Wednesday, August 25, 2021

E ainda Manuel Altolaguirre

 




BAJO TU SOMBRA

Manuel Altolaguirre

A la sombra de tu vida

quiero detener mi tiempo,

que tu profundo horizonte

me haga perderme en su seno;

que tu silencio recubra,

con arboleda de sueños,

este corazón que guarda

tantas soledades dentro.


SOB TUA SOMBRA

Na sombra de tua vida

quero deter o meu tempo

que teu profundo horizonte

me faça perder-me em teu seio;

que teu silêncio recubra

com uma floresta de sonhos,

este coração que guarda

tantas solidões lá dentro.

 Ilustração: mensagenscomamor.com. 

Tuesday, August 24, 2021

Outra poesia de Angel Gonzalez

 


 

CANCIÓN, GLOSA Y CUESTIONES

 Angel Gonzalez

Ese lugar que tienes,

cielito lindo,

entre las piernas,

 ese lugar tan íntimo

y querido,

es un lugar común.

 

Por lo citado y por lo concurrido.

 

Al fin, nada me importa:

me gusta en cualquier caso.

 

Pero hay algo que intriga.

 

¿Cómo solar tan diminuto

 puede ser compartido

por una población tan numerosa?

 ¿Qué estatutos regulan el prodigio?

 

CANÇÃO GLOSA E QUESTÕES

Este lugar que tens,

céuzinho lindo,

entre a pernas,

este lugar tão íntimo

e querido,

é um lugar comum.

 

Por citado e por concorrido.

 

Ao fim, nada me importa:

que gosto em qualquer caso.

 

Porém, há algo que me intriga.

 

Como um lugar tão diminuto

pode ser compartilhado

por uma população tão numerosa?

Que estatutos regulam o prodígio?

Ilustração: Casa e Jardim-Globo.

UM POEMINHA MAL COMPORTADO

 













Remember Sebastião

 

A

vida é tão boa

que, às vezes,

até

mesmo disparar

uma flatulência

pode nos dar

uma felicidade

imensa.

Ilustração: educalingo.

Sunday, August 22, 2021

Manuel Altolaguirre de volta

 


CENTRO DEL ALMA

 Manuel Altolaguirre

De ojos que ya nada ven

brotan lágrimas tan negras

que se olvidan de su oficio

de ser en la noche estrellas.

 

Dolor sin luz. Hoy el alma

se hunde más en sus tinieblas

porque la vida y la noche

—un mismo mar— hacen que ella

por su propio peso caiga

en oscuridad completa.

 

Ya su desnudo en la noche

nadie lo ve, que atraviesa

profundidades que sólo

a Dios, su centro, la acercan.

 

Hace tiempo que no miro sino

hacia adentro. Me llevan

por las calles lazarillos

que me toman y me dejan.

 

¡Ojalá tenga mi vida

luces, aunque no las vea!

 

CENTRO DA ALMA

 

De olhos que já nada vêem

lágrimas negras brotam

que esquecem seu ofício

de se nas estrelas da noite.

 

Dor sem luz. Hoje, a alma

se afunda mais em sua escuridão

porque a vida e a noite

-um mesmo mar-fazem ela  

por seu próprio peso caia

na escuridão completa.

 

Já nu na noite

ninguém vê que atravessa

profundezas que só

a Deus, do centro, se acerca

 

Faz tempo que não olho senão

para dentro. Me levam  

pelas ruas cachorrinhos

que me pegam e me deixam.

 

Oxalá tenha a minha vida

luzes, ainda que não as veja!

Ilustração: https://bneinoach.org.br/.

LAMENTO MARÍTIMO

Sorte, sorte porque me abandonaste?

E, logo quando, mais de ti preciso

para salvar, talvez, o meu espírito

porque meu corpo como acha arde
extinto sim, de forças, tão covarde
que, para nada mais, já tem vontade

nem mesmo de criar novo sentido.

Não digo que cansei de ter vivido,

nem dos nomes, das coisas e do tempo.
Apenas já não tenho nenhum alento,
nem como desfazer os descaminhos,
nem juntar os pedaços que ainda tento.
Quem sabe se imaginasse um mundo novo
ou desimaginasse tudo já passado
não me sobrasse além do desencanto
mesmo que fosse no canto mais perdido
um caminho de volta pros teus braços
e não me visse assim tão amarrado
num barco que pressinto naufragado.

 

O incomparável Borges

 


A un poeta menor de la antología

Jorge Luis Borges

¿Dónde está la memoria de los días
que fueron tuyos en la tierra, y tejieron
dicha y dolor y fueron para ti el universo?

El río numerable de los años
los ha perdido; eres una palabra en un índice.

Dieron a otros gloria interminable los dioses,
inscripciones y exergos y monumentos y puntuales historiadores;
de ti sólo sabemos, oscuro amigo,
que oíste al ruiseñor, una tarde.

Entre los asfodelos de la sombra, tu vana sombra
pensará que los dioses han sido avaros.

Pero los días son una red de triviales miserias,
¿y habrá suerte mejor que ser la ceniza,
de que está hecho el olvido?

Sobre otros arrojaron los dioses
la inexorable luz de la gloria, que mira las entrañas y enumera las grietas,
de la gloria, que acaba por ajar la rosa que venera;
contigo fueron más piadosos, hermano.

En el éxtasis de un atardecer que no será una noche,
oyes la voz del ruiseñor de Teócrito.

 

A um poeta menor da antologia

 

Onde está a memória dos dias
que foram teus na terra, e teceram
a sina e a dor que foram para ti o universo?

O rio numerável dos anos
os há perdido; és uma palavra em um índice.

Deram a outros a glória interminável os deuses,
inscrições, resenhas e monumentos e historiadores pontuais;
de ti só sabemos, obscuro amigo,
que ouvistes um rouxinol, uma tarde.

Entre os asfódelos da sombra, a tua sombra em vão
pensará que os deuses foram avaros.

Porém, os dias são uma rede de triviais misérias,
E haverá sorte maior do que ser a cinza,  
de que é feito o esquecimento?

Sobre outros arrojaram os deuses
a inexorável luz da glória, que olha as entranhas e enumera as fissuras,
da glória, que acaba por murchar a rosa que venera;
contigo foram mais piedosos, irmão.

No êxtase de um entardecer que não será uma noite, 
ouves a voz do rouxinol de Teócrito.

Ilustração: gustavodelucca.

Friday, August 20, 2021

Uma poesia de Conceição Lima

 


ANTIEPOPEYA

 Conceição Lima

 Aquel que en la rotácion de los astros

Y en el oráculo de los sabios

Buscó de su lei e mandamiento

La razón, la anuencia, el fundamento

 

Aquel que de los vivos a lanza y el destino retenía

Aquel cuyo o trono de los muertos provenía

 

Aquel a quen la voz de la tribu ungió

Lhamó rei, de poderes investió

Traicionó.

Por panos, por espejos, por chucherías

Por ganancia, avidez, pedrerías

Las puertas de la corte abrió

Y de pueblo seu reino agotó.

ANTIEPOPEIA

Aquele que, na rotação das estrelas,

E, no oráculo dos sábios,

Buscou por sua lei e mandamento

A razão, a anuência, o fundamento

 

Aquele que dos vivos a lança e o destino retinha

Aquele cujo o trono dos mortos provinha

 

Aquele a quem a voz da tribo ungiu

Chamou rei, de poderes investiu

Traído.

Por panos, por espelhos, por bugigangas

Por ganância, avidez, pedrarias

As portas da corte abriu

E de povo seu reino se esgotou.

Ilustração: G1-Globo

INCONSISTÊNCIA

 



Há este céu,
Que também é o tempo,
Sempre quente,
Que cobre as casas.
Há a fumaça que jorra
Das florestas que já foram tapetes verdes
E as cinzas
Que se espalham pelo ar,
Sem parar, sem parar.

Sei que é preciso amar.
Hoje, no entanto, meu coração que bate tanto
Parece, como o tempo, parar.

Este é o nosso tempo
Que, ao mesmo tempo,
Já nem nosso é...
Depois do calor do momento
Há o frio esquecimento
E o nunca mais...
Como uma árvore que cai.

Na vida nada é sustentável.

Ilustração: Poder360.


Mario Benedetti sempre

  


EL INFINITO  

Mario Benedetti

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.

Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.

O infinito

De um tempo para cá
o infinito
se encolheu
perigosamente.

Quem iria supor
que segundo a segundo
cada migalha
de seu pão sem limites
iria, assim despedaçar-se 
como um seixo que rola
no abismo.

Ilustração: Revista Planeta.

Outra poesia de Manuel Altolaguirre

 


 TIEMPO A VISTA DE PÁJARO

         Manuel Altolaguirre

                                         A Luiz Cernuda

La eternidad es tuya,

profeta con memoria,

gozador del presente.

 

¿Qué extensión se dilata

dentro de ti?

 

¿Qué mirada gozosa

por tu espíritu extiendes?

 

El pasado, el futuro,

lo presente, el hundido

tiempo total del hombre,

pensativo dominas.

 

La eternidad, que es sólo

tiempo a vista de pájaro,

vive entre tus ideas,

bajo los cielos tuyos,

bajo las altas águilas

que vuelan en tu frente.

 O tempo na visão de um pássaro

 A eternidade é tua,

profeta com memória,

desfrutador do presente.

 

Que se extensão se dilata

dentro de ti?

 

Que olhar alegre

por teu espírito estendes?

 

O passado, o futuro,

o presente, o fugitivo

tempo total do homem,

pensativo dominas.

 

A Eternidade, que é só

tempo no olhar de pássaro,

vive entre tuas ideias,

debaixo dos teus céus,

debaixo das altas águias

que voam na frente de teu rosto.

Ilustração: Minilua.

Thursday, August 19, 2021

Outra poesia de Pilar Fraile Amador

 


Se abren los pétalos azules de las amapolas...

 Pilar Fraile Amador

se abren los pétalos azules de las amapolas y desaparecen los pistilos las invisibles y redondas semillas, germinan los niños de barriga hinchada, los muros de la habitación crecen, no hacia el cielo, no funciona el interruptor para la marea baja

el pez bañado en petróleo, su cuerpo brillante se balancea en la orilla de una playa, esto es el paraíso la mano frente a la luz inagotable

Se abrem as pétalas azuis das papoulas

se abrem as pétalas azuis das papoulas e desaparecem os pistilos as invisíveis e redondas sementes, germinam as crianças de barriga inchada, os muros da casa crescem, não até o céu, não funciona o interruptor para a maré baixa

 

o peixe banhado em petróleo, seu corpo brilhante se balança na costa de uma praia, este é o paraíso a mão contra à luz inesgotável

Ilustração: Elo7.

Outra poesia de Roque Dalton

 


ALTA HORA DE LA NOCHE

 Roque Dalton

Cuando sepas que he muerto no pronuncies mi nombre

porque se detendría la muerte y el reposo.

Tu voz, que es la campana de los cinco sentidos,

sería el tenue faro buscado por mi niebla.

Cuando sepas que he muerto di sílabas extrañas.

Pronuncia flor, abeja, lágrima, pan, tormenta.

No dejes que tus labios hallen mis once letras.

Tengo sueño, he amado, he ganado el silencio.

No pronuncies mi nombre cuando sepas que he muerto:

desde la oscura tierra vendría por tu voz.

No pronuncies mi nombre, no pronuncies mi nombre.

Cuando sepas que he muerto no pronuncies mi nombre

 

ALTA HORA DA NOITE

 

Quando souber que estou morto não pronuncies o meu nome

porque se deteria a morte e o repouso.

Tua voz, que é o sino dos cinco sentidos,

Seria o tênue farol procurado por mim na neblina.

Quando souberes que morri de sílabas estranhas.

Pronuncia flor, abelha, lágrima, pão, tempestade.

Não deixes que teus lábios falem minhas onze letras.

Tenho sono, te amei, ganhei o silêncio.

Não pronuncies o meu nome quando souber que morri:

da terra escura viria por tua voz.

Não pronuncies o meu nome, não pronuncies o meu nome.

Quando souber que estou morto não pronuncies o meu nome

 

Outra poesia de Rocio Santillana

 


"Erocéntrica 14"

Rocío Santillana

amarro tus muñecas

a la curiosidad

de mi cama.

 

no sé quién eres

pero

yo

me reconozco como nunca antes.

EROCÊNTRICA 14

amarro teus pulsos

à curiosidade

de minha cama.

não sei quem és,

porém,

eu

me reconheço como nunca antes.

Zumbidinho de abelhinha

 


Abelha, abelhinha

sonhei com carneirinhos e dormi.

Acordei e pensas 

que sou flor. 

Que amor!

Abelha, abelhinha, 

minha pequenininha,

tudo se perdeu: 

o mundo não é lindo, 

nem cheio de flores ou mel, 

apesar do azul do céu. 

Olho à-toa

a lagoa, a lama, os sapos

e o zum-zum dos insetos 

que não me deixam quieto. 

Hoje vou é zoar.

Voar, 

rosetar por aí, 

beber, sorrir...

Até fingir 

que sou feliz 

por ter uma abelhinha 

no nariz!

Thursday, August 05, 2021

Uma poesia de Rodolfo Alonso

 


El desierto nos conquista

 Rodolfo Alonso

Al comienzo fue una leve brisa cálida, casi una caricia cada vez más sutilmente desmedida de los elementos. Luego nos descubrimos sintiendo en plena cara los primeros granos de arena dura y fría, ríspida, arisca, rígida, mientras los cielos se hacían de un azul pálido como acero templado, destemplado, gris. Poco a poco las dunas se fueron instalando, a la vez graves y gráciles, profundamente grávidas, de una oscura belleza amenazante, con el peso concreto de la vida más la forma del aire y, en las esquinas todavía alumbradas o en los barrios ya devorados por la sombra, el adoquín y el asfalto resultaron cubiertos, breve y precisamente. No menos malo era sentir crecer a eso dentro de uno, insaciable, roedor, combativo, total. El desierto al ataque no era invasor apenas, no sólo nos cubría y nos apabullaba, tan falsamente manso. También nos convertía en su dominio, al imponernos sus dominios, secando nuestras mentes junto con nuestros labios, agrietando a la vez párpados y canales de acceso, corazones y vías de comunicación. Bajo el cielo metálico, crudamente opaco, a una breve esperanza muy pronto desmentida la trajeron unas púdicas matas, un momentáneo resplandor de verde coronando siquiera fugazmente las moles movedizas y cambiantes de los crecientes médanos, mínimo atisbo de reflejos vitales rápidamente desvaído y tornado recuerdo. Pero lo peor fue quedarse viéndolos llegar, silenciosos, hoscos, lentamente, casi como forzados pero en realidad indomables, hirsutos, sólidamente bárbaros, más que ajenos, otros, y sorpresivamente o poco a poco descubrir, darnos cuenta que ya éramos, finalmente, del todo, también, definitivamente quizá, como ellos.

O deserto nos conquista

No começo foi uma leve brisa cálida, quase uma carícia cada vez mais sutilmente desproporcional aos elementos. Logo nos descobrimos sentindo em pleno rosto os primeiros grãos de areia fria, ríspida,  arisca, rígida, enquanto os céus se faziam de azul pálido como o aço temperado, destemperado, cinzento. Pouco a pouco as dunas foram se instalando, uma vez graves e graciosas, profundamente grávidas, de uma beleza escura ameaçadora, com o peso específico da vida sob a forma do ar e nas esquinas ainda acesas ou nos bairros devorados pelas sombras, os paralelepípedos e o asfalto estavam cobertos, de forma breve e precisamente. Não menos ruim estava sentir isto crescer dentro de um, insaciável, roedor, combativo, total. O deserto no ataque não era invasor apenas, não só nos cobria e nos sobrecarregava, tão falsamente manso. Também nos convertia ao seu domínio, ao impor-nos seus domínios, secando as nossas mentes com nossos lábios, rachando ambas as pálpebras e canais de acesso, corações e estradas. Sob o céu metálico, grosseiramente opaco a uma breve esperança logo desmentida lhes trouxeram uns arbustos tímidos, um brilho momentâneo verde, mesmo coroando fugazmente o deslocamento e as mudanças de moles de aumento dunas, dicas de reflexos vitais  rapidamente desvanecido e tornado memória. Porém o pior era ficar vê-los chegar, em silêncio, solene, lentamente, quase como forçado, mas realmente indomável, hirsuto, solidamente bárbaros, mais do que alheios, outros, e surpreendentemente pouco a pouco descobrir, nos dar canta que já erámos, finalmente, de tudo, também, definitivamente talvez, como eles.

Ilustração: Viagem e Turismo.

Outra poesia de Rafael Sarmentero

 


De los símios

Rafael Sarmentero

Prepararon el viaje durante varios siglos

estudiando la ruta hasta el mínimo amstrong;

repasaron los datos por enésima vez

y cualquier contratiempo parecía imposible.

Los soles que avistaron todavía no existen,

ni ha nacido el artista capaz de imaginarlos;

los agujeros negros y demás accidentes

durmieron en un pliego de su mapa sidéreo.

Finalmente el vigía gritó: ¡Tierra a la vista!

Y el azul de la vida irrumpió en sus consolas.

Qué fracaso de historia.

Vinieron a La Tierra buscando inteligencia

y encontraron personas.

 

Dos símios

 

Prepararam a viagem durante vários séculos

estudando a rota até  o mínimo ångström;

repassaram os dados pela enésima vez

e qualquer contratempo parecia impossível.

Os sóis que avistaram, todavia, não existem,

nem nasceu ainda o  artista capaz de imaginá-los;

os buracos negros e outros acidentes

dormiram numa especificação de seu mapa sideral.

Finalmente, o vigia gritou: Terra à vista!

E o azul da vida irrompeu em seus consoles.

Que fracasso da história.

Vieram à Terra buscando inteligência

e encontraram pessoas.

Ilustração: Depositphotos.

Sunday, August 01, 2021

Uma poesia de Rafael Espejo


Andare I. Fieles a la tradición, infieles al presente

 Rafael Espejo

No se huele Venecia,

no lleva el aire alientos alegóricos.

 

No hay casa para el eco, las palabras

ignoran sus orígenes.

 

No un sosiego de siglos

latentes en los templos.

 

No serán las paredes piedra vieja

en las fotografías.

 

En carnaval perpetuo,

en plena fuga de significados,

 

con los ojos lo entiendo:

la existencia más pura es la del agua.

Andare I. Fiel à tradição, infiel ao presente

Não se cheira Veneza,

não leva o ar respirações alegóricas.

 

Não há casa para o eco, as palavras

ignoram suas origens.

 

Não um sossego de séculos

latentes nos templos.

 

Não serão as paredes de pedra velhas

nas fotografias.

 

No carnaval perpétuo,

em plena fuga dos significados,

 

com os olhos o entendo:

a existência mais pura é a da água.

Ilustração: LabNetwork.