Monday, October 05, 2009

GOMES DE AVELLANEDA



Al Destino

Gertrudis Gómez de Avellaneda

Escrito estaba, sí: se rompe en vano
Una vez y otra la fatal cadena,
Y mi vigor por recobrar me afano.
Escrito estaba: el cielo me condena
A tornar siempre al cautiverio rudo,
Y yo obediente acudo,
Restaurando eslabones
Que cada vez más rígidos me oprimen;
Pues del yugo fatal no me redimen
De mi altivez postreras convulsiones.

¡Heme aquí! ¡Tuya soy! ¡Dispón, destino,
De tu víctima dócil! Yo me entrego
Cual hoja seca al raudo torbellino
Que la arrebata ciego.
¡Tuya soy! ¡Heme aquí! ¡Todo lo puedes!
Tu capricho es mi ley: sacia tu saña...
Pero sabe, ¡oh cruel!, que no me engaña
La sonrisa falaz que hoy me concedes.

Destino

Escrito estava, sim: se rompe em vão
Uma vez e outra a cadeia fatal,
E meu vigor por recobrar me afano.
Estava escrito: o céu me condena
A tornar sempre ao rude cativeiro,
E eu obediente acudo,
Restaurando elos
que cada vez mais rígidos me oprimem;
Pois, jugo fatal não me redime
De meu orgulho as convulsões passadas.

Eis-me aqui! Tua sou! Dispõe do meu destino,
De tua vítima dócil! Eu me entrego
Qual folha seca ao rápido torvelinho
Que a arrebata cego.
Tua sou! Eis-me aqui!Tudo o que podes!
Teu capricho é minha lei: saciar a raiva ...
Porém, sabes, ó cruel!, que não me enganas
O sorriso falaz que hoje me concedes.

MANUEL BRETÓN DE LOS HERREROS



A la Pereza.

Manuel Bretón de los Herreros

¡Qué dulce es una cama regalada!
¡Qué necio el que madruga con la aurora
aunque las musas digan que enamora
oír cantar a un ave en la alborada!

¡Oh, qué lindo en poltrona dilatada
reposar una hora y otra hora!
Comer, holgar..., ¡qué vida encantadora,
sin ser de nadie y sin pensar en nada!

¡Salve, oh, Pereza! En tu macizo templo
ya, tendido a la larga, me acomodo.
De tus graves alumnos el ejemplo

arrastro bostezando: y en tal modo
tu apacible modorra a entrar me empieza
que no acabo el soneto... de per... (eza).

A Preguiça

Que doce é uma cama arrumada!
Que bobo é o que madruga com a aurora
Ainda que as musas digam que se enamora
Quem ouve cantar uma ave na alvorada!

Oh! Que bom é numa poltrona bem estofada
Repousar uma hora e outra hora!
Comer, folgar...que vida encantadora,
Sem ser de ninguém e sem pensar em nada!

Salve, oh, Preguiça! No teu macio templo
Já, estendido, à larga, me acomodo,
De teus graves alunos sigo o exemplo

Me arrasto bocejando de tal modo
na tua aprazível modorra que começa
A me impedir de acabar o soneto de preguiça.

PIZARNIK


A la Espera de la Oscuridad.

Alejandra Pizarnik

Ese instante que no se olvida,
Tan vacío devuelto por las sombras,
Tan vacío rechazado por los relojes,
Ese pobre instante adoptado por mi ternura,
Desnudo desnudo de sangre de alas,
Sin ojos para recordar angustias de antaño,
Sin labios para recoger el zumo de las violencias
perdidas en el canto de los helados campanarios.

Ampáralo niña ciega de alma,
Ponle tus cabellos escarchados por el fuego;
Abrázalo pequeña estatua de terror.
Señálale el mundo convulsionado a tus pies,
A tus pies donde mueren las golondrinas
Tiritantes de pavor frente al futuro.
Dile que los suspiros del mar
Humedecen las únicas palabras
Por las que vale vivir.

Pero ese instante sudoroso de nada,
Acurrucado en la cueva del destino
Sin manos para decir nunca,
Sin manos para regalar mariposas
A los niños muertos.

A espera da escuridão No instante em que não se esquece,

Tão vazio devolvido pelas sombras,
Tão vazio rejeitado pelos relógios,
Este pobre instante adotado por minha ternura,
Desnudo, desnudo de sangue nas asas,
Sem olhos para lembrar as angustias do passado,
Sem lábios para recolher o suco das violências
perdidas na canção dos gelados campanários.

Ampará-la, menina cega da alma,
Por teus cabelos chamuscados pelo fogo;
Abraçá-la pequena estátua de terror.
Assinalar-te o mundo convulsionado a teus pés,
A teus pés, onde morrem as andorinhas
Tremendo de pavor frente ao futuro.
Digo-te que a brisa do mar
Umedece as únicas palavras
Pelas quais vale a pena viver.

Porém, este instante suculento de nada,
Acocorado na curva do destino
Sem mãos para dizer nunca,
Sem mãos para ofertar as borboletas
Aos meninos mortos.

Saturday, October 03, 2009

ROBERTO PACHECO



La Luz Regresó

Roberto Pacheco

La luz regresó
con miles de iguanas que movían la cabeza
y gritaban escalando hasta la punta
de palmeras y mangales

Las tortugas se arrastraron hacia el mar
“como cascos de soldados muertos”
yo me quede bajo la sombra
escuchando como se consume el viento

alguien había soñado una isla.

A luz voltou

A luz voltou
com milhares de iguanas que balançavam a cabeça
e gritavam até subir ao topo
das palmeiras e dos manguezais

As tartarugas se arrastavam para o mar
"como os capacetes dos soldados mortos"
Fiquei na sombra
escutando como o vento se consumia

alguém tinha sonhado com uma ilha.

NERUDA


Nada Más

Pablo Neruda

De la verdad fui solidario:
de instaurar luz en la tierra.

Quise ser como el pan:
la lucha no me encontro ausente.

Pero aqui estoy con lo que ame,
con la soledad que perdi:
junto a esta piedra no reposo.

Trabaja el mar en mi silencio.


Nada mais


Na verdade fui solidário:
Ao instaurar a luz na terra.

Quis ser como o pão:
A luta não me encontrou ausente.

Porém, aqui estou com o que amo,
Com a solidão que perdi:
Junto a esta pedra não repouso.

Trabalha o mar no meu silêncio.

Thursday, October 01, 2009

SEGOVIA



SE ME HACE

Francisco Segovia

SE ME HACE un gentío la garganta
y en las venas se me embalsama un ruido
(el llanto y su mortaja de gangrena
disecando, mortificando sangre
No me quiebra la tristeza
Es su ruido el que me quiebra
el que me abre por la fuerza los dos puños
Es su ruido el que me asienta
(en el sólido tumulto de mi carne)
sobre esta silla del mal endurecido
(Sentado
sobre la silla viva
a punto de implotar de miedo
y tremendamente culpable)

La sirena en el espejo, 1990

SE ME FAZES

Se me fazes um nó na garganta
e nas veias me embalsamas um ruido
(choro e sua mortalha de gangrena
dissecando, mortificando sangue
Não me quebra a tristeza
É o barulho que me quebra
e que me abri pela força dos punhos
É seu ruído que me resolve
(no sólido tumulto da minha carne)
sobre esta cadeira mal endurecida
(Sentado
sobre a cadeira viva
prestes a explodir de medo
e tremendamente culpado)

Wednesday, September 30, 2009

SENSAÇÃO



Na manhã ela molhou os pés nas primeiras ondas
Como o sol veio brincar com o mar
Abrindo os braços na alegria de se entregar
Ao dia que brilhava como seu olhar.
O sol, ela, o vento, o mar num casamento
Cuja perfeição iluminava a vida
E ali senti, minha querida,
A separar nossas idades
Que as quatro dezenas de anos
Eram apenas uma ilusão.
De repente, menina, menino fiquei
E só Deus sabe o quanto abençoei
Os barcos que podiam dizer adeus,
Mas, apenas saudavam este novo amor
Que me tornava tão jovem!

Tuesday, September 29, 2009

PORDON


See You Next Year

Judith Pordon

(for Donna Leombruno)

Thanksgiving is in the tears
that burst like ripe grapes.

Proclaiming, see you next year,
we wave, begin to panic.

With these tears, the further we go
the tighter we are entwined.

We hold onto each others image,
hold each other way-deep

as the bus pulls us apart,
stretching our gratitude for miles.


Vejo você no próximo ano

No dia de Ação de Graças, as lágrimas
estouram como uvas maduras.

Proclamando que irei vê-lo no próximo ano,
como uma onda, começo a entrar em pânico.

Com estas lágrimas, quanto mais nós vamos
mais apertados nos sentimos.

Nós prendemos cada um a imagem do outro,
procurando mantê-la profundamente

até que o ônibus nos afasta
esticando nosso bem-estar por milhas.

Monday, September 28, 2009

O ENVIADO



Eu sou um santo homem
Por isto não vim trazer a paz
Vou separar o homem do seu pai
O filho, da mãe, a nora, da sogra,
E fazer dos de casa, os inimigos.
Eu sou o que tira o fogo dos umbigos
E faz, da melhor esposa, cascavel
Amargo a melhor uva, o melhor mel.
Não vim trazer o céu, mas, o inferno.
Eu vim lançar o fogo sobre a terra
Eu vim criar a divisão, a guerra.
Eu vim só para dizer que o inimigo é irmão
E que não importa a sua opinião
Que o resultado está na minha mão
E o fim do mundo será o meu presente
Chamas e cinzas tão somente.

UM SENHOR ALUNO



Peixes, barcos, estrelas, desenhos,
Palácios, taças, bolas, curvas-
A imaginação vagueia solta
Criando vinhos onde sobram uvas
Enquanto o mestre teoriza
Sobre uma equação que o fim não se divisa.
Ah! Gostaria de estar na Torre de Piza
Ou, quem sabe, em Veneza ou no Sena
Mesmo com a minha doce pequena
E não nesta aula sonolenta e chata.
Ah! Deus! Ser aluno ainda me mata!
E, indiferente, com o ar compenetrado
Me faço de muito interessado
Traçando ligeiro no papel um coqueiro
Que é o que mais perto chego da praia
Já que não descobrem que sou o águia de Haia
quem sabe termine a aula antes que no sono caía.

TEORIA ANTIREVOLUCIONÁRIA



De camponeses, operários, produção
Como quem vai ao mar.
Pela primeira vez, enjoei.
Sinto-me em descompasso com todas as regulações
E, num mundo de acumulação, estou sem nada.
Gostaria mesmo era de sair em disparada
Não ter quatro aulas para ministrar
E poder beber e amar até mais tarde,
Que é a verdadeira forma de usar os recursos naturais.
O resto não me interessa mais
É tudo pura fantasia de uns malucos intelectuais!

Saturday, September 19, 2009

CORRETJER, O POETA


TE ESPERARÉ...

Zoé Jiménez Corretjer

Esperaré a que las hojas del otoño
se cansen de mirarme
hasta que las lunas se hagan de leche
y un río de miel se deshaga en mi boca

Esperaré tus ojos como ciego pájaro
en la noche silenciosa
tus manos para conocer los caminos
de mis futuras órbitas...

Esperaré porque se consume ya un fuego fatuo en la memoria
y me duele el cansancio de una larga tristeza
Te esperaré hasta el final de los finales
para hallar la muerte en la paz de tus entrañas

Porque no hallo otra cosa que nombrarte...
Porque no soy otra cosa que tu propio espejo
devolviéndose la imagen...

Esperaré porque en tus manos llega el aire
que me habita...
porque te has adueñado de mi absoluto presente
porque no existo sin tu vida
porque sin ti soy nada inhabitada

Te esperaré con el vientre lleno
de albahacas moradas
con un ramo de vientos en los ojos y una espiga dorada
arrodillada ante tu vidrio
para rezarte eternidades olvidadas

No haré otra cosa que esperarte, amor mío
hasta que se caiga el cielo y los astros se vuelvan a adorarte
porque llevas la sangre que necesito
para beberme la vida en tu cauce...

Te esperaré, te esperaré hasta que llegues
hasta el final de las lunas
para borrar los regresos y los adioses
para entregarte el universo
y que mi alma descanse
y jamás dejarte ir...

Te esperarei

Esperarei as folhas do outono
cansarem de olhar para mim
até que as luas se façam de leite
e um rio de mel se derreta na boca

Esperarei teus olhos como um pássaro cego
na noite silenciosa
tuas mãos para aprender os caminhos
das minhas futuras órbitas ...

Esperarei porque se consome já o fogo fátuo
E me dói o cansaço de uma larga tristeza
Te esperarei até o fim dos fins
Para encontrar a morte na paz de tuas entranhas

Porque não sei fazer mais do chamar-te ...
Porque não sou nada mais que teu próprio espelho
devolvendo-se a imagem

Te esperarei porque de tuas mãos chega o ar
de que vivo..
porque tens tomado posse do meu presente absoluto
porque não existir sem a tua vida
porque sem ti sou desabitada

Te esperarei com uma barriga cheia
de manjericão roxo
com um ramo de vento nos olhos e uma espiga de ouro
ajoelhado ante teu vidro
para rezar-te eternidades esquecidas

Não farei outra coisa que esperar-te, meu amor
até que caia o céu e os astros se voltem para adorar-te
porque levas o sangue de que necessito
para beber a vida em tua cama ...

Te esperarei, vou te esperar até chegar
até o fim das luas
para apagar os regressos e os adeuses
para entregar-te todo o universo
e que minha alma descans
e nunca te deixes partir...

Ilustração: nuvemsobreoatlantico.blogspot.com/2009/05/est...

Wednesday, September 16, 2009

MONTESINOS



ACERCA DE LAS SOMBRAS

Jorge Montesinos

El elevador la está llevando, eleva su cuerpo
/menudo acurrucado en el elevador
el que la está llevando –el elevador– le muestra
le deja ver –permite la visión– hacia un
/sembrado que
El perfecto piano que dibujan
las sombras de los árboles
sobre la blanca altura
del polvo blanco
del camino
El perfecto piano que dibujan
las sombras
cayendo
sobre el polvo blanco del camino
sobre su luz
El perfecto piano que dibuja
el sol
al golpear su luz
sobre los árboles
y proyectar
las sombras
del follaje sobre el suelo blanco del camino
Ese perfecto piano que dibujan
las sombras de los árboles cayendo
el perfecto piano

Acerca das sombras

O elevador a está carregando, eleva seu corpo
muitas vezes mostra o que está conduzindo-o elevador, mostra
permite a visão até as arvores
que plantadas desenham
um piano perfeito
nas sombras das árvores
a altura sobre o branco
pó branco
do caminho
O piano perfeito que desenham
nas sombras
pó branco na estrada
em sua luz
O piano perfeito que desenha
o sol
ao golpear com sua luz
as árvores
e projetar
as sombras
na folhagem na terra branca da estrada
Este piano perfeito que desenham
as sombras das árvores caindo
o piano perfeito

Monday, September 14, 2009

PERGUNTINHA




Tu que no céu nunca vejo,
E me vês mesmo sem ver,
Como Deus , que é saber,
Nos deixa tão sós, sem beijos?

Saturday, September 12, 2009

OUTRA POETA PERUANA




DE ENCANTACIÓN

Rossella Di Paolo

La playa tendida como un lagarto
llora minuciosa
una vastísima lágrima.
Barcas en velan deambulan por su sal incesante
abrazando redes ateridas de peces.
Los hombres avanzan desfigurando la rectitud de las calles
con voces de botellas abiertas y pies desnudos
pero observan: Hoy la brisa
es pájaro invisible que las ramas presienten
como gitanas tintineantes
cuando desmadejan el hilo prodigioso de las manos.
La tarde es un renglón de niños que cruza las veredas
huyendo del árbol hojeroso
empeñado en dibujar sombras en la hierba.
(La cola de un gato será la rúbrica gentil
de un sol que tiene sueño).

Do encantamento

A praia estendida como um lagarto
chora minuciosa
uma vastíssima lágrima


Barcos a vela deambulam sobre por seu sal incessante
abraçando redes abastecidas de peixes.

Os homens avançam desfigurando a retidão das ruas
com vozes de garrafas abertas e pés descalços
mas note: Hoje, a brisa
é o pássaro invisível que os ramos pressentem
como estridentes ciganos
quando perdem o prodigioso controle das mãos.

A noite é uma fila de crianças atravessando os caminhos
fugindo das árvores imponentes
empenhados em desenhar sombras nas ervas.

(O rabo do gato é a rubrica gentil de
um sol que tem sono).

UMA POETISA PERUANA



XV

Magdalena Chocano

Ella pule sus escamas
bajo el claro de luna
un silencio perfecto cae sobre las olas
y la mar es una inmensa lágrima gastando los escollos
Ella fulge de fulgor mineral
bajo la luna nueva
un demudado mar calla rozando las arenas
y el brillo de la ceniza danza sobre las aguas
El Universo ha sido escarnecido
por la aciaga imposición de otro universo
y ha fugado hacia el Reverso del espacio
Nadie ha de alcanzarle
allí donde la soledad
es venganza de teoría irrefutable

XV

Ela lustra suas escamas
sob o clarão do luar
um silêncio perfeito cai sobre as ondas
e o mar é uma imensa lágrima desgastando as pedras

Ela brilha um brilho mineral
sob a lua nova
um transmutado mar se cala roçando as areias
e o brilho das cinzas dança sobre as águas

O Universo foi escarnecido
pela imposição infeliz de um outro universo
e escapou até o reverso do espaço
Ninguém há de alcançá-lo
ali onde a solidão
é a vingança da teoria é irrefutável

Wednesday, September 09, 2009

SALINAS




FE MÍA

Pedro Salinas

No me fío de la rosa
de papel,
tantas veces que la hice
yo con mis manos.
Ni me fío de la otra
rosa verdadera,
hija del sol y sazón,
la prometida del viento.
De ti que nunca te hice,
de ti que nunca te hicieron,
de ti me fío, redondo
seguro azar.

Minha Fé

Não me fio na rosa
De papel,
Tantas vezes que a fiz
Com as minhas mãos.
Nem me fio na outra
A rosa verdadeira,
Filha do sol e do sal,
A prometida do vento.
De ti que nunca te fiz,
De ti que nunca fizeram
De ti me fio, redondo
Seguro do azar.

Tuesday, September 08, 2009

MONTESINO




NATURALEZA QUIETA

Jorge Montesino

Las nubes ahora
de pie sobre los turbios – tejados de la noche
pasando y al alcance de la mano
vestidas tan de luna.
El cielo ahora
tendido
sobre el enorme lecho – de cenizas
espuma de la arrasadora – fogata de la tarde.
La lluvia ahora
tan leve en su caer
como un alimento – como copas
de un licor exquisito – frágil – de agua mansa.
¿Cómo conciliar el sueño cuando
la noche ahora
representa – el memorable acto
de estarse quietecita – en cada movimiento?

A Natureza quieta

As nuvens agora
De pé sobre os turvos telhados da noite
Passando e já ao alcance das mão
Tão vestidas de lua.

O céu agora
Estendido
Sobre o enorme leito de cinzas
Espuma do arrassador fogaréu da tarde.

A chuva agora
Tão leve em seu cair
Como um alimento, como cântaros
De um licor belo, frágil, de água mansa.

Como conciliar o sono agora quando
A noite representa o memorável ato
De se estar quietinho em cada movimento?

MERCEDES GONZÁLEZ GARCIA




Profundo

Mercedes González García

Como ese lago que me
permitía llegar a sus
profundidades , observé
una cierta y clara

aproximación de sus
orillas hacia el centro de
mi , no podía salir de
allí , aún sin saber que ya
no me permitía escapar,
logré ..casi a suspiros...sin
casi
permitirlo..comprobar
que era muy difícil
poderlo

penetrar nuevamente y
casi sin pensarlo pude
avanzar y me vi segura de
que en su centro podía
controlar todo su
extensión y de ahí es que
me permitió poderlo
conocer.

Profundo

Como este lago que me
Permitia chegar as suas
Profundidades, observei
uma certa e clara

aproximação de suas
margens até o centro
de mim, não podia sair
dali, ainda sem saber
que já não me permitia escapar
logrei...quase aos suspiros... sim
quase
permiti-lhe... comprovar
que era muito difícil
podê-lo

penetrar suavemente e
quase sem pensar pude
avançar e me vi segura de
que em seu centro podia
controlar toda sua extensão e daí,
então, isto me permitia, enfim
poder conhecê-lo.

Friday, September 04, 2009

SALINAS


Pensar en ti esta noche

Pedro Salinas

Pensar en ti esta noche
no era pensarte con mi pensamiento,
yo solo, desde mí. Te iba pensando
conmigo extensamente, el ancho mundo.
El gran sueño del campo, las estrellas,
callado el mar, las hierbas invisibles,
sólo presentes en perfumes secos,
todo,
de Aldebarán al grillo te pensaba.
¡Qué sosegadamente
se hacía la concordia
entre las piedras, los luceros,
el agua muda, la arboleda trémula,
todo lo inanimado,
y el alma mía
dedicándolo a ti! Todo acudía
dócil a mi llamada, a tu servicio,
ascendido a intención y a fuerza amante.
Concurrían las luces y las sombras
a la luz de quererte; concurrían
el gran silencio, por la tierra, plano,
suaves voces de nube, por el cielo,
al cántico hacia ti que en mí cantaba.
Una conformidad de mundo y ser,
de afán y tiempo, inverosímil tregua,
se entraba en mí, como la dicha entra
cuando llega sin prisa, beso a beso.
Y casi
dejé de amarte por amarte más,
en más que en mí, confiando inmensamente
ese empleo de amar a la gran noche
errante por el tiempo y ya cargada
de misión, misionera
de un amor vuelto estrellas, calma, mundo,
salvado ya del miedo
al cadáver que queda si se olvida.

Pensar em ti

Pensar em ti esta noite
não era pensar com meu pensamento,
eu só, desde mim mesmo. Eu estava pensando
comigo extensamente, o resto do mundo.
O grande sonho do campo, das estrelas,
calado o mar, as ervas invisíveis,
só presentes nos perfumes secos
todos,
de Aldebaran ao grilo te pensava.
Como silenciosamente
a concordância foi feita
entre as pedras, as estrelas,
a água muda, as árvores tremulas,
todo o inanimado
e minha alma
dedicando-se a ti! Tudo acudia
dócil ao meu chamado, ao teu serviço,
elevaram-se a intenção e a força amante.
Concorriam as luzes e as sombras
à luz de querer-te; participavam
do grande silêncio sobre a terra, plana,
vozes suaves de nuvens no céu,
a música para ti que em mim cantava.
Uma harmonia entre mundo e ser
Trégua de esforço e tempo, inverossímil trégua
que entrava em mim, como a sorte entra
quando vem sem pressa, beijo a beijo.
E quase
Eu parei de te amar por amar-te mais,
mais do que eu, confiando imensamente
este emprego do amara a grande noite
errante pelo tempo e carregada
de missão, missionária
de um amor povoado de estrelas,calma, o mundo
salvado do medo
do corpo que cai sem que se esqueça.

PEDRO SALINAS


ORILLA

Pedro Salinas


Si no fuera por la rosa
frágil, de espuma, blanquísima,
que él, a lo lejos se inventa,
¿quién me iba a decir a mí
que se le movía el pecho
de respirar, que está vivo,
que tiene un ímpetu dentro,
que quiere la tierra entera,
azul, quieto, mar de julio?


Margem

Se não fora pela rosa
frágil, de espuma, branquíssima,
que ele, de longe fantasia;
Quem teria me dito
que estava se movendo no peito
a respiração, que ela está viva,
que tem um ímpeto no interior
que quer a terra inteira,
azul, quieta, mar de julho?

Thursday, September 03, 2009

Amai Yume



doki doki

Amai Yume

cuando menos lo creia
de repente aparecio
ese calor intenso...
volvio a mi corazon el ardor

el vidrio se quebro
y la flor logro renacer
espero no sea demasiado pronto
para que el cielo pueda ver

poder respirar en paz
sabiendo que no sufrira
riendo sin parar
por tanta felicidad


doki doki

Quando menos acreditei
de repente apareceu
este calor intenso...
voltou a queimar meu coração

o vidro se quebrou
e a flor logrou renascer
espero que não seja demasiado tarde
para que o céu possa ver

poder respirar em paz
sabendo que não sofreria
rindo sem parar
de tanta felicidade

Ilustração: http://www.sidneyrezende.com/noticia/14380+pesquisa+revela+que+felicidade+cresce+no+mundo+todo

Wednesday, September 02, 2009

FROST



FIRE AND ICE

Robert Frost

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favour fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

Fogo e gelo

Alguns dizem que o mundo irá acabar em fogo,
Alguns dizem que em gelo.
Do que eu provei do desejo
Fico com aqueles que são a favor do fogo.
Mas se tivesse que morrer duas vezes,
Eu penso que sei o suficiente de ódio
Para dizer que a destruição pelo gelo
É também grande
E seria suficiente.

Monday, August 31, 2009

MENDIZÁBAL


EN EL MOMENTO QUE VENGAS A MÍ

Raúl Mendizábal

(y antes de las lluvias tu complacencia
y por los parques tu vientre hayas abandonado)
me hablarás de tu raigambre en las cosas elementales
te diré: en lima garúa
solamente
y en el momento que vengas a mí
(y antes de la ternura tus palabras necias
y tu sexo como una flor abierta sea previo a los sinsabores)
yo te rociaré con abundante espuma
tú un vals arrepentido dirás bailar

NO MOMENTO QUE VENHAS A MIM

(e antes Das chuvas a sua complacência
e nos parques teu ventre terás abandonado)
me falarás sobre as tuas raízes nas coisas elementares
Eu vou te dizer: em Lima garoa
somente
e no momento em que vens para mim
( e antes da ternura de suas palavras tolas
e teu sexo como uma flor aberta é uma previa dos problemas)
Eu te regarei com abundante espuma
tu com a desculpa de arrependida irás dançar uma valsa

PORDON NOVAMENTE



See You Next Year

(for Donna Leombruno)

Judith Pordon

Thanksgiving is in the tears
that burst like ripe grapes.

Proclaiming, see you next year,
we wave, begin to panic.

With these tears, the further we go
the tighter we are entwined.

We hold onto each others image,
hold each other way-deep

as the bus pulls us apart,
stretching our gratitude for miles.


Nos veremos no próximo ano

Damos graças por nossas lágrimas
que estouram como uvas maduras.

Proclamando, que irei vê-la no próximo ano,
nos vagamos, próximos do pânico.

Com estas lágrimas, quanto mais nós vamos
mais sentimos que estamos ligados.

Nós prendemos cada um a imagem do outro,
mantendo de outra maneira a profundidade

quando o ônibus se vai nos puxa, afastados,
esticando a nossa gratidão por milhas.

JIMENEZ


Semblante

Reynaldo Jimenez

en este sueño hacia otro
una hora más captura el muro.
pero reclama presencia
la inoculta duración
las nervaduras atizadas.
luciérnaga-utopía la llama
frota contra el espejo antes
del temporal que ya se huele;
su espádice vibra en los grises
trasfondos del ver.
lunar efulgencia, las venas
del ala migran estambres.
la mirada en su estela
disuelta, cismático prisma,
atrae como un delta
y ensimisma.


Semblante

neste sonho havia outro
uma hora mais capta a parede,
mas, reclama a presença
da inegável duração
das costelas atiçada.
O vagalume se chama-utopia
esfrega contra o espelho antes
do temporal que já se pressente;
sua efervescência já vibra nos cinzas
antecedentes do que virá.
esplendor lunar, as veias
da asa migram em estames.
o olhar da estrela
dissolvido, cismático prisma
atrai como um delta
que em si se absorve.

Friday, August 28, 2009

OUTRO POEMA DE REKA



Haiku

Marinela Reka

The kids smiles spread
And so dose the atmosphere
They make the world spin

Haiku

As crianças vivem a sorrisos espalhar
E assim enchem a atmosfera
E fazem o mundo girar

É MUITO SONHO


Don’t say I am dreaming

Marinela Reka

I’m living in a world
Where hate does not exist
People live in harmony
No one seems to use their fist

I’m living in the world
Where chickens and foxes have dinner together
Just look at the lion and the bear
They are best friends forever

I’m living in the world
Where a fish’s and a shark’s friendship is strong
This world is wonderful
Nothing can go wrong

I’m living in the world
Where I always have a mate
Please don’t say I am dreaming
Because my world is great
Não diga que estou sonhando

Não me diga que estou sonhando

Eu estou vivendo num mundo
Onde o ódio não existe
As pessoas vivem em harmonia
Parece que ninguém usa seu punho

Eu estou vivendo no mundo
Onde as galinhas e raposas jantam juntas
Basta olhar para o leão e o urso
Que são os melhores amigos para sempre

Eu estou vivendo no mundo
Quando um peixe e um tubarão possuem uma forte amizade
Este mundo é maravilhoso
Nada pode dar errado na verdade

Eu estou vivendo no mundo
Onde sempre tenho um parceiro
Por favor, não diga que eu estou sonhando
Porque o meu mundo é verdadeiro.

QUASE INFANTIL


Written Art

Marinela Reka

I am a very short poem
Containing written art
I am really proud of myself
Because I am quite smart

Escrito com arte

Eu sou um poema pequeno
Escrito com muita arte
E realmente satisfeito de mim mesmo
Porque faço a minha parte

Thursday, August 27, 2009

GARCIA LORCA



Debussy

Federico Garcia Lorca

Mi sombra va silenciosa
por el agua de la acecia.

Por mi sombra están las ranas
privadas de las estrellas.

La sombra manda a mi cuerpo
reflejos de cosas quietas.

Mi sombra va como inmenso
cínife color violeta.

Cien grillos quieren dorar
la luz de la cañavera.

Una luz nace en mi pecho,
reflejado, de la acequia.


Debussy

Minha sombra vai silenciosa
pelas águas da vala

Pela minha sombra são os sapos
privados das estrelas.

A sombra envia ao meu corpo
reflexos das coisas quietas.

Minha sombra vai como um imenso
mosquito de cor violeta.

Cem grilos quero dourar
À luz do canavieiro.

Uma nasce em meu peito,
refletida pela vala.

JOSÉ EMILIO PACHECO


Alta traición

José Emilio Pacheco

No amo mi Patria. Su fulgor abstracto
es inasible.
Pero (aunque suene mal) daría la vida
por diez lugares suyos, cierta gente,
puertos, bosques de pinos, fortalezas,
una ciudad deshecha, gris, monstruosa,
varias figuras de su historia,
montañas
(y tres o cuatro ríos).


Alta traição

Eu não amo o meu país. Seu brilho abstrato
é inacessível.
Mas (embora soe mal) daria a minha vida
por dez lugares seus, certas pessoas,
portos, florestas de pinho, fortalezas,
uma cidade desfeita, cinza, monstruosa,
várias figuras da sua história,
Montanhas
(e três ou quatro rios).

Wednesday, August 26, 2009

OUTRA VEZ IGERABIDE



Utopías solidarias

Juan Kruz Igerabide

Y vimos alzarse el polvo arrogante
creando su propio cielo en el cielo;
y no vimos nada más.


Utopias solidárias

E vimos levantar-se o arrogante pó
criando seu próprio céu no céu;
e não vimos mais nada.

UM POETA DO SECULO XVI


CANCIÓN

Antonio de Villegas

¡Oh ansias de mi pasión;
dolores que en venir juntos
habéis quebrado los puntos
de mi triste corazón!

Con dos prisiones nos ata
el amor cuando se enciende:
hermosura es la que prende,
y la gracia es la que mata.
Ya mi alma está en pasión;
los miembros tengo difuntos
en ver dos contrarios juntos
contra un triste corazón.


Canção

Oh! Ânsias da minha paixão!
dores que em nos ver juntos
haveis quebrado os pontos
do meu triste coração!

Com duas prisões nos ata
o amor quando se acende:
formosura é o que prende,
e a graça é o que mata.
Já minha alma arde em paixão;
os membros tenho defuntos
de ver dois contrários juntos
contra um triste coração.

IGERABIDE


Atônito

Juan Kruz Igerabide


Estoy huérfano de padre,
huérfano de madre,
huérfano de mí.
Porto un nombre de recién nacido
hurtado a un muerto.

Atônito

Estou órfão de pai,
de mãe,
de mim.
Levo o nome de recém nascido
Roubado de um morto.

Tuesday, August 25, 2009

HOSAM RAGIG


jasmine

hosam ragig

High...high above the mountains
I lay down on the roof of my castle
Looking at the sky,
thinking it may console me
I found another way to find you...
From heart to heart

While I am counting the stars
Suddenly...the moon raises up
to remind me of you, once again

When I smell the jasmine, I know you are close
But where?
I don’t know where...I don’t know when
But some day... some where... I will find you

Jasmim

Alta ... no alto das montanhas
Deitei-me sobre o telhado do meu castelo
Olhando para o céu,
pensando o que podia me consolar
Eu encontrei uma outra forma de te encontrar ...
De coração para coração

Enquanto estava contando as estrelas
De repente ... a lua levantou
para me lembrar de ti, mais uma vez

Quando senti o cheiro de jasmim, eu sabia que estavas perto
Mas aonde ?
Eu não sei aonde ... não sei quando
Mas algum dia ... em algum lugar ... Eu vou te encontrar

Monday, August 24, 2009

MOLECA



O verde, sinal de esperança,

Nos teus olhos de alegria dança.

Grande mulher...tão criança!

CIRA ANDRES


Barquitos de papel

Cira Andres

Mi madre hace barquitos de papel
y me recuerda que de niña
los poníamos sobre la zanja para verlos perderse.

Mientras dobla los papeles me comenta
"parecen de verdad"
y los va colocando en las aguas
¿tranquilas, tumultuosas?
de la repisa
donde el polvo a su voz
resplandece.

Barquinhos de papel

Minha mãe fazia barquinhos de papel
E me lembra que, quando menina,
Os colocávamos na vala para vê-los se perder.

Enquanto dobrava os papéis disse que
"pareciam de verdade"
e os ia colocando nas águas
tranqüilas e tumultuadas?
na prateleira
onde a poeira da sua voz
resplandece.

WU MEN



The Great Way

Wu Men

The Great Way has no gate;
there are a thousand paths to it.
If you pass through the barrier,
you walk the universe alone.

O Grande Caminho

O Grande Caminho não tem porta;
existem mil trajetórias para isto.
Se você passar através da barreira,
você irá percorrer o universo sozinho.

Saturday, August 22, 2009

UMA CANÇÃO INFANTIL


En un trozo de papel

En un trozo de papel
con un simple lapicero
yo tracé una escalerita,
tachonada de luceros.

Hermosas estrellas de oro.
De plata no había ninguna.
Yo quería una escalera
para subir a la Luna.

Para a subir a la Luna
y secarle sus ojitos,
no me valen los luceros,
como humildes peldañitos.

¿Será porque son dorados
en un cielo azul añil?
Sólo sé que no me sirven
para llegar hasta allí.

Estrellitas y luceros,
pintados con mucho amor,
¡quiero subir a la Luna
y llenarla de color!

Num pedaço de papel

Num pedaço de papel
com uma simples caneta
Eu desenhei uma escadinha,
salpicada de estrelas.

Formosas estrelas douradas.
De prata, não havia nenhuma.
Eu queria uma escadinha
Para subir até a lua.

Para subir até a lua
e limpar os teus olhinhos,
Não me valem as estrelas
degrauzinhos tão humildes.

Será por serem dourados
num céu azul de anil?
Eu só sei que me servem
para chegar até lá.

Estrelas e estrelinhas,
pintadas com muito amor,
Eu quero chegar à lua
para preenchê-la de cor!

BIEDMA


Canción finalJaime Gil de Biedma

Jaime Gil de Biedma

Las rosas de papel no son verdad
y queman
lo mismo que una frente pensativa
o el tacto de una lámina de hielo.

Las rosas de papel son, en verdad,
demasiado encendidas para el pecho.

Canção final

As rosas de papel não são verdadeiras
e queimam
como a preocupação de uma sobrancelha, pensativa
ou a sensação de tato numa camada de gelo.

As rosas de papel são, na verdade,
demasiadas quentes no meu peito.

Friday, August 21, 2009

A TUA PRESENÇA




Sim, eu queria te dizer, que este amor não dói,

Mas, só de pensar em você, fico vazio

E a presença da ausência o coração me corrói!

Thursday, August 20, 2009

MÁGICA



E quando vi teus olhos brilhando de emoção

Ali, senti, sem aparente razão,

Que a vida ganhava as cores da ilusão.

Ilustração: http://englishideas.blig.ig.com.br/imagens/curioso05.gif

AINDA GAMONEDA



Aún:

Antônio Ganomeda

Hubo un tiempo en que mis únicas pasiones eran la pobreza
y la lluvia.
Ahora siento la pureza de los límites y mi pasión no existiría
si dijese su nombre.

Ainda:

Houve uma época em que minhas únicas paixões eram a pobreza
e a chuva.

Agora sinto a pureza dos limites e minha paixão não existiria
se dissesse seu nome.

Ilustração: www.paulocesar.eu/.../caminhantes/560x420/

GAMONEDA




Amor

Antonio Ganomeda

Mi manera de amarte es sencilla:
te aprieto a mí
como si hubiera un poco de justicia en mi corazón
y yo te la pudiese dar con el cuerpo.

Cuando revuelvo tus cabellos
algo hermoso se forma entre mis manos.

Y casi no sé más. Yo sólo aspiro
a estar contigo en paz y a estar en paz
con un deber desconocido
que a veces pesa también en mi corazón.


Amor

Minha maneira de te amar é sensível:
te aperto a mim
como se houvesse um pouco de justiça no meu coração
e eu a te pudesse dar com o corpo.

Quando aliso teus cabelos
alguma coisa formosa se aninha entre as minhas mãos.

E quase não sei mais. Só aspiro
a estar contigo na paz e estar em paz
com um dever desconhecido
que, às vezes, pesa também no meu coração

Picture: Munch und Warnemünde 1907-1908.

Tuesday, August 18, 2009

EMILIA CURRAS


Veo los barcos salir

Emilia Curras

Por mi ventana
Veo los barcos salir,
?quién los pudiera seguir
en su dulce navegar?

Anclada estoy a esta tierra
con mil afanes diários,
sin ilusión, ni cariño,
ni fuerzas para marchar.

Vejo os barcos partir

Por minha janela
Vejo os barcos partir,
Quem os poderá seguir
No seu doce navegar?

Ancorada estou a esta terra
Com mil afazeres diários,
Sem ilusão nem carinho,
Nem forças para marchar.











Ilustração: loucosporpesca.com.br/wordpress/?p=832

GAMONEDA


15.

Antonio Gamoneda

Existe el mar en las ciudades blancas,
coágulos en el aire dulcemente sangriento,
sábanas en la serenidad.
Existen los perfumes inguinales, lenguas en las heridas femeninas
y el corazón está cansado.
Entra con tus campanas en mi casa, pastora ciega, sin embargo,
como si no tuviera la dulzura su fin aún en las ciudades blancas.

15. Existe o mar nas cidades brancas,
coágulos no ar docemente sangrento,
folhas na serenidade.
Existem os perfumes inigualáveis, línguas nas feridas femininas
e o coração está cansado.
Entra com teus sinos na minha casa, pastora cega, sem embargo,
como se não tivesses uma doçura sem fim ainda que nas cidades brancas.

ISABEL FRAIRE



Mi amor descubre objetos

Isabel Fraire


mi amor descubre objetos
sedosas mariposas
se ocultan en sus dedos

sus palabras
me salpican de estrellas

bajo los dedos de mi amor la noche
brilla como relámpago

mi amor inventa mundos en que habitan
serpientes cuajadas de brillantes

mundos en que la música es el mundo
mundos en que las casas con los ojos abiertos
contemplan el amanecer

mi amor es un loco girasol que olvida
pedazos de sol en el silencio


Meu amor descobre objetos

Meu amor descobre objetos
Sedosas borboletas
Se ocultam nos seus dedos

Suas palavras
Me salpicam de estrelas

Sob os dedos de meu amor a noite
Brilha como um relâmpago

Meu amor inventa mundos em que habitam
Serpentes coalhadas de brilhantes

Mundos em que a música é o mundo
Mundos em que as casas com os olhos abertos
Contemplam o amanhecer

Meu amor é um louco girassol que esquece
Pedaços de sol no silêncio.

PORDON



Como Besaras?

Judith Pordon


Enciendanme tus labios
Nuestros alientos perdidos entremezclandose

Sincroniza nuestro silencio
al perezoso pasar de las horas.

LLeva el aire aromas de cacao,
nuez, canela que me rodean

Tiembla conmigo
con pausas paralizantes

Quizá no pueda respirar más
sin respirarte a ti.


Como beijarás?

Incendiaram-me teus lábios
Nossos hálitos perdidos se entrelaçaram

Sincronizados nossos silêncio
Ao lento passar das horas.

No ar perfume de cacau,
Nozes, canela que me rodeam

Treme comigo
Com pausas paralisantes

Quem sabe não possa respirar mais
Se não respirar a ti.

Wednesday, August 12, 2009

AINDA MATEOS



CANCIÓN 1O

José Mateos

(Ruinas de Bolonia)

Aquí, frente al mar, lo dice
el sol del atardecer:
Morir
es empezar a volver.


Canção nº 10

(Ruínas de Bolonha)

Aqui, frente ao mar, disse
ao sol do entardecer:
Morrer
é começar a retornar.

Monday, August 10, 2009

AINDA MATEOS



Canción 5
(Diálogo en la oscuridad)

José Mateos


Todavía algunas noches,

padre mío, me despiertas

y me preguntas, temblando,

como a través de la niebla,

si ha de venir algún día

la primavera.



¿Es que no sabes que has muerto,

que donde estás no florece,

cuando es abril, la semilla,

aunque en el campo la entierres?.



Y contestas: "Hijo, ¿cómo

me hablas estando yo ausente?

¿A quien de los dos, entonces,

está temblando la muerte?



Canção nº 5

(Diálogo no escuro)


Todvia algumas noites,

meu pai, me desperta

e me pergunta tremendo,

e através da neblina,

se algum um dia

Há de vir a primavera.



E que não sabem que morrestes,

que onde estais não floresce,

quando é abril, as sementes

ainda que nos campos as enterre?



E respondes: "Filho, como

me falas quando eu estou ausente

Quem dos dois, então,

está temendo a morte?