Monday, April 16, 2012
Rock do gato escaldado
Você me deu um susto
E eu pulei como um gato
Azunhei, de fato, azunhei.
Só depois percebi
o quanto te feri,
o quanto te feri,
só quando vi tantos arranhões
o estrago me assustou...
Só posso me desculpar
dizendo que foi por amor,
foi por amor.
Fui, bem sei, injusto
nem avaliei o custo,
mas, toda ação
provoca uma reação.
Foi de susto,
Foi de susto.
Faça não...
Faço mais não...
Sunday, April 15, 2012
Delmira Agustini
Desde Lejos
Delmira Agustini
En el silencio siento pasar hora tras hora,
como un cortejo lento, acompasado y frío...
¡Ah! Cuando tú estás lejos, mi vida toda llora,
y al rumor de tus pasos hasta en sueños sonrío.
Yo sé que volverás, que brillará otra aurora
en mi horizonte, grave como un ceño sombrío;
revivirá en mis bosques tu gran risa sonora
que los cruzaba alegre como el cristal de un río.
Un día, al encontrarnos tristes en el camino,
yo puse entre tus manos pálidas mi destino
¡y nada de más grande jamás han de ofrecerte!
Mi alma es frente a tu alma como el mar frente al cielo:
pasarán entre ellas, tal la sombra de un vuelo,
¡la Tormenta y el Tiempo y la Vida y la Muerte!
De Longe
No silêncio sinto passar hora após hora,
como um cortejo lento, compassado e frio ...
Ah! Quando tu estais longe, minha vida toda chora
e ao rumor dos teus passos até em sonhos sorrio.
Eu sei que voltarás, que brilhará outra aurora
no meu horizonte, grave como um cenho sombrio;
reviverá no meu bosque tua imensa risada sonora
que os cruzava alegre como o cristal de um rio.
Um dia, ao nos encontrarmos tristes no caminho
Eu coloquei entre tuas mãos pálidas o meu destino
E nada maior jamais hão de oferecer-te!
Minha alma em frente à tua alma como o mar frente ao céu:
passarão entre elas, como a sombra que num vôo se perdeu,
a Tempestade e o Tempo e a Vida e a Morte!
Gustavo Adolfo Becquer
Antes que tu me Moriré
Gustavo Adolfo Becquer
Antes que tú me moriré: escondido
en las entrañas ya
el hierro llevo con que abrió tu mano
la ancha herida mortal.
Antes que tú me moriré: y mi espíritu,
en su empeño tenaz
se sentará a las puertas de la Muerte,
que llames a esperar.
Con las horas los días, con los días
los años volarán,
y a aquella puerta llamarás al cabo.
¿Quién deja de llamar?
Entonces que tu culpa y tus despojos
la tierra guardará,
lavándote en las ondas de la muerte
como en otro Jordán.
Allí, donde el murmullo de la vida
temblando a morir va,
como la ola que a la playa viene
silenciosa a expirar.
Allí donde el sepulcro que se cierra
abre una eternidad,
todo lo que los dos hemos callado
lo tenemos que hablar.
Antes que tu me mates
Antes que tu me mates: escondido
nas entranhas já
o ferro levo com que abriu tuas mãos
a ampla ferida mortal.
Antes que tu me mates: o meu espírito,
tenaz em seus esforços
vai sentar-se às portas da morte,
esperando que o chames.
Com as horas, o dia, com os dias
os anos voaram,
e aquela porta chamarás ao cabo.
Quem deixará de chamar?
Então, tua culpa e teus restos mortais
a terra guardará,
levando-te pelas ondas da morte
como em outro Jordão.
Lá, onde o zumbido da vida
tremendo morrer vai,
como a onda que chega à praia
silenciosamente a expirar.
Lá, onde o túmulo está fechado
se abre uma eternidade,
tudo o que temos calado
teremos que falar.
Ilustração: sobreeuevoce.tumblr.com
Saturday, April 14, 2012
Sem volta
Não sei, se é o caso de rir ou chorar.
Mas, se entre nós não há nada, como veio me falar,
Para o que não existe não há como voltar...
Só, novamente só.
Novamente
Tenho a glória de ser só...
Por um momento, só por um momento, pensei
Que valeria a pena todo o amor que amei,
Porém, a verdade é que o outro que se ama
É só a ilusão que temos de que é possível
O impossível desejo de sermos outro igual a nós.
E, ela, mais rápida que eu, compreendeu
Que o amor imortal mata os amantes
E, com algumas palavras, num só instante,
Baixou o pano da realidade e nos vimos,
Pobres atores, a encarar nossas dores
E o fato incontestável de que estamos sós
Ainda que os aplausos da platéia,
Criando a fantasia que tanto anseia,
Nos torne maiores do que somos.
E a sermos nós mesmos, voltamos,
Cada um por seu caminho, só.
Ilustração: tododiaumtextonovo.blogspot.com
Foi assim
Vivias dizendo que, qualquer dia,
Sem palavras te abandonaria.
Tua impressão era a ilusão
De que, de repente, eu sumia.
E, lembro, que se retrucava que não,
Diversas vezes, rias
E, comentavas, que nem mesmo
Poderias se socorrer da polícia.
E, no fim, nem foi assim.
Inesperadamente,
E, de forma triste, dissestes
Que, entre nós, nada existia...
Como um locutor que o tempo noticia;
E, espantoso, vejo, como no cinema,
Por celular, com um telefonema!
O passado contemplo...
E , constato, que nem parece mais
Que, para ter paz,
Foi preciso passar tanto tempo.
Ilustração: webcortex.com.br
Nada entre nós
Se tudo que vivemos foi ilusão
Perdoa, por favor, todo o amor e a paixão
Que, por fantasia, fez meu carnaval viver.
Se tudo que vivemos foi tão pouco..
Desculpa, meu amor, sou mesmo louco
Por não conseguir deixar de amar você!
Se tudo que vivemos não foi nada
Perdôo, as palavras que usaste como espada
Para cruelmente matar meu bem querer.
Ilustração: http://thefalleneden.blogspot.com.br
Cristóbal de Castilejo
Al Amor
Cristóbal de Castillejo
Dame, Amor, besos sin cuento,
asido de mis cabellos,
y mil y ciento tras ellos,
y tras ellos mil y ciento,
y después
de muchos millares, tres;
y porque nadie lo sienta
desbaratemos la cuenta
y contemos al revés.
Ao amor
Da-me, amor, beijos sem conta,
agarra meus cabelos,
e um mil cem por trás deles,
e atrás deles um mil e cem,
e, depois
de muitos milhares, três;
e porque não se senta
desbaratemos a conta
e contemos para trás.
Sunday, April 08, 2012
Outra poesia de Rosalía Castro
Cando penso que te fuches
Rosália de Castro
Cando penso que te fuches,
negra sombra que me asombras,
ó pe dos meus cabezales
tornas facéndome mofa.
Cando maxino que es ida,
no mesmo sol te me amostras,
i eres a estrela que brila,
i eres o vento que zoa.
Si cantan, es ti que cantas;
si choran, es ti que choras;
i es o marmurio do río,
i es a noite, i es a aurora.
En todo estás e ti es todo,
pra min i en min mesma moras,
nin me abandonarás nunca,
sombra que sempre me asombras.
Quando penso que te fostes
Quando penso que te fostes,
negra sombra que me assombras
logo ao pé dos meus ouvidos
tornas fazendo-me mofa..
Quando imagino que és ida ,
no mesmo sol te me amostras,
e és a estrela que brilha,
e és o vento que voa.
Se cantam, és tu que cantas;
se choram és tu que choras;
e és o murmúrio do rio,
e és a noite, e és a aurora.
Em tudo estais é tu és tudo,
pra mim e em mim mesma moras,
não me abandonarás nunca,
sombra que sempre me assombra.
Ilustração: barbarafilipaa.blogspot.com
Uma poetisa galega
Castellanos de Castilla
Rosália de Castro
Castellanos de Castilla,
tratade ben ós gallegos;
cando van, van como rosas;
cando vén, vén como negros.
-Cando foi, iba sorrindo;
cando veu, viña morrendo;
a luciña dos meus ollos,
o amantiño do meu peito.
Aquel máis que neve branco,
aquél de dosuras cheio,
aquél por quen eu vivía
e sin quen vivir non quero.
Foi a Castilla por pan,
e saramagos lle deron;
déronlle fel por bebida,
peniñas por alimento.
Déronlle, en fin, canto amargo
ten a vida no seu seo...
¡Castellanos, castellanos,
tendes corazón de ferro!
Castelhanos de Castela
Castelhanos de Castela
Castelhanos de Castela,
trata bem aos gallegos;
quando vão, vão como rosas;
quando vem, vem como negros.
-Quando foi, ia sorrindo;
quando veio, vinha morrendo;
a luzinha dos meus olhos,
o amorzinho do meu peito.
Aquele mais que neve branco,
aquele de doçuras cheio,
aquele por quem eu vivia
e sem o qual viver não quero.
Foi a Castela por pão,
e saramagos lhe deram;
deram-lhe fel por bebida,
peninas por alimento.
Deram-lhe, enfim, canto amargo
tem a vida em seu seio ...
¡Castelhanos, Castelhanos,
tendes coração de ferro!
Saturday, April 07, 2012
Baldomero Fernández Moreno
Los Amantes
Baldomero Fernández Moreno
Ved en sombras el cuarto, y en el lecho
desnudos, sonrosados, rozagantes,
el nudo vivo de los dos amantes
boca con boca y pecho contra pecho.
Se hace más apretado el nudo estrecho,
bailotean los dedos delirantes,
suspéndase el aliento unos instantes...
y he aquí el nudo sexual deshecho.
Un desorden de sábanas y almohadas,
dos pálidas cabezas despeinadas,
una suelta palabra indiferente,
un poco de hambre, un poco de tristeza,
un infantil deseo de pureza
y un vago olor cualquiera en el ambiente.
Os amantes
Veja nas sombras do quarto e no leito
nus, cor de rosa, ofegantes,
o nó vivo dos dois amantes
boca à boca e peito contra o peito.
Se faz mais apertado o nó estreito,
dançando sobre os dedos delirantes,
suspendendo-se ao alento dos instantes ...
e aqui está o nó sexual desfeito.
Uma desordem de lençóis e travesseiros,
duas cabeças pálidas desgrenhadas,
uma palavra solta indiferente,
um pouco de fome, um poço de tristeza,
um infantil desejo de pureza
e um vago odor qualquer no ambiente.
Friday, April 06, 2012
Conto como quem conta um conto
Sei, por conta própria,
Que vocês jamais acreditarão em mim,
Mas, trata-se da mais pura verdade,
Que, hoje, só conto por causa da idade
De vez que, quando se fica velho,
Pode-se dizer qualquer coisa que é explicável.
Todavia, a verdade verdadeira, notável
É que, assim como Che Guevara já esteve em Porto Velho,
Também, em priscas eras,esta terra viu de férias
O grande poeta mexicano Octávio Paz.
Aqui chegou, e esteve oculto, por meados dos anos oitenta
Segundo dizia –rindo- para descansar.
E, se testemunhas há, além de mim
São vazias garrafas de Côtes du Rhône partilhadas
Em imensas, longas e doces noitadas
Que incluíram o Araribóia, de saudosa memória,
E a Taba do Cacique que, em noite de glória,
O viu recitar, com risos e confidências,
Que amores bons requerem indecências
Assim como comida mexicana, pimenta.
É possível que tal semana não haja existido,
Porém, me lembro que fez questão
Também de andar de trem
E me disse sem pestanejar;
-Como nunca escreverei sobre estes dias-
Meus pecados não sou de confessar-
Um dia até mesmo tu hás de duvidar
Que estive aqui nestas orgias
E, com a suavidade com que sempre sorria,
Suavemente me disse adeus soletrando:
-Duvidar é não ter crenças absolutas.
É flertar com todos como as boas...
Caricatura: Waldo Matus
Delmira Agustini
Soneto de Amor
Delmira Agustini
Lo soñé impetuoso, formidable y ardiente;
hablaba el impreciso lenguaje del torrente;
Era un amor desbordado de locura y de fuego,
Rodando por la vida como en eterno riego.
Luego soñélo triste, como un gran sol poniente
que dobla ante la noche su cabeza de fuego:
después rió, y en su boca tan tierna como un ruego,
sonaba sus cristales el alma de la fuente.
Y hoy sueño que es vibrante, y suave, y riente y triste,
que todas las tinieblas y todo el iris viste,
que frágil como un ídolo y eterno como un Dios
Sobre la vida toda su majestad levanta:
y el beso cae ardiendo a perfumar su planta
en una flor de fuego deshojada por dos...
Soneto do Amor
O sonho impetuoso, formidável e ardente;
falava a imprecisa linguagem da torrente;
Era um amor que desbordava de loucura e fogo,
Rolando pela vida como um eterno jogo.
Logo sonhei-o triste, como um grande sol poente
que se inclina ante a noite com sua cabeça de fogo
depois riu, e sua boca tão macia quanto um rogo,
soou seus cristais sua alma vinda da fonte.
E hoje sonho que és vibrante e suave, e alegre e triste,
que toda a escuridão e a tudo a íris viste,
tão frágil como um ídolo e eterno como um Deus
Sobre a vida toda a sua majestade levanta:
e o beijo cai queimando a perfumar sua planta
numa flor de fogo desfolhada para dois ...
Ilustração: ivanihbianco.blogspot.com
Thursday, April 05, 2012
Lina Zerón
CONSAGRACIÓN DE LA PIEL
Lina Zerón
No debo amarte en domingo sereno,
ni por el miedo de una tarde de rezos,
ni ahora que los recuerdos son retazos
de gemidos feroces
y tu imagen avive los ojos de la hoguera.
No ahora que mi piel se mece en la nostalgia de tu piel
y llora,
ni aún cuando todos mis vacíos
están habitados por tus silencios
y tus caricias dejan caliente rastro
en mi memoria.
Necesito estar fuerte
para enfrentar tus narcóticos besos
tus devastadoras manos
que destilan veneno
y distraerme de tu cuerpo seduciéndome altivo
sobre el lomo del aire.
Necesito imponer cordura a mi nervioso vientre
para no amarte como si todo el mundo fuera tu boca
y los mares y los ríos tu indomable lengua
y mi sed nunca estuviera satisfecha.
Quiero dejar de sentir hambre de ti /de mi.
Si los océanos fueran tu sexo
bebería cada gota de mar
y devoraría cada grano de arena
sobre la playa firme de tu cuerpo.
Necesito calma en la espera,
música de alas al viento
para volver arrojarme al precipicio de tus besos;
Y si de ti algo queda
después de la explosión del agua
entonces volveré amarte.
Estoy aquí,
como Penélope,
desde esta plenitud atroz
enviándote delirantes palabras,
apetitos disfrazados,
besos de papel
viajando con mi mente
por todo tú,
todo tú desnudo,
todo tú dispuesto,
toda yo escurriendo mis labios por tu cuerpo,
llenándome de ti/ de mi,
oteando mi sombra sobre tu sombra,
en la espera de la humedad nadante.
Si, aquí,
anclada en mi desnudez de flor de otoño,
soñando con el reencuentro,
el sublime deseo que nos incita,
silentes hasta que la prudencia nos libere
todos los humeantes apetitos contenidos,
todas las manos guardadas para tocarnos,
todos los espumosos besos
derramados hasta las ingles,
y después…que el destino nos guíe como a ciegos
perdidos en infinitos cuerpo sin tiempo.
Estoy agotada de vivir al borde de los suspiros,
se extinguió el cielo blanco de nubes
que protegía nuestros besos,
no somos mas dos anónimos amantes
viviendo un invisible romance.
Un trueno inmenso de quimeras
a despedirnos nos urge.
Tus labios se han cerrado como bares en madrugada,
tu risa ya no cae como hielos sobre vasos plenos
y las promesas de amor
no son mas que un par de copas sucias
y es entonces que el dolor enardece mi alma.
Me veo recargada sobre el horizonte
como un ave Fénix
y recuerdo tus manos en las tinieblas de mi piel
y sufro,
e invento pecados,
torturas de amor con máscaras y látigos
y vuelvo a ser aquella generosa tierra
- donde tocas florezco.
Me odio por amarte
por añorar tus húmedos labios,
acudo al recuerdo de tu sexo,
y caigo muerta sobre la cama
por las escaleras muerta ruedo,
vago por los senderos muerta
al mar muerto llego
y muerta me quedo en el fondo del océano.
¿Para qué amarte tanto?
muchos años perfumé tu cuerpo,
mil espinas feroces quité de tu alma,
desterré febriles lluvias de tus ojos,
y mis caricias se extendieron
como trigo sobre tu piel de aurora.
Cuánta, cuánta lluvia ha caído desde aquella vez
que caminamos al muelle del olvido.
Hoy una brizna de niebla duerme en tus ojos
destruyendo la noche en la eternidad de mis sueños.
Estoy mejor sin ti
ahora que el silencio condenó tu boca blasfema,
que mi sosiego se ciñe a tu ausencia,
y confino tu recuerdo a la sombra del espejo.
Estoy mejor sin ti,
sin la sobrecama nocturna de caricias
forjada con olor de ignotas pieles
y los besos de buenas noches
extraviados antes de llegar a casa.
Sin ti me va muy bien,
Mayo trajo consigo nuevas flores
que he zurcido a la funda de mi almohada
para que ni en sueños se cuele tu memoria.
No soy mas la pasajera de tu tren del miedo
no me asusta mas tu indiferencia
propia de los muertos
ni mi amor diluido en la infinita
inexistencia de tu alma.
Si, estoy mejor sin ti,
dejé de ser tierra que anhela tu lluvia
árbol en espera que el ave anide en sus ramas
me volví interminable sendero
¿y tú?
insalvable distancia.
Hace mucho fui gitana azul,
tiré mis cartas con la mano izquierda
mientras la otra tocaba con desprecio tu recuerdo.
Cadenciosos futuros reverberaron en mis labios
y el sol de marzo calentó mis andariegas manos
que me condujeron al viejo edificio de tu cuerpo.
Ayer, fui una iglesia colmada de oraciones,
un ángel cercando el cuadro de mi santo preferido,
-“San Judas Tadeo en ti confío mis secretos” -
mi moral sujeta con alambres ortopédicos
por que éste amor que por él siento
es un disfraz de noche de espantos mal cosido.
Hoy tú eres ave carroñera despavorida tras los restos
que me busca fuera y dentro de sus delirios
entre las letras del teclado
donde a veces soy luminoso texto
otras oscuridad de invierno
pero nunca la mismo.
Mañana seré cirquera,
prestidigitadora,
Tú, una ronda de poemas tirados
por esta talladora de la vida
entre los versos de mi último libro.
En el futuro ni 2 segundos por teléfono serás.
Consagração da pele
Não, não devo amar-te num domingo sereno,
não por medo de uma tarde de orações,
ou agora que as memórias são fragmentos
de ferozes gemidos
e a imagem dos teus olhos um atiçar da fogueira.
Não agora que minha pele se mede pela nostalgia da tua pele
e chora,
não agora quando todo o meu vazio
são habitados por teu silêncio
e tuas carícias deixa um rastro quente
na minha memória.
Necessito estar forte
para enfrentar teus narcóticos beijos
tuas mãos devastadoras
que destilam veneno
e distrair-me de teu corpo seduzindo-me orgulhoso
sobre o colchão de ar.
Eu preciso impor calma ao ventre nervoso
para não te amar como se todo o mundo estivesse na tua boca
e os mares e os rios de tua indomável língua
e a minha sede nunca estivessem satisfeitas.
Eu preciso deixar de sentir fome de ti / de mim.
Se os oceanos fossem o teu sexo
beberia cada gota do mar
e devoraria cada grão de areia
sobre a praia firme de teu corpo.
Necessito de calma na espera,
asas para a música do vento
para voltar a me jogar no precipício de teus beijos;
E se de ti algo ficar,
depois da explosão de água
então voltarei a te amar.
Estou aqui,
como Penélope,
a partir desta plenitude atroz
enviando-te palavras delirantes,
apetites disfarçados,
beijos de papel
viajando com minha mente
em torno de ti,
tu, todo nu,
todo disposto,
toda eu escorrendo meus lábios por todo teu corpo,
enchendo-me de ti/de mim,
minha sombra espiando por cima da tua sombra,
na espera de nadar na humidade.
Sim, aqui,
ancorada na minha flor de nudez de outono,
sonhando com o reencontro,
o sublime desejo que nos incita,
silenciosos até que a prudência nos libere
todos os conteúdos latentes dos apetites
todas as mãos guardadas para nos tocar,
todos os beijos espumantes
derramados até em inglês,
e depois ... quando o destino nos guie como cegos
perdidos em infinitos corpos sem tempo.
Estou cansada de viver nas bordas de suspiros,
extinguiu-se o céu branco de nuvens
que protegia os nossos beijos,
não somos, mais dois amantes anônimos
vivendo um romance vida invisível.
Um trovão enorme de sonhos
nos convida a dizer adeus.
Teus lábios estão fechados, como os bares no início da manhã,
teu riso já não cai como gelo nos copos cheios
e as promessas de amor
são apenas como bebidas sujas
é, então, que a dor inflama minha alma.
Estou inclinada no horizonte
como uma fênix
e lembro-me de tuas mãos na escuridão da minha pele
e sofro,
e invento pecados,
tortura de amor com máscaras e chicotes
e volto a ser aquela terra generosa
- Onde tocas floresço.
Eu me odeio por te amar
por implorar os teus lábios molhados,
me acode a memória do seu sexo,
e caio morta na cama
pelas escadas mortas abaixo vou rolando,
vago pelos caminhos mortos
ao Mar Morto chego
e morta quedo no fundo do oceano.
Por que amar-te tanto?
muitos anos perfumei o teu corpo,
mil espinhos ferozes removi de tua alma,
bani a chuva febril dos teus olhos,
e minhas carícias se estenderam
como o trigo na tua pele de aurora.
Quanta, quanta chuva caíu desde aquela época
em que caminhamos para o cais do esquecimento.
Hoje uma névoa de sono em teus olhos
destrói a noite na eternidade dos meus sonhos.
Estou melhor sem ti
Agora que o teu silêncio condenou tua boca blasfema
o meu sossego adere à tua ausência,
e limita a tua memória na sombra do espelho.
Estou melhor sem ti,
sem sobrecolcha noturna de carícias
forjada com o odor de peles desconhecidas
e os beijos de boa noite
extraviados antes de chegar a casa.
Sem ti eu estou indo muito bem,
Maio trouxe novas flores
que bordei no pano de minha fronha
para que nem mesmo em sonhos guarde tua memória.
Não sou mais a passageira de teu trem do medo
não me assusta mais a tua indiferença
própria dos mortos
nem meu amor diluido na infinita
ausência de tua alma.
Sim, estou melhor sem ti,
deixei de ser terra que anseia tua chuva
árvore, na espera que a ave se aninhe em seus ramos
me tornei um interminável caminho
E tu?
intransponível distância.
Faz muito tempo que a cigana era azul
tirei minhas cartas com a mão esquerda
enquanto a outra tocava com desprezo tua recordação.
Cadenciados futuros reverberaram da minha boca
e o sol aquecia as mãos sofregas de Março
que me conduziram ao velho prédio do teu corpo.
Ontem, fui uma igreja cheia de orações,
um anjo rodeando a imagem do meu santo favorito,
- "São Judas Tadeu a ti confio meus segredos" -
minha moral suspensa com fios ortopédicos
que este amor que por ele sinto
é um disfarce de uma noite de horrores mal costurado.
Hoje és uma ave apavorada atrás dos restos
que me busca fora e dentro de seus delírios
entre as letras no teclado
onde às vezes sou brilhante texto
outras vezes escuridão de inverno,
porém, nunca a mesma.
Amanhã serei de circo,
prestidigitadora,
tu, uma rodada de poemas tirados
por esta talhadora de vidas
entre as linhas do meu último livro.
No futuro nem 2 segundos, por telefone, serás.
Ilustração: http://haydeecerantola.blogspot.com.b
Zurita de volta
Guárdame En Ti
Raúl Zurita
Amor mío: guárdame entonces en ti
en los torrentes más secretos
que tus ríos levantan
y cuando ya de nosotros
sólo que de algo como una orilla
tenme también en ti
guárdame en ti como la interrogación
de las aguas que se marchan
Y luego: cuando las grandes aves se
derrumben y las nubes nos indiquen
que la vida se nos fue entre los dedos
guárdame todavía en ti
en la brizna de aire que aún ocupe tu voz
dura y remota
como los cauces glaciares en que la primavera desciende.
Guarda-me em ti
Amor meu, guarda-me, então em ti
nos lugares mais secretos
que teus rios vão subir
e quando de nos dois
não sobrar algo mais que uma réstia
me guarda também em ti
guarda-me em ti como uma interrogação
das águas que correm.
E logo, quando os grandes pássaros
caírem e as nuvens nos indiquem
que a vida se foi entre os dedos
guarda-me, todavia, em ti
na brisa do ar que ainda ocupe a tua voz
dura e remota
como os fontes glaciais que, na primavera, descem.
Raul Zurita
El Primer Canto De Los Ríos
Raúl Zurita
Es el amor … ése es el amor
Ay ése es el amor…
Ay ése es el amor que hemos llorado tanto … se
largan los ríos que se aman … partiendo
Cauce abajo … arrojándose sobre las praderas
que lloraban mirándose … Nosotros somos las
montañas que lloraron mirándose dicen los ríos
que las llamaban … arrastrándolas
Borrascosos … tras las largas praderas que los
vientos subían … Quiénes nos subieron el dolor
de esas montañas se van diciendo las inmensas
praderas del cielo … Somos todos los pastos de
este mundo les contestan largándose los ríos
que se aman … abiertos … tirados … rompiéndose
O primeiro canto dos rios
É o amor...esse é o amor ...
E isso é o amor ...
E isso é o amor que temos chorado tanto ... se
largam os rios que se amam ...partindo
Canal abaixo ... jogando-se nas pradarias
que choravam olhando-se ... Nosostros somos as
montanhas que chorando olhando-se dizem os rios
que as chamavam...arrastando-as ...
Tormentosas ... atrás as largas pradarias pelos quais
os ventos sobem ... Quem nos dirão da dor
dessas montanhas que vão dizendo para as imensas
pradarias do céu ... Nós somos todos as gramas
deste mundo que contestam largando-se nos rios
que se amam ... abertos ... atirados ..quebrando-se ...
Sunday, April 01, 2012
Jorge Galán
Bajo los párpados
Jorge Galán
Ayer vi a una mujer que había amado y no podía recordar este
amor.
Me he vuelto viejo como un jardín que a nadie asombra,
la canción que ayer me emocionaba no consigue volver a emocionarme,
el asombro es una delicia que no baja a mi lengua.
En “Pequeño amor”, el enamorado pide la salvación, y al final nos dice sin esperanza:
Pequeño amor ¿a dónde
puedo mirar? ¿a dónde
podré no hallarme solo rodeado por mis muertos.
Sob as pálpebras
Ontem eu vi uma mulher que havia amado e não conseguia lembrar deste
amor.
Me tornei velho como um jardim que a ninguém assombra,
a canção que ontem me emocionou não consgue me animar de novo,
a maravilha é um prazer que não cai na minha língua.
Em "Pequeno amor", o apaixonado pede pela salvação, e, no final,
diz não ter esperança:
Pequeno amor, onde
posso olhar? Onde
poderei não me sentir só rodeado por meus mortos.
Ilustração: http://professorjoaofcsantos.blogspot.com.br/
Alan Mills
Artesanía berlinesa
Alan Mills
He aprendido a escribir poemas,
Disuelvo millones de letras,
Mientras canto sin sonido,
Olas turbulentas de la página,
A mis amigos les nacen ojos,
Ahora los llamo Lectores,
Ya me es imposible mirarlos,
Antes bebíamos por las noches,
Sus sombras eran mi sombra,
Vivían al interior de mi mente,
Pero nadie nos dijo que un libro
Era una secuencia de tiempo,
Apenas llenábamos las copas,
Mientras se escuchaba el oleaje,
Como el rumor de algo muriendo,
La página se llenaba de colores,
Cuando no sabía escribir poemas
La tinta era un despliegue negro,
Y los Lectores no eran mis amigos,
Sino las sombras de sus sombras.
Artesanía berlinesa
Eu aprendi a escrever poemas,
Dissolver milhões de letras,
Enquanto cantava sem som
As ondas turbulentas da página,
A meus amigos lhes nasce olhos,
Agora os chamo de leitores,
Já me é impossível vê-los,
Antes nós bebiamos nas noites,
Suas sombras eram a minha sombra,
Viviam dentro da minha mente,
Mas, ninguém nos disse que um livro
Era uma sequência de tempo,
Apenas enchemos os copos,
Enquanto se ouvia as ondas,
Como o rumor de algo morrendo,
A página é repleta de cores,
Quando não sabia escrever poemas
A tinta era uma exposição negra,
E os leitores não eram meus amigos,
Sim as sombras de suas sombras.
Ilustração: absolutalemania.com
Saturday, March 31, 2012
Pecado capital
Não sei nem como começou
Este amor que todos taxam de imoral,
Porém, nem percebia
Que invadia tua vida
Que te estragava o dia e a calma.
Tu sonhavas ainda e eu fingia
Que só um de nós pecava.
Ainda que nem soubesses
Sei que adivinhavas;
Já me adivinhavas e sabias
Quando sozinha praticavas
Que era só um treino
Um pecadinho original
Antes de todo pecado capital
Ilustração: cronicasdaregina2.blogspot.com
Explicando o inexplicável
Eu, por saber que te amo,
E que, no amor, todas as coisas são difíceis,
Tento te dizer o que não sei explicar
Sobre os avanços, recuos e
Empecilhos que a vida nos dá
Para que tenhas o entendimento
De que mesmo no maior silêncio
O meu amor é maior do que qualquer distância
E faz tudo mais não ter importância.
Só me preparo
Porque se chegas,
Se algum dia chegas,
Serás como um vendaval
Que arrasta as janelas
Que joga o mundo inteiro pelos ares
E tudo vira, revira, quebra e arrasa
E quando passa traz uma estranha calma
Para que a vida, triunfante, continue
A ser o que é:
O tempo que passa!
Aí! Se eu te visse....
Aí! Se eu te visse, como sonho, nua,
A pele molhada, as coxas brancas tuas,
Os negros pêlos, entre elas, abruptos
Pedindo beijos e gestos dissolutos!
Aí! Se eu te visse, mulher doce e pura,
Sobre a cama , como se uma escultura,
Porém, fremente do amor que espera,
Como as flores, se abrir na primavera.
Ah! Viver este momento quem me dera-
É como um sonho, uma volúpia doce,
Um bombom com o melhor recheio
Que é o prazer do teu ventre, dos teus seios!
Ilustração: http://ameliriopapoulan.blogspot.com.br
Buesa novamente
Me llegabas en la brisa y en la espuma...
José Angel Buesa
Me llegabas en la brisa y en la espuma,
tú, la perdida para siempre...
Tú, la que ennoblecías el sabor del recuerdo,
que ahora llegas más casta y más ausente...
Me llegas en el viento que huele a lejanía,
me llegas en la sal que sabe a muerte,
tú, sombra arrinconada en un silencio;
tú, la perdida para siempre...
Ya no sé por qué sordo camino de la ausencia
bajo que estrellas moribundas vienes,
con los pies inseguros llenos de polvo y de rocío,
tú, la perdida para siempre...
Me chegavas na brisa e na espuma
Me chegavas na brisa e na espuma,
tu, a perdida para sempre...
Tu, que enobrecias o sabor da recordação,
que agora chegas mais casta e mais ausente..
Me chegas no vento que sacode as janelas,
Me chegas no sal que tem gosto de morte,
tu, sombra acantonada no silencio;
tu, a perdida para sempre...
Já não sei por qual silencioso caminho da ausência
Sob que estrela cadente vens,
com os pés inseguros plenos de pó e de orvalho,
tu, a perdida para sempre....
Sunday, March 25, 2012
Buesa outra vez
Canción a la mujer lejana
José Angel Buesa
En ti recuerdo una mujer lejana,
lejana de mi amor y de mi vida.
A la vez diferente y parecida,
como el atardecer y la mañana.
En ti despierta esa mujer que duerme
con tantas semejanzas misteriosas
que muchas veces te pregunto cosas
que solo ella podría responderme.
Y te digo que es bella, porque es bella,
pero no se decir, cuando lo digo,
si pienso en ella porque estoy contigo
o estoy contigo por pensar en ella.
Y sin embargo si el azar mañana
me enfrenta con ella de repente
no seguiría a la mujer ausente
por retener a la mujer cercana.
Y sin amarte mas, pero tampoco
sin separar tu mano de la mía,
al verla simplemente te diría:
"Esa mujer se te parece un poco".
Canção para uma mulher distante
Em ti recordo uma mulher distante,
Distante de meu amor e de minha vida.
A cada vez diferente e parecida,
Como o amanhecer e o poente.
Em ti desperta esta mulher que dorme
Com tantas semelhanças misteriosas
Que, muitas vezes, te pergunto coisas
Que só ela poderia responder-me.
E te digo que és bela, porque és bela,
Porém, não sei dizer, quando te digo,
Se penso nela porque estou contigo
Ou que estou contigo só por pensar nela.
E, sem embargo, se amanhã o azar
Me colocar frente a ela de repente
Não seguiria esta mulher ausente
Por me reter a mulher que vive a me cercar.
E sem amar-te, mas, porém, tampouco,
Da tua mão, a minha, não separaria.
Ao vê-la, simplesmente, te diria:
“Esta mulher parece contigo um pouco”.
Ilustração: veja.abril.com.br
José Angel Buesa
Nocturno VII
José Angel Buesa
Ahora que te fuiste te diré que te quiero,
ahora que no me oyes, ya no debo callar.
Tú seguirás tu vida y olvidarás primero
y yo aquí, recordándote a la orilla del mar...
Hay un amor tranquilo que dura hasta la muerte,
y un amor tempestuoso que no puede durar.
Acaso aquella noche no quise retenerte
y ahora estoy recordándote a la orilla del mar...
Tú que nunca supiste lo que yo te quería
quizás entre otros brazos lograrás olvidar.
Tal vez mires a otro, igual que a mí aquel día
y yo aquí recordándote a la orilla del mar...
El rumor de mi sangre va cantando tu nombre,
y el viento de la noche lo repite al pasar.
Quizás en este instante tú besas a otro hombre
y yo aquí recordándote a la orilla del mar.
Noturno VII
Agora que te fostes te direi que te quero,
Agora que não me ouves, já não devo calar.
Tu seguirás tua vida e esquecerás primeiro
E eu, aqui, recordando-te na beira do mar....
Há um amor tranquilo que dura até a morte,
E um amor tempestuoso que não pode durar.
Acaso aquela noite não quis mais reter-te
E, agora, estou recordando-te na beira do mar....
Tu, que nunca soubestes que eu te queria,
Quem sabe em outros braços hás de apagar.
Talvez olhes a outro, igual a mim naquele dia
E eu, aqui, recordando-te na beira do mar....
O rumor de meu sangue vai cantando teu nome,
E o vento e a noite o repete a passar.
Quem sabe se, neste instante, beijas outro homem
E eu, aqui, recordando-te na beira do mar....
Ilustração: ultradownloads.com.br
Jon Juaristi
Rosario
Jon Juaristi
Yo la quería mucho, pero entonces
amar y destruir sonaban parecido,
como en los más confusos poemas de Aleixandre.
Nos casamos con otros. Tal vez así perdimos
lo mejor de la vida. Quién sabe. Hubo una noche
en que ambos acordamos que pudo ser distinto
el rumbo de esta historia de culpa y cobardía.
Se quitó el pasador de su cabello oscuro
y me lo dio al marchar, y nunca volví a verla.
Murió. No lo he sabido hasta esta tarde misma,
varios años después, en su pequeño pueblo
y frente a la serena desolación del mar.
Ahora intento evocarla, pero se desvanece:
No he encontrado siquiera su pasador de rafia.
"Tiempo desapacible" 1993-1996
Rosário
Eu a queria muito, porém, então
Amar e destruir soavam parecido,
Como nos mais confusos poemas de Alexandre.
Nos casamos com outros. Talvez assim perdemos
O melhor da vida. Quem sabe. Houve uma noite
Em que ambos acordamos que poderia ser distinto
O rumo da história de culpa e covardia.
Ela tirou a fivela de seus cabelos escuros
e me deu ao sair, e nunca mais a vi.
Ela morreu. Eu não sabia até esta tarde,
Vários anos depois, no seu pequeno povoado
e em frente à serena desolação do mar.
Agora eu tento evocá-la, porém, se desvanece:
Não encontrei sequer sua fivela de ráfia.
Ilustração: www.bemlegaus.com
Homero Aridjis novamente
Ayer y hoy
Homero Aridjis
Tu paso, como una sombra,
era difícil de seguir,
y al perderte en una esquina
sólo quedaba en mí, como en la calle,
un vago sentimiento de vacío.
Tu cimbreo, tu cintura
me estremecían
y el jardín parecía tener más rosas
y el verano calor,
pues en mis labios de niño aún no había
la palabra que define al amor.
La edad nos separaba,
como a dos cuerpos,
no de tamaños distintos,
sino de espacios diferentes.
Y mis manos asiéndote,
mis brazos abarcándote,
no podían asirte,
no podían alcanzar tu cuerpo, tu mirada.
Ontem e hoje
Teu passo, como uma sombra,
Era difícil de seguir,
e ao te perder em uma esquina
só restava em mim, como na rua,
um vago sentimento de vazio.
Tuas curvas, tua cintura
me estremeciam
e o jardim parecia ter mais rosas
e o verão, mais calor
pois, nos meus lábios de menino ainda não tinha
a palavra que define o amor.
A idade nos separava,
como a dois corpos,
Não de tamanhos distintos
mas, de espaços diferentes.
E minhas mãos acercando-te,
meus braços abarcando-te,
não podiam te tocar,
não podiam alcançar o teu corpo, os teus olhos.
Ilustração: http://poesiacomemocoes.blogspot.com.br/2012/01/so-nos-entendemos.html
Homero Aridjis revisitado
Sé que piensas en mí...
Homero Aridjis
Sé que piensas en mí
porque los ojos se te van para adentro
y tienes detenida en los labios
una sonrisa que sangra largamente
Pero estás lejos
y lo que piensas
no puede penetrarme
yo te grito Ven
abre mi soledad en dos
y mueve en ella el canto
haz girar este mundo detenido
Yo te digo Ven
déjame nacer sobre la tierra.
Sei que pensas em mim...
Sei que pensas em mim
Porque teus olhos se fecham
E tens nos lábios apertados
Um sorriso que sangra largamente.
Porém, estais distante
E o que pensas
Não pode penetrar-me
E eu te grito vem
Abre minha solidão em dois
E move nela o canto
Que faz girar este mundo parado.
Eu te digo vem
Deixa-me nascer sobre a terra.
Wednesday, March 21, 2012
Verónica Jiménez
La derrota del mar
Verónica Jiménez
A Kurt Folch
Nosotros que tuvimos que pasar
por tantos puertos llenos de agitación
pernoctando en pequeña lanchas
azotados por la lluvia y por la olas
y que fuimos a un tiempo
alegres ebrios a bordo de cargueros sin destino
y silenciosos marineros abandonados en la bahía
nosotros que algún día soñamos en lechos
extensos como las velas de los barcos
y construimos un hogar sobre el viaje de las aguas
bendecidos por la música del mar en la noche
anclamos ahora en esta oscura rada
como náufragos arrojados a su mala suerte
vomitando espuma, con los pies enterrados en la arena
y la piel herida por la sal.
A derrota do mar
Nós outros que tivemos que passar
por tantos portos plenos de agitação
pernoitando em pequenos barcos
açoitados pela chuva e pelas ondas
e que fomos a um tempo
bêbados felizes a bordo de cargueiros sem destino
e marinheiros silenciosos encalhados na baía
Nós outros que um dia sonhamos com camas
tão extensas quanto as velas dos navios
e construimos uma casa no caminho da água
abençoados pela música do mar à noite
agora ancoramos nesta baía escura
como náufragos jogados pela má sorte
vomitando espum, com os pés enterrados na areia
e a pele ferida pelo sal.
Ilustração: John Maxwell. Harbour with Three Boats, 1934, óleo sobre tela, 71.30 x 87.70 cm, George and Isobel Neillands Collection.
Monday, March 12, 2012
Ainda Jon Juaristi
Vers l'ennui
Jon Juaristi
but who is that on the other side of you?
Entonces era el mundo. Qué grande parecía.
En el límite mismo del verano, qué dulce
el tiempo que se abría, la luz indeclinable.
Entre el pinar y el río se extendían los huertos:
los pequeños retazos de maizales y habares
brillaban agolpados bajo el oro de junio.
Inventar cada día las cosas, empaparse
de sol, buscar los nombres del grillo y de la arena,
del hinojo fragante, del cangrejo, del cuarzo.
Y el regreso: la tarde nos devolvía al sueño
por estradas de polvo y escoria triturada,
dóciles a las voces cercanas del cansancio.
Pero yo te sentía. Tú venías conmigo,
ángel del tedio, hermano, arrojando tu sombra
sobre las zarzamoras, tu sombra abominable.
"Diario de un poeta recién cansado" 1985
Sobre o tédio
mas que é isto sobre o seu outro lado?
Assim era o mundo. Que grande parecia.
No limite mesmo do verão, que doce
o tempo que se abria, a luz indeclinável.
Entre os pinheiros e o rio se estendiam os jardins:
as pequenos retalhos de milho e feijão
brilhando abatidos sob o ouro de junho.
Inventar cada dia as coisas, empapar-se
de sol, buscar os nomes dos grilos e da areia,
o perfume das ervas, do caranguejo, do quartzo.
E a volta: a tarde nos devolvia o sono
por estradas de poeira e pedrinhas trituradas,
doces às vozes próximas do cansaço.
Porém, eu sentia. Tu vinhas comigo,
anjo do tédio, irmão, arrojando tua sombra
sobre as amoreiras, tua sombra abominável.
Revendo Jon Juaristi
Lauretta
Jon Juaristi
Ya cesaron las lluvias.
Ya perdieron su flor los jacarandáes.
Pronto me iré de aquí.
No hice muchos amigos.
No bajé a los infiernos como Lowry,
y nada me importabas
cuando te conocí.
Ojalá no te hubiera conocido,
boca de ajonjolí.
Ojalá no te hubiera querido
así.
Sólo espero que nunca la tristeza
te trate como a mí.
"Suma de varia intención" 1987
Lauretta
Já cessaram as chuvas.
Já perderam suas flores os jacarandás.
Pronto me irei daqui.
Não fiz muitos amigos.
Não baixei aos infernos como Lowry,
e nada me importava
quando te conheci.
Oxalá não te tivesse conhecido,
boca de gergelim.
Oxalá não te houvesse querido
assim.
Só espero que nunca a tristeza
te trate como a mim.
Ilustração: palavraseideiassoltas.blogspot.com
Juan Gelman novamente
Nota XXVII
Juan Gelman
de lo posible a lo probable/del
sueño a la realidad hay como
mares/playas nocturnas donde
animales de pico descarnan
formas mojadas por los jugos
del corazón/así/viajamos
del pecho al seco sol que dora
la maravilla/o existir
Nota XXVIII
do possível ao provável/ do
sonho à realidade há como
nos mares/praias noturnas onde
animais de bico descarnam
formas molhadas pelos jugos
do coração/assim/viajamos
do peito ao seco sol que doura
a maravilha/o existir
Ilustração: guiamaceio.com
Juan Gelman
Gotán
Juan Gelman
Esa mujer se parecía a la palabra nunca,
desde la nuca le subía un encanto particular,
una especie de olvido donde guardar los ojos,
esa mujer se me instalaba en el costado izquierdo.
Atención atención yo gritaba atención
pero ella invadía como el amor, como la noche,
las últimas señales que hice para el otoño
se acostaron tranquilas bajo el oleaje de sus manos.
Dentro de mí estallaron ruidos secos,
caían a pedazos la furia, la tristeza,
la señora llovía dulcemente
sobre mis huesos parados en la soledad.
Cuando se fue yo tiritaba como un condenado,
con un cuchillo brusco me maté
voy a pasar toda la muerte tendido con su nombre,
él moverá mi boca por la última vez.
Tango
Esta mulher se parecia à palavra nunca,
Desde a nuca lhe subia um encanto particular,
Uma espécie de esquecimento onde se guardavam os olhos,
Esta mulher se instalava no meu costado esquerdo.
Atenção! Atenção! Eu gritava atenção,
Porém, ela invadia como o amor, como a noite,
Os últimos sinais de que se fazia o outono
Para se acostar tranqüilo sob os óleos de suas mãos.
Dentro de mim estalaram ruídos secos,
Caíam aos pedaços a fúria, a tristeza,
A senhora chuvia docemente
Sobre os meus ossos parados na solidão.
Quando se foi eu tiritava como condenado,
Com uma facada brusca me matei
Vou passar toda a morte estendido com o seu nome,
Ele moverá minha boca pela última vez.
Ilustração: museudobrinquedodailhadesc.blogspot.com
Tuesday, March 06, 2012
Minha maça
Que você é minha maça
Comprovam todas as mordidas que lhe dei.
Se, como será amanhã, não sei..
Hoje as marcas de meus dentes
São tão evidentes
Que teu corpo todo
Só pode ter sumo
Se da minha boca sabe o rumo.
Aprumo o calendário
Sabendo que o teu amor é meu salário
E, mesmo que seja só uma ilusão,
Te saboreio como a mais doce maça
Na minha mão.
Manjar
Teus bombons chegaram..
E o cheiro doce do cupuaçu
Me trouxe a saudade tua
Como se fosse um clarão da lua
Que iluminou a escuridão.
Teus bombons chegaram...
E comi com a sofreguidão
De quem saboreia um coração!
Wednesday, February 29, 2012
Laura Yasán
Vida sana
Laura Yasán
cuando te fuiste eliminé la carne
me volví selectiva
desconfiada
metódica
no me llevo a la boca
nada en estado crudo
conservar la cadena de frío
es la clave
Vida sã
Quando te fostes eliminei a carne
me tornei seletiva
desconfiada
metódica
não levo mais à boca
nada em estado cru
conservar a cadeia de frio
é a chave
Ilustração: Adriana Varejão
Novamente Noelia Palma
I
Debo confeccionar mi sombra, nuevamente
necesito mirarme a la cara
II
y para qué se lee un poema, dije
- para perderlo todo
I
Devo confeccionar minha sombra novamente
necessito olhar o meu rosto
II
e para que se lê um poema, digo
-para esquecê-lo todo
Ilustração: Katia Chausheva
Tendencia
Tanta tecnologia me assusta...
E cada vez menos custa!
Tudo tente a ficar muito virtual.
Ilustração: misteriosfantasticos.blogspot.com
.Noelia Palma
La Oscuridad Se Puso A Brillar
Noelia Palma
I
Algunas palabras son inciertas y se convierten al silencio
otras, migran
pero
a dónde fueron los poemas que nunca me besaste
II
Soplo. Y con el humo del cigarrillo escribo tu nombre
que también desaparece
A escuridão se pôs a brilhar
I
Algumas palavras são incertas e se convertem em silêncio
outras migram,
porém, para onde foram os poemas que nunca me beijastes
II
Sopro. E com a fumaça do cigarro escrevo o teu nome
que também desaparece
Ilustração: http://lazomortal.blogspot.com/
Wednesday, February 22, 2012
Francisco Madariaga (Coco)
En la casa de la hechicera
Francisco Madariaga (Coco)
1
Como sólo canta un corazón cuando sangra
fidelidad
canta mi ángel ciego recorriendo a caballo
toda la aventura de su vida.
2
Con las manos y una sonrisa pedíle la bendición
a tu amiga la hechicera,
antes de besar los cabellos y los labios de una
muchacha descalza,
que se baña con agua de laguna.
Na casa da feiticeira
1
Como só canta um coração quando sangra
fidelidade
canta meu anjo cego percorrendo a cavalo
toda a aventura de sua vida.
2
Com as mãos e um sorriso pedi a bênção
a tua amiga, a feiticeira,
antes de beijar os cabelos e os lábios de uma
mocinha descalça,
que se banha com a água da lagoa.
Ilustração: Sergio Rogmanolo "Samantha levantando da cama".
Ainda W. B. Yeats
What Then?
W.B. Yeats
His chosen comrades thougth at school
He must grow a famous man;
He thought the same and lived by rule,
All his twenties crammed with toil;
'What then?', sang Plato's ghost, ''what then?'
Everything he wrote was read,
After certain years he won
Sufficient money for his need,
Friends that have been friends indeed;
'What then?', sang Plato's ghost, 'What then?'
All his happier dreams came true -
A small old house, wife, daughter, son,
Grounds where plum and cabbage grew,
Poets and Wits about him drew;
'What then?' sang Plato's ghost, 'what then?'
'The work is done,' grown old he thought,
'According to my boyish plan;
Let the fools rage, I swerved in nought,
Something to perfection brought;'
But louder sang that ghost 'What then?'
E daí?
Seus melhores amigos na escola
Pensavam que ele iria ser famoso;
Ele também pensava e por tais regras viveu,
Dedicandos seus vinte anos ao labor;
"E daí?" cantou o fantasma de Platão, "e daí?"
Todas as coisas que escreveu eram lidas,
Depois de certo tempo tinha ganho
Suficiente dinheiro para todas as suas necessidades,
Amigos que eram amigos de verdade;
"E daí?", cantou o fantasma de Platão,"e daí?"
Todos seus sonhos mais felizes foram reais:
Uma velha casinha, esposa, filha, filho,
Canteiros de ameixeira e couve,
Poetas e sábios ao seu redor;
"E daí?", cantou o fantasma de Platão, "e daí?"
"O trabalho está feito", disse ele na velhice,
“De acordo com meus sonhos de menino”;
Deixei os tolos com seu ódio, não me desviei,
Alguma coisa para à perfeição contribui";
"E daí?" - cantou mais alto a sombra de Platão.
Yeats
When You are Old
William Butler Yeats
When you are old and grey and full of sleep,
Ad nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.
Quando fores velha
Quando já fores velha, grisalha e com sono,
E, cabecear junto ao fogo, quando este livro pegar,
Lê com calma; e com as sombras no olhar profundo
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.
Muitos te amaram em momentos de alegre graça,
E amaram, com amor sincero ou falso, a tua beleza;
Mas, Só um homem te amou em ti a alma fugidia e lassa,
E até mesmo de teu rosto cada sombra de tristeza.
E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou a montanha, a subir sempre, crescente
E seu rosto na multidão de estrelas encobriu.
Monday, February 20, 2012
Flor Cecília Reyes
Propriedade privada
Flor Cecília Reyes
Como marca de fuego
ya para siempre
llevo en el bajo vientre
la propiedad privada
de tus besos ardientes.
Propriedade privada
Como uma marca de fogo
cravada para sempre
levo no baixo ventre
a propriedade privada
de teus beijos mais ardentes.
Sunday, February 12, 2012
Luiz Cernuda
De Luiz Cernuda
Gracias, compañero, gracias
Por el ejemplo. Gracias porque me dices
Que el hombre es noble.
Nada importa que tan pocos lo sean:
Uno, uno tan solo basta
Como testigo irrefutable
De toda la nobleza humana.
A NOBREZA HUMANA
Graças, companheiro, graças
Pelo exemplo. Graças porque me dizes
Que o homem é nobre.
Nada importa que tão poucos o sejam:
Um tão só um basta
Como testemunha irrefutável
De toda a nobreza humana.
Juan Gelman
Lo que pasa
Juan Gelman
Yo te entregué mi sangre, mis sonidos,
mis manos, mi cabeza,
y lo que es más, mi soledad, la gran señora,
como un día de mayo dulcísimo de otoño,
y lo que es más aún, todo mi olvido
para que lo deshagas y dures en la noche,
en la tormenta, en la desgracia,
y más aún, te di mi muerte,
veré subir tu rostro entre el oleaje de las sombras,
y aún no puedo abarcarte, sigues creciendo
como un fuego,
y me destruyes, me construyes, eres oscura como la luz.
O que se passa
Eu te dei meu sangue, meus sons,
minhas mãos, minha cabeça,
e o que é mais, a minha solidão, a grande dama,
como um dia de maio de dulcíssimo outono,
e o que é mais ainda, todo o meu esquecimento
para que te desfaças e dures na noite,
na tempestade, na desgraça,
e mais ainda, te dei a minha morte,
verás subir teu rosto entre as ondas das sombras
e ainda não posso abarcar-te, segues crescendo
como um incêndio,
a me destruir, me construir, és escura como a luz.
Ilustração: liviavanessa.blogspot.com
Thursday, February 09, 2012
Socrátes moderno
Eu, hoje, só sei que não sei de nada
E que esta ignorância que tenho acumulado
É que me tem salvado num país onde saber é pecado.
Renée Ferrer
PORFÍA
Renée Ferrer
Esta torpeza de jugarle a la vida
es mala pasada de no poder vencerme;
esta terca manera de quererte,
a punto de ingresar
o ya saliendo del último intento;
este modo obstinado
de reavivar la llama
donde encontrarme un día,
mendiga de tu cuerpo.
PORFIA
Esta torpeza de brincar com a vida
é o mau passo de não poder vencer-me,
esta teimosa maneira de querer-te,
a ponto de ingressar
ou já saindo do último intento;
este modo obstinado
de reavivar a chama
de me encontrar um dia,
mendiga de teu corpo.
Ilustração: http://desterritorio.blogspot.com/
Monday, February 06, 2012
Leonora Vicuña
TRAVESIA
Leonora Vicuña
a Armando Rubio, antes de su muerte.
De la nada a la nada, como barcos
que salen de los puertos a la suerte,
vamos de viaje en viaje con la muerte
por grises aguaceros y por charcos.
Después de navegar bajo los arcos
de la ciudad que ya no nos divierte,
sentimos que la ruta nos pervierte
y anclamos en los bares como barcos.
Allí nos transformamos en piratas
que encuentran sus tesoros en el vino
mientras la muerte entona serenatas
y el tiempo sigiloso va borrando
esta marea que nos dio el destino
y hacia la nada vamos navegando...
Travessia
Armando Rubio, antes de sua morte.
De nada para nada, como barcos
que saem dos portos ao sabor da sorte,
vamos de viagem em viagem com a Morte
pelas brumas, aguaceiros e charcos.
Depois de navegar sob os arcos
da cidade que já não nos diverte,
Nós sentimos que a rota nos perverte
e ancoramos nos bares como barcos.
Ali nos transformamos em piratas
que encontram os seus tesouros no vinho
enquanto a morte entoa serenatas
e o tempo sigiloso vai apagando
esta maré que nos deu o destino
e até o nada vamos navegando ...
Ilustração: mmaximo.musicblog.com.br
Rafael Farias Becerra
FRONTERA DE LAS DESPEDIDAS
Rafael Farias Becerra
Todos mis sueños han corrido como agua
Edith Södergran
He cruzado la frontera
alambrada de las despedidas
como se atraviesa el último
umbral hacia el paredón,
con el equipaje de mis sueños
yendo al encuentro de un boleto
para una bella plaza sembrada
de palomas. Me voy,
quizás me pierda
en el viejo laberinto de Creta
y demore en hallar
la puerta de salida.
He concluido la última hoja
de un calendario archivado
en mi pared y no tengo
otra lectura que me postre
al sillón apolillado,
me voy, quizás retorne
en una tarde violeta
cuando los pañuelos
enjuguen las aguas del olvido.
A fronteira das despedidas
Todos os meus sonhos hão corrido como a água
Edith Södergran
Eu cruzei a fronteira
cercada de despedidas
como quem atravessa o último
umbral até o paredão,
com a bagagem dos meus sonhos
indo ao encontro de um bilhete
para uma bela praça repleta
de pombos. Eu vou,
quem sabe me perca
no velho labirinto de Creta
e demore em encontrar
a saída.
Eu terminei a última página
de um calendário arquivado
na minha parede eu não tenho
outra leitura como sobremesa
da cadeira comida pelas traças,
me vou, talvez, retorne
em uma tarde violeta
quando os lenços de bolso
enxuguem as águas do esquecimento.
Oscar Sarmiento
DE LOS CABALLOS
Oscar Sarmiento
Cuando resbalan los caballos en la calle
en su vientre rojo
brillan los focos de los autos.
Ni sonidos ni chispas conservan los cascos
y los carreteros
lloran en sus carretas.
Esas ancas no recibirán un látigo más
ni una sola luz de semáforo
esas pupilas.
Nada esas crines
esas herraduras.
En la calle
acaba el cuerpo de los caballos
con marcas de correas
en el cuello.
Dos cavalos
Quando escorregam os cavalos pela rua
nos seus ventres vermelhos
brilham os faróis dos carros.
Nem sons nem faíscas conservam os cascos
e os caminhões
choram em suas estradas.
Estas ancas não receberão um chicote mais
nem uma só luz de semáforo
estas pupilas.
Nada estas crinas
estas ferraduras.
Na rua
acaba o corpo dos cavalos
com marcas de cintos
no pescoço.
Ilustração: davincigallery.net
Oscar Sarmiento
Cuando resbalan los caballos en la calle
en su vientre rojo
brillan los focos de los autos.
Ni sonidos ni chispas conservan los cascos
y los carreteros
lloran en sus carretas.
Esas ancas no recibirán un látigo más
ni una sola luz de semáforo
esas pupilas.
Nada esas crines
esas herraduras.
En la calle
acaba el cuerpo de los caballos
con marcas de correas
en el cuello.
Dos cavalos
Quando escorregam os cavalos pela rua
nos seus ventres vermelhos
brilham os faróis dos carros.
Nem sons nem faíscas conservam os cascos
e os caminhões
choram em suas estradas.
Estas ancas não receberão um chicote mais
nem uma só luz de semáforo
estas pupilas.
Nada estas crinas
estas ferraduras.
Na rua
acaba o corpo dos cavalos
com marcas de cintos
no pescoço.
Ilustração: davincigallery.net
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