Monday, September 09, 2024

Uma poesia de Carolina Ebeid

 


ASSUME THE ROLE OF CASSANDRA, WEARING A MASK, SPEAKING INTO CAMERA

Carolina Ebeid

No, nothing, no thing, no where-
the o of no blinks open 

I think that you think that I think 
too much about grief 

It’s not only mine-we’re in the same current 

You won’t hear it blazing always in the unprocessed 
wind under the voice recording 

I wear my nerve halo, a handful of seeds, a breakdown 
in the blood-brain barrier

It’s come to this: the interstate with star-shaped 
plants and mile markers that multiply one’s belonging 

Can you hear the low pulse tree-growth consuming the fence? 

Books are states of consciousness, a record-s
What won’t finally kill you, you eat its tongue 

Holy I’ll make the alphabet for interrupters, malcontents
Holy is the person who digs the person out the rubble into the grave

About you: weather will taste metallic in the overnight 
visuals, something lightdark, slick-liver-wet 

Put a whisper into a jar, a war 
trots out of your chiaroscuro head

ASSUMA O PAPEL DE CASSANDRA, VESTINDO UMA MÁSCARA, FALANDO PARA A CÂMERA

Não, nadinha, nenhuma, nenhum lugar-

o o do não pisca aberto

 

Eu penso que você pensa que eu penso

até demais sobre tristeza

Não eu somente- nós estamos na mesma corrente

 

Você não irá ouvir sempre brilhando o vento não processado

sob a gravação de voz

 

Eu uso meu halo nervoso, um punhado de sementes, um colapso

na barreira hematoencefálica

 

Chegou a isto: a interestadual com plantas em forma de estrela

e marcadores de milhas que multiplicam o pertencimento de alguém

 

Você consegue ouvir o baixo pulsar das árvores consumindo a cerca?

 

Livros são estados de consciência, um registro-

Os quais, no final, não irão te matar, você come sua língua

 

Santo, eu farei o alfabeto para os interruptores, descontentes

Santo é a pessoa que desenterra a pessoa dos escombros para a cova

 

Sobre você: o clima terá gosto metálico durante os visuais da noite, algo claro-escuro, escorregadio-fígado-molhado

 

Ponha um sussurro numa jarra, uma guerra

trota para fora de sua cabeça em claro-escuro

Ilustração: Monkey Business. 

Uma poesia de Jaime García-Máiequez

 


INVENTARIO

 Jaime García-Máiequez

Andar descalzo sobre césped artificial.

Un lápiz bien afilado, con cúter.

El olor a pipa. La niebla.

Las chimeneas desprendiendo un hálito

de vida inteligente.

Las nubes trashumantes.

El humo a contraluz de las calderas.

La luna llena que lo absuelve todo.

La lluvia torrencial. Un pueblo en fiestas.

Apple, perfecto como una nevada.

Las sombras contundentes. Las luces indirectas.

Las bolsas de papel. El pan de oro.

Un árbol de navidad en mitad de la noche.

Llegar exhausto a la cama; recostarme despacio.

Un niño completa y absolutamente dormido.

Los dibujos brutales de los niños.

El museo pequeño. El café radiactivo

de un bar de carretera. Las antenas

destartaladas sobre un horizonte

cubista de tejados.

Las cosas que aparecen un día en los bolsillos.

El reencuentro con una canción que me gustaba.

Emocionarme al comulgar en misa.

Tomarme unas croquetas U2 en Casa Julio.

Los libros agotados. La edición revisada.

Todo lo viejo, lo oxidado y pobre.

Guardar silencio en las comidas familiares.

Ese vacío intenso

cuando de pronto uno se queda solo.

Pensar que ya estoy muerto.

Recordar que estoy vivo. Saber que es un milagro.

INVENTÁRIO

Andar descalço sobre a grama artificial.

Um lápis afiado, com cortador.

O odor de um cachimbo. A névoa.

As chaminés desprendendo um ar

de vida inteligente.

As nuvens transumantes.

A fumaça à contraluz das caldeiras.

A lua cheia que absolve tudo.

A chuva torrencial. Uma cidade em festa.

Apple, perfeita como uma nevasca.

As sombras contundentes. As luzes indiretas.

As bolsas de papel. O pão de ouro.

Uma árvore de Natal no meio da noite.

Chegar exausto na cama exausto; deitar-se lentamente.

Uma criança completa e absolutamente adormecida.

Os desenhos brutais das crianças.

O pequeno museu. O café radioativo

de um bar à beira da estrada. As antenas

arruinadas em um horizonte

cubista do telhado.

As coisas que um dia aparecem nos seus bolsos.

O reencontro com uma música que gostava.

Emocionar-me ao comungar na missa.

Levar-me alguns croquetes do U2 na Casa Julio.

Os livros esgotados. A edição revisada.

Tudo velho, enferrujado e pobre.

Guardar silêncio nas refeições em família.

Esse vazio intenso

quando de repente alguém se encontra só.

Pensar que já estou morto.

Recordar que estou vivo. Saber que é um milagre.

Ilustração: Vivian Padilha. 

 

Sunday, September 08, 2024

DANÇAS


O teu olhar tantas vezes me disse,

por vezes de modo profundo,

como se preocupar era tolice

pelas mudanças e voltas do mundo.


Tua voz, para mim uma melodia,
ainda soa, no presente, rouca,
porém sumiu no tempo, um dia,
levando o gosto doce de tua boca.

Tuas mãos que, em vão, procuro
não me seguram mais sempre a teu lado
e acordo assombrado no escuro
me perguntando o que deu errado.

É no vinho que a lucidez me invade
e lembro do teu corpo, da felicidade,
de dias e noites, da inesgotável sede
de tanto amor, sem culpa nem maldade.

E sem amor, sem paixão, amor na vida
me vendo no espelho como sou
lamento o tempo e a paixão perdida
e o amor puro que jamais acabou.

(De "Jardim Dizpersivo", Editora Per Se, 2013).

Ilustração: Diocese de Amparo. 

 

 


Pablo Neruda sim


 


Pablo Neruda

Si cada día cae

 

dentro de cada noche,

hay un pozo

donde la claridad está encerrada.

 

Hay que sentarse a la orilla

del pozo de la sombra

y pescar luz caída

con paciencia.

 

Se cada dia cai

 

dentro de cada noite

há um poço

onde a claridade está encerrada.

 

Há que sentar-se na beira

do poço à sombra

e pescar luz caída

com paciência.

Ilustração: Designi.  

H D Thoreau

 


Henry David Thoreau

“I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear; nor did I wish to practice resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms, and, if it proved to be mean, why then to get the whole and genuine meanness of it, and publish its meanness to the world; or if it were sublime, to know it by experience, and be able to give a true account of it in my next excursion.” 

 

“Eu fui para a floresta porque eu desejava viver deliberadamente, para enfrentar somente os fatos essenciais da vida, e ver se eu não conseguiria aprender o que ela tinha a ensinar, e não, quando eu viesse a morrer, descobrir que eu não tinha vivido. Eu não desejava viver o que não era vida, viver é tão caro; nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse completamente necessário. Eu queria viver profundamente e sugar toda a medula da vida, viver tão firmemente e espartanamente a ponto de acabar com tudo o que não era vida, cortar uma faixa larga e raspar rente, encurralar a vida e reduzi-la aos seus termos mais baixos, e, se ela se mostrasse mesquinha, por que não, então, obter toda a mesquinharia genuína dela, e publicar sua mesquinharia para o mundo; ou se fosse sublime, conhecê-la por experiência, e ser capaz de dar um relato verdadeiro dela na minha próxima excursão.”

Ilustração: Worldpackers.

Saturday, September 07, 2024

Barbaridade


Um lugar que só tem homem

é pior do que o inferno.

Nada pode florescer 

num lugar assim, 

nem erva ou capim. 

As possibilidades de ser feliz

somem.

Sem mulher, para ser terno, 

não há futuro, filhos, frutos. 

Onde só tem homem

não há jardim.

Há uma esterilidade sem fim,

a falta completa de tudo que for

beleza, poesia, flor e amor. 

Ilustração: Ufuk Sarisen.  

Uma poesia de Li-Young Lee

 

 


THE WEIGHT OF SWEETNESS

Li-Young Lee

No easy thing to bear, the weight of sweetness.

Song, wisdom, sadness, joy: sweetness
equals three of any of these gravities.

See a peach bend
the branch and strain the stem until
it snaps.
Hold the peach, try the weight, sweetness
and death so round and snug
in your palm.
And, so, there is
the weight of memory:

Windblown, a rain-soaked
bough shakes, showering
the man and the boy.
They shiver in delight,
and the father lifts from his son’s cheek
one green leaf
fallen like a kiss.

The good boy hugs a bag of peaches
his father has entrusted
to him.
Now he follows
his father, who carries a bagful in each arm.
See the look on the boy’s face
as his father moves
faster and farther ahead, while his own steps
flag, and his arms grow weak, as he labors
under the weight
of peaches.

O PESO DA DOÇURA

Não é fácil suportar o peso da doçura.

 

Canção, sabedoria, tristeza, alegria: doçura

é igual a três de qualquer uma dessas gravidades.

 

Ver um pêssego dobrar

o galho e esticar o caule até

quebrá-lo.

Pegar o pêssego, experimentar o peso, a doçura

e a morte tão redonda e confortável

na palma da sua mão.

E, assim, há

o peso da memória:

 

Soprado pelo vento, um galho

encharcado de chuva balança, banhando

o homem e o menino.

Eles tremem de alegria,

e o pai ergue da bochecha do filho

uma folha verde

caída como um beijo.

 

O bom menino abraça um saco de pêssegos

que seu pai confiou

a ele.

Agora ele segue

seu pai, que carrega um saco cheio em cada braço.

Ver a expressão no rosto do menino

enquanto seu pai se move

mais rápido e mais adiante, enquanto seus próprios passos

enfraquecem e seus braços enfraquecem, enquanto ele trabalha

sob o peso

dos pêssegos.

Ilustração: Dephositos.

Uma poesia de Marcos de Quinto

 


Marcos de Quinto

Ella me vigila

Hace rato que finjo no darme cuenta

pero siento cómo sus ojos recorren todos mis gestos

inventando historias inexistentes

 

De vez en cuando la acaricio

para volver a esconder enseguida mi mirada

en algún rincón oscuro de la habitación

Como si temiera hacerle daño

 

Ella, como un cachorro indefenso, nada pregunta

Se limita a anunciarme todo su miedo

a través del silencio

 

Quisiera decirle

que me gustaría quererla

y no pensar en nada más allá de estas paredes

Quisiera explicarle

que afuera la guerra ruge

y que quisiera quitarme todo de encima

para volver a erguirme

sonriente, fuerte y seguro

en este mismo instante en que su llanto me atrapa

Ela me vigia

Faz tempo que finjo dar conta

porém sinto como seus olhos percorrem todos os meus gestos

inventando histórias inexistentes

 

De vez em quando a acaricio

para voltar a esconder em seguida meu olhar

em algum canto escuro da casa

Como se temesse fazer-lhe dano

 

Ela, como um cachorrinho indefeso, nada pergunta

Se limita a anunciar-me todo o seu medo

através do silêncio

 

Quisera dizer-lhe

que eu gostaria de querê-la

e não pensar em nada além destas paredes

Quisera explicar-lhe

que lá fora a guerra ruge

e quisera tirar tudo das minhas costas

para voltar a erguer-me

sorridente, forte e confiante

neste mesmo instante em que seu pranto me segura

Ilustração: Área Vip.

Friday, September 06, 2024

Um poema de Yoo Heekyung

 

 


   STORY-LATE SUMMER OR EARLY FALL

 

Yoo Heekyung

 

translated from the Korean by Stine An

Late summer or early fall—memories are unreliable Father was lying on his side In the swaying spiderweb, no spider could be seen The spider is hiding, why don’t you try touching the spiderweb But I am afraid The sound of wooden floorboards creaking Withering up for decades, Father rolled over to his other side And when he did, his scent, his warmth Just as I hadn’t touched the spiderweb, I didn’t dare touch my father’s back And so, neither the spider nor my father moved Why couldn’t I grasp that the space would be empty If you can’t see it, is it hiding The shadow that creeps and crawls toward the door to escape The light that casts and gathers the shadow under the gap—I’ll grab its hand so it won’t run away Memories of late summer or early fall are unreliable, and I am still afraid

HISTÓRIA-FIM DE VERÃO OU INÍCIO DE            

OUTONO

          traduzido do coreano por Stine An

Fim do verão ou início do outono- memórias  são inconfiáveis ​​Papai estava deitado de lado Na teia de aranha oscilante, nenhuma aranha podia ser vista A aranha está se escondendo, por que você não tenta tocar na teia de aranha Porém estou com medo O som de tábuas de madeira estalam Murchando por décadas, o papai rolou para o outro lado E quando ele fez isto, senti seu cheiro, seu calor Justo como eu não toquei na teia de aranha, não ousei tocar nas costas do meu pai E assim, nem a aranha nem meu pai se moveram Por que eu não conseguia entender que o espaço estaria vazio Se você não consegue ver, está se escondendo A sombra que rasteja e se arrasta em direção à porta para escapar A luz que projeta e reúne a sombra sob a abertura- eu vou agarrar sua mão para que ela não fuja Memórias do fim do verão ou início do outono são inconfiáveis, e ainda estou com medo

Ilustração: National Geografic.

DÉFICIT



Em San Telmo,

sentei no banco 

com a Mafalda. 

Juro 

que não me disse nada.

Só, matreiramente, 

me piscou um olho. 

Por um momento,

simplesmente, 

me senti um repolho

só porquê

"Os malditos sabem

que nós ainda não sabemos". 

Ilustração: Revista Galileu. 

 

Thursday, September 05, 2024

BALADA PARA YOKO ONO





Nada é tão bonito 

Quanto o olhar 

Da mulher que se ama.

Ilustração: Guia da Semana. 
(De "Jardim Dizpersivo", Editora Per Se, 2013). 

Wednesday, September 04, 2024

Uma poesia de Oriana Méndez

 



  FAREWELLS

   Oriana Méndez

   translated from the Galician by Erín Moure

I devise farewells that topple

that abruptly plunge
there’s a dark womb
and exhausted hands
I ideate a farewell that brings us
to know the body like this
a dune too that unravels
in the wave of breath
with that sigh of women who’ve come
with screens of mourning
in their larynx

The flower-tip, that node of life
from which emerges
a yolk of colour and petals

Nerve of life, it spreads open
wants to spread open and thrive
It’s what speaks to us
stutters babbles attempts to get up:

a raw wince of light

DESPEDIDAS

   Eu invento despedidas que tombam

 

   que mergulham abruptamente

   há uma matriz moura

   e mãos exaustas

  Eu idealizo uma despedida que nos leva

  a conhecer um corpo como este

  uma duna que também se desfaz

  na onda da respiração

  com aquele suspiro de mulheres que vieram

  com telas de luto

  em sua laringe


  A ponta da flor, um nó da vida

  de onde se produz

  uma gema de cor e pétalas

 

  Nervo da vida, que se abre

  quer se abrir e prosperar

  É ela que nos fala

  gagueja balbucia tentativas de se levantar:

 

  um cru estremecimento de luz

  Ilustração: Jornal Tribuna.


Sim, Antonio Martínez Sarrión

  


NOW’S THE TIME

Antonio Martínez Sarrión

nada

más nada

más que las sienes ardiendo

balcón hacia la noche navegantes

sin aguja imantada

rojas constelaciones con nombres de guerreros

la insufrible presión de max roach

conciso duro enérgico porque sí

porque hay niebla porque riegan y el dueño

ha de cerrar el club y todos los muertos

AGORA É A HORA

nada

mais nada

mais que os templos ardendo

a varanda até a noite dos navegantes

sem agulha magnética

constelações vermelhas com nomes de guerreiros

a pressão insuportável de Max Roach

conciso, duro, enérgico porque sim

porque há neblina porque regam e o dono

tem que fechar o clube e todos os mortos

Ilustração: TV Cultura.

Soneto das Borboletas

 


Assim deitada e nua te encontro
Molhada de desejo, um ar tão natural
Que atiça a chama do amor sedento
Que se sacia em ti com uma fúria animal

Porém, mais do que eu, queimas em brasas
E
queres muito mais do que até posso,
Pois tu queres a música sem pausas
E muito além da carne comes até o osso

Queimando na fogueira sempre acesa,
Entre as paredes, nossa vida presa,
É a melhor com que jamais sonhamos

Nem sei, nem sabes, o que lá fora espera
O mundo é aqui. E, em plena primavera,
Há menos borboletas do que nós gozamos!

Ilustração: Natureza Bela. 

 

Tuesday, September 03, 2024

Outra vez Ana Belén Martin Vásquez

 


Ana Belén Martín Vázquez

Hablas sola

para esquivar las letras de la muerte.

 

Intentas pronunciar tu salvación.

 

Leve y falsa

como la pluma del pájaro

 

enjaulado en la niñez.

 

Falas sozinha

para evitar as cartas da morte.

 

Tentas pronunciar tua salvação.

 

Leve e falsa

como a pena do pássaro

 

enjaulado na infância.

Ilustração: Ponto de Vista-Sapo.

Monday, September 02, 2024

LXXXXIV

 


Se foi amor, ou não,

quem pode saber?

Nós dois, porém,

não analisamos

os momentos juntos,

nem buscamos nenhum adjetivo.

Havia uma fé

que nos movia

transformando a vida em poesia

e nos enchendo de alegria

como a leveza

de quem enche um tanque

de gasolina barata.

Se não foi amor

ou paixão,

no mínimo, foi poesia.

Depois veio a realidade

cruel e desumana

que nos afastou

sem que jamais nos separar.

Por diversas vezes,

depois,

tentamos renovar o encanto

que não foi perdido:

ficou no aroma doce

dos dias vividos.

Oh! Belos e santos dias

que jamais voltarão.

Então, foi  amor,

paixão,

poesia

e, na verdade,

hoje é saudade.

Ilustração: Diário de Caratinga. 

(De "Cem Poemas em Cem Dias", Editora Viseu, 2021). 

Um poema de Ana Belén Martín Vázquez

 

 

Ana Belén Martín Vázquez

Rompes tu nombre.

 

Borras tu dirección y su huella,

un mar de dígitos culpables.

 

Eres lo que dice

la correspondencia ausente.

 

Un tú desvanecido

empieza a construirse

 

en otro sitio.

 

Rompes teu nome.

 

Apagas teu endereço e tua pegada,

um mar de dígitos culpados.

 

És o que dizes

a correspondência ausente.

 

um tu desvanecido

começa a construir-se

 

em outro lugar.

Ilustração: Al Hakim.