Thursday, October 11, 2007

UMA POESIA DE TELLIER


CUENTO SOBRE UNA RAMA DE MIRTO

Jorge Tellier

Había una vez una muchacha
que amaba dormir en el lecho de un río.
Y sin temor paseaba por el bosque
porque llevaba en la mano
una jaula con un grillo guardián.
Para esperarla yo me convertía
en la casa de madera de sus antepasados
alzada a orillas de un brumoso lago.
Las puertas y las ventanas siempre estaban abiertas
pero sólo nos visitaba su primo el Porquerizo
que nos traía de regalo
perezosos gatos
que a veces abrían sus ojos
para que viéramos pasar por sus pupilas
cortejos de bodas campesinas.
El sacerdote había muerto
y todo ramo de mirto se marchitaba.
Teníamos tres hijas
descalzas y silenciosas como la belladona.
Todas las mañanas recogían helechos
y nos hablaron sólo para decirnos
que un jinete las llevaría
a ciudades cuyos nombres nunca conoceríamos.
Pero nos revelaron el conjuro
con el cual las abejas
sabrían que éramos sus amos
y el molino
nos daría trigo
sin permiso del viento.
Nosotros esperamos a nuestros hijos
crueles y fascinantes
como halcones en el puño del cazador.

CONTO DE UM RAMO DE MIRTA

Era uma vez uma moça
que adorava dormir no leito de um rio.
E sem temor passeava pelo bosque
porque levava na mão
uma jaula com um grilo guardião.
Para esperá-la eu me convertia
na casa de madeira de seus antepassados
erguida às margens de um cinzento lago.
As portas e as janelas sempre estavam abertas,
Porém nos visitava apenas o primo criador de porcos
que nos trazia de presente
preguiçosos gatos
que às vezes abriam seus olhos
para que pudéssemos ver passar por suas pupilas
cortejos de bodas caipiras.
O sacerdote havia morrido
e todo ramo de mirta murchava.
Tínhamos três filhas
descalças e silenciosas como a beladona.
Recolhiam ervas
e nos falavam para dizer
que um ginete as levaria
a cidades cujos nomes nunca conheceríamos.
Mas nos revelaram o conjuro
com o qual as abelhas
saberiam que éramos seus amos
e o moinho
nos daria trigo
sem permissão do vento.
Nós esperamos nossos filhos
cruéis e fascinantes
como falcões na mão do caçador.

Wednesday, October 10, 2007

UM POETA NORTE-AMERICANO

MILL-DOORS

Carl Sandburg

You never come back.
I say good-by when I see you going in the doors,
The hopeless open doors that call and wait
And take you then for--how many cents a day?
How many cents for the sleepy eyes and fingers?


I say good-by because I know they tap your wrists,
In the dark, in the silence, day by day,
And all the blood of you drop by drop,
And you are old before you are young.
You never come back.

from Chicago Poems (1916)


Moinho

Você nunca mais volta.
Eu digo adeus-por lhe ver saindo pelas portas,
Pelas desesperançadas portas abertas que chamam e não esperam
E tento guardar sua imagem-por quantas centenas de dias?
Quantas centenas levarei para esquecer seus olhos e dedos?

Eu digo adeus-porque eu sei que batem seus pulsos,
Na escuridão, no silêncio, dia após dia,
E todo o sangue que cai gota à gota,
E você ficará velha depois de ter sido nova.
Você nunca mais volta.
Obs.: Esperando que a imensa traição não doa muito.

Tuesday, October 09, 2007

UM POETA DO PERU

EL DESTERRADO

Manuel Sforza

Cuando éramos niños,
y los padres nos negaban diez centavos de fulgor,
a nosotros nos gustaba desterrarnos a los parques,
para que viéramos que hacíamos falta,
y caminaran tras su corazón
hasta volverse más humildes y pequeños que nosotros.
Entonces era hermoso regresar!
Pero un día parten de verdad los barcos de juguete,
cruzamos corredores, vergüenzas, años;
y son las tres de la tarde
y el sol no calienta la miseria.
Un impresor misterioso
pone la palabra tristeza
en la primera plana de todos los periódicos.
Ay, un día caminando comprendemos
que estamos en una cárcel de muros que se alejan...
Y es imposible regresar.

O Exilado

Quando éramos crianças,
e nossos pais
nos negavam dez centavos de atenção,
nós gostávamos de nos exilar nos parques,
para que sentissem nossa falta,
e nos procurassem com o coração apertado
que os tornava mais humildes e pequenos do que nós.
Então era bonito regressar!
Porém, um dia
Partem de verdade os barcos de brinquedo,
Cruzamos corredores, vergonhas, anos
e são três da tarde
e o sol não aquece a miséria.
Um impressor misterioso
põe a palavra tristeza
na primeira página de todos os jornais.
E, um dia andando, nós compreendemos
que estamos numa cadeia de paredes que se afastam...
E é impossível regressar.

Monday, October 08, 2007

UM POETA CHILENO

Siempre el adiós

Gonzalo Rojas

Tu llorarás a mares
três negros dias, ya pulverizada
por mi recuerdo, por mis ojos fijos
que te verán llorar detrás de las cortinas de tu alcoba,
sin inmutarse, como dos espinas,
porque la espina es la flor de la nada.
Y me estarás llorando sin saber por qué lloras,
sin saber quién se há ido:
si eres tu, si soy yo, se el abismo es um beso.
Todo será de golpe
como tu llanto encima de mi cara vacía
Correrás por las calles. Mi mirarás sin verme
en la espalda de todos los varones que marchan al trabajo.
Entrarás em los cines para oírme en la sombra del murmullo. Abrirás
la mampara estridente: allí estarán las mesas esperando mi risa
tan ronca como el vaso de cerveza, servido y desolado.

Sempre o adeus

Tu chorarás mares
três negros dia, já pulverizada
por minha lembrança, meus olhos fixos
que te verão chorar por trás das cortinas de tua alcova,
sem perturbar-se, como dois espinhos,
porque o espinho é a flor do nada.
E tu estarás chorando sem saber porque choras,
sem saber quem se foi:
se fostes tu, se sou eu, se o abismo é um beijo.
Tudo será um sopro
como teu pranto sobre meu rosto vazio
Correrás pelas ruas. Me olharás sem me ver
no espaldar de todos os homens que marcham para o trabalho.
Entrarás nos cinemas para me ouvir na sombra do murmúrio. Abrirás
o biombo estridente: lá estarão as mesas como a esperar meu riso
tão vazias como o copo de cerveja, servido e desolado.

Sunday, October 07, 2007

OS SONS DO MUNDO


A BANDA

O tinir dos metais estreita o mundo.
A banda, num passo marcial,
Arrasta a turba pelos quarteirões.
Irresistível
Na cadência rítmica do hino dos dementes.
Vamos em frente- diz o clarinete
O trombone estronda:
- Vamos em frente!
Logo o tambor propaga:
-Vamos em frente.
E a banda toda ataca:
-Vamos em frente!
E os idiotas todos, sem reflexão,
Seguem felizes para ser bucha de canhão!
(Do livro "Viagem aos Sonhos de Ninguém").

Friday, October 05, 2007

UM POETA DO PARAGUAI


HAY VECES...

Roque Vallejos


para Augusto Roa Bastos

Hay veces en que nadie
recuerda
que existimos;
que La vida se encoge
y nos aprieta,
y que es difícil despertar
cada mañana
la sangre en nuestras venas.

Días de conservar
el esqueleto, doblados hacia adentro,
y de llorar a oscuras
sobre estos mismos huesos,
de usar la propia piel
como mortaja, y decirle
a la vida que no estamos
y que vuelva otro día.

HÁ VEZES...

Há vezes em que nada
recorda
que existimos;
que a vida se encolhe
e nos aperta,
e que é difícil despertar
cada manhã
o sangue em nossas veias.

São dias de conservar
o esqueleto, voltados para dentro,
e chorar no escuro
sobre estes mesmos ossos,
de usar a própria pele
como mortalha, e dizer
à vida que não estamos
e que volte um outro dia.

Wednesday, October 03, 2007

AINDA KENNETH KOCH

Paradiso

Kenneth Koch

There is no way not to be excited
When what you have been disillusioned by raises its head
From its arms and seems to want to talk to you again.
You forget home and family
And set off on foot or in your automobile
And go to where you believe this form of reality
May dwell.
Not finding it there, you refuse
Any further contact
Until you are back again trying to forget
The only thing that moved you (it seems) and gave what you forever will have
But in the form of a disillusion.
Yet often, looking toward the horizon
There—inimical to you?—is that something you have never found
And that, without those who came before you, you could never have imagined.
How could you have thought there was one person who could make you
Happy and that happiness was not the uneven
Phenomenon you have known it to be?
Why do you keep believing in this
Reality so dependent on the time allowed it
That it has less to do with your exile from the age you are
Than from everything else life promised that you could do?

Paraíso

Não há nenhuma maneira de não ser excitado
Quando o que lhe desiludiu volta a dominar sua cabeça
Seus braços e parece querer lhe falar outra vez.
Então se esquece da casa e da família
E mete o pé no acelerador de seu automóvel
E vai onde acredita encontrar a forma de realidade
Que pode perdurar. Não encontrando lá, se recusa
A promover qualquer contato
Até que volte a experimentar um meio de esquecer
A única coisa que lhe moveu (parece) e lhe deu o que sempre teve vontade de ter,
Mas é uma forma de desilusão.
Então frequentemente, olhando para o horizonte
Lá-inimigo seu? – está alguma coisa que nunca encontrou
E isto, sem que aqueles que vieram antes, jamais pudessem ter imaginado.
Como poderia ter pensado haver uma pessoa que lhe poderia fazer
Feliz e essa felicidade fosse tão desigual
Fenômenos sabe como são? Porque então acreditar que a realidade se mantém
Dependendo da permissão do tempo.
Há muito menos para fazer com seu exílio com a idade que tem
Do que de todas as coisas que a vida prometeu que poderia fazer?

Tuesday, October 02, 2007

UM OUTRO KENNETH


Variations On A Theme By William Carlos Williams

Kenneth Koch

1

I chopped down the house that you had been saving to live in next summer.
I am sorry, but it was morning, and I had nothing to do
and its wooden beams were so inviting.

2
We laughed at the hollyhocks together
and then I sprayed them with lye.
Forgive me. I simply do not know what I am doing.

3
I gave away the money that you had been saving to live on for the
next ten years.
The man who asked for it was shabby
and the firm March wind on the porch was so juicy and cold.

4
Last evening we went dancing and I broke your leg.
Forgive me. I was clumsy and
I wanted you here in the wards, where I am the doctor!

Variações de um tema por William Carlos Williams
1
Eu coloquei abaixo a casa que você vinha guardando para viver no próximo verão.
Eu sinto muito, mas era manhã, e não tinha nada para fazer
e suas toras de madeira eram muito convidativas.
2
Nós vamos rir com as flores abertas em conjunto
e então as pulverizarei com fertilizantes.
Perdoa-me. Eu simplesmente não sei o que estou fazendo.

3
Eu doei o dinheiro que você estava guardando para viver os próximos dez anos.
O homem que me pediu era muito maltrapilho
e o vento de março na varanda da empresa estava assim gostoso e frio.

4
Na última noite estivemos dançando e eu quebrei seu pé.
Perdoa-me. Eu sou desajeitado e
Procurava ter você aqui no pátio, onde eu sou o doutor!

UM POETA AMERICANO

Confusion

Kenneth Rexroth

I pass your home in a slow vermilion dawn,
The blinds are drawn, and the windows are open.
The soft breeze from the lake
Is like your breath upon my cheek.
All day long I walk in the intermittent rainfall.
I pick a vermilion tulip in the deserted park,
Bright raindrops cling to its petals.
At five o'clock it is a lonely color in the city.
I pass your home in a rainy evening,
I can see you faintly, moving between lighted walls.
Late at night I sit before a white sheet of paper,
Until a fallen vermilion petal quivers before me.

Confusão

Eu passo na sua casa num lento e avermelhado fim de tarde,
As persianas estão caídas e as janelas, abertas.
A suave brisa vinda do lago
É como sua respiração sobre meu peito.
Durante o dia inteiro caminhei na chuva que caía intermitente.
Eu escolho uma tulipa vermelha no parque deserto,
Brilhantes pingos de chuva repousam nas suas pétalas.
Às cinco horas há só uma cor na cidade.
Eu passo na sua casa na noite chuvosa,
Eu posso vê-la fracamente, movendo-se entre as paredes iluminadas.
Tarde na noite me sentarei diante de uma folha branca de papel,
Até a pétala vermelha cair estremecendo antes de mim.

Monday, October 01, 2007

MAIS QUE MODERNO

Transitional

William Carlos William

First he said:
It is the woman in us
That makes us write--
Let us acknowledge it--
Men would be silent.
We are not men
Therefore we can speak
And be conscious(of the two sides)
Unbent by the sensual
As befits accuracy.

I then said:
Dare you make this
Your propaganda?

And he answered:
Am I not I--here?

(from The Tempers, 1913)

Transicional

Primeiro ele disse:
É a mulher em nós
Que nos faz escrever
-Devemos reconhecer isto-
Os homens podem ser silenciosos.
Nós não somos homens
Logo nós podemos falar
E ser conscientes(dos dois lados)
Descolados pelo sensual
Como desajustados na exatidão.

Eu disse então:
O desafio a fazer
Sua propaganda?

E ele respondeu:
Sou eu não sou eu-aqui?

MULHER FLOR

Alba

Ezra Pound

As cool as the pale wet leaves
of lily-of-the-valley
She lay beside me in the dawn.

Alva

Tão fresca quanto as pálidas folhas molhadas
dos lírios do vale
Ela ficou a meu lado no alvorecer.

Sunday, September 30, 2007

UM POETA NORTE-AMERICANO

“Merely to walk..”

Cid Corman

Merely to walk
on a cold clear day
quick together

makes me want to cry
Here we are!-but
I realize that

each of us knows
in his own silence
how much each knows.

Simplesmente andar

Simplesmente andar
sobre um claro dia frio
ligeiros em conjunto

desperta o desejo de gritar
aqui estamos nós!-mas
Eu penso

que cada um de nós
em nosso próprio silêncio
sabe o quanto sabe.

Tuesday, September 25, 2007

UMA POETISA DO EQUADOR


INSTANTES

Ivonne Zuñiga

me invade una horda incontenible
pausada

mis brazos se adhieren a tu piel
lenta serpiente
irreversible fuerza
me conduce lerdamente a tu interior
a ese espacio roto del pecho
donde el único habitante gime y se contrae.

INSTANTES

Me invade uma horda incontida
pausada
meus braços se aderem a tua pele
lenta serpente
irreversível força
me conduz lentamente ao teu interior
a este espaço roto do peito
onde o único habitante geme e se contrai.

Monday, September 24, 2007

NAVEGAR...NAVEGAR...

A agricultura do desejo

É preciso sentir novamente
a velha sensação de arrepio
a volta do desejo transparente,
forte e arrebatado.

É preciso, para que não me persigam
as lembranças inúteis
ou a tristeza de saber que o tempo presente
tende a se perder sem a ternura de um beijo
sem a paixão, a emoção, o sabor que a bebida,
a comida e a vida exige, requer,
e deve ter,
um corpo de mulher.


È preciso que siga a intuição
me perdendo em bocas, bicos, seios,
em pernas, seivas e gostos
para sentir calor e desejo
embora sendo só a ilusão
de que o amor seja possível de se recuperar
longe da pessoa que se ama
em outras terras e camas.

No momento preciso que haja todo um sentir,
toda uma continuidade da carne
como se houvesse um sacrifício
capaz de saciar o amor com o vício
e o viver com o entorpecimento
dos sentidos.
A incessante necessidade de ser
um homem sem identidade
e sem amarras
me faz, hoje,
um ignorante comedor de uvas
amassando parras
querendo apenas
sentir o gosto do vinho.

UM POETA DA GUATEMALA

Inmolación Espermática

Enrique Noriega

Traídos por una lluvia
De salivas lubricantes
Caen pechos a mi boca y piernas
Y mejillas y caderas u muslos
Y vulvas y suaves pezones y frases
Dichas para el hambre incontenible
De la carne.
El lujurioso Encomendero
Arrasa hembras en su feudal
Dominio de si mismo
Y hay después
De tan abrupta molicie
Este enseñoramiento del pecado
Que aclara e vivifica las ideas
Razones sólo para la yesca
de la sangre


Imolação Espermática


Trazidos por uma chuva
de salivas lúbricas
caem peitos na minha boca e pernas
mordentes e cadeiras e músculos e
vulvas e mamilos lisos e frases ditas
para a fome incontrolável
da carne.
o luxurioso Encomendeiro
arrasa fêmeas em seu feudal
domínio de si mesmo.
e há, depois de tanta abrupta moleza,
o ensenhoramento do pecado
que aclara e vivifica as idéias
Razões somente para o incendiar
do sangue.

Sunday, September 23, 2007

VIVER SÓ POR VIVER

SIGNIFICADO

A emoção pretendo,
com todas as forças,
Que um desesperado
pode ter...
A emoção...
De uma maneira forte,
definitiva,
Qual um corpo que cai,
Uma lâmina que,
de repente,
rasga o buraco,
por onde a vida
se esvai...
A emoção alcanço.
E , feito o amor,
Não significa senão um momento
Que logo, em seguida, se desfaz.
De vez que toda vida
é mero vento,
leve tremor,
nada mais.
(Do livro "Viagem aos Sonhos de Ninguém").

Wednesday, September 19, 2007

SAUDOSAMENTE BRANCO E VAZIO

POEMA BRANCO

Não há muitos planos a serem feitos mais.
Nem mesmo a espera de algo especial.
Nem mesmo razões para crer num amanhã
Que só pode me legar o esquecimento.

Você, que nada exigia, senão o amor
Me dava sonhos
Sem precisar do sono.
E, agora, até meus sonhos
São brancos, planos longos, espaços
Que jamais serão preenchidos....

É assim que lembro,
Com admiração, dos dias de amor
Da falta da necessidade de explicações,
Do quanto os dias eram doces e intensos
De prazer e gozo.
Nada do que fiz ontem, hoje, amanhã e depois
Pode ser mais igual.
Pode trazer de volta o perdão
Para o crime do tempo perdido.

Só me resta fazer um poema
Um triste poema, branco como os versos,
de um suicídio reconhecido.
A confissão plena
De que sempre foste mais sábia do que minha instrução
Jamais poderia entender.

E, agora, que entendo
Tão pouca importa
Se a vida passou e vivi sem viver.

E o vazio dos dias que virão me contempla
Enquanto o silêncio em volta
Parece amplificar tua voz
Que ressoa do passado
Voltando a me dizer:
“-Meu lindo, que importa isto se nós vamos morrer?”

HÁ OUTRAS VERSÕES

Esta é a minha

THE SICK ROSE

William Blake

O Rose thou art sick.
The Invisible worm,
That flies in the night
In the howling storm:
Has found out thy bed
Of Crimson joy:
And his dark secret love
Does thy life destroy.

A ROSA DOENTE

Ó Rosa ser tão doente.
O verme invisível
Voou na noite insensível
Na tempestade uivante:
E te encontrou no leito
Cativante de menina:
E seu negro amor secreto
A vida te elimina.

Tuesday, September 18, 2007

UM POETA CUBANO

SONETO MORANDIANO

Severo Sarduy

Una lámpara. Un vaso. Una botella.
Sin más utilidad ni pertinencia
que estar ahí, que dar a la consciencia
un soporte casual. Mas no la huella

del hombre que la enciende o que los usa
para beber: todo ha sido blanqueado
o cubierto de cal y nada acusa
abandono, descuido ni cuidado.

Sólo la luz es familiar y escueta
el relieve eficaz: la sombra neta
se alarga en el mantel. El día quedo

sigue el paso del tiempo con su vaga
irrealidad. La tarde ya se apaga.
Los objetos se abrazan: tienen miedo.

SONETO MORANDIANO

Uma lâmpada. Um copo. Uma garrafa.
Sem mais utilidade nem pertinência
que estar ali, que dar à consciência
um suporte casual, mas não grafa

o traço humano que acende o que os usa
para beber: tudo foi branqueado
ou coberto de cal e nada acusa
abandono, descuido ou falta de cuidado.

Somente a luz é familiar e acesa
põe em relevo a toalha posta à mesa
que a sombra alarga. O dia caindo

Segue o passo do tempo na sua vaga
irrealidade. A tarde já se apaga.
Abraçam-se os objetos: sentem medo.

UMA POETISA DO URUGUAI

ESA MINÚSCULA MELODÍA DE LLUVIA

Carmen Borda

Esa minúscula melodía de lluvia
que te lleva y trae
es la música permanente
que vive en mí
me persigue
me asesina por las noches
hamaca tu rosto en la oscuridad
y me desangra
lentamente
a cuenta gotas.

ESTA MINÚSCULA MELODIA DA CHUVA

Esta minúscula melodía da chuva
Que te leva e traz
É a música permanente que vive em mim
me persegue
Me assassina pelas noites
Escurece teu rosto na obscuridade
E me sangra
lentamente
em conta-gotas.

Monday, September 17, 2007

VÃS VAIDADES

A GRANDE LIÇÃO

No meio dos melhores livros do mundo
O grande sábio,
Incontestável senhor da Verdade,
Curvou-se,um dia, sobre sua mesa
E derramou incontrolável tristeza
Que, desfeita em lágrimas,
Destruiu suas mais perfeitas teorias.
E, completamente alucinado de amor,
Chorou até morrer
Legando, como único conhecimento útil,
Sua convicção de que não há
Ciência possível
Para o amor, a dor e a vida.

(De "Viagem aos Sonhos de Ninguém".
Ilustração de Harmen Steenwijk com o nome de "An Allegory of the Vanities Human Life" extraída do Blog http://blog.uncovering.org)

Saturday, September 15, 2007

UM POETA ESPANHOL


DIARIO DE UN SEDUCTOR

Leopoldo María Panero

No es tu sexo lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.

Diário de um sedutor

Não é o teu sexo que no teu sexo busco
Sim enlamear tua alma:
Desfolhar
Com todo o barro da vida
O que ainda não vivi.

Friday, September 14, 2007

UMA POETISA DA COLÔMBIA

SE BUSCA UN PARAGUAS

Yadi Maria Henao

Aún no logro viajar hasta los sueños de un gato.
Ni dormir en el centro de un huracán.

Esto es un tratado sobre ratas.
Por la izquierda ahuyento al roedor del insomnio.
Por la derecha oculto la huella de un recuerdo.

Si las ratas cierran un ojo, escribo.
Si lo abren, se llevan lo que callo.

Hay vírgenes rojas que habitan la ratonera del vacío.
Discursos metódicos que a nadie hacen feliz.

Amanece en la boca la sed que amanece en la mirada.

La palabra se moja como un paraguas
bajo un diluvio de abrazos perdidos.

La muy sola palabra se dice a solas
entre los solos de noviembre.

EM BUSCA UM GUARDA-CHUVA

Ainda não consegui viajar nos sonhos de um gato.

Nem dormir no centro de um furacão.

Este é um tratado sobre os ratos.
Pela esquerda afugento o roedor da insônia.
Pela direita oculto a sombra de uma lembrança.

Se os ratos fecham um olho, escrevo.
Se abrem, carregam o que calo.

Há virgens vermelhas que habitam a ratoeira do vazio.
Discurso metódicos que não fazem ninguém feliz.

Amanhece na boca a sede que nasce do olhar.

A palavra se molha como um guarda-chuva
sob um dilúvio de abraços perdidos.

A solitária palavra se diz a sós
entre os solos de novembro.

Wednesday, September 12, 2007

NO DIVÃ

É evidente que o real,
Hoje em dia,
Requer interpretações.

Sou do tempo do preto e branco.
Do tempo do amor para a vida toda.
Em que o amor era para valer.

Hoje me sinto no divã
E falo de um tempo em que o amor era doce,
Como se fosse uma joía irrecuperável,
Um tempo que passou da hora.
A psiquiatra de tão amável
Me parece inodora.

A saudade é o passado que chora!

Tuesday, September 11, 2007

UM POETA DO PANAMÁ

DESPEDIDAS

Carlos Enrique Ungo

No desperdicies tu noche
el puño desafiante de mi odio.

Retrocede
y llévate contigo los poemas de amor
las miradas
las caricias
los secretos
compartidos a voces y en silencio.

Déjame completar el ritual del condenado
y compartir con aquellos
los ausentes
ese futuro que exige con premura
su cuota de presente.
Déjame ofrecer este último poema
con la cara al sol
y sonriente
para que luego
con el fusil al hombro y el odio en un bolsillo
me apreste a afinar la puntería.

DESPEDIDAS

Não desperdices tua noite
Com o punho desafiante de meu ódio.

Retrocede
e leva contigo os poemas de amor
os olhares
as carícias
os segredos
compartilhados com as vozes e o silêncio.

Deixa-me completar o ritual do condenado
e compartilhar com
os ausentes
este futuro que exige prematuramente
sua quota de presente.
Deixa-me oferecer este último poema
com a face para o sol
e sorridente
para que logo
com o fuzil no ombro e ódio no bolso
me apresse em acertar a pontaria.

Friday, September 07, 2007

AGORA NO ESTIO

A ROSA MAIS PURA

A úmida flor
Que minha mão colhe
Tépida, febril, nervosa
É carne, é liquido,
é espírito, é rosa.
Porta e porto.
Começo e fim
Do sonho e da loucura
E nada sei
Senão, ò criatura,
Que é mais linda
Do que as de todos os jardins.

MAIS UMA POETISA ARGENTINA

BIEN PUDIERA SER...

ALFONSINA STORNI

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido
No fuera más que aquello que nunca pudo ser,
No fuera más que algo vedado y reprimido
De familia en familia, de mujer en mujer.
Dicen que en los solares de mi gente, medido
Estaba todo aquello que se debía hacer...
Dicen que silenciosas las mujeres han sido
De mi casa materna... Ah, bien pudiera ser...
A veces en mi madre apuntaron antojos
De liberarse, pero se le subió a los ojos
Una honda amargura, y en la sombra lloró.
Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba en sua alma encerrado,
Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.





BEM PODE SER

Bem pode ser que tudo o que no meu verso senti
Não foi mais que aquilo que nunca pôde ser,
Não foi mais do que algo que vedei e reprimi
De família em família, de mulher em mulher.
Dizem que nos lares dos meus, medido
Estava tudo aquilo que se devia fazer...
Dizem que silenciosas as mulheres têm sido
Em minha casa materna... Ah, sim, bem pode ser...
Às vezes minha mãe sentiu os empecilhos
E anseio de liberar-se, porém subiu-lhe aos olhos
Uma funda amargura, e na sombra só chorou.
E tudo este peso mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava na alma guardado,
Penso que sem querer fui eu quem libertou.

COISAS DO PASSADO

RECEITA

Ouve a música....olha o mar
Sob essas estrelas
Tendo por leito a areia
Vamos amar.

Vamos amar
Como se nem a morte nem o dia
Fosse chegar.
Amemos, pois,
Com o desespero
De quem come arroz com fome
Decorando a noite de gemidos e ais
Como se fosse só hoje e nunca mais..

Wednesday, August 29, 2007

A INDIADA CONTINUA A MESMA



MINHA CADELA DE TODOS NÓS


Na tina
Limpo a América Latina,
Minha cadela de pulgas douradas,
Certo de que, sobre seus ossos magros,
A pele maltratada que conduz
Ainda pode criar a luz da gordura.
Imagino-a no cio,
Pobre vira-lata,
Tantos cachorros a desejá-la,
Tantos
Buldogues americanos,
Pastores alemães
e cães vadios.
Sinto mesmo um arrepio
De vê-la tão nova e indefesa
Ante espadas de carne
Que lhe cospem
Com o desprezo imbecil dos dominadores.
Pobre América Latina!
Pobre prostituta de amostra grátis.
Por que não morde ?
Por que não late ?
Por que só se deixa penetrar assim
sem reação alguma ?
Ela só me olha
E lambe suas feridas
Com a mesma resignação e doçura
Com que enfrenta a vida
E, limpa e perfumada, corre novamente
Para sua servidão canina
Sem refletir
Que tem direito
de traçar sua própria sina.

Tuesday, August 21, 2007

UM POETA DO CHILE


CUENTO SOBRE UNA RAMA DE MIRTO

Jorge Tellier

Había una vez una muchacha
que amaba dormir en el lecho de un río.
Y sin temor paseaba por el bosque
porque llevaba en la mano
una jaula con un grillo guardián.
Para esperarla yo me convertía
en la casa de madera de sus antepasados
alzada a orillas de un brumoso lago.
Las puertas y las ventanas siempre estaban abiertas
pero sólo nos visitaba su primo el Porquerizo
que nos traía de regalo
perezosos gatos
que a veces abrían sus ojos
para que viéramos pasar por sus pupilas
cortejos de bodas campesinas.
El sacerdote había muerto
y todo ramo de mirto se marchitaba.
Teníamos tres hijas
descalzas y silenciosas como la belladona.
Todas las mañanas recogían helechos
y nos hablaron sólo para decirnos
que un jinete las llevaría
a ciudades cuyos nombres nunca conoceríamos.
Pero nos revelaron el conjuro
con el cual las abejas
sabrían que éramos sus amos
y el molino
nos daría trigo
sin permiso del viento.
Nosotros esperamos a nuestros hijos
crueles y fascinantes
como halcones en el puño del cazador.

CONTO DE UM RAMO DE MIRTA

Era uma vez uma moça
que adorava dormir no leito de um rio.
E sem temor passeava pelo bosque
porque levava na mão
uma jaula com um grilo guardião.
Para esperá-la eu me convertia
na casa de madeira de seus antepassados
erguida às margens de um cinzento lago.
As portas e as janelas sempre estavam abertas,
Porém nos visitava apenas o primo criador de porcos
que nos trazia de presente
preguiçosos gatos
que às vezes abriam seus olhos
para que pudéssemos ver passar por suas pupilas
cortejos de bodas caipiras.
O sacerdote havia morrido
e todo ramo de mirta murchava.
Tínhamos três filhas
descalças e silenciosas como a beladona.
Recolhiam ervas
e nos falavam para dizer
que um ginete as levaria
a cidades cujos nomes nunca conheceríamos.
Mas nos revelaram o conjuro
com o qual as abelhas
saberiam que éramos seus amos
e o moinho
nos daria trigo
sem permissão do vento.
Nós esperamos nossos filhos
cruéis e fascinantes
como falcões na mão do caçador.

Thursday, August 09, 2007

UM POETA DA VENEZUELA

LA TROMPETA CULPABLE
Gabriel Jiménez Emán
Hace una semana o tal vez más,
quizá hace dos, o un mes
sueño que toco la trompeta.
Una mujer me dice que no puede ser
que ella jamás imaginó un sonido tan sublime.
Pero yo la toco otra vez
y le demuestro que los sonidos salen
como flujo magnético
metiéndose en el almuerzo
y provocando exclamaciones
en los demás asistentes.
Mis dedos en los pistones
son pequeñas serpientes doradas.
Alguien que no veo me aplaude,
después mi mujer me golpea con una cuchara,
luego mi hijo me dice que le duele
el oído.

Yo sigo hasta formar parte de un conjunto
famoso por beber whisky en los ensayos.
después llega mi madre y me reprende
me dice que voy a despertar a los muertos de la cuadra.

Mi trompeta va a dar a su estuche de felpa.

Entonces la primera mujer me vuelve a decir
que ella no lo cree
que yo estoy soñando y que ella sin embargo
me ama.
Yo me despierto cansado,
viendo a mi almohada asustada
arañándome la cara.

A TROMPETA CULPADA

Faz uma semana ou talvez mais,
talvez duas, ou um mês
que sonho que toco trompete.
Uma mulher me diz que não pode ser
que jamais imaginou um som assim tão sublime.
Porém volto a tocar
e demonstro que os sons saem
como um fluxo magnético
que se mete no almoço
e que provoca exclamações
nos outros ouvintes.
Meus dedos nos pistões
são serpentes douradas pequenas.
Alguém que não vejo me aplaude,
Depois minha mulher me golpeia com uma colher,
logo meu filho me diz que lhe fere
os ouvidos.

Eu sigo até fazer parte de um conjunto
famoso para beber uísque nos ensaios.
Depois minha mãe me repreende
Dizendo que vou despertar os mortos do bloco.

Meu trompete está indo para sua caixa de feltro.

Então a primeira mulher volta para me dizer
que não crê que estou sonhando e não obstante
me ama.
Eu acordo cansado,
vendo minha almofada assustada
me arranhando o rosto.

Tuesday, August 07, 2007

UM POETA DO HAITI


AGITER AVANT UTILISATION

George Castera


jusqu’à l’aube
hermétique de la pierre
je te livre à l’abandon
des ponctuations
à l’affût des dissonances

la connivence du vent
dans ma passion

l’éternité nous dénude

AGITE ANTES DE USAR

Até o alvorecer
hermético da pedra
te entrego ao abandono
das pontuações
à espreita das dissonâncias

na conivência do vento
da minha paixão

a eternidade nos desnuda.

Monday, August 06, 2007

A SOLIDÃO É UMA FERA

TRISTE LAMENTO

É quase ontem em mim
Quando não sei de ti.Temo olhar no espelho
Os cabelos brancos,
Os dedos, inúteis .
Os braços, o peito, como o olhar, vazios,
Depois de tanto tempo
Sem finalidade.

Escondo o sabor amargo da saudade,
O tremor dos lábios,
A solidão dos dias sem movimento
Que cabem num poema também lento,
Triste lamento.

A pouca fé que resta
Lembra da festa,
Do prazer, do sexo glorioso,
Que ficou para trás.

E tudo, hoje, tem um gosto insípido de nunca mais.

Sunday, August 05, 2007

E DE SAUDADES VOU MORRENDO....

CONSTATAÇÃO

Ah! Se tu estivesses aqui, agora,
Nem que fosse uma meia-hora
Como o tempo se desfaria no ar
Com esta saudade que não vai passar.
Se estivesses aqui ao meu alcance
Nesta manhã chuvosa...que belo lance!
Nós dois seríamos muito mais felizes
Rememorando os acertos e deslizes
Na cumplicidade que nunca se desfez
O prazer teria seu momento e vez
E apagaria toda esta imensa dor
Se expressando, como sempre, em amor

Hoje, que nem imagino onde estais,
Imito a chuva e choro muito mais
Enquanto o mundo minha dor ignora
E até a dor o tempo leva embora...

BOA POESIA PARA DOMINGO


AT THE BALL GAME

William Carlos Wiliam

The crowd at the ball game
is moved uniformly

by a spirit of uselessness
which delights them-

all the exciting detail
of the chase

and escape, the error
the flash of genius-

all to no end save beauty
the eternal-

So in detail they, they crowd,
are beautiful

for this
to be warned against

saluted and defied-
It is alive, venomous

it smiles grimly
its words cut-

The flashy female with her
mother, get it-

The Jew get it straitght-it
is deadly, terrifying-

It is the Inquisition, the
Revolution

It is beauty it itself
that lives

Day by day in them
idly-


This is
the power of their faces

It is summer, it is the solstice
the crowd is

cheering, the crowd is laughing
in detail

permanently, seriously
without thought

No Jogo de Futebol

No jogo de futebol a torcida
Se move entusiasmada

Pelo espírito da inutilidade
Que a todos delicia-

Da excitante visão
Da perseguição da bola

E dos dribles, dos erros,
Do lampejo de gênio-

Tudo sem outro fim que não a beleza
Eterna de uma jogada-

Assim, no conjunto, as torcidas
São belas

Por isto
Convém nos prevenirmos contra

Sua força oculta na aparente fraqueza-
Ela vive e sua beleza é perigosa

Alegremente faz olá,
Mas suas palavras ferem

A bela mulher ao lado
De sua mãe, entende isto-

O judeu entende, de imediato-
Seu poder mortal, aterrador-

É a Inquisição, a
Revolução

É a própria beleza
Que emana

Minuto a minuto
Na sua força ociosa-

Este é o poder
Que mostram os rostos-

No calor, no apogeu
Da torcida

Que gritando, na alegria, explode
Inconsciente,

Uníssona e dioniásica
De um grito de gol!

Monday, July 30, 2007

A DOR DA TUA AUSÊNCIA ESTÁ PRESENTE


EXCESSO

Há o tempo-este carrasco implacável-
E a morte-a recolhedora das vidas-
Que são inevitáveis,
Porém, não precisava também
Da distância e da saudade de você
Que não param de doer.

Sunday, July 29, 2007

UM POETA DE COSTA RICA

La contemplación de las horas.

César Gonzalez Granados

El insomnio es una casa abierta,
una recopilación de goteras golpeteando contra el piso,
la pena capital para Morfeo,
la reina incertidumbre, el peso por lo hecho,
el miedo por lo muerto, el tiempo para anhelarte,
el precio por tus besos.

El tiempo de algunas noches parece muerto,
y hay que velarlo en la contemplación de las horas
soñando despierto,
inventándome tonos similares a los tuyos
que me arrullen con su canto, para soñar con tu cuerpo.

El insomnio es el trance delicioso del recuerdo,
el trago de vinagre por miedo a morirse seco,
el resonar del relojcon arritmia en los minutos,
las cataratas del cuerpo
y vos en un barril;
como decir, es el sueño…

A Contemplação das horas.

A insônia é uma casa aberta,
Uma compilação das goteiras golpeando de encontro ao assoalho,
A pena capital para Morfeu,
O reino da incerteza, o peso do fato,
O medo pelos mortos, o momento para o desejar-te,
O preço por seus beijos.

O tempo de algumas noites parece morto,
E é necessário velá-lo na contemplação das horas
Sonhando desperto,
Inventando tons similares aos teus
Que sejam no seu canto, para sonhar com teu corpo.

A insônia é o momento delicioso da recordação,
O trago do vinagre pelo medo de morrer a seco,
O ressonar do relógio
Com arritmia nos minutos,
As cataratas do corpo
E vozes num tambor;
como a dizer, é o sonho

Saturday, July 28, 2007

O MÚSICO NO PARQUE

EMBRIAGUEZ MUSICAL

Yo-Yo Ma,
Com Petúnia, seu violoncelo mágico e belo,
Toca em Toronto.

Yo-Yo Ma
Toca Bach
Em pleno o ar livre
Para meu espanto.

A Natureza é um canto
E, de beleza, fico tonto!

Friday, July 27, 2007

VER PARA CRER

CANTO AO AMOR OCULTO

Como um passarinho vivo
Criando um ninho para o meu amor...

Hei de fazê-lo com as mais belas flores da floresta
e envolvê-lo com os mais doces cantos de outros pássaros
para te cantar com os mais suaves sons que há.

Nem me importo de voar mais alto
Ou, de nas longas distâncias me cansar
Ou, se, na busca, posso me machucar
Se os melhores e saborosos frutos recolher
Para te ofertar.

Só me importo, antes de aparecer o luar,
de olhar nos olhos teus,
e cantar, no por do sol, o meu canto de glória,
pelo meu imenso amor...

Sei que é fonte de prazer e dor
Que é mais belo por ninguém desconfiar ....
E somente parecer história.

O melhor pecado é oculto.
O segredo da joía está no diamante bruto.

Wednesday, July 25, 2007

UM POETA DE COSTA RICA

UN POETA ES UN POETA

Robinson Rodriguez Herrera


¿Te acuerdas de un muchacho triste
que te robaba sonrisas
insomne en el periplo
de sus poemas?
Tu habrás cambiado tanto,
pero ese pastor de sueños
sigue regalando al viento
la vida
de sus versos.

Um poeta é um poeta

Te lembras de um menino triste
Que te roubava sorrisos
no périplo insone
de seus poemas?
Tu mudastes tanto,
Porém esse pastor dos sonhos
continua dando ao vento
a vida
de seus versos.

Tuesday, July 24, 2007

NO ENTANTO É PRECISO DORMIR....

La contemplación de las horas.

César Gonzalez Granados

El insomnio es una casa abierta,
una recopilación de goteras golpeteando contra el piso,
la pena capital para Morfeo,
la reina incertidumbre, el peso por lo hecho,
el miedo por lo muerto,
el tiempo para anhelarte,
el precio por tus besos.

El tiempo de algunas noches parece muerto,
y hay que velarlo en la contemplación de las horas
soñando despierto,
inventándome tonos similares a los tuyos
que me arrullen con su canto,
para soñar con tu cuerpo.


El insomnio es el trance delicioso del recuerdo,
el trago de vinagre por miedo a morirse seco,
el resonar del reloj
con arritmia en los minutos,
las cataratas del cuerpo
y vos en un barril;
como decir, es el sueño…

A Contemplação das horas.

A insônia é uma casa aberta,
Uma compilação das goteiras golpeando de encontro ao assoalho,
A pena capital para Morfeu,
O reino da incerteza, o peso do fato,
O medo pelos mortos, o momento para o desejar-te,
O preço por seus beijos.

O tempo de algumas noites parece morto,
E é necessário velá-lo na contemplação das horas
Sonhando desperto,
Inventando tons similares aos teus
Que me encantem com seu canto, para sonhar com teu corpo.

A insônia é o momento delicioso da recordação,
O trago do vinagre pelo medo de morrer a seco,
O ressonar do relógio
Com arritmia nos minutos,
As cataratas do corpo
E vozes num tambor;
como a dizer, é o sonho

HÁ COISAS QUE SÃO ETERNAS

AMOR IMORTAL

Há gestos que nenhum
dinheiro paga.
Lembra aquele dia
em que me disse
que faria amor comigo
Até de graça?

Não teve a menor graça
o que tive de pagar.

As coisas são assim:
Todo mundo tem a sua vez de rir.
preciso avisar
que não posso mais lhe sustentar.

Meu advogado foi embora.
Meu contador
acabou de sacar
o resto do dinheiro que havia.
Meu bem, sei que seu amor
vai resistir
ao fato de que acabo de falir.

A casa? Não. Não precisa deixar.
É só esperar
que o banco vem tomar.
O carro que lhe dei de presente?
É passado.

Pode me xingar.
Não ligo não.
Sei que estarei para sempre
No seu coração.

(De Poesias Mal-Comportadas)

DILEMA PÓS MATRIZ

Dúvida Cruel

Faz algum tempo
Deixei de tentar me entender.
São tantos os papéis que faço
Ora um super-herói, um louco, um palhaço
Que me confundo
Até entre os mundos.
Agora mesmo
Estou aqui analisando
Se devo comer esta barata-
presa no copo.
Deve estar aí para este escopo.
Não me lembro se já comi alguma;
Se faz parte de minha dieta
Num papel que fiz de atleta,
Se me foi indicado por ter vitamina,
Mas um jeito apetitoso ela tem.
Vou comer.
Deve me fazer muito bem!

Sunday, July 22, 2007

UM GRANDE MESTRE ARGENTINO

VOLTO A BORGES
Poesia não se explica. Momentos sim. Esta poesia de Borges, hoje, condiz com meu momento. Nem sei se já a publiquei, mas, mesmo se for um bis, não será demais. Voltar a Borges é sempre voltar a ler boa poesia ainda que com os defeitos que o tradutor (traidor) sempre introduz.



EL INSTANTE
¿Dónde estarán los siglos, dónde el sueño
de espadas que los tártaros soñaron,
dónde los fuertes muros que allanaron,
dónde el Arbol de Adán y el otro Leño?
El presente está solo. La memoria erige
el tiempo. Sucesión y engaño
es la rutina del reloj. El año
no es menos vano que la vana historia.
Entre el alba y la noche hay un abismo
de agonías, de luces, de cuidados;
el rostro que se mira en los gastados
espejos de la noche no es el mismo.
El hoy fugaz es tenue y es eterno;
otro Cielo no esperes, ni otro Infierno.

O INSTANTE

Onde estarão os séculos, onde o sono
De espadas que os tártaros sonharão,
Onde os fortes muros que levantaram,
Onde a arvore de Adão e outro lenho?
O presente está só. A memória
Erige o tempo. Sucessão e engano
É a rotina do relógio. O ano
Não é menos vão que a vã história.
Entre a aurora e a noite há um abismo
De agonias, de luzes, de cuidados;
O rosto que se mira nos gastos
Espelhos da noite não são os mesmos.
O hoje fugaz é tênue e é eterno;
Outro céu não esperes, nem outro inferno.

Friday, July 20, 2007

O DIFERENTE É UMA FLOR


A Flor do Diferente

Num mundo permanentemente igual, mecânico,
Apenas os meus sentidos parecem indicar
Que o único esforço real deve ser o de amar,
Porém, a pele e os ossos de se mexer têm pânico.

Os dias parecem ser contra as nuances da vida
Como se até a troca do calendário fosse irreal
E toda mudança, de tanto ser, o fixo, normal,
Soasse sem encanto como uma melodia perdida.

Todos os dias parecem longamente iguais,
e lânguidos se arrastam sem remédio,
a se repetir num monótono, crônico, tédio,
música contra a qual não há resistência mais.

Não me importam as favas contadas do cotidiano.
Quando não há escolha o errado e o certo
Se confundem na certeza do imenso deserto,
Do qual, por ironia, brota a flor de modo insano.
E assim perdido na aspereza do uniforme
Me sinto um ser que, por mais desperto, dorme
E por mais esforço que faça para ser e amar
Só vive pela vida a navegar, navegar, navegar....

E por muito mais mar e água que haja ainda
Toda a viagem parece a mesma e mais infinda
Um caminho sem sentido para frente, para frente
Em busca de um porto que nunca é diferente.

Wednesday, July 11, 2007

DEBOCHANDO


AQUÍ SE DICE COMO DON SANCHO TORNÓ SU IRA EN GOZO Y SU TRISTURA EN CÁNTIGO, CÁNTIGA Y DULZOR DEL CIELO

Álvaro Miranda

Sea que sí, sea que no, brínquese por la cola,
cójase por el cuello, apriétese el pispirispi,
húndasele el gaznate, muérdasele el juanete, aquí
y allá, en la hora en que el sinsonte se vuelca
en el mar, silba la iguana, silba el carmín, arde
el cotudo, se amasa la bilis, come mi risa puerro y orín.
Va la vieja, viene la niña, vende que vende,
grita que grita, ofrécese aquí, desnúda
se allá,lluvia tras lluvia la mar no se va, sea que sí,
sea que no, váse la huella con el caracol y
el sueño que vela, infla la música, cristal
de la aurora, barco que aflora allá en el confín,
muralla que arpegia la luna y la aurora.

AQUI SE DIZ COMO DOM SANCHO TORNOU SUA IRA EM GOZO E SUA TRISTEZA EM CÂNTICO, CANTIGA E DOÇURA DE CÉU

Seja porque sim, seja porque não, brinca-se pelo rabo,
pega-se pelo colo, aperta-se a preciosinha,
junta-se a garganta, morde-se o joanete , aqui
e ali, na hora em que o pássaro se volta
do mar, silva a iguana, silva o carmin, arde
a papada, se amassa a bilís, come meu riso, amarga e oxida.

Vai a velha, vem a menina, vende que vende,
grita que grita, oferecesse aqui, desnudasse ali,
chuva após chuva o mar não se vai, seja porque sim,
seja porque não, siga a trilha com o caracol e
o sonho que guarda, infla a música, cristal
da aurora, barco que se levanta atrás da beira,
muralha que harmoniza a lua e o aurora.

Tuesday, July 10, 2007

Até eu que sou mais bobo sei...
Que o mundo não é tão diferente!

Pedro Calderón de la Barca (1600-1681)

Voy contra mi interés al confesarlo;
Pero yo, amada mía,
Pienso, cual tú, que una oda sólo es buena
De un billete del Banco al dorso escrita.
No faltará algún necio que al oírlo
Se haga cruces y diga:
"Mujer, al fin, del siglo diecinueve,
Material y prosaica..." ¡Bobería !
Voces que hacen correr cuatro poetas
Que en invierno se embozan con la lira!
Ladridos de los perros a la luna!
Tú sabes y yo sé que en esta vida,
Con genio, es muy contado quien la escribe;
Y con oro, cualquiera hace poesía.

Atualizada
Eu vou contra meus próprios interesses ao confessar;
Porém, amada minha,
Penso, igual a ti, que uma ode somente é boa
Escrita no verso de um bilhete de banco.
Não faltará algum tolo que quando ouvir
se benza e diga:
"Mulher, no final do século vinte,
material e prosaica". Bobagem!
Vozes que fazem correr quatro poetas
que no inverno se enrolam com a lira!
Latidos dos cães para a lua!
Você sabe e eu sei que nesta vida,
com gênio, contam-se nos dedos os que escrevem;
E com ouro, qualquer um faz a poesia.

Sunday, July 08, 2007

MÚSICA & DESEJO

SEM PARTITURA

O que me atrai em seu marido
É o violino.
É a obsessão e a forma delicada como toca.
É evidente que isto seja só um detalhe
Que aumenta o meu desejo pelo seu corpo.
Cada um com a música e o instrumento pelo qual tem paixão.
Ele só pensa em tocar violino.
Eu só penso em lhe passar as mãos.
Ele atento à partitura
Enquanto meu ser todo gosta de jazz-
É pura improvisação.

(De Poemas Mal-Comportados).

Friday, July 06, 2007

UM POETA DE EL SALVADOR

Promesa

Manlio Argueta

Juro no morirme jamás. No sublevarme.
No decir la verdad cuando nos duela.
Ofrecer la mejilla cada vez
Que me ofendan. A los pobres
Daré limosnas. Comeré pan duro
Para ser bueno contados.
Sólo dinero (pues no tengo nada)
No habré de repartir… Después morir
Tranquilamente, libre de pecados,
De bronconeumonía o de un callo
En el pie
O de un catarro en el alma.

Promessa

Juro não morrer jamais. Não me revoltar.
Não dizer a verdade quando nos ferir.
Oferecer a outra face cada vez
Que me ofenderem. Aos pobres
darei esmolas. Eu comerei o pão duro
para ser bem visto.
Só não darei dinheiro (pois não tenho nada)
Não terei o que distribuir … Depois morrer
Tranqüilamente, livre de pecados,
De broncopneumonia ou de um calo
no pé
ou de catarro na alma.

Wednesday, July 04, 2007

UMA RELEITURA

MIRROR

Sylvia Plath


I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see, I swallow immediately.
Just as it is, unmisted by love or dislike
I am not cruel, only truthful —
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.


Now I am a lake. A woman bends over me.
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.


ESPELHO
Eu sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo de imediato
De qualquer jeito, por amor ou por desgosto.
Não sou cruel, somente verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
A maior parte do tempo medito sobre a parede oposta.
Ela é rosa, com pontos. Tenho olhado tanto tempo para ela,
Que, penso, já faz parte do meu coração. Mas ela dança.
Rostos e sombras nos separam mais e mais.

Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Procurando me alcançar para saber o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e o acenar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
Em cada manhã é seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e de mim uma velha
Se ergue em sua direção dia após dia, como um terrível peixe.