Saturday, October 17, 2020

Outra poesia de Maria Auxiliadora Álvarez




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María Auxiliadora Álvarez


tus oídos son tuyos

pero no escuchan solamente

 

lo que quieren escuchar

 

tus oídos son tuyos

 

pero no los puedes cerrar:

 

tus oídos no son tuyos

 

por más que los cubras con los dedos

 

con las manos

con los brazos

 

doblando toda articulación

 

todo cartílago

 

los oídos aún escucharán

 

lo que no quieren escuchar:

 

como una pulsación

 

una pulsación

una pulsación

 

8

 

teus ouvidos são teus

porém não escutam somente

 

o que querem escutar

 

teus ouvidos são teus

 

porém não os pode fechar:

 

teus ouvidos não são teus

 

por mais que os cubra com os dedos

 

com as mãos

com os braços

 

dobrando toda a articulação

 

toda cartilagem

 

os ouvidos ainda escutarão

 

o que não querem escutar:

 

como uma pulsação

 

uma pulsação

uma pulsação

 

Ilustração: O Popular.


Tuesday, October 13, 2020

Ainda Mario Montalbetti

 


COMO WALCOTT

Mario Montalbetti

Escribo a mano con un lápiz Mongol No.2 mal afilado

apoyando hojas de papel sobre mis rodillas.

 

Ésa es mi poética: escribir con lápiz es mi poética.

 

Si alguien pregunta como quién quiero escribir

respondo “como Walcott”. Ésa también es mi poética.

 

También, esperar a que ella me muerda el cuello

para comenzar a escribir es mi poética. La oscuridad del mar,

lleno de pliegues, es mi poética. Ella pregunta como quién

quiero escribir

 

y yo respondo “no sé, como Walcott”. O más bien

 

mi poética es di algo visceral de una buena vez,

como en la ópera, sin esperar que ocurra una muerte

especialmente interesante al final: es mi poética.

 

Lo del lápiz mal afilado es indispensable para mi poética.

 

Sólo así quedan marcas en las hojas de papel

una vez que las letras se borran y las palabras ya no

 

se entienden o han pasado de moda o cualquier otra cosa.


COMO WALCOTT

 

Escrevo à mão com um lápis mongol nº 2 mal apontado

apoiando folhas de papel sobre meus joelhos.

 

Essa é a minha poética: escrever a lápis é a minha poética.

 

Se alguém perguntar como quero escrever

respondo "como Walcott". Essa também é a minha poética.

 

Também esperar que ela me morda o pescoço

para começar a escrever é a minha poética. A escuridão do mar

cheia de dobras, é a minha poética. Ela pergunta como quem

quero escrever

 

e eu respondo "Não sei, como Walcott". Ou melhor

 

minha poética é dizer algo visceral de uma só vez,

como na ópera, sem esperar que ocorra uma morte

especialmente interessante no final: é a minha poética.

 

O lápis mal apontado é essencial para minha poética.

 

Só assim ficam marcas nas folhas de papel

uma vez que as letras são apagadas e as palavras já não

 

se entendem ou saíram de moda ou qualquer outra coisa.

 

Ilustração: New York Times. 

Monday, October 12, 2020

AMOR NA PANDEMIA

 



Até neste momento

quando o mundo está louco, imóvel, incompreensível 

só tenho o pensamento 

que o amor é possível 

nos teus braços. 

Não me importa o isolamento

nem as máscaras no rostos, 

a distância, os desencontros, os desgostos, 

as mortes que sempre alguém está de despedida. 

Opto pelo desejo, pela vida,

pela força da paixão, dos nossos laços. 

Vem 

que te quero bem;

que te quero sempre mais

e somente do teu lado 

me encontro no melhor estado: 

feliz de ter amor, companhia e paz. 

Ilustração: https://www.lavoz.com.ar/. 

Outra poesia de Cristina Narea

 

LAS COSAS QUE NUNCA TE DIJE


Cristina Narea


Todas las cosas que nunca dije

están en mis ojos

todas las cosas por hacer

están en mis manos

todo lo que sueño

no sabe de límites

es un océano por cruzar

 

y tu podrías ser

la orilla

que me espera

al otro lado.

AS COISAS QUE NUNCA TE DISSE

Todas as coisas que nunca te disse

estão nos meus olhos

todas as coisas por fazer

estão nas minhas mãos

tudo o que sonho

não sabe de limites

é um oceano por cruzar

 

e tu podias ser

a praia

que me espera

do outro lado.

Ilustração: https://www.indy100.com/.

A poesia de Maria Auxiliadora Álvarez

 


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María Auxiliadora Álvarez

 

el pensamiento atraviesa

 

su límite de abstracción

 

para alcanzar

 

el hueso

tangible

 

y pender

 

por un instante

 

de su (falso)

sol

 

19

 

o pensamento atravessa

seu limite de abstração

para alcançar

 

o osso

tangível

e pender

por um instante

 

de seu (falso)

sol

 

Ilustração: https://www.arries.es/.

Saturday, October 10, 2020

Outra poesia de Mario Montalbetti

 


FIN DESIERTO (fragmento) 

Mario Montalbetti

este es el verso en el que la sangre se vuelve vino y el paraíso metrópoli

y la daga imaginaria se clava sobre pechos mojados
este es el verso en el que entro al pueblo

y pregunto por ella y por un bar llamado el patio
todos volteamos hacia el mismo lugar todos cometemos el mismo error

camino por estos versos para olvidar tormentos y siento un alivio pasajero al ver
jacarandás en flor

pero luego todo vuelve de golpe y escupo sobre estas calles

en este verso llueve como lloverá en el último otoño
por fin el actor no es el héroe por fin no hay nada que entender

en dos días llegaré al sur que no tiene sur

los caballos se esconden en las acequias afiebrados
en este verso no se puede seguir

este es el verso en el que no se puede seguir

FIM DO DESERTO (fragmento)

este é o verso onde o sangue se transforma em vinho e o paraíso, metrópole

e a adaga imaginária se cravada sobre os seios molhados

este é o verso no qual entro na cidade

e eu pergunto por ela e por um bar chamado pátio

todos nós voltamos até o mesmo lugar, todos cometemos o mesmo erro

caminho por esses verslos para esquecer os tormentos e sinto um alívio passageiro temporário ao ver

os jacarandás em flor

porém, logo tudo volta de repente e eu cuspo sobre estas ruas

neste verso chove como choverá no último outono

por fim o ator não é o herói, por fim não há nada para entender

em dois dias chegarei ao sul que não tem sul

os cavalos se escondem em valas febris

neste verso não se pode seguir

este é o verso em que não se pode seguir

Friday, October 09, 2020

Outra poesia de Philip Larkin

 

TO FAILURE

 Philip Larkin

You do not come dramatically, with dragons

That rear up with my life between their paws

And dash me butchered down beside the wagons,

The horses panicking; nor as a clause

Clearly set out to warn what can be lost,

What out-of-pocket charges must be borne

Expenses met; nor as a draughty ghost

That's seen, some mornings, running down a lawn.

 

It is these sunless afternoons, I find

Install you at my elbow like a bore.

The chestnut trees are caked with silence. I'm

Aware the days pass quicker than before,

Smell staler too. And once they fall behind

They look like ruin. You have been here some time.

 

FALHAR

 

Você não veio dramaticamente, com dragões

desses que levariam minha vida nas suas garras

e me destruiriam ao lado das caravanas.

Os cavalos em pânico; não como uma frase

que se anuncia claramente para apaziguar o que se pode perder,

o que sai dos bolsos e deve aguentar

os gastos; nem como um fantasma que se vê

certas manhãs, correndo pelo pasto.

 

São essas tardes sem sol, eu penso

que instalo você ao meu lado como um chato.

Os castanheiros estão cobertos de silêncio. Eu estou

consciente de que os dias passam mais rápido do que antes,

que cheiram diferente também. E uma vez que eles ficam para trás

eles parecem arruinados. Você parece estar aqui há algum tempo.

Ilustração: https://amenteemaravilhosa.com.br/.

Uma poesia de Mario Montalbetti

 


DISCULPE ¿ ES AQUÍ LA TABAQUERIA?

 

Mario Montalbetti

 

Nadie dice todo. Nadie dice nada.

Lo deseable es decir poquísimo.

Callar no es más radical.

Callar es como raparse la cabeza:

el pelo vuelve a crecer.

Pero decir poquísimo, decir lo mínimo

que uno puede decir,

eso es lo que nos permite decir algo.

 

DESCULPE, ESTÁ AQUI A TABACARIA?

 

Ninguém diz tudo. Ninguém diz nada.

O desejável é dizer pouquíssimo.

O silêncio não é mais radical.

Calar é como raspar a cabeça:

o cabelo volta a crescer.

Porém, dizer pouquíssimo, dizer o mínimo

que se pode dizer,

é isso que nos permite dizer algo.

Ilustração: https://gatarosadebotas.blogspot.com/

Uma poesia de Cristina Narea

 


EL RITMO DE UNA VIDA

Cristina Narea

Llevo la ropa

descosida de orillas

rasgada de horizontes

que un día ensoñé

tan cerca.

La piel va haciendo surcos honduras

como el risco de Famara

– donde guardamos el tesoro -,

precipicios de un recuerdo cavado,

perforado de memoria.

Mientras, un pájaro

despluma su ropaje

ante mis ojos que miran

el barranco.

Es tiempo de mudas

de cambio de plumaje,

sin pelos de gato en el sofá.

Mi pantalón gira

como un ciclón en miniatura

en el vientre de la lavadora

despojando los restos

de un pasado reciente

de polyester y ecuaciones.

Y a girar

con el ritmo de una vida

que solo respira, sigue y me desnuda.

 

O RITMO DE UMA VIDA

 

Visto as roupas

descosturadas nas bordas

rasgadas de horizontes

que um dia sonhei

tão próximos.

A pele está fazendo sulcos profundos

como a falésia de Famara

- onde guardamos o tesouro -,

precipícios de uma memória escavada,

perfurado de memória.

Enquanto, um pássaro

arranca suas penugens

diante dos meus olhos que olham

o penhasco.

É tempo de mudar

de troca de plumagem,

sem pelos de gato no sofá.

Minha calça gira

como um ciclone em miniatura

no meio da máquina de lavar

despojando os restos

de um passado recente

de poliéster e equações.

E a girar

com o ritmo de uma vida

que apenas respira, segue e me despe.

Dois Poemas de Anne Carson


GOD'S HANDIWORK

Anne Carson

The best way to insult God

is to damage your uniqueness,

which God has worked on.


O TRABALHO MANUAL DE DEUS

A melhor forma de insultar Deus

é prejudicar sua singularidade,

na qual Deus tanto trabalhou.

 

LOVE TOWN

Anne Carson

She ran in.
Wet corn.
Yellow braid.
Down her back.

A CIDADE DO AMOR

Ela entrou correndo.

O milho molhado.

A trança amarela

Nas costas dela.

Ilustração: http://diocesedeosasco.com.br/.

Monday, October 05, 2020

Uma poesia de Rafael del Castillo Matamoros

 

ÉPICA

 Rafael del Castillo Matamoros

 

El poeta construye su casa con palabras

como el soldado que al regreso de la guerra

halla su patria devastada y

desnudo el torso

escribe el verso rudo

que la ha de proteger

ya para siempre

del sol

y de la lluvia...

 

Un verso

en el que los sueños sonarán a leña en el hogar

darán calor

y ganas de cerrar por un rato los ojos

mientras la casa crece

mientras crece el poema...

 

ÉPICO

 

O poeta constrói sua casa com palavras

como o soldado que ao regressar da guerra

encontra sua pátria devastada e

com o torso desnudo

escreve o verso rude

que a há de proteger

já para sempre

do sol

e da chuva....

 

Um verso

em que os sonhos soarão como a lenha no lugar

darão calor

e desejos de fechar os olhos um instante

enquanto a casa cresce

enquanto cresce o poema.


Ilustração: https://www.definicionabc.com/.

Outra poesia de Maria Marchesi

 


Maria Marchesi


E’ offesa la carne, la pelle,

gli occhi, le mani. E’ offesa

la mia anima che ha trovato

calcare e grumi di tempesta e morte

nel suo giardino di chimere. Un fiotto

di larve si spampana per l’aria,

una parte di me ancora combatte

per non cadere nel logoro dondolare

del non dolore,

del non esistere esistendo.

 

Estão ofendidas a carne, a pele,

os olhos, as mãos. Está ofendida

minha alma que há encontrado

calcário e coágulos de tempestade e morte

no seu jardim de quimeras. Um fluxo

de larvas se espalha no ar,

uma parte de mim ainda combate

para não cair na balanço esfarrapado

da não dor,

de não existir existindo.

Ilustração: Wordpress.com.

Friday, October 02, 2020

Uma poesia de Juan Bautista Aguirre

 

SONETO MORAL

 Juan Bautista Aguirre

No tienes ya del tiempo malogrado

En el prolijo afán de tus pasiones,

Sino una sombra, envuelta en confusiones,

Que imprime en tu memoria tu pecado.

 

Pasó el deleite, el tiempo arrebatado

Aún su imagen borró; las desazones

De tu inquieta conciencia son pensiones

Que has de pagar perpetuas al cuidado.

 

Mas si al tiempo dejó para tu daño

Su huella errante, y sombras al olvido

Del que fue gusto y hoy te sobresalta,

 

Para el futuro estudia el desengaño

En la imagen del tiempo que has vivido,

Que ella dirá lo poco que te falta.

 

SONETO MORAL

Não tens já do tempo malogrado

No puro entusiasmo de tuas paixões,

Senão uma sombra, envolta em confusões

Que imprime em tua memória teu pecado.

 

Passou o deleite, o tempo arrebatado

Até mesmo sua imagem borrou; as agitações

Da tua consciência inquieta são pensões

Que hás de pagar perpétuas aos cuidados.

 

Mas se algum tempo deixou para o teu dano

Sua trilha errante e sombras do olvido

Do que foi gosto e hoje te sobressalta,

 

Para o futuro estuda o desengano

Na imagem do tempo que hás vivido,

Que ela te dirá o quão pouco que te falta

Ilustração: https://www.medicaldaily.com/.

Thursday, October 01, 2020

Volta William Butler Yeats

 

POLITIC

William Butler Yeats

 'In our time the destiny of man prevents its meanings

in political terms.' (Thomas Mann).

 

How can I, that girl standing there,

My attention fix

On Roman or on Russian

Or on Spanish politics?

Yet here's a travelled man that knows

What he talks about,

And there's a politician

That has read and thought,

And maybe what they say is true

Of war and war's alarms,

But O that I were young again

And held her in my arms!

 

POLÍTICA

‘Em nosso tempo, o destino do homem previne seus significados

em termos político’ (Thomas Mann)

 

Como posso, aquela garota parada ali,

ter minha atenção fixa

em romano ou russo

nu na política espanhola?

Ainda assim, aqui está um homem viajado que sabe

sobre o que ele fala,

e há um político

que leu e pensou,

e talvez o que eles dizem seja verdade

de guerra e alarmes de guerra,

mas ó aquele eu era jovem novamente

e segurei-a nos meus braços!

Ilustração: ms.gov.br.