Sunday, June 15, 2014

Angel Gonzalez justificando a preguiça



QUÉDATE QUIETO

Angel Gonzalez

Deja para mañana lo que podrías
haber hecho hoy
(y comenzaste ayer sin saber cómo).

Y que mañana sea mañana siempre;

que la pereza deje inacabado
lo destinado a ser perecedero;
 que no intervenga el tiempo,
que no tenga materia en que ensañarse.

Evita que mañana e deshaga
todo lo que tu mismo pudiste
no haber hecho ayer.

Fica quieto

Deixa para amanhã o que podias
fazer hoje
(E começastes ontem sem saber como).

E que seja amanhã sempre;

que a preguiça deixe inacabado
o destinado a ser perecível;
que não intervenha o tempo,
que não tenha material em que se envolver.

Evita o amanhã e desfaça  
tudo o que tu mesmo podias

não haver feito ontem.

Ilustração: www.mariapiacasa.com.br

Saturday, June 14, 2014

Manuel Garcia Vinó



ESCORPIÓN

Manuel Garcia Vinó

Yo nací con los labios tendidos hacia el beso,
llevando en la garganta
este tremendo grito involuntario
y, en el pecho, la curva de un abrazo.

Yo no agité los vientos de mis acantilados
ni levanté clamores en mis mares de sangre;
yo no inventé tormentas ni  oleajes
ni puse en el rugido tu nombre y mi llamada.

En mis manos ya estaban las furias retratadas
y mi llanto de niño
fue un llanto de inocente condenado.

Si lastimé tu pecho, no me culpes.
Yo no pedí estas garras
que sin querer afilo entre mis piernas.

He llegado empujado,
vestido con el traje que me dieron.

Yo no crucé tu ruta con la mía.


ESCORPIÃO

Eu nasci com os lábios estendidos até o beijo,
levando na garganta
este tremendo grito involuntário
e no peito, a curva de um abraço.

Eu não agitei os ventos de meus penhascos
nem levantei meus clamores em meus mares de sangue;
eu não inventei tormentas nem marés
nem pus no rugido teu nome e minha chamada.

Nas minhas mãos já estavam as fúrias retratadas  
e meu pranto de menino
foi um pranto de inocente condenado.

Se lastimei no teu peito, não me culpes.
Eu não pedi estas garras
que, sem querer eu afio entre minhas pernas.

Eu cheguei empurrado,
vestido com os trajes que me deram.

Eu não cruzei a tua rota com a minha.

Ilustração: www.navegandonaweb.com

Friday, June 13, 2014

Manuel Altolaguirre de volta


BAJO TU SOMBRA

Manuel Altolaguirre

A la sombra de tu vida
quiero detener mi tiempo,
que tu profundo horizonte
me haga perderme en su seno;
que tu silencio recubra,
con arboleda de sueños,
este corazón que guarda
tantas soledades dentro.

Sob tua sombra 

Na sombra de tua vida
quero deter o meu tempo
que teu  profundo horizonte
me faça perder-me em teu seio;
que teu silêncio recubra
com uma floresta de sonhos,
este coração que guarda
tantas solidões lá dentro.

Tuesday, June 10, 2014

Juan Bautista de Arriaza y Superviela



El no

Juan Bautista de Arriaza y Superviela

¡Ay cuántas veces a tus pies postrado,
en lágrimas el rostro sumergido,
a tus divinos labios he pedido
un sí: ¡cruel! que siempre me has negado!

Y pensando ya ver tu pecho helado
de mi tormento a compasión movido
en vez del sí ¡ay dolor! he recibido
un no que mi esperanza ha devorado.

Mas si mi llanto no es de algún provecho,
si contra mí tu indignación descarga,
y si una ley de aniquilarme has hecho,

quítame de una vez pena tan larga,
escóndeme un puñal en este pecho,
y no me des un no que tanto amarga.

O não

Ah! Quantas vezes a teus pés prostrado,
em lágrimas o rosto mergulhado,
a teus divinos lábios hei pedido
um sim: cruel! Que sempre me hás negado!

E pensando já ver teu peito gelado
de meu tormento à compaixão movido
invés do sim, aí dor! Hei recebido
um não que minha esperança há devorado.

Mas, se meu pranto não é de proveito,
se contra mim tua indignação descarrega,
e se uma lei de aniquilar-me tens feito,

Livra-me de uma vez de pena tão larga,
enfia-me um punhal dentro do peito,
e não me dês um não que tanto amarga.


Ilustração: depressaoepoesia.ning.com

Monday, June 09, 2014

E de novo José Icaria


Una sana costumbre

José Icaria

Cuando volvíamos de vacaciones,
mi padre tenía la sana costumbre
de castigarnos sin motivo,
no fuésemos a pensar
que la vida era una fiesta.

Um costume são

Quando voltávamos das férias.
meu pai tinha o são costume
de nos castigar sem motivo,
para que não fossemos pensar
que a vida era uma festa.


Ilustração: eraumavezuem.blogspot.com

José Icaria


El beso de la Muerte

José Icaria

Un estremecimiento de gozo
-en el dolor-
sacude inteiro mi cuerpo,
como un campo de trigo
mecido pelo viento.

Es el beso de la Muerte.


O beijo da Morte

Um estremecimento de gozo
-na dor-
sacode inteiro meu corpo,
como um campo de trigo
mexido pelo vento.

É o beijo da Morte.


Ilustração: viagem.br.msn.com

Sunday, June 08, 2014

Ainda Gracia...Como rosas nem por brincadeira...


Continuidad

Antonio Gracia

Querida muerte mía: no me esperes
oculta en las tinieblas; sé que estás
injertada en mi vida como un yo
que no ha de completarse hasta que vengas.
No temo tu llegada; yo te doy
el ancho surco en que sembré infinitos;
tú me darás tu tierra, y ya presiento
que tal vez alimente a las criaturas
de las que estoy forjado y en mí viven:
toco mi corazón y en él escucho
palpitar las estrellas, y la noche
que fue mi origen; palpo en mis entrañas
las raíces de un árbol; soy la savia
con que tú has de saciar el universo
en su eterna expansión. Mírame, muerte:
robas mi voluntad, no mi destino.
Tú me aseguras la inmortalidad.

Continuidade

Querida morte minha: não me esperes
oculta nas sombras; se é que estais
enxertada na minha vida como um eu
que não há de completar-se até que venhas.
Não temo tua chegada; eu te dou
o largo sulco em que seremos infinitos.
tu me darás tua terra, e já pressinto
que, talvez, alimente criaturas
das quais sou forjado e que em mim vivem:
toco o meu coração e nele escuto
palpitar as estrelas, e a noite
que foi minha origem, apalpo em minhas entranhas
as raízes de uma árvore; sou a seiva
com que tu hás de saciar o universo
em sua eterna expansão. Olha-me, morte:
roubas minha vontade, não meu destino.
Tu me asseguras a imortalidade.





Antonio Gracia



La fuente en la ceniza

Antonio Gracia

Amo el temblor rosado de tu boca
y el crepúsculo azul de tu mirada.
Amo la luz carnal que te ilumina
cuando te arrojas como un puma alegre
sobre mi cuerpo ansioso de tu cuerpo.
Amo el sudor de miel que nos lubrica
y la erosión constante de la piel.
Amo tu desenfreno y mi arrebato
cuando, tendida, te abres como un libro
y esplendes como un saurio.
Amo tu lasitud y mi abandono
tras el fulgor robado a las estrellas.
Amo la ardiente búsqueda infinita
que late en nuestros sexos.

A fonte da cinza

Amo o tremor rosado de tua boca
e o crepúsculo azul de teu olhar.
Amo a luz carnal que te ilumina
quando te arrojas como um puma alegre
sobre meu corpo ansioso de teu corpo.
Amo o suor de mel que nos lubrifica
e a erosão constante da pele.
Amo o teu desvario e o meu arrebatamento
quando, estendida, te abres como um livro
e resplandeces como um saúrio.
Amo tua lassidão e o meu abandono
sob o brilho roubado das estrelas.
Amo a infinita e ardente busca
que palpita em nossos sexos.

Saturday, June 07, 2014

E ainda Dulce Maria Loynaz

                                         
    
                                          Balada del amor tardio
                                             
                                                      Dulce Maria Loynaz

Amor que llegas tarde,
tráeme al menos la paz:
Amor de atardecer, ¿por qué extraviado
camino llegas a mi soledad?
Amor que me has buscado sin buscarte,
no sé qué vale más:
la palabra que vas a decirme
o la que yo no digo ya…
Amor… ¿No sientes frío? Soy la luna:
Tengo la muerte blanca y la verdad
lejana… —No me des tus rosas frescas;
soy grave para rosas. Dame el mar…
Amor que llegas tarde, no me viste
ayer cuando cantaba en el trigal…
Amor de mi silencio y mi cansancio,
hoy no me hagas llorar.

Balada do amor tardio

Amor que chega tarde,
traga-me, pelo menos, a paz:
Amor de entardecer, por qual extraviado
caminho chegas à minha solidão?

O amor que me tem buscado, sem buscar-te,
não sei o que vale mais:
a palavra que vais me dizer
ou a que eu não digo mais ...

Amor ... Não sentes frio? Eu sou a Lua:
Tenho a morte branca e a verdade
distante ... Não me dês tuas rosas frescas;
sou grave para as rosas. Dá-me o mar ...

Amor que chegas tarde, não me vistes
ontem, quando cantava no milharal ...
Amor de meu silêncio e meu cansaço,
hoje, não me faça chorar.


Ilustração: meuquerido1dia3dia.blogspot.com

E, novamente, Dulce Maria Loynaz


Tegernaria doméstica
(Araña común)

Dulce Maria Loynaz

La Araña gris de tiempo y de distancia
tiende su red al mar quieto del aire,
pescadora de moscas y tristezas cotidianas…
Sabe que el amor tiene un solo precio
que se paga pronto o tarde: la Muerte.
Y Amor y Muerte con sus hilos ata…

Tecelagem doméstica
(aranha comum)

A aranha cinza de tempo e da distância
estende sua rede ao mar quieto do ar,  
pescadora de moscas e tristezas cotidianas...
Sabe que o amor tem um único preço  
que se paga cedo ou tarde: a Morte.
E o Amor e a Morte com seus fios ata ...


Ilustração: mensagensdefeeamor.blogspot.com

Dulce Maria Loynaz

  

POEMA CII

Dulce Maria Loynaz

Pajarillos de jaula me van pareciendo a mí misma mis sueños.
Si los suelto, perecen o regresan.
Y es que el grano y el cielo hay que ganarlos;
 pero el grano es demasiado pequeño
 y el  cielo es demasiado grande…,
 y las alas, como los pies,
 también  se cansan.

Poema CII

 Passarinhos de gaiola que vão parecendo a mim mesmo nos meus sonhos.
 Se os solto, perecem ou regressam.
 E é que o grão e o céu há que ganhá-los;
 porém, o grão é demasiado pequeno
 e o céu é demasiado grande ...,
 e as asas, como os pés,
 também se cansam.


Ilustração: www.mundodosadesivos.com.br

Wednesday, June 04, 2014

Miriam Tessore e as vantagens de um homem



Carlota Caufield

Por haberme besado, querido amigo,
tienes varios años de buena suerte
y pasas a la posteridad inmaculado.
Debo decirte que admiro varias cosas de ti:
tu manera de vestirte,
tus brazos, la curva de tus labios,
tu sonrisa de niño salvaje,
tu buen apetito y el no haber
contestado mis cartas.

Por haver me beijado, querido amigo,
tens vários anos de boa sorte
e passas para a posteridade imaculado.
Devo dizer-te que admiro várias coisas em ti:
tua maneira de vestir-se,
teus braços, a curva dos teus lábios,
teu sorriso de menino selvagem,
teu bom apetite e não haver
respondido minhas cartas. 

Tuesday, June 03, 2014

Outra vez Juana de Ibarbourou



 Juana de Ibarbourou


            Lo quiero con la sangre, con el hueso,
Con el ojo que mira y el aliento,
Con la frente que inclina el pensamiento,
Con este corazón caliente y preso,
Con el sueño fatalmente obseso
De este amor que me copa el sentimiento,
Desde la breve risa hasta el lamento,
Desde la herida bruja hasta su beso.
Mi vida es de tu vida tributaria,
Ya te parezca tumulto, o solitaria,
Como una sola flor desesperada.
Depende de él como del leño duro
La orquídea, o cual la hiedra sobre el muro,
Que sólo en él respira levantada.


Como uma só flor desesperada

A quero com o sangue, com o osso,
com o olho que olha e o alento,
com a fronte que inclina o pensamento,
com este coração ardente e preso

Com o sonho fatalmente obcecado
deste amor que me enche o sentimento,
desde o breve riso até o lamento,
desde da bruxa ferida até o seu beijo.

Minha vida é de tua vida tributária
se te parece tumulto, ou solitária,
Como uma só flor desesperada.

Depende dela do talo tão duro
a orquídea, ou qual a hera no muro,
que somente respira levantada.


Monday, June 02, 2014

Juan Carlos Martín Ramos


EL BUSCADOR DE PALABRAS
                                     
 “cómo se llama 
la luz que entra de noche
 por la ventana” 

 (David Chericián)


Juan Carlos Martín Ramos


No encuentro una palabra que rime

 con el murmullo del mar.


 ¿Qué frase suena igual

 que el ruido de mis pasos?

          
 Mi imagen del espejo,

  ¿se llama como yo?


  ¿Dónde están las palabras

   que he tenido en la punta

   de la lengua?



   Busco, de la A a la Z,

   el nombre de todas las cosas.

   Y, para despedirme,

   una palabra

   que nunca signifique “adiós”.

  
O buscador das palavras

                                      
  "Como se chama a luz 
    que entra de noite
    pela janela" 

             (David Chericián)

 Não encontro uma palavra que rime

 com o murmúrio do mar.

 Uma frase que soa igual

  ao ruído dos meus passos?
        

  Minha imagem no espelho,

  me chama como eu?


 Onde estão as palavras

  que tive na ponta da  língua?


  Busco, de A a Z,

  o nome de todas as coisas.

  E, para despedir-me,
  
uma  palavra

 que  nunca signifique dizer "adeus".


Ilustração: Brinque e aprenda