Sunday, May 22, 2011

Lizalde de volta


Bellísima

Eduardo Lizalde

Y si uno de esos ángeles
me estrechara de pronto sobre su corazón,
yo sucumbiría ahogado por su existencia
más poderosa.

Rilke, de nuevo

Óigame usted, bellísima,
no soporto su amor.
Míreme, observe de qué modo
su amor daña y destruye.
Si fuera usted un poco menos bella,
si tuviera un defecto en algún sitio,
un dedo mutilado y evidente,
alguna cosa ríspida en la voz,
una pequeña cicatriz junto a esos labios
de fruta en movimiento,
una peca en el alma,
una mala pincelada imperceptible
en la sonrisa...
yo podría tolerarla.

Pero su cruel belleza es implacable,
bellísima;
no hay una fronda de reposo
para su hiriente luz
de estrella en permanente fuga
y desespera comprender
que aun la mutilación la haría más bella,
como a ciertas estatuas.

De: La zorra enferma

Belíssima

Ouça-me você, belíssima,
não suporto o seu amor.
Olhe-me, observe como
seu amor dana e destrói.
Se você fosse um pouco menos bela,
se tivesse algum defeito em algum lugar,
um dedo mutilado e evidente,
um tom ríspido na voz,
uma pequena cicatriz junto a esses lábios
de fruta em movimento,
um defeito na alma,
uma má pincelada imperceptível
no sorriso
eu poderia tolerar.

Porém, sua beleza é implacável,
belíssima;
não há uma fresta de repouso
para sua contundente luz
de estrela em permanente fuga
e desespera compreender
que ainda que houvesse qualquer mutilação
somente a faria mais bela
como a certas estátuas.

Eduardo Lizalde


Recuerdo que el amor era una blanda furia...

Eduardo Lizalde

"Lo he leído, pienso, lo imagino;
existió el amor en otro tiempo."
Será sin valor mi testimonio.

(Rubén Bonifaz Nuño)

Recuerdo que el amor era una blanda furia
no expresable en palabras.
Y mismamente recuerdo
que el amor era una fiera lentísima:
mordía con sus colmillos de azúcar
y endulzaba el muñón al desprender el brazo.
Eso sí lo recuerdo.
Rey de las fieras,
jauría de flores carnívoras, ramo de tigres
era el amor, según recuerdo.
Recuerdo bien que los perros
se asustaban de verme,
que se erizaban de amor todas las perras
de sólo otear la aureola, oler el brillo de mi amor
—como si lo estuviera viendo—.

Lo recuerdo casi de memoria:
los muebles de madera
florecían al roce de mi mano,
me seguían como falderos
grandes y magros ríos,
y los árboles —aun no siendo frutales—
daban por dentro resentidos frutos amargos.
Recuerdo muy bien todo eso, amada,
ahora que las abejas
se derrumban a mi alrededor
con el buche cargado de excremento.

De: El tigre en la casa

Recordo que o amor era uma fúria branda ...

"Eu leio, penso, o imagino;
existia o amor em outro tempo.
Será sem valor meu testemunho”.

Rubén Bonifaz Nuño


Recordo que o amor era uma fúria branda
não expressável em palavras.
E a mesmamente recordo
que o amor era uma fera lentíssima:
mordia com seus dentes de açúcar
e adoçava o coto ao despedaçar o braço.
Isto eu recordo.
Rei das feras,
maço de flores carnívoras, buquê de tigre
era amor, se bem me recordo.
Recordo bem que os cães
se assustavam ao me ver,
que se eriçavam de amor todas as cadelas
ao verificar apenas a aura, o cheiro, o brilho do meu amor
-Como se o estivesse vendo.

Eu me recordo quase de memória:
os móveis de madeira
floresciam ao roçar de minha mão,
Me seguiam como crianças de colo
os magros e grandes rios,
e as árvores, mesmo não sendo de frutos,
davam ressentidos frutos amargos por dentro.
Recordo bem de tudo isto, amada,
agora que as abelhas
caem em torno de mim
com a barriga cheia de excrementos.

Sunday, May 15, 2011

Robayna de novo


El libro tras la duna II

Andrés Sánchez Robayna

Todo comienzo es ilusorio.
Todo comienzo es sólo un enlazarse
del principio y del fin en la cadena
del tiempo, es el instante
en que creímos ver el nacimiento
y el nacimiento es sólo un acto
de lo incesantemente renacido
—es decir, estas líneas semejan un comienzo
pero el comienzo surge a cada instante,
como la lluvia que esta tarde
vi caer sobre el mar
y esta tarde es tan solo una tarde del tiempo que renace
en un eterno recomienzo
y la lluvia y la tarde se han hundido en el tiempo
en el que ruedan siempre las nubes agolpadas
sobre los mármoles celestes

y la línea inicial es un comienzo
y la línea final será un comienzo.

O livro por trás da duna II

Todo começo é ilusório.
Todo começo é apenas um enlaçar-se
do princípio e do fim da cadeia
do tempo, é o momento
em que acreditamos ver o nascimento
e o nascimento é só um ato
do incessante renascer
-quer dizer, estas linhas semeiam um começo
porém, o início surge a cada instante
como a chuva desta tarde
vi cair sobre o mar
e esta tarde é tão só uma tarde do tempo que renasce
em um eterno recomeço
e a chuva e a tarde se fundiram no tempo
em que rodam sempre as nuvens apressadas
sobre os mármores celestes

e a linha inicial é um começo
e a linha final será um começo.

Um tema eterno


Foi Assim

O meu amor aconteceu
como acontece, em geral, o amor.
Como um passarinho veio,
de mansinho pousou
e, sem precisão, bicou meu coração
que despertou
e me deixou tão tolo, tão contente
tão feliz que, de repente,
me vejo assim fazendo versos para você.

Um tema singelo


A mesa e as frutas

As frutas soltas na mesa
parecem uma lição

do mundo sobre o método
e da feroz necessidade

de ter diversidade, mas,
com limites e organização.

Parecem mesmo pedir,
rogar por alguma mão

ou, quem sabe, uma cesta
que dê a cada um seu lugar

e traga para tudo ordem
que, em certas horas, é beleza.

Andrés Sánchez Robayna


Mesas y naranjas

Andrés Sánchez Robayna

las líneas de la mesa
interrumpidas por naranjas

dispuestas en un plano
sobre la luz del cuarto blanco

abajo el mar se tiende
bajo la mano de los elipses

la luz inunda el cuarto
y las naranjas se acumulan

sobre la luz que entra
y que se tiende en la blancura

de este cuarto y el plano
de las naranjas y la mesa

De "La roca" 1984

Mesas e laranjas

As linhas da mesa
interrompidas por laranjas

dispostas em um plano
sobre a luz do quarto branco

tende a seguir o mar abaixo
sob as mãos das elipses

a luz inunda o quarto
e as laranjas e acumulam

sobre a luz que entra
e que se estende na brancura

deste quarto e o plano
das laranjas e e da mesa

Friday, May 13, 2011

Beneditti outra vez


El infinito

Mario Benedetti

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.

Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.

O infinito

De um tempo para cá
o infinito
se encolheu
perigosamente.

Quem iria supor
que segundo a segundo
cada migalha
de seu pão sem limites
iria, assim despedaçar-se
como um seixo que rola
no abismo.

Mario Benedetti


Sobrevivientes

Mario Beneditti

Cuando en un accidente
una explósion
un terremoto
un atentado
se salva cuatro o cinco
creemos
insensatos
que derrotamos a la muerte

pero la muerte nunca
se impacienta
seguramente porque
sabe mejor que nadie
que los sobrevivientes
tambien mueren


Sobreviventes

Quando num acidente
uma explosão
um terremoto
um atentado
se salvam quatro ou cino
acreditamos
insensatos
que derrotamos a morte

porém, a morte nunca
se impacienta
seguramente porque
sabe melhor que ninguém
que os sobreviventes
também morrem

Wednesday, May 11, 2011

Poemas mal comportados


Eu sou um cachorro sim!

Que todo homem é um cachorro-ela me disse.
Tentei argumentar que era tolice
E até apelar para Waldick Soriano em vão.
Tive que admitir que sou um cão
De tão fiel ao meu grande amor
Que chego ao ponto de ter o maior pavor
De perder seu apaixonado coração.
Me chame de cachorro que não me importo não.
Mas, não me deixe, por favor, não.
Que ficarei, eterno e manso cão
Lambendo, lambendo...a sua mão!

Ilustração: Site Bobagens

Poemas mal comportados


A melhor droga

Na vida se embriagar é uma necessidade.
Qual o seu tipo preferido? Sua verdade?
O vinho, o amor ou a prece, tanto faz.
O essencial é afogar a razão
Criar uma desculpa para o sentido vão.
É buscar a ilusão que nos satisfaz
Porque até mesmo a religião é uma droga
Que, por meio de preces, a embriagues roga
E o amor acaba, como o álcool, sendo
Só um meio do medo se ir vencendo
Para quem na vida precisa de um esteio.
Vem, amor, me beija, que me beijar
Como tudo na vida é apenas um meio
De provar que é preciso se embriagar.

Ilustração: falarica.blogspot.com

Sunday, May 08, 2011

Borges mais uma vez


El enamorado

Lunas, marfiles, instrumentos, rosas,
lámparas y la línea de Durero,
las nueve cifras y el cambiante cero,
debo fingir que existen esas cosas.
Debo fingir que en el pasado fueron
Persépolis y Roma y que una arena
sutil midió la suerte de la almena
que los siglos de hierro deshicieron.
Debo fingir las armas y la pira
de la epopeya y los pesados mares
que roen de la tierra los pilares.
Debo fingir que hay otros. Es mentira.
Sólo tú eres. Tú, mi desventura
y mi ventura, inagotable y pura.

O enamorado

Luas, marfins, ferramentas, rosas,
lâmpadas e as linhas de Dürer
os nove números e o cambiante zero,
devo fingir que essas existem coisas.
Devo fingir que no passado foram
Persépolis e Roma e que uma areia
sutil mediu a sorte de uma ameia
que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
da epopéia e dos pesados mares
que roem da terra os pilares.
Devo fingir que existem outros. É uma mentira.
Só tu és. Tu, minha desventura
e minha felicidade, inesgotável e pura.

Borges


Despedida

Jorge Luiz Borges

Entre mi amor y yo han de levantarse
trescientas noches como trescientas paredes
y el mar será una magia entre nosotros.
No habrá sino recuerdos.
¡Oh tardes merecidas por la pena!
Noches esperanzadas de mirarte,
campos de mi camino, firmamento
que estoy viendo y perdiendo....
Definitiva como un mármol
entristecerá tu ausencia otras tardes.

Despedida

Entre meu amor e eu hão de levantar-se
trezentas noite como trezentas paredes
e o mar será uma magia entre nós.
Não haverá senão recordações.
Oh! Tardes merecidas como penas!
Noites esperançosas de te olhar,
campos do meu caminho, firmamento
que estou vendo e perdendo...
Definitiva como um mármore
tua ausência entristecerá outras tardes.

César outra vez


Algo secreto

César Simon
A Federico Chopin

Hay en tu vida algo secreto;
es una noche en una casa,
los balcones abiertos al jardín.
En las habitaciones ya no hay nadie,
y, fuera, sólo luz lunar.
Pero el piano suena quedamente
con una melodía muy antigua,
tan antigua que nunca ha enmudecido.
Un pájaro es quien canta, hay una rosa
y hay una espina, en el balcón.
Tú eres el pájaro que canta.
Tu voz es inmortal, porque no es tuya.
y tu carne es efímera y doliente.

De "Templo sin dioses" 1996

Algo secreto

Há em tua vida algo secreto;
uma noite em uma casa
as varandas abertas sobre o jardim.
Nos quartos não há ninguém,
e, lá fora, somente o luar.
Porém, o piano soa mansamente
com uma melodia muito antiga,
tão velha que nunca se acabou.
Um pássaro é quem canta, há uma rosa
e há um espinho na varanda.
Tu és o pássaro que canta.
Tua voz é imortal, porque não é tua.
e tua carne é efêmera e dolente.

César Simon


Vientos

César Simon

Sé que meditas. Pero ven,
saca la testa del rebozo
de oscuras lanas y arpilleras.
Mira esa leve sombra, oye el portazo
-sobre el desnudo- de los vientos.

De "Estupor final" 1971 - 1977

Ventos

Sei que tu meditas. Porém, vem,
toma da cabeça o xaile
de lã escura e serrapilheiras.
Veja esta leve sombra, ouve a porta bater
-sobre o nu-dos ventos.

Wednesday, May 04, 2011

Júlio César Pol


Catapulta
Júlio César Pol

Y descubrirnos esa vieja tecnología en los sexos. /
A rudos tropiezos adentramos pies y manos / a ese
acre olor de eras / a esa oscura cabina de poca luz. /
Y tensamos con fuerza instrumentos. / Quebramos
engranajes. / Movimos con desespero ejes oxidados
/ y nos afanamos en la torpeza; / nos descubrimos en
la torpeza / tanteando a oscuras manuales: / el braille
en los poros que no entendimos. /Así de inexpertos /
nos decidimos a correr la máquina / que nos arrastró
por vicios / y entrecuerpos.

Catapulta

E descobrimos essa velha tecnologia nos sexos. /
a rudes tropeços enfiamos pés e mãos / a esse
acre odor de eras/a essa obscura cabine de pouca luz./
E tensionamos com força os instrumento. / Quebramos
engrenagens. / Movemos com desespero os eixos oxidados
/e nos esforçamos na torpeza; nos descobrimos
na torpeza / tateando em escuros manuais; / o braille
nos poros que não entendemos. / Assim como inexperientes /
nos decidimos a mover a maquina / que nos arrastou
por vícios / e entrecorpos.

Felizinha!


Há loucuras das quais não se pode fugir
E, desde que te conheço,
Ando a rir como um demente
E, se isto é ser louco,
Estou louco de contente
E nem ligo se me apontam:
-Tão felizinha!
Podem zombar da minha loucura
tão doce, tão minha.
A lógica é só uma luzinha
E todo o prazer que tenho
Vem das sombras que ela tem
E deste meu imenso querer bem.

Sunday, May 01, 2011

Ainda Cristina Maya

Presencia

Cristina Maya

Todo lo llena tu presencia:
lo distante y lo próximo,
lo pequeño y lo grande,
el delicado nudo de los sueños.
El mundo es una larga huella tuya
y yo piso la tierra
desterrando el olvido.

Presença

Tudo está pleno de tua presença:
o distante e o próximo,
o pequeno e o grande
o delicado ninho dos sonhos.
O mundo é uma seqüência longa tua
e eu piso a terra
desterrando o esquecimento.

Cristina Maya


Tras tu sombra

Cristina Maya


Transfigurado en una luz más pura,
en ese límite soñado
que contemplamos juntos,
invencible en tu mundo y sublimado
surges en mi recuerdo como un símbolo.
¿En qué lugar, qué puerto,
qué territorio habitarás ahora?
Vivo por ti, viviendo tras tu sombra
y en el continuo miedo de perderte,
de no encontrar la ruta,
de dar mil vueltas
en la ilusión frenética del tiempo.
Tiembla la noche de mi insomnio,
¿qué país es el tuyo?
¿A dónde habrás viajado
desafiando las sombras?
Sólo sé que me adentro
sutilmente en la ausencia,
en un mundo impreciso que no tiene salida,
donde voy sumergiéndome
hondamente a tu lado.

Depois de tua sombra

Transfigurado na luz mais pura,
nesse limite sonhado
que contemplamos juntos,
invencível em teu mundo e sublimado
surges em minha memória como um símbolo.
Em que lugar, em que porto,
que território habitarás agora?
Vivo por ti, vivendo atrás da tua sombra
e com o medo constante de perder-te,
de não encontrar a rota,
de dar mil voltas
na ilusão frenética do tempo.
Treme a noite de minha insônia,
Que país é o teu?
Para onde tu viajastes
desafiando as sombras?
Só sei que me adentro
sutilmente na ausência
em um mundo impreciso que não tem saída,
onde estou submergindo
profundamente a teu lado.

Amor e risco


Não pense que te esqueço!
Não há possibilidade de te esquecer,
Enquanto o meu coração bater,
Enquanto houver em mim
Este desejo que me impele a pensar em ti
E me arrepia a pele e me faz sonhar.
Se, muitas vezes, mergulho no silêncio;
Se parece que nem me importo
Onde andas, onde estais,
É que meu coração precisa de alguma paz.
É que este fogo que me queima
Me faz querer muito mais do que eu posso dar,
Enfim, meu amor, é que não posso correr o risco
De morrer de tanto amar!
Ilustração: advola.blogspot.com

Tuesday, April 26, 2011

Miguel Arteche


CANCION DEL RÍO INDIFERENTE

Miguel Arteche

Cuando las soledades metálicas de las ruedas hicieron
vibrar tu cabeza rasgada por estrellas
-rápido, señorial, antiguo,
inmutable, prisionero por las islas de arena-,
reposaste fluyendo, en la noche, en la muerte.

Cuando la punta yerta de la flecha se hundió en tierra,
y el cuerpo sigiloso del conquistador, vencido, cayó en tierra
haciéndose igualmente hueso: tú entrabas en el mar,
te detenías huyendo, en la noche, en la muerte.

Cuando todo sea olvidado (porque todo será olvidado);
cuando no recordemos quiénes fuimos bajo ese árbol que ha de ser
una mesa,
y cuando la mesa se transforme en el fuego,
y cuando todo se restituya en ti -¡oh madre tierra!-, en tu terrón
amargo:
tú fluirás cantando, seguramente cantando
en la noche, en la muerte.

Canção do rio indiferente

Quando as solidões metálicas das rodas fizerem
vibrar a tua cabeça rasgada por estrelas
-rápido, elegante, antigo,
imutável, prisioneiro das ilhas de areia
repousarás fluindo, na noite, na morte.

Quando a ponta da flecha se afundar imóvel no chão,
e o corpo do conquistador em silêncio, vencido, caiu na terra
fazendo-se igualmente osso: tu entravas no mar,
te detinhas fugindo, na noite, na morte.

Quando tudo estiver esquecido (porque tudo será esquecido);
quando não nos lembrarmos de quem fomos sob esta árvore que há ser
uma mesa
e quando a mesa se transformar em fogo,
e quando tudo se restitua em ti - oh mãe terra! - em tua protuberância
amarga
tu fluirás cantando, seguramente cantando,
na noite, na morte.

Saturday, April 23, 2011

Rojas de volta


Retozo

Jorge Rojas

Escucha, no importa que te lo diga
por teléfono,
de todos modos son palabras
a tu oído.

Te amo.

¿Por qué somos así?

Mientras tú hueles una rosa
yo gusto un vino.

Porque somos así
iguales cada uno
en la plenitud de su destino.

Me amas como soy
si no sería equivocarte.

Te amo, y me equivoco
y vuelvo a amarte.

¡Cómo te amo!

Brincadeirinha

Ouça, não importa o que te digo
por telefone
são palavras de qualquer jeito
no teu ouvido.

Eu te amo.

Por que somos assim?

Enquanto tu és perfumada como uma rosa
Eu gosto de um vinho.

Porque nós somos assim
igualdade de cada um
na plenitude de seu destino.

Me amas do jeito que sou
senão seria equivocar-se

Eu te amo, e me equivoco
e volto a te amar.

Como te amo!

Jorge Rojas


Vida

Jorge Rojas

Vivir como una isla,
lleno por todas partes
de ti, que me rodeas
ya presente o distante

con un temblor de luz
primera, sin pulir,
sin arista de tarde,
ni sombra de jardín.

Y ángeles en espejos
guardando tu mirada
para hacerse verdades
y noches estrelladas.

Vida

Viver como uma ilha
pleno em todas as partes
de ti, que me rodeias
já presente ou distante

com um tremor de luz
primeira, sem adereços,
sem aresta de tarde
ou jardim sombreado.

E os anjos nos espelhos
guardam os teus olhos
para fazer verdades
e noites estreladas.

Thursday, April 21, 2011

Uma nova traiçãozinha...


Só para provar que minha professora de inglês não tem culpa de nada e acerta até quando só vê um pedaçinho do seu aluno malcriado!

Afterbelievers

Paul Nguyen

Love is like your shadow, stop trying to chase after it,
because it'll run away from you.
Learn hard to walk away from it
than it'll come after you.

Além das crenças

O amor é como tua sombra, pare de tentar persegui-lo,
porque ele fugirá de ti.
Aprenda, por mais que seja difícil, a renunciar
que ele virá atrás de ti.

César Moro


El amor al desperdirse

César Moro

El amor al despedirse dice: sueña conmigo
el sueño es una bestia huraña
que hace revolverse los ojos con la respiración
entrecortada pronunciar tu nombre
con letras indelebles escribir tu nombre
y no encontrarte y estar lejos y salir dormido
marchar hasta la madrugada a caer en
el sueño para olvidar tu nombre
y no ver el día que no lleva tu nombre
y la noche desierta que se lleva tu cuerpo

O amor ao se despedir

O meu amor ao se despedir disse: sonha comigo
o sonho é uma besta mal-humorada
que me faz revolver os olhos e, com a respiração
entrecortada, pronunciar o teu nome
com letras indeléveis escrever o teu nome
e não encontrar-te e estar distante e sair dormido
marchando até a madrugada cair no
sonho para esquecer o teu nome
e não ver o dia que não leva o teu nome
e a noite deserta que leva o teu corpo.

Tristeza...não tem fim...


TRISTESSE

Alfred de Musset

J’ai perdu ma force et ma vie.
Et mes amis et ma gaîté;
J’ai perdu jusqu’à la fierté
Qui faisait croire à mon génie.

Quand j’ai connu la Vérité,
J’ai cru que c’était une amie;
Quand je l’ai comprise et sentie,
J’en étais déjà dégoûté.

Et pourtant elle est éternelle
Et ceux qui se sont passés d’elle
Ici-bas ont tout ignoré.

Dieu parle, il faut qu’on lui réponde.
Le seul bien qui me reste au monde
Est d’avoir quelquefois pleuré.

Tristeza

Eu perdi a minha força e a vida.
E meus amigos e a alegria;
Eu perdi o orgulho
Que me dava a impressão de genialidade.

Quando eu vi a Verdade
Eu pensei que era um amigo;
Quando a percebi e senti,
Eu já estava perturbado.

E, no entanto, eterna é ela
E quem passou por ela
Vê abaixo o que é de todos ignorado.

Deus fala, devemos uma resposta.
O único bem que no mundo me resta
Foi, muitas vezes, ter gritado.

Canção do amor distante


Talvez seja ilusão
desta paixão escondida
ser razão de tanta vida
sem ninguém saber de nada.
Até mesmo quando minto
só disfarço o amor que sinto,
esta coisa tão sagrada
sendo assim tão pecadora
percebe que o mundo doura
em pensar na doce amada.
Percebo na madrugada
seu perfume no jasmin,
que me dá a certeza, enfim,
da dor, que dói tanto em mim,
da distância que separa.
E o amor, que é dor não pára,
para não me deixar impune
a distância que separa
é o que ainda mais nos une!

Wednesday, April 20, 2011

Justificativa inútil


Se foi preciso
Subires nas alturas
Para perderes num avião tua razão
Nem deves ligar, ò santa criatura,
Se não te ligo, se não te dou noticias não.
É sempre por um motivo justo
que justifico tamanha distração
e sou o mesmo que tanto te adora
que não diz nada e te envia uma canção.
Podes me insultar, me castigar,
se assim quiseres,
me chamar mesmo de abjeto e vil,
de um inútil para todas as mulheres,
porém, só irás provar, amor, que tu me queres,
que, igual a mim, por pimentas, pirulitos, picolés
és louca,
e provocar minha vontade tão gentil
de sempre, sempre te amar
e morrer de gozar...
como sonhas na tua imaginação.

Como no cinema


Quando tu chegastes,
uma lua radiosa,
te vi tão formosa
que nem tive hesitação,
fui no se colar, colou,
com todo o coração
e te passei a mão,
a língua, o braço, o dedo,
sem receio ou medo,
e veio, então, o beijo
que só selou o desejo,
o gosto, a emoção
e, como no cinema,
tocou uma canção.
Me vi em Bagdá,
dormi em Bariloche,
acordei em Casablanca,
corri por Zanzibar
em grego fui falar
somente com o intento
de te amar, te amar, te amar...

Saturday, April 16, 2011

Novamente Juarroz


Poesía vertical 24

Roberto Juarroz


Darlo todo por perdido.
Allí comienza lo abierto.

Entonces cualquier paso
puede ser el primero.
O cualquier gesto logra
sumar todos los gestos.

Darlo todo por perdido
Dejar que se abran solas
las puertas que faltan.

O mejor:
dejar que no se abran.

Poesia vertical 24

Dar tudo por perdido.
Ali ó o começo da abertura.

Portanto, qualquer passo
pode ser o primeiro.
Ou qualquer gesto logra
somar todos os gestos.

Dar tudo por perdido
Deixar que se abram só
as portas que faltam.

Ou melhor:
deixar que não se abram.

Roberto Juarroz


Porque esta noche no duermes lejos...

Roberto Juarroz

Porque esta noche duermes lejos
y en una cama con demasiado sueño,
yo estoy aquí despierto,
con una mano mía y otra tuya.
Tú seguirás allí
desnuda como tú
y yo seguiré aquí
desnudo como yo.
Mi boca es ya muy larga y piensa mucho
y tu cabello es corto y tiene sueño.
Ya no hay tiempo para estar
desnudos como uno
los dos.


Porque esta noite não dormes longe ...


Porque esta noite dormes longe
e em uma cama com demasiado sono
Eu estou aqui acordado
com uma mão minha e a outra tua.
Tu seguirás por ali
desnuda como tu
e eu seguirei aqui
desnudo como eu.
Minha boca é já muito larga e pensa muito
e teu cabelo é curto e tem sono.
Já não há tempo para estar
desnudos como ambos
estamos.

Thursday, April 14, 2011

Explicaçãozinha do maior amor


É preciso apenas que tu entendas
Que o meu amor também se alimenta do silêncio.
Às vezes até me canso de mim mesmo
E minha alma, que não tem pauta,
Segue seus compassos desarmoniosos pela vida
Dançando de forma errante e misteriosa.
Nem pense que não é por te amar, querida,
Nem que no meu coração não sigas
Como a jóia mais preciosa.
Mas, crê em mim,
Que a melhor proteção até mesmo das rosas,
Muitas vezes, é a distância e o isolamento.
Se afastar, algumas vezes, é por fermento
No pão de cada dia
E comemorar isto com a alegria.
Como eu poderia te explicar
Que quanto menos convivo
Mais aumenta meu desejo de te amar
E, mesmo assim, distante
Sei que não consigo mais viver sem ti
De forma que quando chego
Sinto um desejo imenso de partir...
Só para te amar mais do que te amo.

Tuesday, April 12, 2011

A minha alma dança...


Perto de ti dança,
voa, voa minha alma,
Completamente desarmada
Como se fosse um cupido inocente
Que pode errar a seta,
Mas, deixa o veneno do amor
No olhar, na vontade infinita de amar
Na presença e também no silêncio
De quem sabe que o amor é uma loucura,
Sem cura, sem cura, sem cura....

Paraíso Proíbido


Nunca pensei que nosso amor
Fosse ficar tão triste
Por um tempinho assim
No qual não te falei.
Talvez eu não seja mesmo
O que lhe convém,
Mas, feche os olhos
E pense como te quero bem.
Esta tristeza não pode perdurar
Afinal teus olhos não foram feitos
Para guardar imagens sem sentido
Eu sei que teu coração pode estar ferido
Por jamais ser o que tu desejavas
Porém, não tenho a menor culpa
De que antes de conhecer já te amava
E se tu és meu paraíso proibido
Não estou nem aí para o pecado
Quero é comer a maça de teu lado!

Monday, April 11, 2011

Aprendizado II


Bem que tentei te ensinar economia,
porém, apenas aprendi
que a ordem dos fatores
tudo altera.
De modo que, se professor eu antes era,
agora aluno aplicado sou
da professora que me ensina
amor.

Brincadeirinhas


Aprendizado I

Eu que já fui teu professor,
E nem me lembro,
Agora aprendo,
feliz e infantil,
a pesquisar a ingênua beleza
que existe na tua natureza,
contraditoriamente,
tão selvagem e culta
que descubro outra criança
na mulher tão adulta.

Sunday, April 10, 2011

Devoção


Eu sei que, muitas vezes, meu amor,
Não sou, nem faço, o que desejas
E pareço que adoro malabares.

Eu sei que, muitas vezes, me esperas
Enquanto me perco pelos bares
Ou apenas olhando o sol se por.

Outras vezes, em dois lugares
Ainda, por azar, não posso estar
E, a fraqueza minha, é tua decepção.

Porém, os crentes, em outro lugar,
Cultivam seus deuses nos altares
E, em todo lugar, estais no meu coração.

Vê, mulher, que estou a teus pés!
Sê bondosa, segue tua percepção
De que é a minha devoção te amar!

Saturday, April 09, 2011

Historinha pra lá de infantil


Final feito por você

Eu deveria te devorar
Como o lobo mau fez com o chapeuzinho.

No entanto, hoje, me senti tão cansadinho
Que nem saí da cama.
Havia em mim preguiça de uma semana,
Dois meses, um ano...

Sei que cometi um erro, um engano.
Que amanhã talvez não possa te devorar
Que você nem queira mais
Andar pela floresta
Para que possa fazer festa.

As histórias modernas são assim
Já não se pode contar com o mesmo começo
Quanto mais com o mesmo fim,

Mas, sou humilde e te peço...rima por mim!

SEM DESCULPAS


Podes reclamar dos dias que não te vejo,
Dos dias que não te beijo,
Dos dias que nem dou notícia,
Dos dias que quedo vencido pela preguiça.
Podes reclamar que te dou razão
E reconheço a fraqueza de minha posição.
Eu não reclamo não.
Eu nada digo
E a vida sigo,
Mas, no meu coração,
Todos os dias são inúteis e sem vida,
Minha querida, se não te posso amar.
Continua me amando como forma de me perdoar!

Thursday, April 07, 2011

Tudo tem seu tempo certo....


Velhas lembranças

O teu amor
Que é quase como se fosse um estepe
É a única coisa que me faz serelepe
Que me faz sorrir e cantar
Ainda que isto seja estragar outros ouvidos
E esgotar os sentidos em tentativas de amar
mais do que posso.
Todo o entorno, porém, pouco importa
Se há ideias, momentos, detalhes tão nossos
Que me sinto tão feliz como te sentes
Por trás de véus, de cortinas e de portas
E guardamos estes segredos ternamente
Como um arco-iris que a chuva levou ...

Há um tempo em que haveremos de esquecer
Tanta coisa que nos tornou tão felizes.
E nos dias em que houver uma chuvinha
Em que os pingos cantarem no telhado,
Ainda haverá em ti um resto de memória
Que há de te dar um vago sentimento de euforia
E dirás mesmo sem pensar de onde viria
Que tudo passou, mas, foi uma glória...
Sentirás que fostes amada-tua maior vitória-
E rirás e dançarás feito uma louca
E gemerás como se beijada na boca!

Entre os vários mistérios...o do desencontro


O mistério do desencontro

Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explica
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!

Marchinha da Boa Vida


A vida é boa

Nem quero saber de nada
Tô à-toa, à-toa
Vamos nesta pisada
Que a vida é boa,
Que a vida é boa!

Balança, meu amor,
Dança, dança,
Me olha, mais uma vez,
Com este jeito sedutor
Que pra onde quiser ir eu vou!

Sei que a música tá no fim,
Mas, pode deixar ela acabar
Que, meu bem, há o amanhã sim
E a vida tão boa, tão linda
Tão doce há de continuar..

Não preciso nem de carnaval
Que minha folia é te beijar.
Vem, meu amor, que a vida é boa
Enquanto eu poder te amar!

Um Van Gogh do amor


Nada do que fizermos há de mudar o que houve.
Sei que, hoje, talvez, te arrependas do amor passado,
Mas, a vida só vale à pena
Quando se olha para trás e há mais do que os ramos secos dos dias,
Quando existe a certeza de que existiu a alegria, o sentimento, a emoção!

Sei que dizes por aí que fui uma ilusão infeliz
Como se quisesses apagar a ternura que ainda me transmite
o teu olhar.
Deve ser pelo fato de que não consigas chorar
E porquê não vivemos todo o grande amor que deveríamos viver.
Sinto te dizer
Que não há tempo nem espaço para mudar
o roteiro que a vida nos deu.
O que se perdeu, se perdeu.
O que se ganhou foi a ternura, o amor
Que construímos com as palavras e os encontros
Que, mesmo não sendo tantos,
Foi palco de um gozo tão grande e infinito
Que permanece na galeria de nossas vidas
Como o quadro mais bonito
E não posso fazer nada
Se, hoje, me diz
Que o escondeu voltado para a parede.

O nosso amor foi uma obra de arte
E cada qual faz o que quer com sua parte.
A minha sempre vou expor
Como se fosse um Van Gogh do amor.

Wednesday, April 06, 2011

Então, se acreditas em mim...


Pierre de Ronsard

Donc, si vous me croyez, Mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur, la vieillesse
Fera ternir votre beauté.

( Oeuvres poétiques. Paris, Larousse, 1972)

Então, se acreditas em mim, querida,
Apesar de que tua idade floresceu,
No seu maior frescor de novidade
Colhe, colhe tua juventude:
Como a uma flor, a velhice
Não pode manchar tua beleza.

Sem morrer na praia


Não irei cair nas praias derrotado
Vencendo as ondas já morto presumido.
Segui o farol nos céus escurecido
E hei de sorrir do naufrágio passado.

Este episódio em cinzas desatado
È parte apenas de um tempo já vencido;
Todo guerreiro não se dá por perdido,
Exceto se a espada o tem atravessado.

Se a nau, o mau augúrio e as tormentas
Em conluio me ofertam as desventuras
Não me entregarei sem luta e sem combate

Sei bem que sou mortal e considero
Que vencer, viver ,de qualquer forma, quero,
E os obstáculos só um fraco é que abate!

Ainda vivo do brilho das estrelas...


Persistência indolor

Eu sei que vivo a caçar estrelas
E que meu telescópio está quebrado.
Mas, sou teimoso e, com a vista ruim,
Continuo atrás do brilho mesmo assim.
E não desisto, se uma estrela do mar,
Na minha pescaria sideral eu pego.
Erro, erro muito-isto nunca nego-
Porém, de tanto errar, quem sabe,
Um dia acerte, por ironia, a mais bela,
A que me apontastes um dia, aquela,
Que povoou os meus sonhos de amor
E apaga de todos os erros a minha dor.

Tuesday, April 05, 2011

Novamente Miguel Otero Silva


El aire ya no es aire, sino aliento...

Miguel Otero Silva

El aire ya no es aire, sino aliento;
el agua ya no es agua, sino espejo,
porque el agua es apenas tu reflejo
y ruta de tu voz es sólo el viento.

Ya mi verso no es verso, sino acento;
ya mi andar no es andar, sino cortejo,
porque vuelvo hacia ti cuando te dejo
y es sombra de tu luz mi pensamiento.

Ya la herida es floral deshojadura
y la muerte es fluencia de ternura
que a ti me liga con perpetuos lazos:

tornóse en rosa espléndida la herida
y ya no es muerte, sino dulce vida,
la muerte que me das entre tus brazos.

O ar não é o ar, mas, sim alento ...


O ar não é o ar, mas, sim alento;
a água já não é água, mas, espelho
porque a água é apenas teu reflexo
e a rota de tua voz é só o vento.

Já meu verso não é verso, sim acento
e meu andar não é andar, mas, sim cortejo
porque volto até ti quando te deixo
e é sombra de tua luz meu pensamento.

Já a ferida é desfolhada roseira
e a morte é a fluência de ternura
que a ti me liga com perpétuos laços:

Torna-se em rosa esplendida a ferida
e já não é mais a morte, mas, a doce vida
a morte que me dás entre teus braços.

Miguel Otero Silva


Calma mi sed, amor, en tus vertientes...

Miguel Otero Silva

Calma mi sed, amor, en tus vertientes,
enraízame, amor, en tus sembrados,
llévame, amor, por mares encrespados,
clávame, amor, tus uñas y tus dientes.

Di palabras, amor, incoherentes,
gime versos, amor, jamás pensados,
sacude, amor, tus pétalos mojados,
amor, sobre mis huesos combatientes.

Hiéreme, amor, con filo de claveles,
átame, amor, con tu dogal de mieles,
quémame, amor, en tu rosal de fuego.

Cimbra, amor, tu silencio estremecido,
dame tu boca, amor, que la he perdido,
muere conmigo, amor, que ya estoy ciego.

Acalma minha sede, amor, em tuas vertentes...

Acalma minha sede, amor, em tuas vertentes,
enraíza-me, amor, nos teus prados,
leva-me, amor, por mares agitados,
crava-me, amor, tuas unhas e teus dentes.

Diga palavras, amor, incoerentes,
geme poesias, amor, jamais pensadas
sacode, amor, tuas pétalas molhadas,
amor, sobre meus ossos combatentes.

Me machuca, amor, com a ponta de cravos,
ata-me, amor, com o meu de teus laços,
me queima, amor, em tua roseira de fogo.

Sustenta, amor, teu silêncio estremecido,
Dá-me tua boca, amor que hei perdido,
morre comigo, amor, que já estou cego.

Sunday, April 03, 2011

De novo Juarroz


Cada uno tiene su pedazo de tiempo...

Roberto Juarroz

Cada uno tiene
su pedazo de tiempo
y su pedazo de espacio,
su fragmento de vida
y su fragmento de muerte.

Pero a veces los pedazos se cambian
y alguien vive con la vida de otro
o alguien muere con la muerte de otro.

Casi nadie está hecho
tan sólo con lo propio.
Pero hay muchos que son
nada más que un error:
están hechos con los trozos
totalmente cambiados.

Cada um tem o seu pedaço de tempo ...

Cada um tem
o seu pedaço de tempo
e seu pedaço de espaço,
seu fragmento de vida
e seu fragmento de morte.

Porém, às vezes, as peças são alteradas
e alguém vive com a vida de outro
ou alguém morre com a morte de outro.

Quase ninguém está feito
tão só consigo próprio.
Porém, há muitos que são
nada mais do que um erro:
estão feitos com as peças
totalmente trocadas.

Ilustração: http://bnts-jrmb.blogspot.com/

Ainda Roberto Juarroz


Así como no podemos...

Roberto Juarroz

Así como no podemos
sostener mucho tiempo una mirada,
tampoco podemos sostener mucho tiempo la alegría,
la espiral del amor,
la gratuidad del pensamiento,
la tierra en suspensión del cántico.

No podemos ni siquiera sostener mucho tiempo
las proporciones del silencio
cuando algo lo visita.
Y menos todavía
cuando nada lo visita.

El hombre no puede sostener mucho tiempo al hombre,
ni tampoco a lo que no es el hombre.

Y sin embargo puede
soportar el peso inexorable
de lo que no existe.

Assim como não podemos

Assim como não podemos
sustentar por muito tempo um olhar,
tampouco podemos sustentar muito tempo a alegria,
a espiral do amor,
o pensamento livre,
a terra suspensa na canção.

Não podemos nem sequer sustentar muito tempo
as proporções de silêncio
quando algo nos visita.
Ainda menos
quando nada o visita.

O homem não pode mais sustentar muito tempo o homem,
nem tampouco o que não é homem.

E sem embargo
suportar o peso inexorável
do que não existe.

Roberto Juarroz


No se trata de hablar...

Roberto Juarroz

No se trata de hablar,
ni tampoco de callar:
se trata de abrir algo
entre la palabra y el silencio.
Quizá cuando transcurra todo,
también la palabra y el silencio,
quede esa zona abierta
como una esperanza hacia atrás.
Y tal vez ese signo invertido
constituya un toque de atención
para este mutismo ilimitado
donde palpablemente nos hundimos.

Não se trata de falar ...

Não se trata de falar
nem tampouco de calar:
se trata de abrir algo
entre a palavra e silêncio.
Talvez quando tudo se transcorra
também a palavra e o silêncio,
quedem nessa zona aberta
como uma esperança de volta.
E talvez o sinal invertido
constitua um aviso de atenção
para este mutismo ilimitado
palpável, onde nos afundamos.