Irene Salvatori


Come un piccolo cane bastardo alla corte del re

Irene Salvatori

Come un piccolo cane bastardo alla corte del re
piccolo, il più piccolo di tutti
ma graziosissimo e con gli occhi furbi
che si gratifica degli slanci di affetto ricevuti e scodinzola
e si sente vivo solo allora e corre
al di là delle sue zampe, pur di appartenere a quel luogo
alla corte di quel re.
Io così mi sono sentita accanto a te
per tutti questi anni e adesso, ancora,
è vero ciò che tu mi dici
che devo liberarmi perché libera non sono.

Como um pequeno vira-lata na corte do Rei

Como um pequeno vira-lata na corte do Rei
pequenino mesmo, o menor de todos
mas, muito gracioso e com olhos astutos
que se gratifica com as explosões de afeto recebidas e se sacode
e se sente vivo e, então, corre
além de suas pernas, embora pertençam a aquele lugar,
a corte do rei.
E assim me senti perto de ti
por todos estes anos e agora, mais uma vez,
é verdade o que tu me dizes:
que devo libertar-me, porque eles não são livres.