Wednesday, February 13, 2008

A POESIA É DE PAZ

LA HORA ES TRANSPARENTE

OCTÁVIO PAZ

La hora es transparente:
vemos, si es invisible el pájaro,
el color de su canto.

Mis ojos te descubren
desnuda

y te cubren
con una lluvia cálida
de miradas

Baja
desnudala
luna
por el pozo

la mujer
por mis ojos

A HORA É TRANSPARENTE

A hora é transparente:
Vemos, se é invisível o pássaro,
A cor de seu canto.

Meus olhos te descobrem
Nua
E te cobrem
Com uma cálida chuva
De olhares

Desce
Nua

A lua
pelo poço

A mulher
Por meus olhos


A ilustração é de

Tuesday, February 12, 2008


QUE DIOS NOS LIBRE


Nicanor Parra

Que Dios nos libre de los comerciantes
sólo buscan el lucro personal

que nos libre de Romeo y Julieta
sólo buscan la dicha personal

líbrenos de poetas y prosistas
que sólo buscan fama personal

líbrenos de los Héroes de Iquique
líbrenos de los Padres de la Patria
no queremos estatuas personales

si todavía tiene poder el Señor
que nos libre de todos esos demonios
y que también nos libre de nosotros mismos
en cada uno de nosotros hay
una alimaña que nos chupa la médula
un comerciante ávido de lucro
un Romeo demente que sólo sueña con poseer a Julieta
un héroe teatral
en convivencia con su propia estatua

Dios nos libre de todos estos demonios
si todavía sigue siendo Dios

Que Deus nos livre

Que Deus nos livre dos comerciantes
Que só buscam o lucro pessoal

Que nos livre de Romeu e Julieta
Que só buscam a sorte pessoal

Livre-nos de poetas e prosadores
Que só buscam a fama pessoal

Livre-nos dos heróis de Iqüique
Livre-nos dos pais da pátria
Não queremos estátuas pessoais.

Se, todavia, tens poder Senhor
Que nos livre de todos esses demônios
E que também nos livre de nós mesmos
Porque em cada um de nós há
Sempre uma besta que nos chupa a medula
Um comerciante ávido de lucro
Um Romeu demente que só pensa em possuir Julieta
Um herói teatral
Que só pensa em conviver com sua própria estátua.

Deus nos livre de todos estes demônios
Se, todavia, segue sendo Deus.

Monday, February 11, 2008

UM MESTRE MODERNO: PHILIP LARKIN

High Windows

Philip Larkin

When I see a couple of kids
And guess he's fucking her and she's
Taking pills or wearing a diaphragm,
I know this is paradise

Everyone old has dreamed of all their lives-
Bonds and gestures pushed to one side
Like an outdated combine harvester,
And everyone young going down the long slide


To happiness, endlessly. I wonder if
Anyone looked at me, forty years back,
And thought, That'll be the life;
No God any more, or sweating in the dark

About hell and that, or having to hide
What you think of the priest.
HeAnd his lot will all go down the long slide
Like free bloody birds. And immediately

Rather than words comes the thought of high windows:
The sun-comprehending glass,
And beyond it, the deep blue air, that shows
Nothing, and is nowhere, and is endless.

E Na pobre versão persivesca:

Janelas Altas

Quando vejo um casal de crianças
E percebo que eles estão brincando e ela
Está tomando pílulas ou vestindo um diafragma,
Sei que isto é paraíso.

Todos os velhos têm sonhado todas suas vidas-
Com obrigações e poses empurradas para um lado
Como se um projetor desatualizado combinasse,
Que cada jovem pudesse diminuir o longo filme

Para a felicidade ser interminável. Pergunto-me se
Alguém me olhasse, quarenta anos atrás,
Pensaria, esta será toda a vida;
Nenhum Deus mais nada, nem o suor no escuro,

Nada do inferno ou algo mais, nem ter de esconder
O que você pensa do sacerdote. Ele
E seu lote, todos vão escorregar pelo longo filme
Livres como sangrentas aves. E imediatamente

Invés de palavras vem o pensamento das alta janelas:
O sol-compreensão de vidro,
E além dele, o azul profundo do ar, o que não demonstra
Nada, e está longe, e é também interminável.

Thursday, February 07, 2008

A VIDA COMO ELA NÃO É

COMO UM GUARDA-CHUVA

Há o teu perfume que não esqueço.
A sensação de tuas mãos
Que ainda sinto até agora
Num tempo tão distante.

Há o calor, o calor impressionante
De teus lábios, de teus beijos
Que me induzia
A sentir o calor que sentia.

Mas, há acima de tudo
A saudade, a violenta saudade do amor
Da flor que formosa se abria
Para o prazer
E, como um guarda-chuva,
Se molhava de emoção e gozo.

(De Poemas Mal-Comportados)

Tuesday, February 05, 2008

COM VOCÊS...NERUDA

CUERPO DE MUJER

Pablo Neruda

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.


CORPO DE MULHER

Corpo de mulher, brancas colinas, musculos brancos,
Te pareces com o mundo na tua atitude de entrega.
Meu corpo de lavrador bruto te socava
E faz saltar o filho do fundo da terra.

Fui só como um túnel. De mim escapavam os pássaros
E, em mim, na noite entrava sua invasão poderosa.
Para sobreviver te forjei como uma arma,
Como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha funda.

Porém, cai, na hora da vingança, e te amo.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávida e firme.
Ah! Os vasos do peito! Ah! Os olhos da ausência!
Ah! As rosas do púbis!Ah! Tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistes em tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite, meu caminho indeciso!
Escuros leitos onde a eterna sede segue,
E a fadiga segue, e a dor infinita.

Ilustração da página

Monday, February 04, 2008

UM OUTRO POETA MEXICANO

SE ME HACE

Francisco Segovia

SE ME HACE un gentío la garganta
y en las venas se me embalsama un ruido
(el llanto y su mortaja de gangrena
disecando, mortificando sangre
No me quiebra la tristeza
Es su ruido el que me quiebra
el que me abre por la fuerza los dos puños
Es su ruido el que me asienta
(en el sólido tumulto de mi carne)
sobre esta silla del mal endurecido
(Sentado
sobre la silla viva
a punto de implotar de miedo
y tremendamente culpable)

La sirena en el espejo, 1990


SE ME FAZ

SE ME FAZ um embrulho na garganta
e nas veias se me embalsama um ruído
(o pranto e sua mortalha de gangrena
que disecando e mortificando o sangüe
Não me quebra a tristeza
É seu ruído o que me quebra
o que me abre por força os punhos
é seu ruído o que me assenta
(no sólido tumulto de minha carne)
sobre a cadeira do mal endurecido
(Sentado
sobre a cadeira viva
a ponto de explodir de medo e
e tremendamente culpado)

A Sirena no Espelho, 1990

A ilustração é de

Friday, February 01, 2008

DE VOLTA LANGAGNE

DEFINICIONES

Eduardo Langagne

Ella está hecha a semejanza de las cosas que amo.
Se parece a la noche,
o mejor: a una noche sin ausencias.
Ella es exacta.
Cuando la noche escurre, su cuerpo se humedece.
Me permite trepar por mis temblores
y agitar su nombre desde la oscuridad.
Ella es irrepetible.
Nació en las piedras donde empieza mi desorden.

Donde Habita el Cangrejo.

Definições

Ela foi feita à semelhança das coisas que amo.
Se parece com a noite,
Ou melhor: a uma noite sem ausências.
Ela é exata.
Quando a noite escorre, seu corpo se umedece.
Me permite trepar por seus tremores
E agitar seu nome desd’a escuridão.
Ela é irrepetível.
Nasceu entre as pedras onde começa a desordem.

Thursday, January 31, 2008

SILENCIOSAMENTE

Estamos aqui,
Tu e eu,
De repente envolvidos na mágica do desejo
deitados sob o céu estrelado
testemunha imensa e muda
de palavras e gestos de carinhos
que, amanhã,
talvez tenhamos certezade ter inventado
como a forma de explicação
para aceitar o inexplicável.
Agora,
nada mais é necessário
além de encostar minha boca na tua
e devagar
sugar a língua
como quem saboreia o sonho,
a vida, o momento, a alegria
com a satisfação e o espanto
de criança que descobre o pecado...
Não é uma noite,
no entanto, para grandes pensamentos
ou preocupações com pequenas tristezas.
A tendência pressentida
de ser
assim impossivelmente um do outro
nos exige carícias, concentração,
adivinhações e experimentos da mão,
da pele, da medida exata do toque,
da palavra e do silêncio.
Entre lençóis,
o prazer e os gemidos
inundam a cama
e inesperadamente
explodem
nos suaves afagos de tuas mãos
e nas palavras desarticuladas
que a tudo dá sentido.
O brilho dos teus olhos
de menina ilumina a noite
e, mudamente,
justifica a existência e o amor
sem palavras,
silenciosamente.

Wednesday, January 30, 2008

OUTRO POETA MEXICANO

Los amantes, metáfora de ferretería

Raúl Aceves

Los amantes son
como la tuerca y el tornillo
cuando se enroscan
y Dios es el desamor y las pinzas
que los desenrosca
cuando a causa de la lluvia y el tiempo
los amantes se oxidan
y se quedan irremediablemente pegados,
entonces solamente el diablo y su segueta
los pueden separar.

Cielo de las cosas devueltas, 1982

Os amantes, metáfora da oficina

Os amantes são
Como a porca e o parafuso
Quando se enroscam
E Deus é o desamor e os alicates
Que os desenrosca
Quando por causa da chuva e do tempo
Os amantes se oxidam
E permanecem irremediavelmente pegados,
Então somente o diabo e sua serra
Os podem separar.

Tuesday, January 29, 2008

LANGAGNE OUTRA VEZ


DESCUBRIMIENTO

Eduardo Langagne

colón no descubrió a esta mujer
ni se parecen sus ojos a las carabelas
jamás hizo vespucio un mapa de su pelo
nunca un vigía gritó tierra a la vista
-aunque vuelan gaviotas
en las aproximidades
de su cuerpo
y en su continente se amanece cada día-
a esta mujer no la descubrió colón
sin embargo estaba en el oeste
era un lugar desconocido
y para encontrarla
hubo que andar mucho tiempo
con una soledad azul en la cabeza
Donde Habita el Cangrejo.

Descobrimento

Colombo não descobriu esta mulher
Nem se parecem seus olhos as caravelas
Jamais fez Vespúcio um mapa de seus pelos
Nunca um vigia gritou terra à vista-
Ainda que voem as gaivotas
Nas proximidades
De seu corpo
E, em seu continente, se amanhece a cada dia-
A esta mulher não descobriu Colombo
Sem embargo estava no oeste
Num lugar desconhecido
E para encontrá-la
Tive que andar muito tempo
Com uma solidão azul na cabeça.

Monday, January 28, 2008

UM POETA MEXICANO

PIEDRAS

Eduardo Langagne
no tenemos la casa todavía,
tenemos piedras; algunas.
trozos de pan, algo de vino tenemos
pero la casa no;
sin embargo tenemos oscuridad,
porque luz no tenemos todavía;
tenemos algunas lágrimas o besos,
otras cosas igualmente ridículas tenemos,
pero la casa no. quizá
paredes que se levantan muy despacio,
mas no tenemos casa todavía
donde encontrar el frío, la soledad,
la lluvia,
pero arriba
un cielo como sábanas tenemos
y abajo un infierno delicioso
por donde deambulamos
recogiendo piedras.
"hoy no me llevas, muerte, calavera,
no me voy, no quiero ir.
hoy no voy ni entrego mi barco de papel,
mi brazo, mi guitarra, hoy no,
hoy solamente tiro piedras,
poemas,
muchas piedras contra tu rostro
-no niego, dulce rostro-
tiro piedras,
me arranco el corazón y te lo arrojo.
hoy no, muerte, hoy no voy, no quiero,
necesito hacer la casa".
y estoy vivo
cuando arrojo palabras, muchas palabras.
fuego.
Do livro "Donde Habita el Cangrejo".

Pedras
Não temos a casa, todavia,
Temos pedras, algumas.
Pedaços de pão, restos de vinho,
Porém, a casa não;
Sem embargo temos a escuridão,
Porque luz não temos, todavia.
Temos algumas lágrimas ou beijos,
Outras coisas ridículas temos,
Porém, a casa não. Quem sabe
Paredes que se levantam muito devagar,
Mas não temos a casa, todavia
Onde encontrar o frio, a solidão,
A chuva,
Porém, além,
Um céu de savanas temos
E abaixo um inferno delicioso
Onde caminhamos
Recolhendo pedras.
“Hoje não me levas, morte, caveira,
Não vou, não quero ir.
Hoje não vou nem entrego meu barco de papel,
Meu braço, minha guitarra, hoje não,
Hoje somente atiro pedras,
Poemas,
Muitas pedras contra o teu rosto
-não nego, doce rosto-
atiro pedras,
arranco meu coração e te arremesso.
Hoje não, morte, hoje não vou, hoje não quero
Necessito fazer a casa”
E estou vivo
Quando lanço palavras, muitas palavras.
Fogo.

Sunday, January 27, 2008

UMA POETISA MEXICANA

NOCHE
Blanca Luz Pulido
LA NOCHE inmemorial, pródiga noche
de los pactos oscuros, innombrables,
de las siniestras, ocultas voluntades
que a la mención del día empalidecen;
la noche feraz, la noche cómplice
que despliega su sombra como un manto
sigiloso y ambiguo, torva noche
agazapada en las márgenes del día
anticipando su reino silencioso:
pero la noche débil, turbia espera,
aire que corre en el país de nadie,
tierra del eco, junta de fantasmas:
cántaro negro que en la luz se rompe.
ES EL tiempo sin voz que en sí florece,
un silencio de muros vegetales,
una sed que en su incendio se consume;
es la sangre precisa y concentrada
de la llama voraz de la granada.

Del libro Raíz de Sombras.

Noite

A noite imemorial, pródiga noite
Dos pactos escuros, inomeáveis.
Das sinistras, ocultas vontades
Que a menção do dia empaledecem;
A noite feroz, a noite cúmplice
Que desprega sua sombra como um manto
Sigiloso e ambíguo, turva noite
Agachada nas margens do dia
Antecipando seu reino silencioso:
Porém a noite débil, turva espera,
Ar que corre no país do nada.
Terra do eco, junta de fantasmas:
Cântaro negro que na luz se rompe.
És o tempo sem voz que em si floresce,
Um silêncio de muros vegetais,
Uma sede que em seu incêndio se consome,
És o sangue preciso e concentrado
Da chama voraz de uma granada.

Do livro “Raiz das Sombras

Saturday, January 26, 2008

DUAS POESIAS DE JUAN GELMAN

"Mi Buenos Aires querido"

Juan Gelman

Sentado al borde de una silla desfondada,
mareado, enfermo, casi vivo,
escribo versos previamente llorados
por la ciudad donde nací.
Atrápalos, atrápalos, también aquí
nacieron hijos dulces míos
que entre tanto castigo te endulzan bellamente.
Hay que aprender a resistir
Ni a irse ni a quedarse,
a resistir,
aunque es seguro
que habrá más penas y olvido.

(Gotán 23)

Minha Buenos Aires querida

Sentado na borda de uma cadeira sem fundo,
Enjoado, enfermo, quase vivo,
Escrevo versos previamente chorados
Pela cidade onde nasci.
Obstáculos, obstáculos, também aqui
Nasceram doces filhos meus
Que entre tanto castigo te embelezam belamente.
Há que se aprender a resistir
Não a ir nem a ficar,
A resistir,
Ainda que com certeza
Haverão mais penas e esquecimentos.

El juego en que andamos

Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta salud de saber que estamos muy enfermos,
esta dicha de andar tan infelices.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta inocencia de no ser un inocente,
esta pureza en que ando por impuro.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
este amor con que odio,
esta esperanza que come panes desesperados.
Aquí pasa, señores, que me juego la muerte.

(de "El juego en que andamos" )

O Jogo em que andamos

Se me deixassem eleger, eu elegeria
Esta sanidade de saber que estamos muito enfêrmos,
Esta felicidade de andar tão infelizes.
Se me deixassem eleger, eu elegeria
Esta inocência de não ser um inocente
Esta pureza em que ando tão impuro.
Se me deixassem eleger, eu elegeria
Este amor com que odeio,
Esta esperança que desesperadamente come pães.
O que se passa aqui, senhores,
É que jogo com a morte.

Friday, January 25, 2008

UM POETA CUBANO

Suite de la muerte
Raúl Rivero Castañeda

Acaban de avisarme que he muerto.
Lo anunció entre líneas la prensa oficial.
Yo no esperaba morir este verano hermoso
de fin de siglo
pero los periódicos de mi país no mienten nunca
y por lo tanto es falso este latido del corazón
las pulsaciones, el aire que respiro.
Los recuerdos que tengo son, deben ser
el delirio final porque el Estado
no puede equivocarse en forma tan flagrante.
He muerto.
Yo mismo, que tengo sed y estoy triste
lo empiezo a comprender.
Y, que amo todavía y que me asombro y tengo miedo
estoy aprendiendo a morir por decreto.
Lento, obediente, con discreción, sin un solo gesto de rabia
comienzo a parecerme a mi cadáver.
Para cumplir la orden con rigor
y no turbar el regocijo de mis verdugos
apago con espíritu de contingente
los signos vitales que persisten
porque quien ha seguido como un carnero
el monorritmo de la campana
y la voz del pastor
tiene que disponerse a morir
con sólo el relumbre del cuchillo.
II
Mamá ya lo sabe
y viene enseguida a cortarme las uñas
a ponerme un pañuelo con colonia
a convencer a Humberto para que me recorte el pelo
demasiado largo, demasiado blanco
demasiado tranquilo.
III
Es tan ciega la fe y tan sorda
es tan absoluta la credibilidad
que las personas que me ven no me saludan
los que me escuchan no vuelven la cabeza
porque ya saben la noticia
y a los que visitan mi familia
yo les brindo café
y no lo agradecen
ni una frase cortés, ni un elogio para el amargor
porque esta clase de fe
es, además, muy desabrida.
Como se hizo público mi funeral
y mis pecados, mis aberraciones, mis torvas alianzas
con el enemigo
mucha gente ha venido a mi casa para ver mis despojos
y llevarse, si hubiere, la virtud o el amor.
Los he visto llegar a dar el pésame
mirando de reojo los muebles y el teléfono
añorando el abrigo, el calor de mi cama
de mendigos sentimentales
ayudando al Estado a clavar la tapa de mi ataúd.
He visto llorar a Cristina
estremecer el amor
y a Mariakarla feliz
segura de que era otra trampa mía.
Soy testigo del entierro que me están haciendo.
Estuve alerta en el velorio
y anoté cada gesto y cada comentario
Lo he visto todo claro desde mi muerte.
Los estoy esperando.

Suíte da morte
Acabam de me avisar que estou morto.
O anúncio surgiu entre as linhas do Diário oficial.
Eu não esperava morrer neste verão formoso
de fim de século,
porém os jornais de meu país não mentem nunca
e, portanto, é falsa a batida de meu coração,
as pulsações, o ar que respiro.
As recordações que tenho são, devem ser
o delírio final porque o Estado
não pode equivocar-se de forma tão flagrante.
Estou morto.
Eu mesmo, que tenho sede e estou triste
já começo a compreender.
Eu, que amo todavía e que me assombro e tenho medo
estou aprendendo a morrer por decreto.
Lento, obediente, com discreção, sem um só gesto de raiva
começo a parecer com meu cadáver.
Para cumprir a ordem com rigor
e não turvar o regojizo de meus verdugos
apago com espírito resignado
os signos vitais que persistem
porque quem sempre seguiu como um carneiro
o monoritmo da campanha
e a voz do pastor
tem que se dispor a morrer
tão-somente com o brilho de uma colher.
II
Mamãe já sabe
e vem, em seguida, cortar minhas unhas
e me pôr um lenço com colônia
para convencer Humberto a me cortar os cabelos
demasiado longo, demasiado branco
demasiado tranqüilo.
III
È tão cega a fé
e tão surda
e tão absoluta a credibilidade
que as pessoas que me vêem não me saúdam
os que me escutam não voltam a cabeça
porque já sabem da notícia
e os que visitam minha família
eu os brindo com café
e não me agradecem
nem uma frase cortês, nem um elogio para o amargor
porque esta classe de fé
é, ademais, muito desabrida.
Como fosse público meu funeral
e meus pecados, minhas aberrações, minhas turvas alianças
com o inimigo
muita gente veio a minha casa para ver meus
despojos
e levar, se houvesse, a virtude ou o amor.
Eu os vejo chegar para dar-me os pêsames
olhando de soslaio os móveis e o telefone
investigando o abrigo, o calor da minha cama
mendigos sentimentais
ajudando o Estado a cravar a tampa de meu caixão.
Eu vi Cristina a chorar
estremecendo de amor
e a Maria Carla feliz
segura de que era outra brincadeira minha.
Sou testemunha do enterro que me estão fazendo
.Estive alerta no velório
e anotei cada gesto e cada comentário
Tenho visto tudo claro desde minha morte.
Os estou esperando.

Thursday, January 24, 2008

UM POETA PERUANO

DOIS POEMAS ORIENTAIS

Gu ti shi para el maestro Li-Bai

Leo Zelada

«Caminando debajo de los cielos
zigzaguean mis pasos en amarillas azucenas
el resplandor de la luna cae ahora preciso en tu
pálido rostro
Y levanto la cabeza pues acompañado de ti, Li bai, he olvidado mis penas».

Gu ti shi para o maestro Li-Bai

“Caminhando debaixo dos céus
ziguezagueiam meus passos em amarelas açucenas
o resplendor da lua clareia agora certeiro o teu
pálido rosto
E levanto a cabeça pois em acompanhado de ti, Li bai, esqueci minhas penas”

Yuefu para el inmortal desterrado

«Bebo acompañado solo de tus versos, venerable Li-Tai-Po,
porque sé que con el vino me llevarás contigo ante los dioses
aunque sólo sea un hombre sin sombra y sin reflejo de la luna en mi copa
pues tú sabio anacoreta con tu lira me conduces más allá de los montes
al final de los inviernos»
Yueru para o imortal desterrado
“Bebo acompanhado somente de teus versos, venerável Li-Tai-Po,
porque sei que com o vinho me levarás contigo até os deuses
ainda que somente seja um homem sem sombra e sem reflexo da lua no meu copo
pois, tu, sábio anacoreta com tua lira me conduzes mais além dos montes
ao final dos invernos”.

Wednesday, January 23, 2008

GABRIELA MISTRAL

El amor que calla

Gabriela Mistral

Si yo te odiara, mi odio te daría
En las palabras, rotundo y seguro;
Pero te amo y mi amor no se confía
A este hablar de los hombres, tan oscuro.

Tú lo quisieras vuelto un alarido,
Y viene de tan hondo que ha deshecho
Su quemante raudal, desfallecido,
Antes de la garganta, antes del pecho.

Estoy lo mismo que estanque colmado
Y te parezco un surtidor inerte.
Todo por mi callar atribulado
que es más atroz que el entrar en la muerte.!

O amor que se cala

Se eu te odiasse, meu ódio te daria
Em palavras, rotundo e seguro;
Porém te amo e meu amor não se confia
Neste falar dos homens tão escuro.

Tu o quiseras envolto em alarido,
E vindo de tão fundo se há desfeito
Sua torrencial força e desfalecido
Antes da garganta, antes do peito.

Estou como se um grito suspenso
E te pareço um jato parado, inerte
Tudo por meu calar atribulado
Que é mais atroz do que encarar a morte!


Ilustração de http://marca-dor.blogspot.com/2004_08_01_archive.html

Tuesday, January 22, 2008

TRADUZIR POESIA É DAR DOBRAS...

TANTO NA LÍNGUA COMO NOS BONS TRADUTORES


(À guisa de desculpa pelas licenças poéticas antecipadamente...
ou poderia ser também "Trair e coçar é só começar")

In Memory of Jane Fraser

Geoffrey Hill

When snow like sheep lay in the fold
And wind went begging at each door,
And the far hills were blue with cold,
And a cloud shroud lay on the moor,

She kept the siege. And every day
We watched her brooding over death
Like a strong bird above its prey.
The room filled with the kettle's breath.

Damp curtains glued against the pane
Sealed time away. Her body froze
As if to freeze us all, and chain
Creation to a stunned repose.

She died before the world could stir.
In March the ice unloosed the brook
And water ruffled the sun's hair.
Dead cones upon the alder shook.

Em memória de Jane Fraser

Quando a neve como ovelhas se enrolaram
E o vento passou como pedinte, em cada porta,
E longe os montes, com frio, muito azuis ficaram
E as nuvens viraram névoas de forma torta,

Ela manteve o cerco. E todos os dias, então
Nós assistíamos sua preocupação com a morte
Como, acima das suas presas, uma ave forte.
A sala cheia com a chaleira em respiração.

Úmidas cortinas contra a vidraça coladas
Seladas para o tempo. Seu corpo congelado
Como se a congelar todos nós, e a cadeia
da criação num repouso atordoado.

Ela morreu antes de poder o mundo agitar.
Em março o gelo conservado não quebrou
E a água tremeu ante os raios da luz solar.
Nem a muda morta do carvalho abalou.



Ilustração extraída de


thegirlunderthelantern.blogspot.com/2007/12/i - Foto de James Radklev

Monday, January 21, 2008

INSÔNIA LONDRINENSE

Insônia

Para Vitor Grassi

Os cachorros de Londrina
De noite
Latem desesperadamente
Latem incessantemente
Latem insuportavelmente
Ininterruptamente
Como se, caso parassem,
fossem morrer
Ou, com seus latidos, despertar
a piedade de Deus.
Quando parece que não vão
Silenciar nunca mais,
Surge a manhã
E os passarinhos vem cantar
Para os substituir.
Mas é tarde.
Tenho que trabalhar.
Já não posso mais dormir.

Sunday, January 20, 2008

UMA POETISA ARGENTINA

SÚPLICAS
Maria Pugliese
Al principio un incendio
dispersa la tinta en el papel
tibia madeja
que disemina lenguas entre llamas.
No hablamos.

Otro fuego
descorre velos
cada mañana
arrea por la casa
el olor de las manos
los pliegos en la ropa
pan agua.
Que no quede nada.

Un principio un incendio.
Es de noche.
Cae en su peso
la pluma de pájaro.
Agoniza.
Su hálito humea
el cristal de la cárcel
centelleo de brasas
de cenizas

Eso.

¿Llueve?
Súplicas y viento
eso queda.

Suplicas

No princípio um incêndio
Dispersa a tinta no papel
Tíbia madeixa
Que dissemina línguas entre as chamas.
Não falamos.

Outro fogo
Percorre veloz
Cada manhã
Passeia pela casa
O perfume das mãos
Os pegadores de roupas
Pão água.
Que não fique nada.

Um princípio um incêndio.
É de noite.
Cai em seu peso
A pluma do pássaro.
Agoniza.
Seu hálito umedece
O cristal do cárcere
Centelhas das brasas
de cinzas
Isto.
Chove?
Suplicas e ventos.
Isto fica.

Saturday, January 19, 2008

UM POETA ESPANHOL

YO CANTARÉ DE AMOR TAN DULCEMENTE

Gabriel Bocángel

Yo cantaré de amor tan dulcementeel
rato que me hurtare a sus dolores,
que el pecho que jamás sintió de amores,
empiece a confesar que amores siente.

Verá como no hay dicha permanente
debajo de los cielos superiores,
y que las dichas altas o menores
imitan en el suelo su corriente.

Verá que ni en amar alguno alcanza
firmeza (aunque la tenga en el tormento
de idolatrar un mármol con belleza).

Porque si todo amor es esperanza,
y la esperanza es vínculo del viento,
¿quién puede amar seguro en su firmeza?


Eu Cantarei o Amor Tão Docemente

Eu cantarei o amor tão docemente
Com o fito de me furtar as suas dores,
Que o peito que jamais sentiu amores
Comece a confessar que amores sente.

Verá como não há sorte permanente
Debaixo dos céus superiores,
E que as felicidades maiores ou menores,
Imitam os céus, no solo, em sua corrente.

Verá que em amar ninguém alcança
Firmeza (ainda que a tenha no tormento
De idolatrar um mármore com beleza).

Porque se todo amor é esperança,
E a esperança é vinculo de vento,
Quem pode amar seguro em sua fortaleza?

Friday, January 18, 2008

OUTRA POESIA DE HUERTA

TE SIENTO

Renato Alejandro Huerta

Te siento cada día rozándome invisible
sutilmente impalpable.
Y aunque sé que siempre te he llevado conmigo
eres siempre la suave, dulcemente imposible
lejanía luminosa...
Te siento cada día cantar, mas no sé donde.
Eres algo que vive más allá de mí mismo
y aunque siempre eres nube y horizonte lejano
sentí tu beso sobre mi alma!
Mi espíritu solitario te sueña en todas las cosas
Mi alma te busca tras toda emoción¡
Mi camino está lleno de tu nombre!¡Lejana!...
¿Dónde estás?...¿Dónde estás?Te Sinto

Te sinto

Te sinto cada dia roçando-me invisível
Sutilmente impalpável.
E ainda sei que sempre havia te levado comigo
E eras sempre a suave, docemente impossível
Distante luminosa....
Te sinto cada dia cantar, mas não sei onde.
És algo que vive além de mim mesmo
E ainda que sempre sejas a nuvem e o horizonte distante
Senti teu beijo sobre a minha alma!
Meu espírito solitário te sonha em todas as coisas
Minha alma te busca por trás de toda emoção
Meu caminho está repleto de teu nome!
Distante? Onde estais? Onde estais?

Thursday, January 17, 2008

MAIS UM POETA CHILENO

AMAME

Renato Alejandro Huerta

Amame, como aquellos que se amaron sin límites.
como aquellos que se salvaron por el Amor.
como aquellos que se iluminaron por el Amor.
como aquellos que se transmutaron por el Amor.
Amame, sin prejuicios ni condiciones.
sin esperas ni reservas.
sin egoísmos ni sombras.
sin cadenas ni sumisiones.
Amame, con la profundidad insondable del océano.
con la claridad del Sol de las montañas.
con la fuerza suprema de vientos huracanados.
Amame, con la blanca llama de tu alma despierta.
con la alegría de cielos infinitos.
Porque sólo por el Amor peregrinamos juntos
hacia la dicha divina e inmortal.

AMA-ME

Ama-me como aqueles que se amaram sem limites.
Como aqueles que se salvaram por amor.
Como aqueles que se iluminaram por amor.
Como aqueles que se transformaram por amor.
Ama-me sem prejuízos nem condições.
Sem esperas nem reservas.
Sem egoísmos nem sombras.
Sem cadeias nem submissões.
Ama-me com a profundidade insondável do oceano.
Com a claridade do sol das montanhas.
Com a força suprema dos ventos de furacões.
Ama-me com a chama branca de tua alma desperta.
Com a alegria de céus infinitos.
Porque somente por amor caminharemos juntos
Até nosso destino divino e imortal.

Wednesday, January 16, 2008

OUTRO POETA DO CHILE

Enamorado

Alejandro Latorre

Yo te amo corazón de agua
Soy prisionero de tu cascada de sonrisas.
Tu nombre llueve en mi piel
Como una cadena de flores.
Sólo tú suspendes mi voz en tus suspiros
Y en tu suave tiempo imaginario
Rumorea una bandera de rosas.
La transparencia de tus sueños
Galopa en mi camino de sombras
Yo te amo corazón de agua.

Enamorado

Eu te amo coração de água
Sou prisioneiro de tua cascata de sorrisos.
Teu nome chove em minha pele
Como uma cadeia de flores.
Só tu suspendes minha voz em teus suspiros
E no suave tempo imaginário
Rumoreja uma bandeira de rosas.
A transparência de teus sonhos
Galopa em meu caminho de sombras
Eu te amo coração de água.

Tuesday, January 15, 2008

UM POETA CHILENO

Soneto VI

Pedro Prado

Todo en mi vida es un presentimiento.
Soy como hoja medio desprendida
Que ya la agita, sin llegar el viento;
Una hoja temblorosa y conmovida.
Amo, sin verla, clara imagen pura;
Y mis ansias, mi angustia y mi tristeza,
Sólo escupen y buscan en la dura
Realidad de la vida a la belleza.
Yo sabré quién espera y quién llama,
Animando el misterio y escondida,
Cuando esta fiebre que a mi ser inflama,
Ciña, por fin, la forma apetecida.
De amor humano hacia el amor divino,
Voy labrando, sin tregua, mi camino.


Soneto VI

Tudo na minha vida é um pressentimento.
Sou como uma folha meio desprendida
Que já agora se agita antes de chegar o vento;
Uma folha temerosa e comovida.

Amo, sem vê-la, clara imagem pura;
E minhas ânsias, angústias e tristezas
Só esculpi e busca na matéria dura
A realidade da vida, a sua beleza.

Eu saberei o que espera e o que chama,
Animando o mistério e escondida,
Quando esta febre que meu ser inflama,

Consiga, por fim, a forma apetecida
Do amor humano até o amor divino,
Vou traçando, sem trégua, a minha estrada.
(Ilustrado com escultura de Manuel Belarmino).

Monday, January 14, 2008

DOIS POEMAS DE ALEJANDRA PULTRONE

Bañistas de 1904

Alejandra Pultrone

los niños marineros
revisten la playa
donde no hay piel
para zozobrar

la imagen de este rostro
invadido
por la infancia
no cede

juegos de arena
encuentros del azar

vuelvo por un par
de ojos

un aviso de retorno
que asegure

pero las olas
se desatan
borrando

Banhistas de 1904

As crianças marinhas
revestem a praia
onde não há pele
para afundar

a imagem deste rosto
invadido
pela infância
não cede

jogos de arena
encontros de acaso

volto por um par
de olhos

um aviso de retorno
que assegure,

porém, as ondas
se desatam
em espumas

Playa de los Pescadores (1915)

las sogas
apuntalan
a los bañistas de las buenas costumbres

extendidos por el mar
se afianzan

apoyo
lugares firmes
donde la arena
hunde

Praia dos Pescadores (1915)

As cordas
suportam
os banhistas de bons costumes

estendidas pelo mar
asseguram

apoio
nos lugares firmes
aonde a areia
se afunda

Sunday, January 13, 2008

DOIS POEMAS DE LUISA FUTORANSKY

Estofado

Luisa Futoransky

Escribir con la paciencia de un
entomólogo, la displicencia de un dandy
y la febrilidad del buscador de oro.

El poema, la más frágil transparencia
nupcial.

Estofado

Escrever com a paciência de um
entomólogo, a displicência de um dandí
e a febre de ouro de um garimpeiro.
O poema, a mais frágil transparência
nupcial.

Slow

Lo más atroz de la infancia es
la sumisión.

Casi al filo de lo irreparable.

Lento

O mais atroz da infância
é a submissão.

Quase na margem do irreparável.

LIVRE PENSAR


Viagem

Tudo, ao fim e ao cabo,
Inútil salta
Ainda que o dizer verbalizado
Tente dar sentido
Ao resguardado
No fundo da alma,
No longínquo sentimento
Que em tristeza só se manifesta.

Hoje com o tempo livre
enrodilho-me no espaço das lembranças
como quem folheia
um manuscrito de outrora

um objeto do passado

procurando explicações,
chaves, formulas secretas,
reconstituições
do que já se perdeu....

Vago no olhar e no tocar

imóvel

pelos mistérios
de silêncio e paz

e contudo

Só me encontro
quando paro,
me deparo
com a sensação inexprimível
do nunca mais.

Saturday, January 12, 2008

UMA POETISA ARGENTINA

Cantos del Purgatorio I

María del Carmen Colombo

infinitas agujas
alzan las costureras
para coser el ruedo
del reino
de los cielos

creo en la gran
gallina
viuda de toda madre

creo en
la Ponedora
purísima del casto
huevo celestial

telarañas de tela del
peso de la culpa
caen
en la sintaxis

y el alma se me vuela
por la boca
y el cuerpo
se me pudre

hay hueco en el vacío es
la pérdida intacta
de los que aúllan como yo
porque nunca llegaron a incubarse

alzan las costureras
infinitas agujas
para coser el ruedo
del reino
de los cielos

(Do Anuario de Poetas Argentinos, selección
1989)

Cantos do Purgatório I

Infinitas agulhas
Levantam as costureiras
Para coser as voltas
do reino
dos céus

Creio
na grande galinha
viúva de toda a mãe

Creio na
Poedeira puríssima
do mais puro
ovo celestial

Redes de tela
do peso da culpa
caem
na sintaxe

e a alma me sai
pela boca
e o meu corpo
apodrece

Há um oco no vazio
da perda intacta
dos que uivam como eu
porque nunca chegaram
a incubar-se

Infinitas agulhas
Levantam as costureiras
Para coser as voltas
do reino
dos céus

Friday, January 11, 2008

A MÃE DA CULTURA PARAGUAIA

Las Puertas

Josefina Plá

Um cerrarse de puertas,
a derecha e izquierda;
un cerrarse de puertas silenciosas,
siempre a destiempo
siempre un poco antes
o un momento demasiado tarde;
hasta que solo queda abierta una,
la única puntual,
la única oscura,
la única sin paisaje y sin mirada.

As Portas

Um fechar-se de portas,
À direita e à esquerda;
Um fechar-se de portas silenciosas,
Sempre fora de hora
Sempre um pouco antes
Ou um momento depois demasiado tarde;
Até que só uma fica aberta, uma,
A única pontual,
A única escura
A única sem paisagem e sem futuro.

Wednesday, January 09, 2008

UM GRANDE POETA MEXICANO


EL BRINDIS DEL BOHEMIO


Guillermo Aguirre y Fierro


En torno de una mesa de cantina,
una noche de invierno,
regocijadamente departían
seis alegres bohemios.
Los ecos de sus risas escapaban

y de aquel barrio quieto
iban a interrumpir
el imponente y profundo silencio.
El humo de olorosos cigarrillos



en espirales se elevaba al cielo,
simbolizando al resolverse en nada,
la vida de los sueños.
Pero en todos los labios había risas,
inspiración en todos los cerebros,
y, repartidas en la mesa,

copas pletóricas de ron, whisky o ajenjo.
Era curioso ver aquel conjunto,
aquel grupo bohemio,
del que brotaba la palabra chusca,
la que vierte veneno,
lo mismo que, melosa y delicada,
la música de un verso.
A cada nueva libación,



las penas hallábanse más lejos del grupo,
y nueva inspiración llegaba a todos los cerebros,
con el idilio roto
que venía en alas del recuerdo.

Olvidaba decir que aquella noche,
aquel grupo bohemio celebraba entre risas,
libaciones, chascarrillos y versos,
la agonía de un año que amarguras
dejó en todos los pechos,
y la llegada, consecuencia lógica,
del “Feliz Año Nuevo”...


—Brindo, dijo otra voz, por la esperanza
que a la vida nos lanza,
por la esperanza, nuestra dulce amiga,
que las penas mitiga
y convierte en vergel nuestro camino.

Brindo porque ya hubiese a mi existencia
puesto fin con violencia
esgrimiendo en mi frente mi venganza;
si en mi cielo de tul limpio y divino
no alumbrara mi sino
una pálida estrella: Mi esperanza.

—¡Bravo! Dijeron todos,
inspirado esta noche has estado
y hablaste bueno, breve y sustancioso.
El turno es de Raúl; alce su copa
Y brinde por... Europa,
Ya que su extranjerismo es delicioso...

—Bebo y brindo, clamó el interpelado;
brindo por mi pasado,
que fue de luz, de amor y de alegría,
y en el que hubo mujeres seductoras y frentes soñadoras
que se juntaron con la frente mía...

Brindo por el ayer que en la amargura
que hoy cubre de negrura mi corazón,
esparce sus consuelos trayendo
hasta mi mente las dulzuras de goces, de ternuras,
de dichas, de deliquios, de desvelos.

—Yo brindo, dijo Juan, porque en mi mente brote
un torrente de inspiración divina y seductora,
porque vibre en las cuerdas de mi lira
el verso que suspira,
que sonríe, que canta y que enamora.
Brindo porque mis versos cual saetas
Lleguen hasta las grietas
Formadas de metal y de granito
Del corazón de la mujer ingrata
Que a desdenes me mata...
¡pero que tiene un cuerpo muy bonito!

Porque a su corazón llegue mi canto,
porque enjuguen mi llanto
sus manos que me causan embelesos;
porque con creces mi pasión me pague...
¡vamos!, porque me embriague
con el divino néctar de sus besos.

Siguió la tempestad de frases vanas,
de aquellas tan humanas que hallan en todas partes acomodo,
y en cada frase de entusiasmo ardiente,
hubo ovación creciente,
y libaciones y reír y todo.

Se brindó por la Patria, por las flores,
por los castos amores
que hacen un valladar de una ventana,
y por esas pasiones voluptuosas
que el fango del placer llena de rosas
y hacen de la mujer la cortesana.

Sólo faltaba un brindis, el de Arturo.
El del bohemio puro,
De noble corazón y gran cabeza;
Aquél que sin ambages declaraba
Que solo ambicionaba
Robarle inspiración a la tristeza.

Por todos estrechado, alzó la copa
Frente a la alegre tropa
Desbordante de risas y de contento;
Los inundó en la luz de una mirada,
Sacudió su melena alborotada
Y dijo así, con inspirado acento:

—Brindo por la mujer, mas no por ésa
en la que halláis consuelo en la tristeza,
rescoldo del placer ¡desventurados!;
no por esa que os brinda sus hechizos
cuando besáis sus rizos
artificiosamente perfumados.

Yo no brindo por ella, compañeros,
siento por esta vez no complaceros.
Brindo por la mujer, pero por una,
por la que me brindó sus embelesos
y me envolvió en sus besos:
por la mujer que me arrulló en la cuna.

Por la mujer que me enseño de niño
lo que vale el cariño
exquisito, profundo y verdadero;
por la mujer que me arrulló en sus brazos
y que me dio en pedazos,
uno por uno, el corazón entero.

¡Por mi Madre! Bohemios, por la anciana
que piensa en el mañana
como en algo muy dulce y muy deseado,
porque sueña tal vez, que mi destino
me señala el camino
por el que volveré pronto a su lado.

Por la anciana adorada y bendecida,
por la que con su sangre me dio vida,
y ternura y cariño;
por la que fue la luz del alma mía,
y lloró de alegría, sintiendo mi cabeza en su corpiño.

Por esa brindo yo, dejad que llore,
que en lágrimas desflore
esta pena letal que me asesina;
dejad que brinde por mi madre ausente,
por la que llora y siente
que mi ausencia es un fuego que calcina.

Por la anciana infeliz que sufre y llora
y que del cielo implora
que vuelva yo muy pronto a estar con ella;
por mi Madre, bohemios,
que es dulzura vertida en mi amargura
y en esta noche de mi vida, estrella...

El bohemio calló;
ningún acento profanó el sentimiento
nacido del dolor y la ternura,
y pareció que sobre aquel ambiente
flotaba inmensamente
un poema de amor y de amargura.


O Brinde do Boêmio

Em torno de uma mesa de cantina
Numa noite de inverno,
Satisfeitos conversavam
Seis alegres boêmios.

Os ecos de suas risadas escapavam
Daquele quieto bairro
Indo interromper o imponente
E profundo silencio.

O fumo de saborosos cigarros
Em espirais se elevavam ao céu
Simbolizando o resolver-se em nada,
A vida e os sonhos.

Porém, em todos os lábios havia risos,
Inspirações em todos os cérebros,
E, repartidos pela mesa, os copos
Repletos de rum, uísque ou aguardente.

Era curioso ver aquele conjunto,
Aquele grupo boêmio,
Do qual brotava a palavra engraçada,
A que verte veneno,
Ainda que melosa e delicada,
A música de um verso.

A cada nova rodada, as penas
Elevavam-se mais longe do grupo
E nova inspiração chegava
A todos os cérebros,
Com o idílio roto que vinha
Dos lados da recordação.

Esqueci-me de dizer que aquela noite,
Aquele grupo boêmio
Celebrava entre risadas, bebidas,
Chistes e versos,
A agonia de um ano que amarguras
Deixou em todos os peitos,
E a chegada, conseqüência lógica,
Do “Feliz Ano Novo”...

Uma voz varonil disse de pronto:
-As doze, companheiros,
Digamos o “réquiem” pelo ano
Que passou a fazer parte dos mortos.
Brindemos o ano que começa!
Porque nos traz sonhos;
Para que não seja sua bagagem um acúmulo
De amargos desconsolos...

-Brindo, disse outra voz, pela esperança
Que a vida nos lança,
De vencer os rigores do destino,
Pela esperança, nossa doce amiga,
Que as penas mitiga
E converte em vergel nosso caminho,

Brindo porque se já houvesse a minha existência
Posto fim com violência
Esgrimindo em minha frente minha vingança;
Se em meu céu de tule limpo e divino
Não iluminasse meu destino
Uma pálida estrela: minha esperança

-Bravo!Disseram todos, inspirado
Esta noite tens estado
E falastes bem, breve e substancioso.
A vez é de Raul; levanta teu copo
E brinde pela...Europa,
Já que seu estrangeirismo é delicioso....

-Bebo e brindo, clamou o interpelado;
Brindo por meu passado,
Que foi de luz, de amor e de alegria,
E em que tive mulheres sedutoras
E frontes sonhadoras
Que se juntaram com a fronte minha...

Brindo pelo passado que na amargura
Que hoje cobre de negrura
Meu coração, espalhou seus consolos
Trazendo até minha mente as doçuras
De gozos, de ternuras,
De sortes, de delírios, de desvelos.

-Eu brindo, disse João, porque na minha mente
Brota uma torrente
Divina e sedutora,
Porque vibra nas cordas da minha lira,
O verso que suspira,
Que sorri, que canta e apaixona.
Brindo porque meus versos qual setas
Chegam até as gretas
Formadas de metal e de granito
Do coração da mulher ingrata
Que de desdém me mata...
Porém que tem um corpo muito bonito!

Porque a seu coração chega meu canto
Porque enxugam meu pranto
Suas mãos que me enlevam;
Porque cresces com a paixão com que me pagas...
Vamos!Porque me embriaga
Com o néctar divino de seus beijos.

Seguiu a tempestade de frases vãs,
Daquelas tão humanas
Que se acham em todas as partes e se acomodam,
E a cada frase de entusiasmo ardente,
Houve uma ovação crescente
E libações e risos de todos.

Se brindou pela pátria, pelas flores,
Pelos castos amores
Que são uma barreira as ventanias
E por essas paixões voluptuosas
Que o barro do prazer enchem de rosas
E fazem da mulher uma cortesã.

Somente faltava um brinde, o de Arturo.
Ele, o boêmio puro,
De nobre coração e grande cabeça;
Aquele que sem papas declarava
Que apenas ambicionava
Roubar inspiração da tristeza.

Por todos incitado, elevou o copo
Perante a alegre tropa
Transbordante de risadas e contentamento;
Os inundou de luz num olhar apenas,
Sacudiu suas melenas alvoroçadas
E disse assim, com inspirado acento:

-Brindo pela mulher, mas não por essa
Que da qual falais que dá consolo na tristeza,
Rescaldo do prazer. Desventurados!
Não por essa que os brinda com seus encantos
Quando beijam seus risos
Artificiosamente perfumados.

Eu não brindo por ela, companheiros,
Sinto por esta vez não comprazê-los,
Brindo pela mulher, porém por uma,
Pela que me brindou com sua beleza
E me envolveu em seus beijos:
Pela mulher que me acolheu em seu ventre.

Pela mulher que me ensinou menino
O que vale o carinho
Belo, profundo e verdadeiro;
Pela mulher que me envolveu em seus braços
E que me deu seus pedaços,
Um a um, o coração inteiro.

Por minha mãe! Boêmios, pela anciã
Que pensa na manhã
Como em algo muito doce e desejado,
Porque sonha talvez que meu destino
Me assinala o caminho
Pelo qual voltarei para o seu lado.

Pela anciã adorada e bendita,
Pela que com seu sangue me deu vida,
E ternura e carinho;
Pela que foi a luz de minha alma,
E chorou de alegria,
Sentindo minha cabeça em seu corpinho.

Por esta brindo eu, deixando que chore,
Que as lágrimas desfolhe
Esta pena letal que me assassina;
Deixem que brinde por minha mãe ausente,
Pela que chora e sente
Que minha ausência é um fogo que calcina.

Pela anciã infeliz que sofre e chora
E que o céu implora
Que volte eu logo para estar com ela;
Por minha mãe, boêmios, que é doçura
Vertida em minha amargura
E nesta noite de minha vida estrela....

O boêmio calou; nenhum acento
Profanou o sentimento
Nascido da dor e da ternura,
E pareceu que sobre aquele ambiente
Flutuava imensamente
Um poema de amor e de amargura.

Saturday, January 05, 2008

UM POETA CUBANO


MI CASA

Felix Pita Rodriguez

Una de cal y otra de luna,
esta es la fórmula precisa,
una de cal y otra de luna.

Sobre la puerta, la divisa
en el escudo del frontón.
Sobre la puerta la divisa:

“En lo más alto el corazón.”
Nada lo estorbe ni lo impida:
En lo más alto el corazón.

Que él ponga el precio y él decida
- si es contra mí, tanto peor -,
que él ponga el precio y él decida:

Siempre diré: tuvo razón.

(De: Tarot de la poesia, 1971-1972)

A Minha Casa

Uma de cal e outra de lua,
esta é a fórmula precisa,
uma de cal e outra de lua.

Sobre a porta, a divisa
Um escudo no portão.
Sobre a porta a divisa:

"No mais alto o coração."
Nada o estorve nem o impeça:
no mais alto o coração.

Que ponha o preço e o decida
- se é contra mim, tanto pior-,
que ponha o preço e o decida:

Sempre direi: teve razão.

Tuesday, December 18, 2007

UMA POETISA DO PERU



VICTORIA

Blanca Varela

Volver el rostro,
no por demasiado tiempo.

¿Fue el ocaso de siempre
O um alba dejada atrás?

Amor,
paisaje que el tiempo corrige sin tregua.

La primavera es breve
a ambos lados del camino.

Vitória

Voltar o rosto,
Não por demasiado tempo.

Foi o ocaso de sempre
Ou o amanhecer deixado para trás?

Amor,
paisagem que o tempo corrige sem trégua.

A primavera é breve
em ambas as margens do caminho.

Monday, December 17, 2007

A ESCOLHA DO NOSSO GUIA


Quando esteve em Porto Velho Jorge Mautner, no seu show no Teatro Um do Sesc, me deu a honra de recitar uma poesia minha. Claro que fiquei muito feliz com o fato embora todo errado. Algumas pessoas me pediram para colocar a poesia disponível o que faço agora neste blog:

POESIA DA DANÇA

Vê é tão simples. De repente a mão
Na mão, o olhar no olhar, uns beijos.
Por que complicar? Não exija a razão.
De todo modo virá com o tempo.

Mas, com o tempo, virão outras coisas
Como a perda da magia, a dor e até
O tédio. De repente não há remédio
E, se tivermos, o mal não tem mais cura.

Segura o tempo!Segura! A mão agora
Oferece tanto. Não deixa de ser belo
O canto porque cessa. É tão lindo
Enquanto dura. Vamos, minha mão segura.

Por que temer ou colocar obstáculos
Contra o desejo que é tão natural?
Não contrarie a Natureza. Sê a presa
E a caçadora do prazer, que é tudo

Que nos resta quando o canto acaba.
A música da vida é feita de tais notas
E, se não se dança, no tempo certo,
Sobrevém o deserto e, também, se dança.

(De A Alquimia da Vida,1999)

Sunday, December 16, 2007



CANTO AO AMOR OCULTO

Como um passarinho vivo
Criando um ninho para o meu amor...

Hei de fazê-lo com as mais belas flores da floresta
e envolvê-lo com os mais doces cantos de outros pássaros
para cantar com os mais suaves sons que há.

Nem me importo de voar mais alto
Ou, de por longas distâncias, me cansar
Ou, se, na busca, venha a me machucar
Se os melhores e saborosos frutos recolher.

Só me importo, antes do luar aparecer, olhar seus olhos,
e cantar, no por do sol, o meu canto de glória,
pelo imenso amor que só posso ter

Que é mais belo ainda por ninguém perceber ....

Saturday, December 15, 2007

DOIS POEMAS DE UNGO



A PESAR DE TODO

Carlos Enrique Ungo

He sido despojado de la luz y la sonrisa
y avanzo lentamente
buscando un futuro que no me pertenece
pero que me aguarda
a pesar de todo.


APESAR DE TUDO

Fui despojado da luz e do sorriso
e avanço lentamente
buscando um futuro que não me pertence
porém que me aguarda,
apesar de tudo.

DESPEDIDAS

No desperdicies tu noche
el puño desafiante de mi odio.

Retrocede
y llévate contigo los poemas de amor
las miradas
las caricias
los secretos
compartidos a voces y en silencio.

Déjame completar el ritual del condenado
y compartir con aquellos
los ausentes
ese futuro que exige con premura
su cuota de presente.
Déjame ofrecer este último poema
con la cara al sol
y sonriente
para que luego
con el fusil al hombro y el odio en un bolsillo
me apreste a afinar la puntería.

DESPEDIDAS

Não desperdices tua noite
Com o punho desafiante de meu ódio.

Retrocede
e leva contigo os poemas de amor
os olhares
as carícias
os segredos
compartilhados a dois e no silêncio.

Deixe-me completar o ritual do condenado
e dividir com os ausentes
esse futuro que exige prematuramente
sua cota de presente.
Deixe-me oferecer este último poema
com o rosto ao sol
e sorridente
para que logo
com o fuzil no ombro e ódio no bolso
me apresse em acertar a pontaria.

Wednesday, December 05, 2007

UM POETA ESPANHOL


CAMPO

Antonio Machado

La tarde está muriendo
como un hogar humilde que se apaga.

Allá sobre los montes,
quedan algunas brasas.

Y ese árbol roto en el camino blanco,
hace llorar de lástima.

¡Dos ramas en el tronco herido, y una
hoja marchita y negra en cada rama!

¿Lloras?... Entre los álamos de oro,
lejos, la sombra del amor te aguarda.

(de Soledades, Galerías y otros Poemas, 1919)


CAMPO

A tarde está morrendo
como uma fogueira humilde que se apaga.

Além, sobre os montes,
restam algumas brasas.

E esta árvore rota no caminho branco,
faz chorar de pena.

OS Dois ramos no tronco ferido e uma
folha murcha e negra em cada ramo!

Choras? ... Entre os álamos de ouro,
longe, a sombra do amor te aguarda.

Tuesday, November 27, 2007

UMA POETISA DO URUGUAI


Decisión

Tirzah Ribeiro

Todo lo que haces o no haces
(al filo de la navaja decidiéndolo)
compromete el girar del mundo

hilo invisible
transparenta sin embargo
lo ingrato de cargar un mundo sobre el
hombro
cuando todo lo que de verdad quieres
es que el mundo se encargue
de llevarte
decidiendo por ti
lo que tú quieres

Decisão

Tudo o que fazes ou não fazes
(no fio da navalha decidindo)
compromete o girar do mundo

fio invisível
transparece sem embargo
o ingrato fardo de carregar um mundo
nos teus ombros
quando tudo o que de verdade queres
é que o mundo se encarregue
de levar-te
decidindo por ti
o que tu queres

UM POETA URUGAIO


DESPEDIDA

Líber Falco

La vida es como un trompo, compañeros,
la vida gira como todo gira,
y tiene colores como los del cielo.
La vida es un juguete, compañeros.

A trabajar jugamos muchos años,
a estar tristes o alegres, mucho tiempo.
La vida es lo povo y lo mucho que tenemos;
la moneda del pobre, compañeros.

A gastarla jugamos muchos años
entre risas, trabajos y canciones.
Así vivimos días y compartimos noches.
Mas, se acerca el invierno que esperó tantos años.

Cuando el sol se levanta despertando la vida
y penetra humedades y delirios nocturnos,
cómo quisiera, de nuevo, estar junto a vosotros
con mi antigua moneda brillando entre las manos.

Mas se acerca el invierno que esperó tantos años.
Adiós, adiós, adiós, os saluda un hermano
que gastó la moneda de un tiempo ya pasado.
Adiós, ya se acerca el invierno que esperó tantos años.

Despedida

A vida é como um pião, companheiros.
A vida gira como tudo gira,
e tem as mesmas cores do céu.
A vida é um brinquedo, companheiros.

De trabalhar brincamos muitos anos,
de estar tristes ou alegres, muito tempo.
A vida é o pouco e o muito que nós temos;
a moeda do pobre, companheiros.

De gastá-la brincamos muitos anos
entre risos, trabalhos e canções.
Assim vivemos dias e compartilhamos noites.
Mas se acerca o inverno que esperou tantos anos.


Quando o sol se levanta despertando a vida
e penetra umidades e delírios noturnos,
quisera novamente estar junto convosco
com minha antiga moeda a brilhar entre as mãos.

Mas se acerca o inverno que esperou tantos anos.
Adeus, adeus, adeus, os saúda um irmão
que gastou a moeda de um tempo já passado.
Adeus, já chega o inverno que esperou tantos anos.

Monday, November 26, 2007

UM POETA DE COSTA RICA



La contemplación de las horas.

César Gonzalez Granados

El insomnio es una casa abierta,
una recopilación de goteras golpeteando contra el piso,
la pena capital para Morfeo,
la reina incertidumbre, el peso por lo hecho,
el miedo por lo muerto, el tiempo para anhelarte,
el precio por tus besos.

El tiempo de algunas noches parece muerto,
y hay que velarlo en la contemplación de las horas
soñando despierto,
inventándome tonos similares a los tuyos
que me arrullen con su canto, para soñar con tu cuerpo.

El insomnio es el trance delicioso del recuerdo,
el trago de vinagre por miedo a morirse seco,
el resonar del reloj
con arritmia en los minutos,
las cataratas del cuerpo
y vos en un barril;
como decir, es el sueño…

A Contemplação das horas.

A insônia é uma casa aberta,
Uma compilação das goteiras golpeando de encontro ao assoalho,
A pena capital para Morfeu,
O reino da incerteza, o peso do fato,
O medo pelos mortos, o momento para desejar-te,
O preço por seus beijos.

O tempo de algumas noites parece morto,
E é necessário velá-lo na contemplação das horas
Sonhando desperto,
Inventando tons similares aos teus
Que sejam no seu canto, para sonhar com teu corpo.

A insônia é o momento delicioso da recordação,
O trago do vinagre pelo medo de morrer a seco,
O ressonar do relógio
Com arritmia nos minutos,
As cataratas do corpo
E duas vozes num tambor;
como a dizer, é o sonho.

Monday, November 19, 2007

NOVAMENTE CANESE



¡A CALLAR!

Jorge Canese

Aprendí a callar,
a sonreír
cuando era absolutamente necesario,
a correr, a no sentir,
a amar sin que se note,
a comer sin placer,
a olvidar pronto,
a vivir solo,
a pensar en los demás
para no pensar en uno mismo
y a rezar para no despertarme,
porque a veces
(aún a pesar de todo)
a uno le entran ganas de vivir
y como el monstruo sigue firme
a nuestro lado
no nos queda más remedio que olvidar
y recurrir a la oración,
al maratonismo y al silencio
para seguir huyendo y temiendo,
para no pensar
que algún día
las cosas puedan ser de otra manera.

( El trino soterrado, vol. II, 1986)

A Calar

Aprendi a calar,
a sorrir
quando era absolutamente necessário,
a correr, a não sentir,
a amar sem que se note,
a comer sem prazer,
a esquecer logo,
a viver só,
a pensar nos demais
para não pensar em si mesmo
e a rezar para não despertar,
porque, às vezes,
(ainda apesar de tudo)
surge um desejo de viver
e o monstro segue firme
ao nosso lado
mesmo se resta apenas o remédio de esquecer
e recorrer à oração,
ao maratonismo e ao silêncio
para continuar fugindo e temendo,
para não pensar
que outro dia
as coisas podem ser de outra maneira.

Saturday, November 17, 2007

UM POETA DO PARAGUAI


PARABOLA DE LA ROSA

Rubén Bareiro Saguier

Anoche un guardia,
un hombre con el rostro
oculto por una máscara de sombra,
entre las rejas me pasó una rosa
cortada de algún jardín público.
"Viene de afuera", me dijo,
y sentí que un hálito de vida
me invadía.
Supe que en el fondo del pozo,
en el charco de un pecho
puede florecer una rosa.
Aunque la felidez
la marchitó enseguida,
la rosa existe.
(De: Estancias, errancias, querencias, 1985)

A PARÁBOLA DA ROSA A noite um guarda,
um homem com o rosto
oculto por uma máscara de sombra,
entre os grades me passou uma rosa
cortada de algum jardim público.
“Vem de fora”, me disse,
e senti um hálito de vida
me invadir.
Supus que no fundo do poço,
No charco de um peito
pode florescer uma rosa.
Embora com o tempo
Tenha murchado em seguida,
a rosa existe.

NEM TE ENGANANDO...



Coraçãozinho ateu

Eu não sei não
Como foi que perdi
teu coração.
Ainda agora o tive
tão vivido.
na minha mão.

Não se pode nem dizer
Que não o tratei com carinho
Que não lhe dei ilusão.
Até dei uma pancadas nele
Tentando injetar adrenalina
pensando que tivesse salvação.

Ó coraçãozinho sem-vergonha!
Voou feito um passarinho
E nem cantou nem gemeu
Deve ser um coração ateu
nem acreditou
quando lhe disse
que era Deus!

Friday, November 16, 2007

AS FILHAS TAMBÉM SÃO DIFERENTES



SUSTINHO

Mamãe,
Tenho um breve comunicado:
-Fiz algo muito errado.
Tomei seu namorado.

Sei. É um homem muito mais velho do que eu,
Mas, quem, numa noite, já não se perdeu?
E, convenhamos, pagando tantas despesas
Deve ter uma boa conta bancária.
Posso ser jovem, porém não otária.
Aprendi a lição de tanto repetir
Não seria qualquer um
Que iria me seduzir.


Mamãe,
Repito o que me disse:
-Seja uma mulher de classe!
Se errei-tudo bem- valorizei meu passe.
O resto é tolice e se ajeita.
Só abusei de sua receita.

Não fique triste à-toa.
Depois da notícia ruim
Tenho uma boa:
-Parabéns, coroa!
Ou será melhor dizer vovó!

De "Poemas Mal Comportados"

AS MÃES JÁ NÃO SÃO AS MESMAS



Super-filha

Sinto lhe comunicar
Que, ontem, a senhora foi demais!
Fez coisas da quais nunca lhe julguei capaz.

Nunca critiquei seu desejo de ser moderna,
Mesmo quando abria as pernas
Para rapazes de dezesseis anos
Que podiam ser seus netos
E bêbada me embaraçava
Querendo dançar
Quando não conseguia se equilibrar.

Meu pai, que era acusado de ser sem-vergonha,
Sempre me aconselhou a contemporizar.
Me alertava: -Sua mãe é ótima.
Só tem o defeito de não saber amar
E das besteiras que faz
Costuma os outros culpar.

Até agüentei que me tomasse os namorados
E, se passasse, apesar dos risos, por minha irmã
Com a esperança sempre vã
De que uma hora fosse sossegar.
Afinal a idade sempre traz sabedoria.
E esperava, paciente, quem sabe...um dia.

Infelizmente preciso lhe informar com urgência
Que seu caso está tendendo para a demência;
Que não é bom nem delicado
Dizer que não tem homem na mesa
Por não querer pagar sua despesa
Nem lhe levar para a cama.
Afinal só a filha tem obrigação
De cuidar da mãe bêbada e insana.
Aconselho a não sair esta semana.

De "Poemas Mal Comportados"