Tuesday, September 18, 2007

UMA POETISA DO URUGUAI

ESA MINÚSCULA MELODÍA DE LLUVIA

Carmen Borda

Esa minúscula melodía de lluvia
que te lleva y trae
es la música permanente
que vive en mí
me persigue
me asesina por las noches
hamaca tu rosto en la oscuridad
y me desangra
lentamente
a cuenta gotas.

ESTA MINÚSCULA MELODIA DA CHUVA

Esta minúscula melodía da chuva
Que te leva e traz
É a música permanente que vive em mim
me persegue
Me assassina pelas noites
Escurece teu rosto na obscuridade
E me sangra
lentamente
em conta-gotas.

Monday, September 17, 2007

VÃS VAIDADES

A GRANDE LIÇÃO

No meio dos melhores livros do mundo
O grande sábio,
Incontestável senhor da Verdade,
Curvou-se,um dia, sobre sua mesa
E derramou incontrolável tristeza
Que, desfeita em lágrimas,
Destruiu suas mais perfeitas teorias.
E, completamente alucinado de amor,
Chorou até morrer
Legando, como único conhecimento útil,
Sua convicção de que não há
Ciência possível
Para o amor, a dor e a vida.

(De "Viagem aos Sonhos de Ninguém".
Ilustração de Harmen Steenwijk com o nome de "An Allegory of the Vanities Human Life" extraída do Blog http://blog.uncovering.org)

Saturday, September 15, 2007

UM POETA ESPANHOL


DIARIO DE UN SEDUCTOR

Leopoldo María Panero

No es tu sexo lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.

Diário de um sedutor

Não é o teu sexo que no teu sexo busco
Sim enlamear tua alma:
Desfolhar
Com todo o barro da vida
O que ainda não vivi.

Friday, September 14, 2007

UMA POETISA DA COLÔMBIA

SE BUSCA UN PARAGUAS

Yadi Maria Henao

Aún no logro viajar hasta los sueños de un gato.
Ni dormir en el centro de un huracán.

Esto es un tratado sobre ratas.
Por la izquierda ahuyento al roedor del insomnio.
Por la derecha oculto la huella de un recuerdo.

Si las ratas cierran un ojo, escribo.
Si lo abren, se llevan lo que callo.

Hay vírgenes rojas que habitan la ratonera del vacío.
Discursos metódicos que a nadie hacen feliz.

Amanece en la boca la sed que amanece en la mirada.

La palabra se moja como un paraguas
bajo un diluvio de abrazos perdidos.

La muy sola palabra se dice a solas
entre los solos de noviembre.

EM BUSCA UM GUARDA-CHUVA

Ainda não consegui viajar nos sonhos de um gato.

Nem dormir no centro de um furacão.

Este é um tratado sobre os ratos.
Pela esquerda afugento o roedor da insônia.
Pela direita oculto a sombra de uma lembrança.

Se os ratos fecham um olho, escrevo.
Se abrem, carregam o que calo.

Há virgens vermelhas que habitam a ratoeira do vazio.
Discurso metódicos que não fazem ninguém feliz.

Amanhece na boca a sede que nasce do olhar.

A palavra se molha como um guarda-chuva
sob um dilúvio de abraços perdidos.

A solitária palavra se diz a sós
entre os solos de novembro.

Wednesday, September 12, 2007

NO DIVÃ

É evidente que o real,
Hoje em dia,
Requer interpretações.

Sou do tempo do preto e branco.
Do tempo do amor para a vida toda.
Em que o amor era para valer.

Hoje me sinto no divã
E falo de um tempo em que o amor era doce,
Como se fosse uma joía irrecuperável,
Um tempo que passou da hora.
A psiquiatra de tão amável
Me parece inodora.

A saudade é o passado que chora!

Tuesday, September 11, 2007

UM POETA DO PANAMÁ

DESPEDIDAS

Carlos Enrique Ungo

No desperdicies tu noche
el puño desafiante de mi odio.

Retrocede
y llévate contigo los poemas de amor
las miradas
las caricias
los secretos
compartidos a voces y en silencio.

Déjame completar el ritual del condenado
y compartir con aquellos
los ausentes
ese futuro que exige con premura
su cuota de presente.
Déjame ofrecer este último poema
con la cara al sol
y sonriente
para que luego
con el fusil al hombro y el odio en un bolsillo
me apreste a afinar la puntería.

DESPEDIDAS

Não desperdices tua noite
Com o punho desafiante de meu ódio.

Retrocede
e leva contigo os poemas de amor
os olhares
as carícias
os segredos
compartilhados com as vozes e o silêncio.

Deixa-me completar o ritual do condenado
e compartilhar com
os ausentes
este futuro que exige prematuramente
sua quota de presente.
Deixa-me oferecer este último poema
com a face para o sol
e sorridente
para que logo
com o fuzil no ombro e ódio no bolso
me apresse em acertar a pontaria.

Friday, September 07, 2007

AGORA NO ESTIO

A ROSA MAIS PURA

A úmida flor
Que minha mão colhe
Tépida, febril, nervosa
É carne, é liquido,
é espírito, é rosa.
Porta e porto.
Começo e fim
Do sonho e da loucura
E nada sei
Senão, ò criatura,
Que é mais linda
Do que as de todos os jardins.

MAIS UMA POETISA ARGENTINA

BIEN PUDIERA SER...

ALFONSINA STORNI

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido
No fuera más que aquello que nunca pudo ser,
No fuera más que algo vedado y reprimido
De familia en familia, de mujer en mujer.
Dicen que en los solares de mi gente, medido
Estaba todo aquello que se debía hacer...
Dicen que silenciosas las mujeres han sido
De mi casa materna... Ah, bien pudiera ser...
A veces en mi madre apuntaron antojos
De liberarse, pero se le subió a los ojos
Una honda amargura, y en la sombra lloró.
Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba en sua alma encerrado,
Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.





BEM PODE SER

Bem pode ser que tudo o que no meu verso senti
Não foi mais que aquilo que nunca pôde ser,
Não foi mais do que algo que vedei e reprimi
De família em família, de mulher em mulher.
Dizem que nos lares dos meus, medido
Estava tudo aquilo que se devia fazer...
Dizem que silenciosas as mulheres têm sido
Em minha casa materna... Ah, sim, bem pode ser...
Às vezes minha mãe sentiu os empecilhos
E anseio de liberar-se, porém subiu-lhe aos olhos
Uma funda amargura, e na sombra só chorou.
E tudo este peso mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava na alma guardado,
Penso que sem querer fui eu quem libertou.

COISAS DO PASSADO

RECEITA

Ouve a música....olha o mar
Sob essas estrelas
Tendo por leito a areia
Vamos amar.

Vamos amar
Como se nem a morte nem o dia
Fosse chegar.
Amemos, pois,
Com o desespero
De quem come arroz com fome
Decorando a noite de gemidos e ais
Como se fosse só hoje e nunca mais..

Wednesday, August 29, 2007

A INDIADA CONTINUA A MESMA



MINHA CADELA DE TODOS NÓS


Na tina
Limpo a América Latina,
Minha cadela de pulgas douradas,
Certo de que, sobre seus ossos magros,
A pele maltratada que conduz
Ainda pode criar a luz da gordura.
Imagino-a no cio,
Pobre vira-lata,
Tantos cachorros a desejá-la,
Tantos
Buldogues americanos,
Pastores alemães
e cães vadios.
Sinto mesmo um arrepio
De vê-la tão nova e indefesa
Ante espadas de carne
Que lhe cospem
Com o desprezo imbecil dos dominadores.
Pobre América Latina!
Pobre prostituta de amostra grátis.
Por que não morde ?
Por que não late ?
Por que só se deixa penetrar assim
sem reação alguma ?
Ela só me olha
E lambe suas feridas
Com a mesma resignação e doçura
Com que enfrenta a vida
E, limpa e perfumada, corre novamente
Para sua servidão canina
Sem refletir
Que tem direito
de traçar sua própria sina.

Tuesday, August 21, 2007

UM POETA DO CHILE


CUENTO SOBRE UNA RAMA DE MIRTO

Jorge Tellier

Había una vez una muchacha
que amaba dormir en el lecho de un río.
Y sin temor paseaba por el bosque
porque llevaba en la mano
una jaula con un grillo guardián.
Para esperarla yo me convertía
en la casa de madera de sus antepasados
alzada a orillas de un brumoso lago.
Las puertas y las ventanas siempre estaban abiertas
pero sólo nos visitaba su primo el Porquerizo
que nos traía de regalo
perezosos gatos
que a veces abrían sus ojos
para que viéramos pasar por sus pupilas
cortejos de bodas campesinas.
El sacerdote había muerto
y todo ramo de mirto se marchitaba.
Teníamos tres hijas
descalzas y silenciosas como la belladona.
Todas las mañanas recogían helechos
y nos hablaron sólo para decirnos
que un jinete las llevaría
a ciudades cuyos nombres nunca conoceríamos.
Pero nos revelaron el conjuro
con el cual las abejas
sabrían que éramos sus amos
y el molino
nos daría trigo
sin permiso del viento.
Nosotros esperamos a nuestros hijos
crueles y fascinantes
como halcones en el puño del cazador.

CONTO DE UM RAMO DE MIRTA

Era uma vez uma moça
que adorava dormir no leito de um rio.
E sem temor passeava pelo bosque
porque levava na mão
uma jaula com um grilo guardião.
Para esperá-la eu me convertia
na casa de madeira de seus antepassados
erguida às margens de um cinzento lago.
As portas e as janelas sempre estavam abertas,
Porém nos visitava apenas o primo criador de porcos
que nos trazia de presente
preguiçosos gatos
que às vezes abriam seus olhos
para que pudéssemos ver passar por suas pupilas
cortejos de bodas caipiras.
O sacerdote havia morrido
e todo ramo de mirta murchava.
Tínhamos três filhas
descalças e silenciosas como a beladona.
Recolhiam ervas
e nos falavam para dizer
que um ginete as levaria
a cidades cujos nomes nunca conheceríamos.
Mas nos revelaram o conjuro
com o qual as abelhas
saberiam que éramos seus amos
e o moinho
nos daria trigo
sem permissão do vento.
Nós esperamos nossos filhos
cruéis e fascinantes
como falcões na mão do caçador.

Thursday, August 09, 2007

UM POETA DA VENEZUELA

LA TROMPETA CULPABLE
Gabriel Jiménez Emán
Hace una semana o tal vez más,
quizá hace dos, o un mes
sueño que toco la trompeta.
Una mujer me dice que no puede ser
que ella jamás imaginó un sonido tan sublime.
Pero yo la toco otra vez
y le demuestro que los sonidos salen
como flujo magnético
metiéndose en el almuerzo
y provocando exclamaciones
en los demás asistentes.
Mis dedos en los pistones
son pequeñas serpientes doradas.
Alguien que no veo me aplaude,
después mi mujer me golpea con una cuchara,
luego mi hijo me dice que le duele
el oído.

Yo sigo hasta formar parte de un conjunto
famoso por beber whisky en los ensayos.
después llega mi madre y me reprende
me dice que voy a despertar a los muertos de la cuadra.

Mi trompeta va a dar a su estuche de felpa.

Entonces la primera mujer me vuelve a decir
que ella no lo cree
que yo estoy soñando y que ella sin embargo
me ama.
Yo me despierto cansado,
viendo a mi almohada asustada
arañándome la cara.

A TROMPETA CULPADA

Faz uma semana ou talvez mais,
talvez duas, ou um mês
que sonho que toco trompete.
Uma mulher me diz que não pode ser
que jamais imaginou um som assim tão sublime.
Porém volto a tocar
e demonstro que os sons saem
como um fluxo magnético
que se mete no almoço
e que provoca exclamações
nos outros ouvintes.
Meus dedos nos pistões
são serpentes douradas pequenas.
Alguém que não vejo me aplaude,
Depois minha mulher me golpeia com uma colher,
logo meu filho me diz que lhe fere
os ouvidos.

Eu sigo até fazer parte de um conjunto
famoso para beber uísque nos ensaios.
Depois minha mãe me repreende
Dizendo que vou despertar os mortos do bloco.

Meu trompete está indo para sua caixa de feltro.

Então a primeira mulher volta para me dizer
que não crê que estou sonhando e não obstante
me ama.
Eu acordo cansado,
vendo minha almofada assustada
me arranhando o rosto.

Tuesday, August 07, 2007

UM POETA DO HAITI


AGITER AVANT UTILISATION

George Castera


jusqu’à l’aube
hermétique de la pierre
je te livre à l’abandon
des ponctuations
à l’affût des dissonances

la connivence du vent
dans ma passion

l’éternité nous dénude

AGITE ANTES DE USAR

Até o alvorecer
hermético da pedra
te entrego ao abandono
das pontuações
à espreita das dissonâncias

na conivência do vento
da minha paixão

a eternidade nos desnuda.

Monday, August 06, 2007

A SOLIDÃO É UMA FERA

TRISTE LAMENTO

É quase ontem em mim
Quando não sei de ti.Temo olhar no espelho
Os cabelos brancos,
Os dedos, inúteis .
Os braços, o peito, como o olhar, vazios,
Depois de tanto tempo
Sem finalidade.

Escondo o sabor amargo da saudade,
O tremor dos lábios,
A solidão dos dias sem movimento
Que cabem num poema também lento,
Triste lamento.

A pouca fé que resta
Lembra da festa,
Do prazer, do sexo glorioso,
Que ficou para trás.

E tudo, hoje, tem um gosto insípido de nunca mais.

Sunday, August 05, 2007

E DE SAUDADES VOU MORRENDO....

CONSTATAÇÃO

Ah! Se tu estivesses aqui, agora,
Nem que fosse uma meia-hora
Como o tempo se desfaria no ar
Com esta saudade que não vai passar.
Se estivesses aqui ao meu alcance
Nesta manhã chuvosa...que belo lance!
Nós dois seríamos muito mais felizes
Rememorando os acertos e deslizes
Na cumplicidade que nunca se desfez
O prazer teria seu momento e vez
E apagaria toda esta imensa dor
Se expressando, como sempre, em amor

Hoje, que nem imagino onde estais,
Imito a chuva e choro muito mais
Enquanto o mundo minha dor ignora
E até a dor o tempo leva embora...

BOA POESIA PARA DOMINGO


AT THE BALL GAME

William Carlos Wiliam

The crowd at the ball game
is moved uniformly

by a spirit of uselessness
which delights them-

all the exciting detail
of the chase

and escape, the error
the flash of genius-

all to no end save beauty
the eternal-

So in detail they, they crowd,
are beautiful

for this
to be warned against

saluted and defied-
It is alive, venomous

it smiles grimly
its words cut-

The flashy female with her
mother, get it-

The Jew get it straitght-it
is deadly, terrifying-

It is the Inquisition, the
Revolution

It is beauty it itself
that lives

Day by day in them
idly-


This is
the power of their faces

It is summer, it is the solstice
the crowd is

cheering, the crowd is laughing
in detail

permanently, seriously
without thought

No Jogo de Futebol

No jogo de futebol a torcida
Se move entusiasmada

Pelo espírito da inutilidade
Que a todos delicia-

Da excitante visão
Da perseguição da bola

E dos dribles, dos erros,
Do lampejo de gênio-

Tudo sem outro fim que não a beleza
Eterna de uma jogada-

Assim, no conjunto, as torcidas
São belas

Por isto
Convém nos prevenirmos contra

Sua força oculta na aparente fraqueza-
Ela vive e sua beleza é perigosa

Alegremente faz olá,
Mas suas palavras ferem

A bela mulher ao lado
De sua mãe, entende isto-

O judeu entende, de imediato-
Seu poder mortal, aterrador-

É a Inquisição, a
Revolução

É a própria beleza
Que emana

Minuto a minuto
Na sua força ociosa-

Este é o poder
Que mostram os rostos-

No calor, no apogeu
Da torcida

Que gritando, na alegria, explode
Inconsciente,

Uníssona e dioniásica
De um grito de gol!

Monday, July 30, 2007

A DOR DA TUA AUSÊNCIA ESTÁ PRESENTE


EXCESSO

Há o tempo-este carrasco implacável-
E a morte-a recolhedora das vidas-
Que são inevitáveis,
Porém, não precisava também
Da distância e da saudade de você
Que não param de doer.

Sunday, July 29, 2007

UM POETA DE COSTA RICA

La contemplación de las horas.

César Gonzalez Granados

El insomnio es una casa abierta,
una recopilación de goteras golpeteando contra el piso,
la pena capital para Morfeo,
la reina incertidumbre, el peso por lo hecho,
el miedo por lo muerto, el tiempo para anhelarte,
el precio por tus besos.

El tiempo de algunas noches parece muerto,
y hay que velarlo en la contemplación de las horas
soñando despierto,
inventándome tonos similares a los tuyos
que me arrullen con su canto, para soñar con tu cuerpo.

El insomnio es el trance delicioso del recuerdo,
el trago de vinagre por miedo a morirse seco,
el resonar del relojcon arritmia en los minutos,
las cataratas del cuerpo
y vos en un barril;
como decir, es el sueño…

A Contemplação das horas.

A insônia é uma casa aberta,
Uma compilação das goteiras golpeando de encontro ao assoalho,
A pena capital para Morfeu,
O reino da incerteza, o peso do fato,
O medo pelos mortos, o momento para o desejar-te,
O preço por seus beijos.

O tempo de algumas noites parece morto,
E é necessário velá-lo na contemplação das horas
Sonhando desperto,
Inventando tons similares aos teus
Que sejam no seu canto, para sonhar com teu corpo.

A insônia é o momento delicioso da recordação,
O trago do vinagre pelo medo de morrer a seco,
O ressonar do relógio
Com arritmia nos minutos,
As cataratas do corpo
E vozes num tambor;
como a dizer, é o sonho

Saturday, July 28, 2007

O MÚSICO NO PARQUE

EMBRIAGUEZ MUSICAL

Yo-Yo Ma,
Com Petúnia, seu violoncelo mágico e belo,
Toca em Toronto.

Yo-Yo Ma
Toca Bach
Em pleno o ar livre
Para meu espanto.

A Natureza é um canto
E, de beleza, fico tonto!

Friday, July 27, 2007

VER PARA CRER

CANTO AO AMOR OCULTO

Como um passarinho vivo
Criando um ninho para o meu amor...

Hei de fazê-lo com as mais belas flores da floresta
e envolvê-lo com os mais doces cantos de outros pássaros
para te cantar com os mais suaves sons que há.

Nem me importo de voar mais alto
Ou, de nas longas distâncias me cansar
Ou, se, na busca, posso me machucar
Se os melhores e saborosos frutos recolher
Para te ofertar.

Só me importo, antes de aparecer o luar,
de olhar nos olhos teus,
e cantar, no por do sol, o meu canto de glória,
pelo meu imenso amor...

Sei que é fonte de prazer e dor
Que é mais belo por ninguém desconfiar ....
E somente parecer história.

O melhor pecado é oculto.
O segredo da joía está no diamante bruto.

Wednesday, July 25, 2007

UM POETA DE COSTA RICA

UN POETA ES UN POETA

Robinson Rodriguez Herrera


¿Te acuerdas de un muchacho triste
que te robaba sonrisas
insomne en el periplo
de sus poemas?
Tu habrás cambiado tanto,
pero ese pastor de sueños
sigue regalando al viento
la vida
de sus versos.

Um poeta é um poeta

Te lembras de um menino triste
Que te roubava sorrisos
no périplo insone
de seus poemas?
Tu mudastes tanto,
Porém esse pastor dos sonhos
continua dando ao vento
a vida
de seus versos.

Tuesday, July 24, 2007

NO ENTANTO É PRECISO DORMIR....

La contemplación de las horas.

César Gonzalez Granados

El insomnio es una casa abierta,
una recopilación de goteras golpeteando contra el piso,
la pena capital para Morfeo,
la reina incertidumbre, el peso por lo hecho,
el miedo por lo muerto,
el tiempo para anhelarte,
el precio por tus besos.

El tiempo de algunas noches parece muerto,
y hay que velarlo en la contemplación de las horas
soñando despierto,
inventándome tonos similares a los tuyos
que me arrullen con su canto,
para soñar con tu cuerpo.


El insomnio es el trance delicioso del recuerdo,
el trago de vinagre por miedo a morirse seco,
el resonar del reloj
con arritmia en los minutos,
las cataratas del cuerpo
y vos en un barril;
como decir, es el sueño…

A Contemplação das horas.

A insônia é uma casa aberta,
Uma compilação das goteiras golpeando de encontro ao assoalho,
A pena capital para Morfeu,
O reino da incerteza, o peso do fato,
O medo pelos mortos, o momento para o desejar-te,
O preço por seus beijos.

O tempo de algumas noites parece morto,
E é necessário velá-lo na contemplação das horas
Sonhando desperto,
Inventando tons similares aos teus
Que me encantem com seu canto, para sonhar com teu corpo.

A insônia é o momento delicioso da recordação,
O trago do vinagre pelo medo de morrer a seco,
O ressonar do relógio
Com arritmia nos minutos,
As cataratas do corpo
E vozes num tambor;
como a dizer, é o sonho

HÁ COISAS QUE SÃO ETERNAS

AMOR IMORTAL

Há gestos que nenhum
dinheiro paga.
Lembra aquele dia
em que me disse
que faria amor comigo
Até de graça?

Não teve a menor graça
o que tive de pagar.

As coisas são assim:
Todo mundo tem a sua vez de rir.
preciso avisar
que não posso mais lhe sustentar.

Meu advogado foi embora.
Meu contador
acabou de sacar
o resto do dinheiro que havia.
Meu bem, sei que seu amor
vai resistir
ao fato de que acabo de falir.

A casa? Não. Não precisa deixar.
É só esperar
que o banco vem tomar.
O carro que lhe dei de presente?
É passado.

Pode me xingar.
Não ligo não.
Sei que estarei para sempre
No seu coração.

(De Poesias Mal-Comportadas)

DILEMA PÓS MATRIZ

Dúvida Cruel

Faz algum tempo
Deixei de tentar me entender.
São tantos os papéis que faço
Ora um super-herói, um louco, um palhaço
Que me confundo
Até entre os mundos.
Agora mesmo
Estou aqui analisando
Se devo comer esta barata-
presa no copo.
Deve estar aí para este escopo.
Não me lembro se já comi alguma;
Se faz parte de minha dieta
Num papel que fiz de atleta,
Se me foi indicado por ter vitamina,
Mas um jeito apetitoso ela tem.
Vou comer.
Deve me fazer muito bem!

Sunday, July 22, 2007

UM GRANDE MESTRE ARGENTINO

VOLTO A BORGES
Poesia não se explica. Momentos sim. Esta poesia de Borges, hoje, condiz com meu momento. Nem sei se já a publiquei, mas, mesmo se for um bis, não será demais. Voltar a Borges é sempre voltar a ler boa poesia ainda que com os defeitos que o tradutor (traidor) sempre introduz.



EL INSTANTE
¿Dónde estarán los siglos, dónde el sueño
de espadas que los tártaros soñaron,
dónde los fuertes muros que allanaron,
dónde el Arbol de Adán y el otro Leño?
El presente está solo. La memoria erige
el tiempo. Sucesión y engaño
es la rutina del reloj. El año
no es menos vano que la vana historia.
Entre el alba y la noche hay un abismo
de agonías, de luces, de cuidados;
el rostro que se mira en los gastados
espejos de la noche no es el mismo.
El hoy fugaz es tenue y es eterno;
otro Cielo no esperes, ni otro Infierno.

O INSTANTE

Onde estarão os séculos, onde o sono
De espadas que os tártaros sonharão,
Onde os fortes muros que levantaram,
Onde a arvore de Adão e outro lenho?
O presente está só. A memória
Erige o tempo. Sucessão e engano
É a rotina do relógio. O ano
Não é menos vão que a vã história.
Entre a aurora e a noite há um abismo
De agonias, de luzes, de cuidados;
O rosto que se mira nos gastos
Espelhos da noite não são os mesmos.
O hoje fugaz é tênue e é eterno;
Outro céu não esperes, nem outro inferno.

Friday, July 20, 2007

O DIFERENTE É UMA FLOR


A Flor do Diferente

Num mundo permanentemente igual, mecânico,
Apenas os meus sentidos parecem indicar
Que o único esforço real deve ser o de amar,
Porém, a pele e os ossos de se mexer têm pânico.

Os dias parecem ser contra as nuances da vida
Como se até a troca do calendário fosse irreal
E toda mudança, de tanto ser, o fixo, normal,
Soasse sem encanto como uma melodia perdida.

Todos os dias parecem longamente iguais,
e lânguidos se arrastam sem remédio,
a se repetir num monótono, crônico, tédio,
música contra a qual não há resistência mais.

Não me importam as favas contadas do cotidiano.
Quando não há escolha o errado e o certo
Se confundem na certeza do imenso deserto,
Do qual, por ironia, brota a flor de modo insano.
E assim perdido na aspereza do uniforme
Me sinto um ser que, por mais desperto, dorme
E por mais esforço que faça para ser e amar
Só vive pela vida a navegar, navegar, navegar....

E por muito mais mar e água que haja ainda
Toda a viagem parece a mesma e mais infinda
Um caminho sem sentido para frente, para frente
Em busca de um porto que nunca é diferente.

Wednesday, July 11, 2007

DEBOCHANDO


AQUÍ SE DICE COMO DON SANCHO TORNÓ SU IRA EN GOZO Y SU TRISTURA EN CÁNTIGO, CÁNTIGA Y DULZOR DEL CIELO

Álvaro Miranda

Sea que sí, sea que no, brínquese por la cola,
cójase por el cuello, apriétese el pispirispi,
húndasele el gaznate, muérdasele el juanete, aquí
y allá, en la hora en que el sinsonte se vuelca
en el mar, silba la iguana, silba el carmín, arde
el cotudo, se amasa la bilis, come mi risa puerro y orín.
Va la vieja, viene la niña, vende que vende,
grita que grita, ofrécese aquí, desnúda
se allá,lluvia tras lluvia la mar no se va, sea que sí,
sea que no, váse la huella con el caracol y
el sueño que vela, infla la música, cristal
de la aurora, barco que aflora allá en el confín,
muralla que arpegia la luna y la aurora.

AQUI SE DIZ COMO DOM SANCHO TORNOU SUA IRA EM GOZO E SUA TRISTEZA EM CÂNTICO, CANTIGA E DOÇURA DE CÉU

Seja porque sim, seja porque não, brinca-se pelo rabo,
pega-se pelo colo, aperta-se a preciosinha,
junta-se a garganta, morde-se o joanete , aqui
e ali, na hora em que o pássaro se volta
do mar, silva a iguana, silva o carmin, arde
a papada, se amassa a bilís, come meu riso, amarga e oxida.

Vai a velha, vem a menina, vende que vende,
grita que grita, oferecesse aqui, desnudasse ali,
chuva após chuva o mar não se vai, seja porque sim,
seja porque não, siga a trilha com o caracol e
o sonho que guarda, infla a música, cristal
da aurora, barco que se levanta atrás da beira,
muralha que harmoniza a lua e o aurora.

Tuesday, July 10, 2007

Até eu que sou mais bobo sei...
Que o mundo não é tão diferente!

Pedro Calderón de la Barca (1600-1681)

Voy contra mi interés al confesarlo;
Pero yo, amada mía,
Pienso, cual tú, que una oda sólo es buena
De un billete del Banco al dorso escrita.
No faltará algún necio que al oírlo
Se haga cruces y diga:
"Mujer, al fin, del siglo diecinueve,
Material y prosaica..." ¡Bobería !
Voces que hacen correr cuatro poetas
Que en invierno se embozan con la lira!
Ladridos de los perros a la luna!
Tú sabes y yo sé que en esta vida,
Con genio, es muy contado quien la escribe;
Y con oro, cualquiera hace poesía.

Atualizada
Eu vou contra meus próprios interesses ao confessar;
Porém, amada minha,
Penso, igual a ti, que uma ode somente é boa
Escrita no verso de um bilhete de banco.
Não faltará algum tolo que quando ouvir
se benza e diga:
"Mulher, no final do século vinte,
material e prosaica". Bobagem!
Vozes que fazem correr quatro poetas
que no inverno se enrolam com a lira!
Latidos dos cães para a lua!
Você sabe e eu sei que nesta vida,
com gênio, contam-se nos dedos os que escrevem;
E com ouro, qualquer um faz a poesia.

Sunday, July 08, 2007

MÚSICA & DESEJO

SEM PARTITURA

O que me atrai em seu marido
É o violino.
É a obsessão e a forma delicada como toca.
É evidente que isto seja só um detalhe
Que aumenta o meu desejo pelo seu corpo.
Cada um com a música e o instrumento pelo qual tem paixão.
Ele só pensa em tocar violino.
Eu só penso em lhe passar as mãos.
Ele atento à partitura
Enquanto meu ser todo gosta de jazz-
É pura improvisação.

(De Poemas Mal-Comportados).

Friday, July 06, 2007

UM POETA DE EL SALVADOR

Promesa

Manlio Argueta

Juro no morirme jamás. No sublevarme.
No decir la verdad cuando nos duela.
Ofrecer la mejilla cada vez
Que me ofendan. A los pobres
Daré limosnas. Comeré pan duro
Para ser bueno contados.
Sólo dinero (pues no tengo nada)
No habré de repartir… Después morir
Tranquilamente, libre de pecados,
De bronconeumonía o de un callo
En el pie
O de un catarro en el alma.

Promessa

Juro não morrer jamais. Não me revoltar.
Não dizer a verdade quando nos ferir.
Oferecer a outra face cada vez
Que me ofenderem. Aos pobres
darei esmolas. Eu comerei o pão duro
para ser bem visto.
Só não darei dinheiro (pois não tenho nada)
Não terei o que distribuir … Depois morrer
Tranqüilamente, livre de pecados,
De broncopneumonia ou de um calo
no pé
ou de catarro na alma.

Wednesday, July 04, 2007

UMA RELEITURA

MIRROR

Sylvia Plath


I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see, I swallow immediately.
Just as it is, unmisted by love or dislike
I am not cruel, only truthful —
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.


Now I am a lake. A woman bends over me.
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.


ESPELHO
Eu sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo de imediato
De qualquer jeito, por amor ou por desgosto.
Não sou cruel, somente verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
A maior parte do tempo medito sobre a parede oposta.
Ela é rosa, com pontos. Tenho olhado tanto tempo para ela,
Que, penso, já faz parte do meu coração. Mas ela dança.
Rostos e sombras nos separam mais e mais.

Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Procurando me alcançar para saber o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e o acenar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
Em cada manhã é seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e de mim uma velha
Se ergue em sua direção dia após dia, como um terrível peixe.

Wednesday, June 27, 2007


DIÁLOGO

Federico Balart

El mar en su lengua
dice al manantial:
-"¿A qué corren y corren tus aguas
si en mí han de parar ?"
"No me importa" -responde
la fuente inmortal-."Esas aguas en nubes y lluvias
a mí volverán.
"Mutación perpetua,vida universal,
rueda inmensa que giras y giras,
¿en qué pararás ?
Diálogo
O mar em sua língua
disse ao manancial:
-"Para que correm e correm tuas
se em mim vão parar?"
"Não me importa"-responde
a fonte imortal-"Essas águas em nuvens e chuvas
a mim voltarão".
"Mutação perpétua, vida universal,
roda imensa que gira e gira,
Em que pararás?

Tuesday, June 26, 2007

OUTRO POETA CHILENO

Daría todo el oro del mundo

Jorge Teillier

Daría todo el oro del mundo
Por sentir de nuevo en mi camisa
Las frías monedas de la lluvia.

Por oír rodar el aro de alambre
En que un niño descalzo
Lleva el sol a un puente.

Por ver aparecer
Caballos y cometas
En los sitios vacíos de mi juventud.

Por oler otra vez
Los buenos hijos de la harina
Que oculta bajo su delantal la mesa.

Para gustar
La leche del alba
Que va llenando los pozos olvidados.

Daría no sé cuanto
Por descansar en la tierra
Con las frías monedas de plata de la lluvia

Cerrándome los ojos.

Daria todo o ouro do mundo

Daria todo o ouro do mundo
Por sentir de novo na minha camisa
As frias moedas da chuva outra vez.

Para ouvir rodar o rolo de fio de arame
Com que um menino descalço
Leva o sol a uma ponte.

Para ver aparecer
Cavalos e cometas
Nos lugares vazios de minha juventude.

Para cheirar outra vez
Os bons filhos da farinha
Ocultos sob o avental da mesa.

Para satisfazer
O leite do alvorecer
Que vai enchendo os poços esquecidos.

Daria não sei quanto
Por descansar na terra
Com as frias moedas de prata da chuva

Cerrando-me os olhos.

UMA POETISA DA COLÔMBIA

Pasa el viento

Meira Delmar

De aquel amor que nunca fuera mio
Y sin embargo se tomó mi vida,
Me queda esta nostalgia repetida
Sin fin, cuando sollozo e cuando rio.

A veces desde el fondo do estio,
Llega la misma música entre oída
En el tiempo gozoso, la encendida
Música que cayera en el vacío.

Y quiere asirla el corazón. Bebería
Como un vaso de vino. Retenerla
Para creer de nuevo en la dulzura.

Pero se escapa y huye con el viento,
Y me deja tán sólo este lamento
Donde esconde su rostro la amargura.


Passa o vento


Daquele amor que nunca foi meu
E, sem embargo, se tornou minha vida
Me ficou esta nostalgia repetida
Que nem quando soluço, ou rio, se perdeu.

Às vezes, desde o final do verão
Chega à mesma música entreouvida
Num tempo feliz, a incendiada
Música que cai no vazio, em vão,

Quando a queria no coração. Bebê-la
Como uma taça de vinho. Retê-la
Para saber de novo o que é doçura.

Porém me escapa e foge com o vento
E me deixa tão só com este lamento
Onde esconde seu rosto a amargura.

Monday, June 25, 2007

UMA POETISA DO CHILE

Dame la mano

Gabriela Mistral

A Tasso de Silveira

Dame la mano y danzaremos;
Dame la mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
Como una flor, y nada más…

El mismo verso cantaremos,
Al mismo paso bailarás.
Como una espiga ondularemos,
Como una espiga y nada más.

Te llamas Rosa y yo Esperanza;
Pero tu nombre olvidarás,
Porque seremos una danza
En la colina y nada más…


Dá-me tua mão

Me dá tua mão e dançaremos;
Me dá tua mão e me amarás.
Como uma só flor seremos,
Como uma flor e nada mais...

O mesmo verso cantaremos,
Ao mesmo passo bailarás.
Como uma espiga ondularemos,
Como uma espiga e nada mais.

Te chamas Rosa e eu Esperança;
Porém teu nome esquecerás,
Porque seremos uma dança
Na colina e nada mais.

Thursday, June 21, 2007

UM POETA NORTE-AMERICANO

The Desolate Field

William Carlos William

Vast and grey, the sky
is a simulacrum
to all but him whose days
are vast and grey and --
In the tall, dried grasses
a goat stirs
with nozzle searching the ground.
My head is in the air
but who am I . . . ?
-- and my heart stops amazed
at the thought of love
vast and grey
yearning silently over me.
(The Dial 69)

O CAMPO DESOLADO
Vasto e cinzento, o céu
é um simulacro
para todos com exceção dele naqueles dias
vastos e cinzentos e-
Nas gramas altas e secas
uma cabra agitada
com a boca procura a terra.
Minha cabeça está no ar
mas quem sou eu . . . ?
-e meu coração pára espantado
Com o pensamento do amor
vasto e cinzento
acontecendo silenciosamente sobre mim.

Wednesday, June 20, 2007

UM POETA DA VENEZUELA

TELOS

Alfredo Villanueva Collado

No existe tal cosa como la
eternidad. Lo que llamamos
eterno, sólo una sarta de tiempos
momentáneos, una cadena de
aguijonazos, nombres, fragancias
que la memoria recoge en sus fragmentos
y guarda, atesorando, un poniente, un bolero,
tantas manos sabihondas de llaves
que abrieran las compuertas
de innumerables cuerpos.

La engañifa de la divinidad perversa,
afanosa de orgasmos, a nuestra semejanza,
requiere el sacrificio de partes vitales,
la soledad llena de fantasmas.
Putrefacción, muertes, violaciones,
alimentan su insaciable apetito.
Lo incrementan porque sólo puede hacer suyo
lo que sus miembros embriagados perciben
a través del montaje de una ruina aparente,
el cambio incesante de la puesta en escena.

Y mientras tanto, cuánto desencantan
dragones, muchachas, morriñas, llantenes.
fantasías ingenuas que no confrontan
la inexorable oxidación de fibras.
Al que sabe lo que le espera a la vuelta
de cualquier día, ya no le queda
tiempo para pueriles exquisiteces.
Nuevas tareas le ocupan los sentidos.
Deja atrás un planeta. Lleva consigo instantes.
Tiembla mientras se entrega de nuevo al misterio.


FINALIDADE

Não existe tal coisa como a
eternidade. O que chamamos
eterno é só uma fileira de tempos
momentâneos, uma cadeia de
agulhadas, nomes, fragrâncias
que a memória recolhe em seus fragmentos
e guarda, entesourando, um poente, um bolero,
tantas mãos sabedoras de chaves
que abriram as comportas
de inumeráveis corpos.

A mistificação da divindade perversa,
desejosa de orgasmos, a nossa semelhança,
requer o sacrifício de partes vitais,
a solidão plena de fantasmas.
Putrefação, mortes, violações,
Que alimentam seu apetite insaciável.
Os incrementam porque só pode tornar seu
o que seus membros embriagados percebem
por meio da montagem de um ruína aparente,
da troca incessante dos atores em cena.

E ainda quanto, tanto desencantam
dragões, moças, melancolias, gemidos
fantasias ingênuas que não confrontam
a inexorável oxidação de fibras.
Quem sabe o que o aguarda na virada
de qualquer dia, já não tem
tempo para esquisitices pueris.
Novas tarefas ocupam seus sentidos.
Deixa para trás um planeta. Leva consigo instantes.

Treme enquanto se entrega de novo ao mistério.

Tuesday, June 19, 2007

TUDO É FIGURATIVO

MANIFESTO CUBISTA

Ah! Minha racionalidade sempre foi cubista.
Não que me considere um poeta abstrato.
Sou cubista pelo olhar, pelo olfato, pelo tato
Pelo prazer apenas de ser cubista.
É bem verdade que de Braque nada sei
E, até me tornar mais mundano,
Confundia outras coisas com Picasso.
Um cubo, um peixe, por exemplo,
Para eu, eram a mesma coisa,
Exceto, quando, de forma radical,
Jogava fora uma sílaba
E descobria, nu,
Que o orifício anal
Era melhor, ou igual,
Ao triângulo virginal
Na pintura original.

Sunday, June 17, 2007

HÁ UM TEMPO PARA TUDO

A DIVA ÁVIDA
Como os teus olhos são de diva
Bastou uma olhada furtiva
Para ficar preso na tua estonteante beleza.
Só pensava em roubar:
Um beijo,
Um abraço,
Uma carícia qualquer que fosse
Que me levasse aos teus braços,
Pensava mesmo era em dormir nos teus seios.
Só sabia dizer palavras de amor.
Enquanto com uma gota de perfume,
Com estudada indiferença,
Inundavas de perfume o ambiente
E com um sorriso iluminavas o mundo.
Era um feitiço profundo
Que teu perfume flutuasse pela brisa,
Mas meu romantismo nunca foi
De ficar olhando a lua
Só pensava em ti nua, nua...
Só planejava o dia
De colher a flor
E o tempo que passava
Só aumentava a fogueira
Que nem desconfiava
Era mais tua do que minha
Escondida na fumaça.
Qual a graça?
Hoje apenas num gesto teu
Compreendi todo o meu erro.
Adeus.

Não há mais satisfação,
Em colher o que já é meu.
Satisfazer a paixão
Que, no tempo, se perdeu!

Sunday, June 10, 2007

JORGE LUIS BORGES

DESPEDIDA
Entre mi amor y yo han de levantarse trescientas noches como trescientas paredes y el mar será una magia entre nosotros.
No habrá sino recuerdos. Oh tardes merecidas por la pena, noches esperanzadas de mirarte, campos de mi camino, firmamento que estoy viendo y perdiendo... Definitiva como un mármol entristecerá tu ausencia otras tardes.
DESPEDIDA
Entre meu amor e eu podem levantar-se
Trezentas noites como trezentas paredes
Que o mar será uma magia entre nós dois.
Não haverá senão recordações
Oh! Tardes merecidas pela pena,
Noites esperançosas de te olhar,
Campos do meu caminho, firmamento
Que estou vendo e perdendo....
Definitiva como um mármore
Entristecerá tua ausência outras tardes.

Wednesday, May 30, 2007

AS´PERDAS


Me habita un cementerio

Ana María Rodas

Me habita un cementerio
me he ido haciendo vieja
aquí
al lado de mis muertos.
No necesito de amigos
me da miedo querer porque he querido a muchos
y a todos los perdi en la guerra.

Me basta con mi pena.
Ella me ayuda a vivir estos amaneceres blancos
Estas noches desiertas
Esta cuenta incesante de las pérdidas.

Um Cemitério habita em mim

Me habita um cemiério
eu me tornei velha
aqui
ao lado de meus mortos.
Eu não necessito de amigos.
Me dá medo querer porque já quis a muitos
e a todos perdi na guerra.

Me basta a minha dor.
Ela me ajuda a viver estes amanheceres brancos
Estas noites desertas
Esta minha conta incessante das perdas.

Tuesday, May 29, 2007

E POR ISTO A VIDA SEGUE SEMPRE IGUAL

A Flor do Diferente

Num mundo permanentemente igual, mecânico,
Apenas os meus sentidos parecem indicar
Que o único esforço real deve ser o de amar,
Porém, a pele e os ossos de se mexer têm pânico.

Os dias parecem ser contra as nuances da vida
Como se até a troca do calendário fosse irreal
E toda mudança, de tanto ser, o fixo,normal,
Soasse sem encanto como uma melodia perdida.
Todos os dias parecem longamente iguais
E lânguidos se arrastam sem remédio,
A se repetir num monótono, crônico, tédio, Música contra a qual não há resistência mais.
Não me importam as favas contadas do cotidiano.
Quando não há escolha o errado e o certo
Se confundem na certeza do imenso deserto,
Do qual, por ironia, brota a flor de modo insano.
E assim perdido na aspereza do uniforme
Me sinto um ser que, por mais desperto, dorme
E por mais esforço que faça para ser e amar
Só vive pela vida a navegar, navegar, navegar....

E por muito mais mar e água que haja ainda
Toda a viagem parece a mesma e mais infinda
Um caminho sem sentido para frente, para frente
Em busca de um porto que nunca é diferente.

Sunday, May 27, 2007

LEMBRAR, DEIXA-ME LEMBRAR...

INSTANTÂNEO

A ternura que vi no teu olhar
No momento de dizer adeus
Vive, agora, a me torturar
E a entristecer os dias meus.

Sei ser tarde pra voltar atrás
Que errei e que errar assim
Se paga muito e até o fim
É um erro que não se apaga mais.

Vejo e revejo na fotografia
Nossos tempos de felicidade
E pergunto pela alegria
Que sem dó só virou saudade.

Friday, May 25, 2007

A VIDA TAMBÉM É UMA....

CIRANDINHA

Com um dedinho
Se faz uma prosa
Com uma prosa
Se come a rosa
E se goza, goza, goza...

Com um gozinho
Nasce a semente
E da semente a confusão
Da confusão nasce a criança
E dança, dança, dança...

Da dança sempre
Surge o amor
E o amor sem rédea ou freio
Pra se consumar
Acha seu meio
E dança, goza e é criança.

Sunday, May 20, 2007

O GRANDE POETA DO URUGUAI

Transgresiones

Mario Benedetti

Todo mandato es minucioso
y cruel
me gustan
las frugales transgresiones

Por ejemplo inventar el buen
amor
aprender
en los cuerpos y en tu cuerpo

Oír la noche y no decir
amén
trazar
cada uno el mapa de su audacia

Aunque nos olvidemos
de olvidar
seguro
que el recuerdo nos olvida

Obedecer a ciegas deja
cego
crecemos
solamente en la osadía

sólo cuando transgredí alguna
orden
el futuro
se vuelve respirable

Todo mandato es minucioso
y cruel
me gustan
las frugales transgresiones.

Transgressões

Todo mandato é criminoso
e cruel.
Eu gosto das suaves transgressões.

Como, por exemplo, inventar
um amor doce
e navegar nos corpos,
no teu corpo

ouvir a noite e não
dizer amém
traçar um mapa
de cada uma das suas ousadias

ainda que esqueçamos
de esquecer,
certamente,
o esquecimento não nos esquecerá

obedecer às cegas
sempre cega,
pois só crescemos
com os gestos de ousadia

Somente transgredindo
alguma ordem
no futuro
voltaremos a viver.

Todo mandato é criminoso
e cruel.
Eu gosto das suaves transgressões.

Sunday, May 13, 2007

UM POETA DA VENEZUELA

EL CAMINANTE

Vicente Gerbasi


Desconozco los bosques de canela
Pero en ellos veo el sol de la tarde
Temblar como una música,
Como un espacio del corazón para el que el tiempo ha reservado sus abejas

Solo los bambúes tienen un silencio azul
Para brillar en el confín del día¿

De donde vengo vestido de soledad para reconocer la tierra?

Oí los gallos en cada una de las horas de los muertos
Encontré las viviendas después de la lluvia de la noche
Dispersas entre redondos árboles rojos¿

Escondo acaso el mundo en mis sentidos?

He visto un leopardo dormido entre juncos en el mediodía del año
Cuando comienza a iluminarse la tristeza

Vi el entierro de un niño bajar de la montaña
Cuando liebres huían entre hierbas solares

Vi una madre cubrirse el rostro con sus cabellos para siempre

¿Hacia dónde he de guiar mis pasos que dejaron atrás graneros húmedos
y brillantes,
lumbres con guitarras en las fiestas labriegas?

El tiempo aún no me detiene
Hay una tempestad reservada a mis huesos,
Un relámpago en los cañaverales nocturnos


O CAMINHANTE

Desconheço os bosques de canela
Mas neles vejo o sol da tarde
Tremer como uma música,
Como um espaço do coração a que o tempo reservou suas abelhas

Só os bambus têm um silêncio azul
Para brilhar nos confins do dia

Donde venho vestido de solidão para reconhecer a terra?

Ouvi os galos em cada uma das horas dos mortos
Encontrei as moradas depois da chuva da noite
Dispersas entre redondas árvores vermelhas.

Escondo acaso o mundo em meus sentidos?

Vi um leopardo adormecido entre juncos no meio-dia do ano
Quando começa a iluminar-se a tristeza

Vi o enterro de um menino descer a montanha
Quando lebres fugiam entre ervas solares

Vi uma mãe cobrir o rosto com os cabelos para sempre.

Aonde hei de guiar meus passos que deixaram para trás celeiros úmidos
e brilhantes, fogueiras com violões nas festas camponesas?

O tempo ainda não me detém
Há uma tempestade reservada aos meus ossos,
Um relâmpago nos canaviais noturnos.

Friday, May 11, 2007

AS VEZES OS SENTIDOS NÃO SÃO ESSENCIAIS

EVIDÊNCIA

Eu não vejo o céu.
Eu não vejo o mar.
Eu não vejo a rua.
Eu não vejo a lua.
Eu não vejo nem os homens
Que dizem que beijam a boca tua.
Eu sou mesmo é cego!

(De Poemas Mal-Comportadas).

Monday, May 07, 2007

CANÇÃOZINHA DO ELO

Não sei se foi seu modo de sorrir...
Nem lembro do seu modo de olhar
Embora bem me lembre me perdi
Nos olhos que não parei mais de olhar.
Talvez tenha sido o toque das mãos
Ou o fato de sempre me ignorar
Sem nunca me dizer que era importante
A cada encontro novo ...o recomeçar.
Vou e volto sem saber como dizer
O que tão evidente agora está
Há um elo encantado...eu e você..
Que, às vezes, custo a acreditar.
E, no entanto a força é tão grande
Que nem preciso dormir pra sonhar.

Sunday, May 06, 2007

UM NOVO POETA

¿PUEDO ESCRIBIR SIN DECIR NADA EN REALIDAD?

Pablo Ruiz

No ha sido esa mi intencion, nunca lo ha sido,
aun cuando asi pareciera, incluso cuando
mi escritura fuera intelegible o, acaso, incompresinble.
Es que veo esas bocas que, con sus respectivas labios,
que ya no besan,que ya no rien,
solo dejan entrever lenguas atareadas y
han dejado al amor en el olvido.
No puedo mas que entriztecer de pena
cuando miro unos ojos frios, aridos,
que no dicen nada, que no reflejan amor ni alegria,
volviendose asi solo cristales opacos.
?Que de la dulce melodia cancionera?
que otorgara aquel placer y algarabia,
!cuanto la han devaluado!...
?a que paraje tenebroso la han confinado?

POSSO ESCREVER SEM DIZER NADA NA REALIDADE

Não era esta minha intenção, nunca o foi,
Ainda quando assim parecia, inclusive quando
Minha escrita foi inteligível ou, por acaso, incompreensível.
Eis que vejo estas bocas que, com seus respectivos lábios,
Que já não beijam, que já não riem,
Só deixando entrever línguas atarefadas e
E que deixaram o amor no esquecimento.
Não posso mais que entristecer de pena
Quando olho uns olhos frios, áridos,
Que não dizem nada, que não refletem amor nem alegria,
Voltando-se assim só cristais opacos.
Que houve com a doce melodia da canção?
Que outorgava o prazer e a algaravia,
Quanto há se desvalorizado!...
Em que paragem tenebrosa a confinaram?

Thursday, May 03, 2007

UMA POETISA DA GUATEMALA

El Sexo

Alaíde Foppa

Oculta rosa palpitante
en el escuro surco,
pozo de estremecida alegria
que incendia en un instante
el turbio curso de mi vida,
secreto siempre inviolado,
fecunda ferida.

O SEXO

Oculta rosa palpitante
No escuro sulco,
Poço de estremecida alegria
Que incendeia num instante
O turvo curso de minha vida,
Segredo sempre inviolado,
Fecunda ferida.