Monday, October 21, 2019

Uma poesia de Carmen Matute


DESEO                          
Carmen Matute

Aún deseo
mis antiguos tiempos
fetales,
en que fui pez
opalescente y ciego.
Mis tiempos de transparencias
líquidas
cuando la premonición
no se aglutinaba en mi garganta,
y el dolor
imponente me olvidaba.
Aún poseo
el dulce anhelo
del retorno al líquen,
al húmedo,
indefinible origen.

DESEJO

Ainda desejo
meus velhos tempos
fetais,
em que fui peixe
opalescente e cego.
Meus tempos de transparências
líquidas
quando a premonição
não se aglutinava na minha garganta,
e a dor
imponente me esquecia.
Ainda possuo
o doce desejo
do retorno ao líquen,
à úmida
origem indefinível.


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