Wednesday, July 22, 2015

Sem salvação


Oh! Pobre de mim
Que não posso ser diferente do que sou!
E tenho essas marés de entusiasmo
e, de repente, me vejo, pasmo,
afogado num abismo de tristeza.
e nem mesmo, meu amor, tem pena de mim,
pois, ao me ver assim,
a reclamar da minha cruz
até dúvida que seja por ela
e faz pouco do sofrimento
na distância que alimento.
Só mesmo Jesus na causa!
Afinal todo castigo é pouco-
para um infiel-
que, nem mesmo com reza,
Vê probabilidade de alcançar o céu! 

Ilustração: reflexaodoutrinaria.blogspot.com

Uma poesia de Miyo Vestrini

                                                                                                     
Miyó Vestrini 

Cada vez que oscurece
amor mío,
me sorprende un rostro brumoso en los espejos
y escucho como llueve fuerte,
como llueven los aguaceros.
El recuerdo
la terrible indisposición de los que recuerdan algún lugar,
¿hay álguien en el camino?
No hay nadie en el camino
amor mío y paso distraída
sin ver el balcón donde chillan los azulejos.
Temo recordarte aún en el invierno próximo
y la madrugada ya andando,
hago el último,
furioso intento,
para dormir sin sueños ni claridades.


Cada vez que escurece
amor meu,
me surpreende um rosto nublado nos espelhos
e escuto como chove forte,
como chovem os aguaceiros.
Eu recordo
a terrível indisposição dos que recordam algum lugar,
há alguém no caminho?
Não há ninguém no caminho
amor meu e passo distraída
sem ver o balcão de onde chiam os azulejos
Temo recordar-te ainda num inverno próximo
e a madrugada vai andando,
faço o último,
furioso intento,
para dormir sem sonhos nem claridades.


Ilustração: rogeriabreves.blogspot.com

Tuesday, July 21, 2015

Hai-kai do grande silêncio











Eu me sinto meio Jesus                      

Cada dia sem você.

Sei bem o peso da cruz! 

Monday, July 20, 2015

QUEM?

Quem virá, de forma inesperada,   ao luar,
na noite alucinada
aplacar
o desejo e a aflição a  me queimar?
Quem há de me secar
esta paixão a latejar
querendo em suor e ais
se sufocar?
Quem virá na escuridão,
como um ladrão,
sem pressa de roubar,
nem medo da polícia,
com uma vil blandícia
se apossar
de meu insone coração?          
Quem virá matar,
de tanto amor,
a fome
com uma pá de beijos e suave perfume?
Quem, com carícia e mansidão,
há de plantar, em mim, a ilusão
e, como um boi indefeso, me marcar
com seu nome que nem sei,
mas, que há de ficar
um tempo tão sem fim
que será, no meu corpo, visível
até depois de mim?


Ilustração: pt.forwallpaper.com

Um poema de Ana Blandiana

MÁS ALLÁ DE MÍ                                                      
Ana Blandiana (Otilia Valeria Coman)  

El dolor no existe más allá de mí,
Está encerrado en los límites de mi cuerpo
Un imán que lo ha absorbido del mundo.
He privatizado, diríase, el dolor
Y, ahora, alrededor de mí, hay un vacío luminoso
Como una aureola impermeable que aísla el tumor
Del que sólo sé que soy yo misma.

Pero, tampoco sé nada sobre mí.

Mais além de mim

A dor não existe mais além de mim,
Está encerrada nos limites de meu corpo
Um imã que há absorvido do mundo.
Hei privatizado, diria-se, a dor
E, agora, em redor de mim, há um vazio luminoso
Como uma aureola impermeável que isola o tumor
Do qual só sei que sou eu mesmo.

Porém, tampouco sei nada sobre mim.

Ilustração: http://infotocopiavel.blogspot.com.br/
Traducción do original de Viorica Patea y Antonio Colinas

Saturday, July 18, 2015

Uma poesia de Javier Alvarado

                                                                                                    
La muerte y su barco

Javier Alvarado

La muerte regresa a tientas con su barco
Escupe sus negros esclavos, sus piezas de mercadería
Regresa desde los sueños en forma de galeón o de canoa
Es en nosotros que vive con su llanto sumergido

A veces me pregunto a quien llaman mis padres
Desde la senilidad con sus tantas voces;
Por qué se repiten mis abuelos en los mismos hábitos
De hablar con la nada
O de esparcir sus fotografías
En el garabato de la niebla?

Aún no se esconden las cosas presentes y los veo
Jugar con los nietos, que permanecerán cantando para siempre
Cuando hay brea sobre estos puertos
O gaviotas confusas que se posan en los mástiles y en las cuerdas
A diatribar con los gallotes.

No hay más misterios nivelados que observar el mar
Y su llanto sumergido,
Esos dioses gemebundos
Que bostezan despacio o que se llenan la boca con fabulaciones
De foca o de ballena.

Es este miedo a respirar las sales que ya conozco
A visitar esos puertos donde se quedó mi cuerpo de tritón
O de almirante,
Escribir los mismos poemas
Que circularon con las estrellas de la espuma, o recordar
Esa balada que va en la boca de los longorongos
Que gritan sus orgasmos repletos de fiebre;

Vegetar en mi espejo que se vuelve un caracol henchido
O una furia oceánica que se repite como un triste maremoto.

Por eso atestiguo el recolectar con mi caña de pescar estas imágenes.
Estas verdades que tiemblan y se agitan en el fondo
De todas las nadas como peces que resguardan la tranquilidad del aire
O como burbujas secas que se quedan vacilando
En mis manos como medusas.

La muerte me llevará a todos los puertos
E irá doblando mis pantalones y mis restos de equipaje.

Seré más oscuro o luminoso cuando recorra
Las huestes y las epopeyas de otros mares, seré joven o viejo
O quizás oblicuo como todo resplandor que nace.
A veces creo que cada día
La muerte nos prepara para entrar en su barco.


A morte e seu barco

A Morte regressa a tatear com seu barco
Cospe seus escravos negros, suas peças de mercadoria
Regressa dos sonhos em forma de galeão ou de canoa
Em nós que vivemos com o seu pranto submerso.

Às vezes me pergunto a quem chamam meus pais
Desde senilidade com tantas vozes;
Por que meus avós repetem os mesmos hábitos
De falar para o nada
ou espalhar suas fotos
nas garatujas do nevoeiro?

Ainda não se escondem das coisas presentes e os vejo
jogando com os netos, que permanecerão para sempre cantando
quando não há breu nas portas
ou gaivotas confusas empoleirando-se nos mastros e cordas
a diatribar com galeotes.

Não há mais mistérios nivelados que observar o mar
e seu pranto submergido,
Estes deuses gemebundos
que bocejam devagar ou enchem a boca com fabulações
de foca ou de baleia.

É este medo de respirar os sais que já conheço
A visita a estes portos, onde o meu corpo ficou tritão
ou almirante.
Escrever os mesmos poemas
que circularão com as estrelas da espuma, ou lembrar
esta balada que entra pela boca dos longorongos
que gritam seus orgasmos repletos de febre;

Vegetar no meu espelho que se torna uma concha cheia
ou uma fúria do oceano que se repete como um triste maremoto.

Por isto testemunho ao recolher com a minha vara de pescar estas imagens.
Estas verdades que tremem e se agitam no fundo
De todos os nadas como os peixes que protegem a tranquilidade do ar
ou, como bolhas secas  que ficam vacilando
em minhas mãos como água-viva.

A morte me levará a todos os portos
e irá dobrando minhas calças e os meus restos de bagagem.


serei mais escuro ou luminoso quando recorrer
aos anfitriões ou as épopeias de outros mares, serei jovem ou velho
ou talvez oblíquo como todo resplendor que nasce.
Às vezes creio cada dia
que a Morte nos prepara para entrar no seu barco.


Ilustração: suckerforvampires.wordpress.com

Friday, July 17, 2015

CONFISSÃO AMOROSA

Eu não me lembro                                                             Quando fiz meu primeiro poema para você.
Nem mesmo sei se fiz
ou se não foi apenas
uma forma de dizer
que, antes de te conhecer, já te amava.
Nem mesmo sei se é possível
Fazer poesia quando se ama.
Até mesmo parece que o amor,
de tão exclusivo,
para a poesia nega motivos,
não favorece os enamorados.
Toda poesia boa, excelente
Se faz, constantemente, de dor.
Talvez seja tudo isto
Somente uma justificativa
por que faço este poema-
que, infelizmente, mesmo com toda dor
não tem a beleza merecida,
só para dizer que sem teu amor
me sinto como se não tivesse vida. 


Ilustração: romanzine.blogspot.com

Thursday, July 16, 2015

Uma poesia de Emily Roberts

 

Emily Roberts                                              

¿Qué temblor te da más miedo?
El temblor de las manos.
¿Por qué te da miedo?
Porque es el que está más cerca.
¿Cómo te da miedo?
Así. Mira. Así.
¿Cuándo está más cerca?
Ahora.
¿Dónde?
Aquí: Mira cómo tiemblan.


Que temor te dá mais medo?
O temor das mãos.
Por que te dá medo?
Porque é o que está mais perto.
Como te dá medo?
Assim. Olha. Assim.
Quando estais mais próximo?
Agora.
Aonde?
Olha como tremem. 

Monday, July 13, 2015

Iluminação amorosa


Apesar de que a vida                 parece quase nada
diante a longa escuridão da morte,
hoje, mais do que nunca,
nos teus braços
vivendo a vida
mansa e calma dos teus carinhos,
comendo o pão, o peixe, a carne,
bebendo cachaça com limão,
somente almejo
que o amor permaneça,
como tem sido,
uma chuva de fogos de artifícios.
Nem me importa
que a vida se vá à prestação.
Só pretendo mesmo,
de tempo, muito crédito
e que o desejo continue elétrico
que, com seus choques e clarões,
não deixe de iluminar a vida de nós dois!


Ilustração: og.infg.com.br 

Sunday, July 12, 2015

O material encanto da vida

Tudo que existe                                       é um equilíbrio instável:
o arame que separa o  trapezista do chão,
o beijo que dispara o alarme da paixão,
o sopro de um batimento
que, em certos momentos,
nem ruído faz.
O que persiste é a ilusão
de que, em algum instante,
poderemos chegar a ser gigantes
por alcançar a beleza
e a plenitude
que buscamos no viver.
Levantemos, logo, a alegria
como uma taça,
pois, se, com o tempo, tudo passa
haverá um dia inescapável
onde se realizará o provável
e, como uma xícara de chá,
que no solo se despedaça,
não adianta juntar os pedaços
se, até os cacos, se dissiparão na natureza.
Sorve o agora
quando tens consciência

Que, na matéria, está toda a beleza. 

Ilustração: www.fotonatura.org

Saturday, July 11, 2015

Um poema de Sara Teasdale

The Look                                                       
Sara Teasdale

Strephon kissed me in the spring,
      Robin in the fall,
But Colin only looked at me
      And never kissed at all.

Strephon’s kiss was lost in jest,
      Robin’s lost in play,
But the kiss in Colin’s eyes
      Haunts me night and day.

O olhar

Stélio me beijou na primavera,
       Roberto na queda,
Mas, só Célio olhou para mim
       E nunca nem me  beijou.

O beijo de Stélio  foi perdido no gracejo,
       O de Roberto se perdeu no jogo,
Mas, o beijo dos olhos de Célio    
        Me persegue noite e dia.

Friday, July 10, 2015

Uma poesia de María Cebreiro

POESÍA ERÓTICA                                                          
María Cebreiro

Con la inteligencia, ahora.
No con las manos.
La lucha a veces se gana en la mente.
Las mujeres escriben.
El poema tiene cuerpo.
El amor no tiene medida.
Nadie ha hablado de amor en este poema.

Poesia erótica

Com a inteligência, agora.
Não com as mãos.
A luta, às vezes, se ganha com a mente.
As mulheres escrevem.
O poema tem corpo.
O amor não tem medida.
Ninguém falou de amor neste poema.


Thursday, July 09, 2015

Outra poesia de Jorge Cuesta Porte-Petit

                                                                                                 


Jorge Cuesta Porte-Petit

No para el tiempo, sino pasa; muere
La imagen de sí, que a lo que pasa aspira
A conservar igual a su mentira.
No para el tiempo; a su placer se adhiere.

Ni lleva al alma, que de sí difiere,
Sino al sitio diverso en que se mira.
El lugar de que el alma se retira
Es el que el hueco de la muerte adquiere.

Tan pronto como el alma el cambio habita,
No la abandona el cambio en lo que deja
Ni de la vida incierta la separa;

Se aventura y su riesgo sólo imita
Al tiempo entonces su razón perpleja,
Pues goza la razón mas no se para.


Não pára o tempo, senão passa

Não pára o tempo, senão passa
A imagem de si, que ao que passa aspira
A conservar  igual a sua mentira.
Não pára o tempo; seu prazer se adere.

Nem leva a alma, que de si difere,
Senão ao sitio diferente em que se mira.
O lugar da qual a alma se retira
É que o oco da morte adquire.

Tão pronto como a alma a mudança habita,
Não o abandona a mudança em que o deixa
Nem da vida incerta a separa;

Se aventura e seu risco só imita
Ao tempo enquanto sua razão perplexa,
Pois, goza da razão, mas, não se pára.


Ilustração: exame.abril.com.br

Wednesday, July 08, 2015

Duas poesias de Javier Belinchón

LA LUZ                                                                                                 

Javier Belinchón

veces dan ganas de cortar los cables
quedarse a oscuras
cerrar los ojos
no sentir más que
el intento de un latido
en tu pecho a oscuras

callar y caer al suelo
dejar de esperar de pensar
olvidarte de la luz

esa puta luz allá en lo alto
que no deja de recordarnos
con su intensidad
que lo único que podemos
hacer con ella es
apagarla

A luz

Às vezes dá vontade de cortar os fios
permanecer na escuridão
fechar os olhos
não sentir mais que
a intenção de um batimento
no seu peito às escuras

calar e cair no chão
parar de pensar espera
e esquecer-se da luz

esta cachorra luz lá em cima
que não deixa de nos recordar
com a sua intensidade
que a única coisa que podemos
fazer com ela
é apagá-la
  
CÓMO PRETENDES SER POETA

Javier Belinchón

¿Cómo pretendes ser poeta
si entre el folio
y el corazón
te empeñas
en poner todo el rato
la cabeza?

Como pretendes ser poeta

Como pretendes ser poeta
se entre o fólio
e o coração
te empenhas
em por todo o tempo
a cabeça?