Saturday, August 01, 2020

Uma poesia de Lupercio Leonardo de Argensola

No fueron tus divinos ojos, Ana                

Lupercio Leonardo de Argensola

 No fueron tus divinos ojos, Ana,

Los que al yugo amoroso me han rendido;

Ni los rosados labios, dulce nido

Del ciego niño, donde néctar mana;

Ni las mejillas de color de grana;

Ni el cabello, que al oro es preferido;

Ni las manos, que a tantos han vencido;

Ni la voz, que está en duda si es humana.

Tu alma, que en todas tus obras se trasluce,

Es la que sujetar pudo la mía,

Porque fuese inmortal su cautiverio.

Así todo lo dicho se reduce

A sólo su poder, porque tenía

Por ella cada cual su ministerio.

 

NÃO FORAM TEUS DIVINOS OLHOS, ANA

 

Não foram teus divinos olhos, Ana,

Os que ao jugo do amor me tenham rendido;

Nem os lábios rosados, doce ninho

Da criança cega, onde o néctar emana;

 

Nem mesmo as bochechas encarnadas;

Nem o cabelo, que ao ouro é preferido;

Nem as mãos que a tantos hão vencido;

Nem a voz, que se dúvida se é humana.

 

Tua alma, que em todas tuas obras brilha,

É a única que sujeitar pode a minha,

Porque é imortal seu cativeiro.

 

Assim  o que foi dito se reduz

Apenas ao seu poder, porque tinha

Por ela, cada qual seu ministério.

 

Ilustração: https://amazingy.com/.


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