Friday, April 04, 2008

OUTRO POETA DO MÉXICO

BITACORA DEL REGRESO

Sergio Cordero

¿no es el acto que apresa la ironía
obstinado creador de mis recuerdos?

1
¿dónde están las paredes que viví?
remuevo el barro fresco
de las casas antiguas
y descubro
los rasgos de mi padre
2
porque hay días que no puedo perder
en esta ciudad ciega
yo la amo
aquí la luz se da como los frutos
es un sitio cuidado desde el simple poder
de una mirada
mordiéndose los labios
3
pon las manos en la noche más alta de tu pecho
asómate al abismo
la pregunta
confiesa tu rencor por esta tierra
deseas que vaya al sitio donde el sol
ha secado mis pasos
y por eso al tocarte
me acaricio

Vivir al margen, 1987


Caderno do Regresso

Não é o ato que apressa a ironia
obstinado criador de minhas memórias?

1
Onde estão as paredes em que vivi?
Removo o barro fresco
das casas antigas
e descubro
traços de meu pai
2
porque há dias em que não posso
me perder
nesta cidade cega
que amo
aqui a luz se dá como as frutas
é um local cuidado desde do simples poder
de um olhar
mordendo-se os lábios.
3
ponho as mãos na noite mais alta de teus seios
aproxima-se do abismo
a pergunta
confessa teu rancor por esta terra
desejas que vá ao local onde o sol
secou meus passos
e por isto ao tocar-te
me acaricio.

Viver à Margem, 1987

NÃO QUE SEJA FÁCIL


The House Was Quiet And The World Was Calm

Wallace Stevens

The house was quiet and the world was calm.
The reader became the book; and summer night

Was like the conscious being of the book.
The house was quiet and the world was calm.

The words were spoken as if there was no book,
Except that the reader leaned above the page,
Wanted to lean, wanted much to be
The scholar to whom his book is true, to whom
The summer night is like a perfection of thought.
The house was quiet because it had to be.
The quiet was part of the meaning, part of the mind:
The access of perfection to the page.
And the world was calm. The truth in a calm world,
In which there is no other meaning, itself
Is calm, itself is summer and night, itself
Is the reader leaning late and reading there.

A Casa Era Quieta e o Mundo Estava Calmo
A casa era quieta e o mundo estava calmo.
O leitor se tornou o livro; e a noite de verão
Era como a consciência de ser o livro.
A casa era quieta e o mundo estava calmo.
As palavras eram faladas, como se não houvesse livro,
Exceto que o leitor se inclinava sobre a página,
Queria inclinar-se, queria muito ser
O estudioso o qual seu livro é, na verdade, para quem
A noite de verão é como a perfeição do pensamento.
A casa era quieta porque tinha de ser.
A calma fazia parte do sentido, parte da mente:
O acesso à perfeição da página.
E o mundo estava calmo. A verdade na calma do mundo,
No qual não existe nenhum outro significado, em si mesma.
É calma, ela mesma o verão e a noite, ela própria
É o leitor inclinado tardiamente lendo ali.

Thursday, April 03, 2008

UM POEMA DE CORTAZAR

Soneto erótico

Julio Cortazar

A sonnet in a pensive mood.

Para C.C., que paseaba por las calles de Nairobi

Su mono azul le cine la cintura,
le amanzana las nalgas y los senos,
la vuelve um muchachito y le da plenos
poderes de liviana arquitectura.

Al viento va la cabellera oscura,
es toda fruta y es toda venenos;
el remar de sus musclos epicenos
inventa uma fugaz psicultura.

Amazona de mono azul, el arte
la fija en este rito paralelo,
cambiante estela a salvo de mudanza;

viejo poeta, mirala mirarte
con ojos que constelan otro cielo
donde no tiene puerto tu esperanza.


Soneto erótico

Um soneto no modo pensativo

Para C.C., que passeava pelas ruas de Nairobi

Seu macacão azul apertava a cintura,
Amansava as nádegas e os seios,
Tornando-a um rapazinho com plenos
Poderes de uma clara arquitetura.

No vento flutua a cabeleira escura,
Que é toda fruta e toda venenos;
Ao remar de seus músculos epicenos
Que inventa uma fugaz piscicultura.

Amazona de macacão azul, a arte
Conserva-a num rito paralelo,
cambiante estrela a salvo da mudança;

O velho poeta, ao mirá-la, mira a arte
Com os olhos que, no céu, tem outro anelo
No qual não tem porto nem esperança.

Wednesday, April 02, 2008

UM POETA DO MÉXICO

CONTRADICTIO (1)

Marco Antonio Campos

El ajedrez de la muerte
se quedó en una pieza
Arrojo los naipes, trémulo, incendiado
y no dicen mi suerte
Y tuve una bestia de orgullo
que arrastró mi bestia
Moribunda,
una mujer pasea triste, descalza en la calle
Y es tarde para ser otro hombre
Salgo de mi casa, pontífice, ajeno,
con el crucifijo -una mujer-
colgado en mi tristeza
Si regreso, señor,
quiero ser otro pero no Campos
¿Para qué vivir agarrado como loco al reloj?
Ya la gula de vivir se detuvo en mi garganta
Y mísera mi perra más odiada fue la angustia
Pero, Señor, yo converso en voz alta,
Antes, en otro oceáno,
arrepentí, modifiqué el pasado
Y tus ojos caminaron tristes, inmensos,
en las pájinas de mis libros
Mañana partiré, me iré del todo
Aunque hoy puedo decir:
tengo amigos, no amo a mujer alguna,
el tétano del sol duerme en la ciudad de México

Muertos y Disfraces, 1974


CONTRADIÇÃO (1)

O xadrez da morte
Esbarrou numa peça.
Arrojou os naipes, trêmulo, incendiado
E não disse minha sorte.
E tive um besta orgulho
Que arrastou minha besta
Moribunda,
Uma mulher passeia triste, descalça na rua,
E é tarde para ser outro homem
Saio de minha casa, pontífice, alheio,
Com o crucifixo-uma mulher-
Preso em minha tristeza
Sem regresso, senhor,
Quero ser outro, porém não Campos
Para que viver agarrado como louco ao relógio?
Já o desejo de viver se deteve em minha garganta
E mísera minha cadela mais odiada foi a angústia,
Porém, senhor, eu converso em voz alta,
Antes, em outro oceano,
Me arrependi, modifiquei o passado,
E teus olhos caminharam tristes, imensos
Nas páginas de meus livros,
Amanhã partirei, irei de todo
Ainda que hoje não possa dizer:
Tenho amigos, não amo mulher alguma
O gérmen do sol dorme na cidade do México.

Mortos e Disfarces, 1974.

Tuesday, April 01, 2008

OUTRO POETA DA COLÔMBIA

CANCIÓN

Piedad Bonnet

Nunca fue tan hermosa la mentira
como en tu boca,
en mediode pequeñas verdades banales
que eran todo
tu mundo que yo amaba,
mentira desprendida
sin afanes, cayendo
como lluvia,
sobre la oscura tierra desolada.
Nunca tan dulce fue la mentirosa
palabra enamorada apenas dicha,
ni tan altos los sueños
ni tan fiero
el fuego esplendoroso que sembrara.
Nunca, tampoco,
tanto dolor se amotinó de golpe,
ni tan herida estuvo la esperanza.
Canção

Nunca foi tão formosa a mentira
Como em tua boca, no meio
De pequenas verdades banais
Que eram todo
Teu mundo que eu amava,
Mentira desprendida
Sem pressa, caindo
Como a chuva,
Sobre a terra escura desolada.
Nunca tão doce foi a mentirosa
Palavra enamorada apenas dita,
Nem tão alto os sonhos
Nem tão feroz
O fogo esplendoroso que acendia.
Nunca, tampouco,
Tanta dor se amotinou de um golpe
Nem tão ferida esteve a esperança.

Monday, March 31, 2008

UMA POETISA ARGENTINA

LA SIN TIEMPO

Luisa Futoransky

deshice casas
perdí bibliotecas
me fui con lo puesto
en una valija
dos valijas
tres
indivisible
la trinidad
es

lágrimas
patitas
para qué te quiero

las actrices pobres y viejas
terminan sus días
emparedadas
tomando mate
en un asilo temible
la Casa del teatro
¿Acaso no matan a los caballos?
Fonte: Palabravirtual.com


A Sem Tempo

Desfiz casas
perdi bibliotecas
segui com o que coube
numa valise
duas três
valises
indivisível
a trindade
é

lágrimas
pequeninas
para que te quero

as atrizes pobres e velhas
terminam seus dias
emparedadas
tomando seu mate
num asilo terrível ylum frightful
a Casa dos Artistas

Por acaso não matam os cavalos?

Tuesday, March 25, 2008

O VELHO MALDITO DE VOLTA

you

Charles Buckowski

you’re a beast,
she said
your big white bell
yand those hairy feet.
you never cut your nail
sand you have hands
paws like a catyour bright red nose
and the biggest balls
i’ve ever seen.
you shoot sperm like awhale shoots water out of the
hole in its back.
beast, beast, beast,
she kissed me,
what do you want for
breakfast?



Besta é tu



Você é uma besta,
ela me disse
com sua barriga enorme e branquela
e estes seus pés cabeludos.
Você nunca corta as unhas
tanto que suas mãos parecem patas de gato.
Este seu narigão brilhoso e vermelho
e com estas bolas gigantescas
como parecem ser.
Você esporra como
uma baleia que espirra água
pelo buraquinho das costas.
Besta, besta, besta,
ela disse me beijando
e perguntou o que você quer
comer
no café da manhã?

WALLACE STEVENS


THE MAN WITH THE BLUE GUITAR

Wallace Stevens
The man bent over his guitar,
A shearsman of sorts. The day was green.

They said, "You have a blue guitar,
You do not play things as they are."

The man replied, "Things as they are
Are changed upon the blue guitar."
And they said to him, "But play, you must,
A tune beyond us, yet ourselves,
A tune upon the blue guitar,
Of things exactly as they are."
II
I cannot bring a world quite round,
Although I patch it as I can.
I sing a hero's head, large eye
And bearded bronze, but not a man,
Although I patch him as I can
And reach through him almost to man.
If a serenade almost to man
Is to miss, by that, things as they are,
Say that it is the serenade
Of a man that plays a blue guitar.

De The Man with the Blue Guitar, 1937


O HOMEM DO VIOLÃO AZUL

O homem curvado sobre o violão,
Como se uma foice fosse. Um dia verde.

Eles disseram: "Você tem um violão azul,
Que não toca as coisas tais como são".

O homem replicou: As coisas tais como são
Mudam com ao som do violão azul ".
Eles disseram: "Toca uma canção
Que esteja além de nós e seja nós,
No violão azul, toca a canção
Das coisas exatamente como elas são".

II
Eu não sei fazer o mundo bem redondo,
Ainda que o remende como sei.
Eu canto heróis de grandes olhos, barbas
De bronze, mas homem não cantei
Ainda que o remende como sei
Quase cheguei a cantar o homem que não cantei.
Mas se sempre cantar o homem falta
Deve-se as coisas tais como são,

Então que seja só a serenata
De um homem que toca seu violão azul.

Saturday, March 22, 2008

O MARAVILHOSO RENÉ DAUMAL

É o centenário de Daumal. Um poeta francês que aprendi a amar na sua língua e que escreve de uma forma totalmente pessoal, única. Não consegui encontrar na minha confessa desorganização uns poemas que, na época em que possuía alguma coragem, verti do francês para o português. Queria mostrar algo de Daumal e achei este poema em inglês. Nem sei de quem é a tradução. Porém, trai o traidor por uma causa justa. Espero que gostem. Eu mato aquilo que amo é puro Oscar Wilde.

Skin of Light

René Daumal


The skin of light enveloping this world lacks depth and I can actually see the black night of all these

similar bodies beneath the trembling veil and light of myself it is this night that even the mask of the sun cannot hide from me I am the seer of night the auditor of silence for silence too is dressed in

sonorous skin and each sense has its own night even as I do I am my own night I am the conceiver

of non-being and of all its splendor I am the father of death she is its mother she whom

I evoke

from the perfect mirror of night i am the great inside-out man my words are a tunnel punched

through silence I understand all disillusionment I destroy what I become I kill what I love.


A Pele de Luz

Á pele da luz envolvendo este mundo falta profundidade e posso atualmente ver que a preta noite de todos estes
corpos similares tremendo sob o véu e a luz de si mesmo é esta noite que mesmo a máscara
do sol não pode esconder de mim que sou o profeta da noite, o auditor do silêncio para o silêncio demasiado vestido
em sonora pele e cada sentido tem sua própria noite mesmo para eu que sou a minha própria noite que sou o conhecedor
do não ser e de todo seu esplendor, que sou o pai da morte ela sua mãe a quem
evoquei
do espelho perfeito da noite eu que sou o grande homem do engano cujas palavras são um túnel perfurado
através do silêncio que compreendo que, como toda desilusão, eu destruo o que venho a ser;
eu mato o que eu amo.

PONTOS DE VISTAS POÉTICOS

BUSY

by michael rothenberg

I’m too emotional to see anyone. Decorum
doesn’t mean squat.I buy broccoli
and cook it alone. If you’ll let me be myself,
ask nothing of me, won’t pick up the phone
when it rings, you can come share the broccoli
with me. I was raised to be transparent.
In bed no lover wonders if my mind is
somewhere else. They know. My mother lies
between my lover and poetry to make sure
I am respectful I want to be anonymous
Invisible. So I’m painting the clear plastic
window to my world with a rainbow
from the inside. In the future you’ll have to
ask me where I’m at. Maybe I’ll tell you
[]

Ocupado

Eu estou emocionado demais para ver qualquer um. Decoro não significa agachamento. Eu compro brócolis e
cozinho sozinho. Se você me deixar ser eu mesmo,
não me perguntar nada, talvez pegue o telefone
quando tocar e você possa vir compartilhar os brócolis
comigo. Eu levantei da cama para ser transparente.
Na cama nenhum amante quer saber se minha mente vai
à algum lugar outro. Eles sabem. Minhas mentiras de mãe,
entre meus amantes, e a poesia certificam
que sou respeitável e desejo ser um anônimo
invisível. Assim pinto uma plástica e brilhante janela
de meu mundo com um arco-íris interior.
No futuro você terá que
perguntar-me onde estava. Talvez eu lhe diga.
[]

EDWIN ARLINGTON ROBINSON E A FLOR HUMANA

Richard Cory

Edwin Arlington Robinson

Whenever Richard Cory went down town,
We people on the pavement looked at him:
He was a gentleman from sole to crown,
Clean favored, and imperially slim.

And he always quietly arrayed,
And he was always human when he talked;
But still he fluttered pulses when he said,
“Good morning”, and he glittered he walked,

And he was rich-yes, richer than a king
And admirably schooled in every grace:
In fine, we thought that he was everything
To make us wish that we were in his place

So on we worked, and waited for the light,
And went without the meat, and cursed the bread;
And Richard Cory, one calm summer night,
Went home and put a bullet through his head.

Richard Cory

Sempre que Richard Cory ia até a cidade cada mês,
Que o povo, na calçada, o olhasse era fatal:
Era um cavalheiro da cabeça aos pés,
De feições perfeitas, esbelto, imperial.

E sempre elegantemente bem vestido
E sempre muito humano quando falava;
Mas só em falar as pulsações haviam crescido,
"Bom dia", e até no andar ele brilhava.

E era rico-sim, mais rico do que um soberano
E admirável e educado em cada assunto singular:
Em suma, devia ter tudo possível a um ser humano.
O que nos fazia desejar estar no seu lugar

Assim nós vivemos esperando luz para a alma
E fomos sem a carne, e o pão a maldizer tão tolos ;
E Richard Cory, num verão, na noite calma,
Em casa estourou, com uma bala, os miolos.

O SILÊNCIO ÀS VEZES NECESSÁRIO

EN SILENCIO

María Luisa Artecona de Thompson

En el fondo de mí
ya no hay
palabras.
Sólo un cristal
de otoño
ceniciento
que escucha el golpear
de algunas hojas
y el pasaje fugaz
de gotas finas.
Ya no me queda
al fin
de esta jornada,
sino el mirar
sin ver
de mis pupilas;
ni el crepitar
del llanto
existe ahora;
soy, apenas;
la piedra del camino.
Sostengo
a solas
mi frutal
maduro
por el sol de la angustia
y de la pena.
No sé
de dónde llegan
mis heridas
ni a qué destinos
yo
y ellas vamos.
En el fondo de mí
ya no hay
palabras.
Sólo hay un ser que piensa
y se amalgama
con el silencio y en silencio
estamos.



EM SILÊNCIO

No fundo de mim
Já não há palavras.
Só um cristal de outono cinzento
que escuta o desfolhar
de algumas folhas
e a passagem fugaz das finas gotas.
Já não me sobra ao fim desta jornada,
senão o cego
olhar de minhas pupilas;
nem o crepitar do pranto existe agora;
sou, apenas, a pedra do caminho.
Sustento a sós
meu pomar maduro
pelo sol da angústia e da pena.
Não sei de onde chegam
minhas feridas
nem a que destinos
eu e elas chegaremos.
No fundo de mim
já não há palavras.
Só há um ser que pensa
e se converte no silêncio
e em silêncio estamos.

Tuesday, March 18, 2008

UM POETA COLOMBIANO

APARICIONES

Dario Jaramillo Agudero




No son de carne o espíritu
tampoco son la confusa mezcla de ambas,
ni bestias ni ángeles
ni su desquiciado promedio.
Son destellos,
huecos de tiempo llenos de luz o sin ella,
galopes sobre la luna,
seres que invento y son mi vida,
entre visiones de un jardín sagrado,
formas de poesía,
milagros en metáfora de cuerpo,
metáfora incompleta sin tacto ni perfumes,
metáfora total, plenitud donde no existe el tiempo
donde no existen los efímeros tactos y perfumes que están
dentro del tiempo.

Aparições

Não são de carne ou espírito
tampouco são a confusa mescla de ambas,
nem bestas nem anjos,
nem a desengonçada média.
São lampejos,
buracos de tempo cheios de luz ou sem ela,
galopes sobre a lua,
seres que a invento e são minha vida,
entre visões de um jardim sagrado,
formas da poesia,
milagres em metáfora de corpo,
metáfora incompleta sem tato nem perfumes,
metáfora total, plenitude onde o tempo não existe
onde não existem os efêmeros tatos e perfumes que estão
dentro do tempo.

Monday, March 17, 2008

UM POETA COLOMBIANO

LA LUNA BLANCA...Y EL FRÍO...

León de Greiff

La luna blanca... y el frío...
y el dulce corazón mío
tan lejano... tan lejano...

¡tanto distante su mano...!

La luna blanca, y el frío
y el dulce corazón mío
tan lejano...

Y vagas notas del piano...
Del bosque un aroma arcano...
Y el remurmurar del río...

Y el dulce corazón mío
tan lejano...!

A Lua Branca…E o Frio

A lua branca...e o frio...
e o doce coração meu
tão distante...tão distante...

tão distante sua mão...!

A lua branca, e o frio
e o doce coração meu
tão distante...

E as vagas notas do piano...
Do bosque um aroma arcano...
E o murmurejar do rio.....

E o doce coração meu
tão distante…!

Sunday, March 16, 2008

SEI QUE EXAGEREI NA LIBERDADE POÉTICA..

MINHA PROFESSORA DE INGLÊS ME PERDOE!

Against the Gods

Rebecca Lu Kiernan

What makes me alive,
How can I contain it
So it doesn't bleed
Into you,
And parts of you becoming me,
Not the way I am,
But how you see me?

What makes me human?
How to seal it off
In case you become merciless
Reducing me to some ragged beast
Busy with survival needs,
Dreaming not of love,
Breathing not
Poetry.
What makes me a woman?
How to hold it?
In case angels ascend
Leaving me guardless
In this park,
In the surrender
Of willow limbs
Reaching for the grave, untended,
Just honeysuckle to whisper
In the stir of midnight air,
Never forget
We have walked
Against the gods

Contra os deuses

O que me conserva vivo,
assim como me contenho
sem sangrar
por você,
e parte do que vim a ser ,
não é a maneira que sou,
mas como você me vê?

O que me faz mais humano?
Como cair fora
caso você se torne cruel
reduzindo-me a alguma besta áspera
ocupada apenas com a sobrevivência,
sonhando não com o amor,
não respirando
a poesia.

Que me faz uma mulher?
Como o prendê-lo?
Caso os anjos ascendam
Deixando-me desprotegida
neste parque,
capitulada
aos galhos do salgueiro
que procuram a sepultura, desentendida,
trepadeira agitada a chorar
no ar da meia-noite,
Nunca se esqueça que
nós temos caminhado
contra os deuses

Saturday, March 15, 2008

UM POETA NORTE-AMERICANO

WHELP

by Corey Mesler

Melancholy as a hearse-plume,
I rattle the keys
and little words appear:
clouds of vapor breath.
What I work here,
it's easy to say,
is for the children, my progeny
loose in the world,
coins rolled down the sidewalk.
These poems are worthless to them.
I add little. But, sometimes,
when I'm alone,
and they're as far away
as my own clamant youth,
I think of a phrase
which can hold them,
a handful of well-placed words,
that work like a charm.
Then it's gone
and I'm back here,
a man in a bag, a blind dog.
Coitadinho

Melancólico como uma pena morta
eu chocalho as chaves
e as palavras pequenas aparecem: nuvens
de respiração do vapor.

O que eu trabalho aqui,
é fácil dizer,
é para as crianças, minha geração
perdida no mundo,
moedas rolando ladeira abaixo.

Estes poemas são insignificantes
para eles. Eu adiciono
pouco. Mas, às vezes,
quando estou sozinho,
e tão distanciado
quanto a minha própria clamante juventude,

Eu penso numa frase
que possa prender-lhes a atenção,
um punhado de palavras bem-colocadas,
que tragam como por encanto.
aquilo que se foi
e, aqui, eu ando atrás,

um homem num saco, um cão cego.

UMA POETISA DA COLÔMBIA

VENGANZA

Laura Victoria

Quieres borrar con el sopor del vino
la hiel de olvido que dejé en tu boca,
y eres la polvareda en mi camino
y yo soy en tus vértigos la roca.

Es inútil que sigas mi destino
con el sarcasmo que tu pie provoca.
Yo fui para tu orgullo el torbellino,
y tú la inundación que se desboca.

Por eso para ahogar tus ambiciones,
te azotaré con risa en mis canciones,
y como esclavo te unciré a mis huellas.

Mientras que cien pupilas de mujeres,
te ofrecerán en lúbricos placeres
mi propia imagen deformada en ellas.

Vingança

Queres apagar com o torpor do vinho
o fel do abandono que deixei na tua boca,
e és a poeira que ficou no meu caminho
e nos teus trajetos sou uma rocha.

É inútil que sigas meu destino
com o sarcasmo que tua razão provoca.
eu fui para teu orgulho o torvelinho,
e tu a inundação que em mim desemboca.

Por isto para afogar tuas ambições,
Te chicotearei com meus risos e canções,
e como escravo te unirei às minhas trilhas.

Ainda que cem pupilas de mulheres,
te ofereçam em lúbricos prazeres
minha própria imagem deformada nelas.

Friday, March 14, 2008

UM CERTO SR. WONG

Evocación de la doncella

Oscar Wong

El rostro dúctil de la niña,
la sonrisa etérea de la niña,
la cadera ansiosa de la niña,
el rotundo bramido de las piernas de la niña.

Retumba la ternura transparente en esta niña,
el Amor transfigura el semblante complacido de la niña,
la turbación retrocede ante el vigor minucioso de la niña.

Ahora tiemblan los labios de la niña,
voraz se turba el cuello de la niña,
se estremecen los pechos contundentes de la niña,
clandestinos naufragan los muslos de la niña
(y la fértil vulva de la niña me calcina).

Evocação da Donzela

O rosto doce da menina,
o sorriso do etéreo da menina,
o meneio ansioso da menina,
o provocante ruído das pernas da menina.

Ecoa a ternura transparente desta menina,
o amor transfigura o semblante prazeroso da menina
a perturbação passa ante o vigor exuberante da menina.

Agora tremem os lábios da menina,
voraz se turva o colo da menina,
estremecem os seios salientes da menina,
clandestinos somem os músculos da menina
(e a vulva fértil da menina me queima).

Wednesday, March 12, 2008

VIVER É PRECISO

INQUIETAÇÕES Nº 2

Há, certamente, sensações que nunca terei...
Viajar por uma estrela cadente
Sempre me passou pela mente
Ou acordar mais jovem de repente
Ou recuperar o amor que não amei.

Os sonhos me parecem mais reais
Quando me conscientizo agora
Que o tempo que já foi embora
Me exige ter prazer com a hora,
O minuto, o segundo e até mais,
Com coisas como a fé.

È preciso não me inquietar.
Surge como um raio o pensamento
De que a vida, como um breve vento,
Passa. Viva-se ou não, e tento
Olhando teu retrato não chorar
E voltar a respirar o mesmo ar.

Inútil. Inquietações ou desejos.
Mesmo que voltes, os beijos
Nem nós somos mais os mesmos
E não há mais razões nem ensejos
Para que exista a mesma paixão
E o mesmo amor que criou a ilusão
De que tivemos o mundo nas mãos.

UM POETA PANAMERICANO


CULTIVO UNA ROSA BLANCA

José Marti

Cultivo una rosa blanca,
en julio como en enero,
para el amigo sincero
que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca
el corazón con que vivo,
cardo ni ortiga cultivo:
cultivo una rosa blanca.

Cultivo uma Rosa Branca

Cultivo uma rosa branca,
Em julho como em janeiro,
Para um amigo sincero
Que me dê sua mão franca.

E para o cruel que me arranca
O coração com que vivo
Cardo nem urtiga cultivo:
Cultivo uma rosa branca.

Friday, March 07, 2008

VIVENDO OU NÃO....PASSA

Fora de Ritmo

É ainda com o mesmo olhar de menino
Que procuro meus brinquedos
De homem velho.
Há, é certo, muito além
Da inocência de outrora
A urgência do desejo e da hora
E a maldade, envolta
Em palavras gentis e suaves,
Que examina as promessas,
Mesmo as mais reais,
Com incredulidade.
Não me alimento de saudade
Nem de esperança.
Sei que o mundo é uma dança
E vou me balançando como posso.

Thursday, March 06, 2008

A MORTE PODE SER A VIDA

HUÉSPED SÚBITO

Manuel Del Cabral

Ahora estás aquí.
¿Pero puedes estar?
Tú dices que te llamas... Pero no, no te llamas...
Desde que tengas nombre comienzo a no respirarte, a confirmar que no existes,
y es probable que desde entonces no te nombre, porque cualquier detalle, una línea, una curva,
es material de fuga;
porque cada palabra es un poco de forma,
un poco de tu muerte.
Tu puro ser se muere de presente.
Se muere hacia el contorno.
Se muere hacia la vida.

HOSPÉDE SÚBITO

Agora estais aqui.
Porém podes dizer que estais?
Tu dizes que te chamas…Porém não te chamas...
Desde que tenhas nome começo a não te respirar,
A confirmar que não existes,
E é provável que desde então não te nomeie,
Porque qualquer detalhe, uma linha, uma curva,
É material de fuga.
Teu puro ser que morre de presente.
Morre na busca do contorno.
Morre na busca da vida.

Tuesday, March 04, 2008

NADA MUDOU...

OVAÇÃO

De longe você vem
Desenterrar velhos fantasmas.
Lembrar de tempos de paixão e poesia,
Abrir de novo as portas da magia,
Soltar as amarras do cotidiano,
Do palco abrir as cortinas
E gritar:
-Ação!
É tarde.
Por pura covardia não me movo.
E, de novo, a platéia joga ovo!

(De Poema Mal-Comportados)

Monday, March 03, 2008

UM POETA DO CHILE

Y de la vida. Y de la muerte

Alfredo Lavergne

¿ Qué somos...
La autobiografía de América
Su memoria institucional
La palabra de sus chozas
O el discurso del abrazo electrónico?.
Con el olvido que me es permitido
No sé cuanto llovió anoche
Ni los meses que nevó este año en tu país
O la razón de la sequía de la tierra que no he leído
O si mis sentidos y los actos son efectos de un final
O si el hombre que pasa a mi lado dejó su origen.
Sólo sé
Que anoche escribí pateando un tapón de botella.


E da Vida. E da Morte
O que somos?
A autobiografia da América
Sua memória institucional
A palavra de suas choças
ou o discurso do abraço eletrônico ?
Com o esquecimento que me é permitido
Não sei o quanto choveu ontem à noite
Nem quantos meses nevou este ano em teu país
Ou a razão da seca da terra que eu não li
Ou se meus sentidos e os atos são efeitos de um final
Ou se o homem que passa a meu lado deixou sua origem.
Eu sei somente
Que ontem à noite escrevi chutando uma cortiça de garrafa.

Friday, February 29, 2008

DE NOVO PAZ

MONÓLOGO

Octávio Paz
Bajo las rotas columnas,
entre la nada y el sueño,
cruzan mis horas insomnes
las sílabas de tu nombre.
Tu largo pelo rojizo,
relámpago del verano,
vibra con dulce violencia
en la espalda de la noche.
Corriente oscura del sueño
que mana entre ruinas
y te construye de nada:
amargas trenzas, olvido,
húmeda costa nocturna
donde se tiende y golpea
un mar sonámbulo, ciego.

MONÓLOGO

Sob as rotas colunas,
Entre o nada e o sonho,
Cruzam minhas horas insones
As sílabas do teu nome.

Tu dilatada de rubor, relâmpago de verão,
Vibra com doce violência
Nas costas da noite.

Corrente escura do sono
Que brota entre ruínas
E te constrói do nada:
Amargas tramas, esquecimento,
Úmida costa noturna
Onde se estende e golpeia
Um mar sonâmbulo, cego.

Thursday, February 28, 2008

O MESTRE BENEDETTI

El infinito

Mario Benedetti

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.


Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.
O infinito

De uns tempos para cá
o infinito
tem se encolhido
perigosamente.

Quem iria supor
que segundo a segundo
cada migalha
de seu pão sem limites
iria assim despedaçar-se
como um seixo rolando
no abismo.

Wednesday, February 27, 2008

DE VOLTA UM POETA MEXICANO

Los sueños al poder

Raúl Aceves

Del tiempo nuevo
no veremos sino la sombra
como la luz que se presiente
adentro del cuarto cerrado.
Se mezclarán
los ruidos de lo que comienza
con los ruidos de lo que acaba.
No sabremos si nuestro destino
fue el de pasarnos la vida
esperando y presintiendo.
El deseo nos mueve
como plumas en el viento,
nunca si somos plumas
o si somos viento.

Enramada (antología), 1984

Os sonhos de poder

Do novo tempo
Não veremos senão a sombra
Como a luz que se presente
No quarto fechado.
Se misturaram
Os ruídos do que começava
Com os ruídos do que acabava.
Não saberemos se nosso destino
Foi o de passar a vida
Esperando e pressentindo.
O desejo nos move
Como plumas ao vento,
Nunca sei se somos plumas
Ou se somos vento.

Monday, February 25, 2008

O POETA UNAMUNO

LA ORACIÓN DEL ATEO

Miguel de Unamuno

Oye mi ruego Tú, Dios que no existes,
y en tu nada recoge estas mis quejas,
Tú que a los pobres hombres nunca dejas
sin consuelo de engaño. No resistes

a nuestro ruego y nuestro anhelo vistes.
Cuando Tú de mi mente más te alejas,
más recuerdo las plácidas consejas
con que mi alma endulzóme noches tristes.

¡Qué grande eres, mi Dios! Eres tan grande
que no eres sino Idea; es muy angosta
la realidad por mucho que se expande

para abarcarte. Sufro yo a tu costa,
Dios no existente, pues si Tú existieras
existiría yo también de veras.


A Oração do Ateu

Ouve meu rogo Tu, Deus que não existes,
E em ti nada recolhes com minhas queixas,
Tu que aos pobres homens nunca deixas
Sem o consolo do engano. Não resistes

Ao nosso rogo e nossos desejos vistes.
Quando Tu de minha mente te afastas,
Mais recordo as fábulas fantásticas
Com que minha alma adoça as noites tristes.

Que grande és, meu Deus! Ès tão grande
Que não és senão idéia; é muito pequena
A realidade por muito que se expande

Para te abarcar. Sofro por tua pena
Deus não existente, pois se Tu existiras
Existiria eu também deveras.

Saturday, February 23, 2008

MAIS UM POETA MEXICANO

Como desnudar uma mulher com saxofone

Rubén Medina

Cómo desnudar a una mujer
con saxofón
No es fácil.
El aire que sale del estómago
debe traer
la sal del mar.
Las llemas de los dedos
deben hablar
de palmeras
de membrana a surco
o de soles que trabajan
de noche.
Los sonidos,
agua y metal,
casi vena,
deben confundir
oído y hombro,
y descender las rodillas
con la misma suavidad
de quien maneja
un chevrolet 53
a 30 millas por hora,
en un freeway de Los Angeles.
Los ojos deben permanecer
cerrados
hasta que la noche
tenga 24 horas,
la semana más de siete días
y no existe la palabra
desempleo.
Y entonces,
abres los ojos,
y quizá
encuentres la sonrisa
de ella.
Pero esto no significa
más que un categórico
saludo de hola,
quihúbole,
wat's going on, ese,
porque también
en la plusvalía
hay
pasión.


Como desnudar a una mujer com saxofone

Como desnudar uma mulher


Com saxofone
Não é fácil.
O ar que sai do estômago
Deve trazer
O sal do mar
As palmas dos dedos
Devem falar
De palmeiras.
De membranas e sulcos
Ou a solos que trabalham
De noite.
Os sons,
De metais e água,
Quase veia,
Devem confundir
Ouvido e ombro
E deslizar as rodas
Com a mesma
Suavidade
De quem maneja
Um chevrolet 53
a 30 milhas por hora,
numa superodovia de Los Angeles.
Os olhos devem permanecer
Fechados
Até que a noite
Tenha 24 horas,
A semana mais de sete dias
E não exista a palavra
Desemprego.
E então,
abre os olhos,
e quem sabe
encontre o sorriso
dela.
Porém isto não significa
Mas que uma categórica
Saudação de óla,
Um meneio,
ou como vai indo, isto,
porquê também
há mais valia
na paixão.

COMO SE SONO FOSSE...

Ensaio da Morte

Para a morte ensaio todo dia
No sono inquieto e mesmo no acordar
E até em evitar gesto, palavra, ar...
Só por fome, ou sede, gasto energia.

Invejo, ao olhar pela janela, a pedra
Única coisa com que me identifico
Na sua mudez e permanente fico
Indiferente a erva que nela medra.

Imune aos viajantes, às vozes, cantos
ou ao calor do sol, à água ou ao vento.
Na dureza pétrea livre do pensamento
Só maleável ao passar dos anos, tantos...

Também me penso como um ser imóvel,
Mesmo obrigado aos esforços inúteis,
Resisto, desligando-me de modos sutis
De tudo que passa, fica e é provável.

Penso na morte e no seu significado
E na imobilidade em que o nada vigora.
Sonho com este tempo tão delicado
Que do fim da vida já não vejo a hora.

Friday, February 22, 2008

DOIS POEMAS DE PASOLINI





No meio de antigos papéis encontrei as duas versões que fiz dos poemas de Pasolini, porém, não encontrei os poemas originais nem a fonte, mas, suponho que sejam de "A Religião do Meu Tempo"

ANÁLISE TARDIA
(Fim dos anos Sessenta)
Pier Paolo Pasolini
Se bem, se bem que estou no fundo da fossa;
Que tudo aquilo que toco já hão tocado;
Que sou prisioneiro de um interesse indecente;
Que cada convalescença é uma recaída;
Que as águas estão estancadas e tudo tem um sabor velho;
Que também o humorismo forma parte do bloco inamovível;
Que não faço outra coisa senão reduzir o novo ao antigo;
Que não desejo todavia reconhecer quem sou;
Que já perdi até a antiga paciência de ourives;
Que a velhice há ressaltado por impaciência apenas a miséria;
Que não sairei nunca daqui por mais que sorria;
Que dou voltas de um lado ao outro pela terra como uma fera enjaulada;
De que tenho tantas cordas que tenho terminado por tirar de uma só;
Que me gosta enlamear-me porque o barro é matéria pobre e, portanto, pura;
Que adoro a luz somente se não oferece esperança.


AO PRINCÍPE

Pier Paolo Pasolini

Se regressa o sol, se cai a tarde,
Se a noite tem um sabor de noites futuras,
Se um sono de chuva parece regressar
De tempos demasiado amados e jamais possuídos de todo,
Já não encontro felicidade nem em gozar o sofrer por si mesmo:
Já não sinto diante de mim toda a vida...
Para ser poeta há que ter muito tempo:
Horas e horas de solidão são o único modo
Para que se crie algo, que é força, abandono,
Vício, liberdade, para dar estilo ao caos.
Eu, agora, tenho pouco tempo: por culpa da more
Que me vem em cima, no ocaso da juventude.
Porém por culpa também do nosso mundo humano
Que rouba o pão dos pobres e dos poetas da paz.

Thursday, February 21, 2008

UM POETA ERÓTICO

El vampiro

Efrén Rebolledo

Ruedan tus rizos lóbregos y gruesos
por tus cándidas formas como un río,
y esparzo en su raudal crespo y sombrío
las rosas encendidas de mis besos.

En tanto que descojo los espesos
anillos, siento el roce leve y frío
de tu mano, y un largo calosfrío
me recorre y penetra hasta los huesos.

Tus pupilas caóticas y hurañas
destellan cuando escuchan el suspiro
que sale desgarrando mis entrañas,

y mientras yo agonizo, tú, sedienta,
finges un negro y pertinaz vampiro
que de mi ardiente sangre se sustenta.

O Vampiro

Rolam teus cabelos escuros e soberbos
Por tuas cândidas formas como um rio,
E se espalham num caudal, crespo desafio,
As rosas incendiadas de meus beijos.

Enquanto os teus fios soltos em desejos,
Como anéis, sinto num leve roçar e frio,
Da tua mão me vêm o longo calafrio
Que me penetram os ossos malfazejos.

Tuas pupilas, caóticas e estranhas,
Brilham de prazer ao ouvir o suspiro
Que se desgarra das minhas entranhas,

Enquanto agonizo, tu, muito sedenta,
És qual um negro e pertinaz vampiro
Que com meu sangue ardente se sustenta.

Wednesday, February 20, 2008

LIVRE COMO O AR

CANCIÓN PARA C

Manu Cáncer

Sólo por tu pasión
yo daría mi vida,
yo daría mis ojos devaluados
yo daría mi luz y las cosas que veo,
yo daría mi boca por la tuya,
yo daría los trozos que han quedado en mí,
yo daría mi fuerza introducida,
yo daría mi caja de sentidos,
la sombra de mis pánicos
o mis parques desiertos,
pero por tu pasión
yo viajaría buscando las claves más precisas del futuro,
por tu pasión me vendería a plazos mí mismo,
derrocharía los relojes que habitan el dinero,
despreciaría el alfabeto pagano de los tristes.
Yo puedo ser un hombre, un grito, un clown,
pero por tu pasión
yo daría mi vida.

Canção para C

Só por tua paixão
Eu daria minha vida,
Eu daria meus olhos desvalorizados
Eu daria minha luz e as coisas que vejo,
Eu daria minha boca pela tua,
Eu daria as coisas que se acumularam em mim,
Eu daria minha força introvertida,
Eu daria minha caixa de sentidos,
A sombra dos meus pânicos
Ou meus parques desertos,
Porém por tua paixão
Eu viajaria buscando as chaves mais precisas do futuro,
Por tua paixão me venderia a prazo a mim mesmo,
Derrubaria os relógios que habitam o dinheiro,
Desprezaria o alfabeto pagão dos tristes.
Eu posso ser um homem, um grito, um palhaço,
Porém, por tua paixão
Eu daria minha vida.

Tuesday, February 19, 2008

COM VOCÊS JOHN GIORGIO


JUST SAY NO TO FAMILY VALUES

John Giorgio

On a day when

you're walking

down the street

and you see a hearse

with a coffin,

followed by

a flower car

and limos,

you know the day

is auspicious,

your plans are going to be

successful;

but on a day when

you see a bride and groom

and wedding party,

watch out,

be careful,

it might be a bad sign.

Just say no

to family values,

and don't quit

your day job.

Drugs

are sacred

substances,

and some drugs

are very sacred substances,

please praise them

for somewhat liberating

the mind.

Tobacco

is a sacred substance

to some,

and even though you've

stopped smoking,

show a little respect.

Alcoholis totally great,

let us celebrate

the glorious qualities

of booze,

and I had

a good time

being with you.

Justdo it,

just don't

not do it,

just do it.

Christian

fundamentalists,

and fundamentalists

in general,

are viruses,

and they're killing us,

multiplying

and mutating,

and they destroying us,

now, you know,

you got to give

strong medicine

to combata virus.

Who's buying?

good acid,

I'm flying,

slippingand

sliding,

slurping

and slamming,

I'm sinking,

dipping

and dripping,

and squirting

inside you;

never

fast forward

a come shot;

milk, milk,

lemonade,

round the corner

where the chocolate's made;

I love to see

your face

when you're

suffering.

Do it

with anybody

you want,

whatever

you want,

for as long as you want,

any place,

any place,

when it's possible,

and try to be safe;

in a situation where

you must abandon

yourself

completely

beyond all concepts.

Twat throat

and cigarette dew,

that floor

would ruin

a sponge mop,

she's the queen

of great bliss;

light

in your heart,

flowing up

a crystal channel

into your eyes

and out

hooking

the world

with compassion.

Just

say no

to family values.

We don't have to say No

to family values,

cause we never

think about them;

just

do it,

just make

love

and compassion .



Só diga não aos valores familiares

Um dia quando
você está caminhando
rua abaixo
E você vê
um carro fúnebre
com um caixão,
seguido por
um carro
carregado de flores,
você sabe que o dia será auspicioso,
seus planos irão ter
muito sucesso.
mas um dia quando
você vê uma noiva e um noivo
e um casamento,
observe em volta,
tenha cuidado,
isto pode ser um mau sinal.


Justo diga não
aos valores da família,
e não esqueça
o seu dia de trabalho.

Drogas
são sagradas
substâncias
e algumas drogas
são substâncias muito mais sagradas,
experimentem, por favor
para libertar um pouco
a mente.

O tabaco
é uma substância sagrada
para alguns,
e mesmo se pensa
em parar de fumar,
mostre um pouco de respeito.

O álcool
é totalmente grande,
para nós celebrarmos
suas gloriosas qualidades
de bebida alcoólica,
e eu tive
por um bom tempo
muito prazer com ele.

Apenas
faça-o,
apenas
não o faça,
faça-o apenas.

Cristãos
fundamentalistas,
e fundamentalistas em geral,
são vírus,
e eles nos liquidam,
multiplicando-se
e mudando
eles nos destroem,
agora, que você sabe,
pode criar uma medicina forte
para combater
o vírus.

Quem está comprando?
Ácido bom,
eu estou voando,
deslizando e deslizando,
surfando
e batendo,
eu vou afundando,
mergulhando
e gotejando,
e esguichando
dentro de você;
nunca
rápido adiante
como um tiro vindo;
leite, leite,
limonada,
corro para o canto
onde o chocolate é feito;
Eu amo ver
seu rosto
quando você está sofrendo.

Faça
com qualquer um
que você deseja,
enquanto
você deseja,
por quanto tempo você deseja,
em todo o lugar,
em qualquer lugar,
quando for possível,
e tente fazer seguro;
numa situação onde
você deve se abandonar
completamente
além de todas as noções.

A vulva da garganta
e o orvalho do cigarro,
este assoalho
poderiam arruinar
um esfregão de esponja,
ela é a rainha
da grande felicidade;
luz
em seu coração,
fluindo sobre
um canal de cristal
nos seus olhos
e para fora
se enganchando
no mundo
com compaixão.

Justo
diga
não
para os valores
familiares.

Nós não temos que dizer não
aos valores da família,
porque nós nunca
pensamos sobre eles;
apenas faça,
faça apenas o amor
e a compaixão.

Monday, February 18, 2008

A RUA É UM ESPELHO

LA CALLE
Octavio Paz
Es una calle larga y silenciosa.
Ando en tinieblas y tropiezo y caigo
y me levanto y piso con pies ciegos
las piedras mudas y las hojas secas
y alguien detrás de mí también las pisa:
si me detengo, se detiene;
si corro, corre. Vuelvo el rostro: nadie.
Todo está oscuro y sin salida,
y doy vueltas y vueltas en esquinas
que dan siempre a la calle
donde nadie me espera ni me sigue,
donde yo sigo a un hombre que tropieza
y se levanta y dice al verme: nadie.

A Rua

É uma rua larga e silenciosa
Ando na escuridão e tropeço e caio
E me levanto e piso com os pés cegos
As pedras mudas e as folhas secas
E alguém atrás de mim também as pisa:
Se me detenho, se detém;
Se corro, corro. Volto o rosto: ninguém.
Tudo está escuro e sem saída,
E dou voltas e voltas nas esquinas
Que retornam sempre a rua
Onde ninguém espera nem me segue,
Onde sigo um homem que tropeça
E se levanta e diz ao ver-me: ninguém.
Ilustração original do Site espelhodesombras.blogs.sapo.pt/134275.html

Saturday, February 16, 2008

UMA POETISA MEXICANA

PRESAGIO

Blanca Luz Pulido

NADA en el mundo te alcanza todavía:
son tus labios de sombra,
y tu voz un fantasma.
Has surgido a la luz para mis ojos,
y te aumenta mi sangre,
y te encumbran mis venas.
Ya sin saberlo te acercas a tu forma,
y encenderás la llama
en la incesante noche que te espera.
Y sin saberlo escribirás tu nombre,
tu no nacido nombre, entre mis labios.

Del libro Raíz de Sombras.


Presságio

Nada no mundo te alcança todavia:
São teus lábios de sombra,
E tua voz de fantasma.
Tu surgistes da luz para meus olhos,
E aumentas meu sangue,
E encobres minhas veias.
Já sem sabê-lo te acercas a tua forma,
E acenderás a chama
Na incessante noite que te espera.
E sem sabê-lo escreverás teu nome,
Teu não nascido nome, entre meus lábios.

Do livro Raiz de Sombras

Thursday, February 14, 2008

NOVAMENTE PAZ

INMÓVIL EN LA LUZ, PERO DANZANTE...

Octávio Paz

Inmóvil en la luz, pero danzante,
tu movimiento a la quietud se cría
en la cima del vértigo se alía
deteniendo, no al vuelo, sí al instante.

Luz que no se derrama, ya diamante,
detenido esplendor del mediodía,
sol que no se consume ni se enfría
de cenizas y fuego equidistante.
Espada, llama, incendio cincelado,
que ni mi sed aviva ni la mata,
absorta luz, lucero ensimismado:
tu cuerpo de sí mismo se desata
y cae y se dispersa tu blancura
y vuelves a ser agua y tierra oscura.

Imóvel na luz, porém, dançante

Imóvel na luz, porém, dançante,
Teu movimento a quietude cria
Em cima da vertigem se alia
Detendo, no seu vôo, assim ao instante.

Luz que não se derrama, já diamante,
Detido esplendor do meio-dia,
Sol que não se consome nem esfria
De cinzas e de fogo eqüidistante.

Espada, chama, fogueira esculpida,
Que a minha sede nem aviva nem mata,
Absorta luz, estrela ensimesmada.

Teu corpo de si mesmo se desata
E cai e se dispersa em tua brancura
E voltas a ser água e terra escura.

Wednesday, February 13, 2008

A POESIA É DE PAZ

LA HORA ES TRANSPARENTE

OCTÁVIO PAZ

La hora es transparente:
vemos, si es invisible el pájaro,
el color de su canto.

Mis ojos te descubren
desnuda

y te cubren
con una lluvia cálida
de miradas

Baja
desnudala
luna
por el pozo

la mujer
por mis ojos

A HORA É TRANSPARENTE

A hora é transparente:
Vemos, se é invisível o pássaro,
A cor de seu canto.

Meus olhos te descobrem
Nua
E te cobrem
Com uma cálida chuva
De olhares

Desce
Nua

A lua
pelo poço

A mulher
Por meus olhos


A ilustração é de

Tuesday, February 12, 2008


QUE DIOS NOS LIBRE


Nicanor Parra

Que Dios nos libre de los comerciantes
sólo buscan el lucro personal

que nos libre de Romeo y Julieta
sólo buscan la dicha personal

líbrenos de poetas y prosistas
que sólo buscan fama personal

líbrenos de los Héroes de Iquique
líbrenos de los Padres de la Patria
no queremos estatuas personales

si todavía tiene poder el Señor
que nos libre de todos esos demonios
y que también nos libre de nosotros mismos
en cada uno de nosotros hay
una alimaña que nos chupa la médula
un comerciante ávido de lucro
un Romeo demente que sólo sueña con poseer a Julieta
un héroe teatral
en convivencia con su propia estatua

Dios nos libre de todos estos demonios
si todavía sigue siendo Dios

Que Deus nos livre

Que Deus nos livre dos comerciantes
Que só buscam o lucro pessoal

Que nos livre de Romeu e Julieta
Que só buscam a sorte pessoal

Livre-nos de poetas e prosadores
Que só buscam a fama pessoal

Livre-nos dos heróis de Iqüique
Livre-nos dos pais da pátria
Não queremos estátuas pessoais.

Se, todavia, tens poder Senhor
Que nos livre de todos esses demônios
E que também nos livre de nós mesmos
Porque em cada um de nós há
Sempre uma besta que nos chupa a medula
Um comerciante ávido de lucro
Um Romeu demente que só pensa em possuir Julieta
Um herói teatral
Que só pensa em conviver com sua própria estátua.

Deus nos livre de todos estes demônios
Se, todavia, segue sendo Deus.

Monday, February 11, 2008

UM MESTRE MODERNO: PHILIP LARKIN

High Windows

Philip Larkin

When I see a couple of kids
And guess he's fucking her and she's
Taking pills or wearing a diaphragm,
I know this is paradise

Everyone old has dreamed of all their lives-
Bonds and gestures pushed to one side
Like an outdated combine harvester,
And everyone young going down the long slide


To happiness, endlessly. I wonder if
Anyone looked at me, forty years back,
And thought, That'll be the life;
No God any more, or sweating in the dark

About hell and that, or having to hide
What you think of the priest.
HeAnd his lot will all go down the long slide
Like free bloody birds. And immediately

Rather than words comes the thought of high windows:
The sun-comprehending glass,
And beyond it, the deep blue air, that shows
Nothing, and is nowhere, and is endless.

E Na pobre versão persivesca:

Janelas Altas

Quando vejo um casal de crianças
E percebo que eles estão brincando e ela
Está tomando pílulas ou vestindo um diafragma,
Sei que isto é paraíso.

Todos os velhos têm sonhado todas suas vidas-
Com obrigações e poses empurradas para um lado
Como se um projetor desatualizado combinasse,
Que cada jovem pudesse diminuir o longo filme

Para a felicidade ser interminável. Pergunto-me se
Alguém me olhasse, quarenta anos atrás,
Pensaria, esta será toda a vida;
Nenhum Deus mais nada, nem o suor no escuro,

Nada do inferno ou algo mais, nem ter de esconder
O que você pensa do sacerdote. Ele
E seu lote, todos vão escorregar pelo longo filme
Livres como sangrentas aves. E imediatamente

Invés de palavras vem o pensamento das alta janelas:
O sol-compreensão de vidro,
E além dele, o azul profundo do ar, o que não demonstra
Nada, e está longe, e é também interminável.

Thursday, February 07, 2008

A VIDA COMO ELA NÃO É

COMO UM GUARDA-CHUVA

Há o teu perfume que não esqueço.
A sensação de tuas mãos
Que ainda sinto até agora
Num tempo tão distante.

Há o calor, o calor impressionante
De teus lábios, de teus beijos
Que me induzia
A sentir o calor que sentia.

Mas, há acima de tudo
A saudade, a violenta saudade do amor
Da flor que formosa se abria
Para o prazer
E, como um guarda-chuva,
Se molhava de emoção e gozo.

(De Poemas Mal-Comportados)

Tuesday, February 05, 2008

COM VOCÊS...NERUDA

CUERPO DE MUJER

Pablo Neruda

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.


CORPO DE MULHER

Corpo de mulher, brancas colinas, musculos brancos,
Te pareces com o mundo na tua atitude de entrega.
Meu corpo de lavrador bruto te socava
E faz saltar o filho do fundo da terra.

Fui só como um túnel. De mim escapavam os pássaros
E, em mim, na noite entrava sua invasão poderosa.
Para sobreviver te forjei como uma arma,
Como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha funda.

Porém, cai, na hora da vingança, e te amo.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávida e firme.
Ah! Os vasos do peito! Ah! Os olhos da ausência!
Ah! As rosas do púbis!Ah! Tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistes em tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite, meu caminho indeciso!
Escuros leitos onde a eterna sede segue,
E a fadiga segue, e a dor infinita.

Ilustração da página

Monday, February 04, 2008

UM OUTRO POETA MEXICANO

SE ME HACE

Francisco Segovia

SE ME HACE un gentío la garganta
y en las venas se me embalsama un ruido
(el llanto y su mortaja de gangrena
disecando, mortificando sangre
No me quiebra la tristeza
Es su ruido el que me quiebra
el que me abre por la fuerza los dos puños
Es su ruido el que me asienta
(en el sólido tumulto de mi carne)
sobre esta silla del mal endurecido
(Sentado
sobre la silla viva
a punto de implotar de miedo
y tremendamente culpable)

La sirena en el espejo, 1990


SE ME FAZ

SE ME FAZ um embrulho na garganta
e nas veias se me embalsama um ruído
(o pranto e sua mortalha de gangrena
que disecando e mortificando o sangüe
Não me quebra a tristeza
É seu ruído o que me quebra
o que me abre por força os punhos
é seu ruído o que me assenta
(no sólido tumulto de minha carne)
sobre a cadeira do mal endurecido
(Sentado
sobre a cadeira viva
a ponto de explodir de medo e
e tremendamente culpado)

A Sirena no Espelho, 1990

A ilustração é de

Friday, February 01, 2008

DE VOLTA LANGAGNE

DEFINICIONES

Eduardo Langagne

Ella está hecha a semejanza de las cosas que amo.
Se parece a la noche,
o mejor: a una noche sin ausencias.
Ella es exacta.
Cuando la noche escurre, su cuerpo se humedece.
Me permite trepar por mis temblores
y agitar su nombre desde la oscuridad.
Ella es irrepetible.
Nació en las piedras donde empieza mi desorden.

Donde Habita el Cangrejo.

Definições

Ela foi feita à semelhança das coisas que amo.
Se parece com a noite,
Ou melhor: a uma noite sem ausências.
Ela é exata.
Quando a noite escorre, seu corpo se umedece.
Me permite trepar por seus tremores
E agitar seu nome desd’a escuridão.
Ela é irrepetível.
Nasceu entre as pedras onde começa a desordem.