Monday, August 10, 2009

AGOSTO, AGOSTO



Canto de Agosto

Agosto,
Este mês estranho,
Que não tem definição
Senão na própria passagem.

Dizem que pode ser à gosto
Ou o mês do desgosto
E nele sempre me encontro inquieto
Como se, no fundo da alma,
Apesar de velho
Uma alminha me avise:
-Fique esperto, criança.

Agosto, eterna esperança,
Mês em que nasceu minha mãe
E, no entanto,
Com quanta dificuldade te canto!

Ilustração: coisasquetal.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

DOS COMÉRCIOS INDISPENSÁVEIS



Farmácia

Esta loja da qual só me interessa
A balança
E, as vezes, meio às pressas,
Um preservativo,

Me parece agora
Inigualável
Na hora em que me dói a cabeça.

Não há melhor motivo
Para um poema, então,
Que sua confusa iluminação
Me mostrando a porta entreaberta
Que pressupõe um breve alívio
E da dor me liberta em drágeas.

Ah! Farmácia amiga,
Nem preciso que te diga
Como teu plantão é indispensável!

JOSÉ MATEOS


CANCIÓN 1

José Mateos

Todavía casi un niño
y te sentaste a esperar
a orillas del gran silencio.

Pensabas que estando a solas
con tu voz quizás pudieras
robarle al mar su secreto.

Se te fue la juventud.
Mudos pasaron los anos
y ahora estás hueco por dentro.

¿Podrías, si al fin sonara
del gran silencio el acorde,
llegar a cantar su eco?


Canção nº 1

Todavia quase uma criança
e te sentastes a esperar
nas margens do grande silêncio.

Pensavas que estando sozinho
Com tua voz talvez pudesses
roubar os segredos do mar.

Se foi a tua juventude.
Mudos passaram os anos
e agora estais vazio por dentro.

Poderia, se, ao fim, soasse
no grande silêncio o acorde,
ouvir cantar o seu eco?

Tuesday, August 04, 2009

SANDBURG



GYPSY

Carl Sandburg

I asked a gypsy pal
To imitate an old image
And speak old wisdom.
She drew in her chin,
Made her neck and head
The top piece of a Nile obelisk
and said:
Snatch off the gag from thy mouth, child,
And be free to keep silence.
Tell no man anything for no man listens,
Yet hold thy lips ready to speak. Cigana

CIGANA

Eu perguntei a uma amiga cigana
Como imitar os antigos anciãos
E falar com a velha sabedoria.
Ela coçou seu queixo,
Meneou a sua cabeça e o pescoço
Até o alto de uma peça de obelisco do Nilo
E disse:
Joga fora a chave da tua boca, criança,
E seja livre para manter o silêncio.
Diga não ao homem que não ouve nada de ninguém,
Ainda assim mantenha teus lábios prontos a intervir.





LOWELL


FRAGMENT

by Amy Lowell

What is poetry? Is it a mosaic
Of coloured stones which curiously are wrought
Into a pattern? Rather glass that's taught
By patient labor any hue to take
And glowing with a sumptuous splendor,
Transmuted fall in sheafs of rainbows fraughtmake
Beauty a thing of awe; where sunbeams caught,
With storied meaning for religion's sake.

FRAGMENTO

O que é poesia? É um mosaico
De pedras coloridas, que curiosamente é criado
Num padrão? Em vez do vidro que, se trabalhado,
Pelo paciente labor pode tomar qualquer matiz
E brilhar com suntuoso esplendor,
É a palavra transformada numa chuva de arco-iris estilhaçados
Que embeleza as coisas magnificamente e, como raios do sol capturados,
Forja os andares do significado da religião do amor.

Wednesday, July 29, 2009

SÓ HÁ UM



Caminho

Se a festa não começa e a tristeza não termina
Que me importa, menina,
Se a vida é meu brinquedo?
Sem saber e sem segredo
Vou experimentando o medo
Do amanhã
Na luta vã,
Na luta vã
De quem sabe que não há final feliz
E mesmo assim lutando contradiz
A certeza
Que um dia há de não ter
Como nunca teve.
Afinal vê:
Certo é só o morrer!

Tuesday, July 28, 2009

MINORE


Mar abierto

Gito Minore

Sobre tu piel
naufragan restos mortales
de antiguos dolores.
El mérito de este pirata
recaerá en la habilidad
de reciclar los viejos trastos
para navegarte con incierta elegancia,
o bien,
en empeñar las últimas balas

derrivando los arcaicos vestigios
y, una vez, sin horizontes
nadar a la deriva
tu mar abierto.

Mar aberto

Sobre teus pés
Naufragam restos mortais
De antigas dores.
O mérito deste pirata
Recairá na habilidade
De reciclar os velhos trastes
Para te navegar com incerta elegância,
Ou bem,
Em empenhar as últimas balas

Derivando os arcaicos vestígios
E, uma vez, sem horizontes
Nadar à deriva
Em teu mar aberto.

Sunday, July 26, 2009

RECORDAR



LEMBRANÇAS

O seu rosto esmaga todas as minhas lembranças
Dançando,como dançavam, suas tranças,
No palco esfumaçado da recordação.
Sei não, sei não, sei não...

Sei sim. A ilusão permanece em mim
Sem remédio, sem meio, sem fim,
Multiplicando a dor que não se cura,
Derramando dos seus labios a doçura.

Abro os olhos sua imagem, rápida, some,
E fico como um louco a sussurar seu nome
Feito um segredo oculto e inatingível
Além, muito além, do que é possível!

De "Imagens da Incerteeza",1988.

Wednesday, July 22, 2009

FRUSTRAÇÃO MASCULINA



DEVANEIO

Sempre soube que havia nascido para ser Colombo
ou Alexandre,
Mas, de grande, só tenho a conta no bar
E a vontade de amar você
Que não passa mesmo que a vida,
Esta grande trapaça,
Tenha transformado meu território
Neste pequeno espaço
Entre o escritório, o bar, a casa
E, para ser o conquistador que imaginei,
Não sei o que faço
Como um pássaro preso no laço
Que não tem como voar.

Tuesday, July 21, 2009

BORGES


A un poeta menor de la antología

Jorge Luis Borges

¿Dónde está la memoria de los días
que fueron tuyos en la tierra, y tejieron
dicha y dolor y fueron para ti el universo?

El río numerable de los años
los ha perdido; eres una palabra en un índice.

Dieron a otros gloria interminable los dioses,
inscripciones y exergos y monumentos y puntuales historiadores;
de ti sólo sabemos, oscuro amigo,
que oíste al ruiseñor, una tarde.

Entre los asfodelos de la sombra, tu vana sombra
pensará que los dioses han sido avaros.

Pero los días son una red de triviales miserias,
¿y habrá suerte mejor que ser la ceniza,
de que está hecho el olvido?

Sobre otros arrojaron los dioses
la inexorable luz de la gloria, que mira las entrañas y enumera las grietas,
de la gloria, que acaba por ajar la rosa que venera;
contigo fueron más piadosos, hermano.

En el éxtasis de un atardecer que no será una noche,
oyes la voz del ruiseñor de Teócrito.

A um poeta menor da antologia

Onde está a memória dos dias
que foram teus na terra, e teceram
a sina e a dor que foram teu universo?

O rio numerável dos anos
os há perdido; és uma palavra num índice.

Deram a outros a glória interminável os deuses,
inscrições, resenhas e monumentos historiadores pontuais;
de ti só sabemos, obscuro amigo
que ouvistes um rouxinol, uma tarde.

Entre os asfódelos da sombra, a tua sombra em vã
pensará que os deuses foram avaros.

Porém, os dias são uma rede de misérias triviais,
E haverá sorte maior do que ser a cinza,
de que feita o esquecimento?

Sobre outros arrojaram os deuses
a inexorável a luz da glória, que olha as entranhas e enumera as fissuras,
da glória, que acaba por murchar a rosa que venera;
contigo forma mais piedosos, irmão.

No êxtase de um entardecer que não será uma noite,
ouves a voz do rouxinol de Teócrito.

UM GATO DE BORGES


A un gato

Jorge Luis Borges


No son más silenciosos los espejos
ni más furtiva el alba aventurera;
eres, bajo la luna, esa pantera
que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
divino, te buscamos vanamente;
más remoto que el Ganges y el poniente,
tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
caricia de mi mano. Has admitido,
desde esa eternidad que ya es olvido,
el amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.

A um gato

Não são mais silenciosos os espelhos
nem mais furtiva a madrugada aventureira;
és sob a lua, esta pantera
que nos é dado divisar de longe.
Por obra indecifrável de um decreto
divino te buscamos em vão;
mais remoto que o Ganges e o poente,
tu és a solidão, és o segredo.
Tuas costas condescendente a morosa
carícia da minha mão. Tens admitido
desde essa eternidade que já és esquecido,
o amor da mão receosa.
Em outro tempo estais. És como o dono
de um espaço fechado como um sonho.

REVISANDO



POEMA BRANCO

Não há muitos planos a serem feitos mais.
Nem mesmo a espera de algo especial.
Nem mesmo razões para crer num amanhã
Que só pode me legar o esquecimento.

Você, que nada exigia, senão o amor
Me dava sonhos
Sem precisar do sono.
E, agora, até meus sonhos
São brancos, planos longos, espaços
Que jamais serão preenchidos....

É assim que lembro,
Com admiração, dos dias de amor
Da falta da necessidade de explicações,
Do quanto os dias eram doces e intensos
De prazer e gozo.
Nada do que fiz ontem, hoje, amanhã e depois
Pode ser mais igual.
Pode trazer de volta o perdão
Para o crime do tempo perdido.

Só me resta fazer um poema
Um triste poema, branco como os versos,
de um suicídio reconhecido.
A confissão plena
De que sempre fostes mais sábia do que minha instrução
jamais poderia entender.

E, agora, que entendo
tão pouca importa
se a vida passou e vivi sem viver
e só resta este corpo de alma morta,
um fantasma de amor que vagueia
solitário na vasta desolação.

E o vazio dos dias que virão me contempla
Enquanto o silêncio em volta
Parece amplificar tua voz
Que ressoa do passado
Voltando a me dizer:
“-Meu lindo, que importa isto se nós vamos morrer?”

Sunday, July 19, 2009

DIAS ESTRANHOS


ESTE DIA

Este dia não foi meu
Feito outros que não são.
Foi um dia que se perdeu
Por descaso ou distração.

Os dias que não são meus
De outros também não são.
Perdidos como os ateus
Só se salvam na canção.

Não tenho pressa de os perder
Nem desejo de os contar.
Ganho muito em não os ter
E, os tendo, em me perdoar.

ESCONDA BEM


O AMOR OCULTO

É impossível esconder este amor
Que os menores gestos e os olhos revelam
Oh! Meu amor, estamos tão felizes!
De todos e de tudos devemos esconder
É preciso jamais esquecer
Que a humanidade não suporta a felicidade,
o prazer
Que vê sempre como a embriaguez
Uma porta aberta para a desgraça
A quem sempre dá vez!

YEATS FORTEMENTE TRAÍDO



WORDS

William Butler Yeats

I had this thought a while ago,
'My darling cannot understand
What I have done, or what would do
In this blind bitter land.'
And I grew weary of the sun
Until my thoughts cleared up again,
Remembering that the best I have done
Was done to make it plain;
That every year I have cried, 'At length
My darling understands it all,
Because I have come into my strength,
And words obey my call';
That had she done so who can say
What would have shaken from the sieve?
I might have thrown poor words away
And been content to live.

Palavras

Há pouco tempo atrás pensei
“Minha querida toda incompreensão encerra
Do que fiz, ou quanto farei
Nesta cega e amarga terra”.

E do sol me afastei
Até meus pensamentos clarearem
Que meu melhor feito, ao que sei,
Foi de sempre expressar-me claramente.

Assim ano a ano repetirei: “Enfim,
Minha querida, entende tudo que meus termos expressem,
Pois, trago esta imensa força em mim
De que comando e as palavras me obedecem”.

Quem sabe, se assim fosse, poderia dizer
Que, talvez, seja possível outro final
Onde possa das pobres palavras me desfazer
Para somente viver afinal.

Ilustração: assimsimplesmenteeu.blogspot.com

Wednesday, July 15, 2009

BOCCANERA


Comentario VI

Jorge Boccanera

Si pierdo la memoria qué pureza
Pedro Gimferrer

oh Gimferrer si en verdad perdiese la memoria
si pudiera un día despertarme
no acordarme de nada
llegar hasta mi casa y no reconocerla
golpear su puerta y preguntar por mí
si pudiera olvidarme en realidad de
practicar la magia

si pudiera desconocer mi cama
mis zapatos mi último poema
el lugar donde se guarda el vino
y esta barba y aquella camisa
y olvidarme al fin de esa mujer
que sigue echando humo todavía.

(de Contraseña)

Comentário VI

Se perco a memória que pureza
Pedro Gimferrer

Oh! Gimferrer se na verdade perdesse a memória
Se pudesse um despertar
Sem recordar de nada
Chegar até minha casa e não reconhecê-la
Golpear sua porta e perguntar por mim
Se pudesse esquecer na realidade de
praticar a magia

Se pudesse desconhecer minha cama
Meus sapatos, meu último poema
O lugar onde se guarda o vinho
E esta barba e aquela camisa
E me esquecer, ao fim, desta mulher
Que segue exalando fumaça, todavia.
(de Contrasenha)

Monday, July 13, 2009

AMY LOWELL



Decade

by Amy Lowell

When you came, you were like red wine and honey,
And the taste of you burnt my mouth with its sweetness.
Now you are like morning bread,
Smooth and pleasant.
I hardly taste you at all for I know your savour,
But I am completely nourished.

Década

Quando tu chegastes estavas como vinho tinto e mel,
E o teu gosto queimou minha boca com a tua doçura.
Agora, na manhã, estais como pão,
Suave e agradável.
Eu não gosto de ti digo a todos os que conheço sobre o teu sabor,
Mas eu estou completamente saciado.

Saturday, July 11, 2009

SALDO



Hoje a poesia me coloca
Entre a escolha da fuga
ou do isolamento.
Não há mais meio em mim de ser poético,
Exceto se renuncio a ser real,
Guardando, como guardo em mim,
todas as mágoas do mundo.
E não posso cantar
O desespero de tanta vida
Inutilmente derramada
Quando as palavras já não dizem nada
E a poesia, que é tudo que me resta,
Me parece infantil, inútil e sem sentido.
Confesso: sou um poeta sem inspiração,
um menino perdido.

EPISÓDIO



Sob os céus coloridos de Xangai
Vou dançar,
Mas, podia ser em qualquer lugar
Onde ninguém me entendesse
E houvesse um alguém para amar.
Sei que a língua não é uma barreira
Que não entender pode ser uma alegria
Se a loucura como a vida for passageira
De um lugar, um luar, uma aventura.
Vou viver sem saber onde estou
Mergulhado no alcool e no amor
Até quando um chinês me sentir
Ou, sem dinheiro, tiver que partir.
Vou dizer um adeus sem chorar
Seja aqui ou outro lugar
Tudo é igual
Se o roteiro assim for
De morrer de bebida e de amor.

Tuesday, July 07, 2009

BÉCQUER


Amor Eterno

Gustavo Adolfo Bécquer

Podrá nublarse el sol eternamente;
Podrá secarse en un instante el mar;
Podrá romperse el eje de la tierra
Como un débil cristal.
¡Todo sucederá!
Podrá la muerte
cubrirme con su fúnebre crespón;
pero jamás en mí podrá apagarse
la llama de tu amor.

Amor eterno

Pode nublar-se o sol eternamente;
Pode secar num instante o mar;
Pode romper-se a terra no seu eixo
Como um débil cristal.
Tudo sucederá!
Pode a morte
Cobrir-me com seu manto fúnebre;
Porém, jamais, em mim, poderá apagar
A chama de teu amor.

Ilustração: By Analycia09 - See more amor eterno pictures

O VAZIO



El Vacío que Dejaste

Daniela Aragunde

Te fuiste de mi vida,
una mañana con olor a primavera
huiste como un rayo de luz
dejando en mi una profunda herida.

No sé como haré para llenar tu vacío
tan grande como el dolor que siento
y menos aún podré entender,
porque me has dejado en el olvido.

y ahora que te fuiste,
el cielo ya no es el mismo
la luna ya no brilla como antes,
pues no la admiro contigo

Triste y sola me encuentro
y solo me quedan tus recuerdos
una flor marchita, una vieja carta
y un amor golpeando en mi pecho.

O vazio que deixastes

Te fostes da minha vida,
Uma manhã com odor de primavera
Fostes como um raio de luz
Deixando em mim uma profunda ferida.

Não sei como farei para sanar o teu vazio
Tão grande como a dor que sinto
E menos ainda posso entender
Porque me deixastes sem me esquecer.

E agora que te fostes,
O céu já não é o mesmo
A lua já não brilha como antes,
Pois, não mais a admiro contigo

Triste e só me encontro
E só me sobram tuas recordações
Uma flor murcha, uma carta velha
E um amor golpeando no meu peito.

Ilustração: http://diariodeumcaranguejo.files.wordpress.com/2009/05/coracao-vazio.jpg

Monday, July 06, 2009

UM CEGO FELIZ



Tu fostes como o sol;
Como o sol fostes
E como o sol tu parecias
Ter vida e eternidade
Na larga fronte a aurora trazias
Com um sorriso que a tudo iluminava
E voltavas como surgias
Na hora certa brilhante e sedutora
A cada dia.
Como o sol tu fostes,
Como o sol tu és
Com uma luz tão forte
Que a cegueira me trouxe
E, mesmo na escuridão,
Vi a vida doce!

Ilustração: www.deuscego.blogspot.com/

CAI HAIS II



Um poeta morto

Os desastres sempre acontecem-
Só os inconscientes são felizes-
Apertou o gatilho e riu dos que padecem.

Ilustração: http://diariodeumpoetamorto.blogspot.com

CAI HAIS I



Consciência

Um dia se deu conta que a felicidade
É feito um papagaio no céu:
Levanta, rodopia e cai com velocidade.

Saturday, July 04, 2009

SER FELIZ



Minimal Sounds

Rita Redshoes

Bicycles, hats
Pianos and cats
Blue is my pillow
Red is my bed

Umbrellas, cakes
Planets and milkshakes
Pink is my heart
White is my flight

Make me see
Dreams in my house
Happiness in me

Sons mínimos

Bicicletas, chapéus
Pianos e gatos
Azul é minha almofada
Vermelha, minha cama

Guarda-chuvas, bolos
Planetas e leite
Pink é o meu coração
Branco é o meu voo

Faça-me ver
Que minha casa são os sonhos
Que a felicidade está em mim.

Ilustração: http://media.photobucket.com/image/felicidade/danimi_dias/felicidade32.jpg

DEFINIÇÕES



What is Love?

by Stuart Macfarlane

What is love that I would fight dragons to rescue you?
What is love that I would walk a million miles to be by your side?
What is love that I would steal the stars to make a sparking ring for you?
What is love?
I do not know but one thing is for certain,
I love you with all my heart and could not live without your love.

O que é o Amor?

O que é o amor que me faria lutar com dragões para resgatá-la?
O que é o amor que me faria andar a pé um milhão de milhas para estar ao seu lado?
O que é o amor que me faria roubar as estrelas para fazer um anel brilhante para você?
O que é o amor?
Eu não sei, mas uma coisa é certa,
Eu te amo com todo o meu coração e não poderia viver sem o seu amor.

Ilustração: http://um-pedaco-de-mim.blogspot.com/2009/02/amor-podemos-defini-lo.html

PRISMAS


Mirror, Mirror

by Spike Milligan

A young spring-tender girl
combed her joyous hair
'You are very ugly' said the mirror.
But,
on her lips hung
a smile of dove-secret loveliness,
for only that morning had not
the blind boy said,
'You are beautiful'?

Espelho, espelho

Uma jovem candidata a garota primavera
com seus cabelos penteados festivamente
"Está muito feia ”, disse o espelho.
Mas,
Nos seus lábios pendurados
um sorriso secreto de pomba com a graciosidade,
De uma manhã que não tinha
a cegueira do rapaz disse,
'Você está linda'?

Friday, July 03, 2009

INÚTIL


Afterbelievers

Paul Nguyen

Love is like your shadow, stop trying to chase after it,
because it'll run away from you.
Learn hard to walk away from it
than it'll come after you.

Depois das crenças

O amor é como a tua sombra, pare de tentar persegui-lo,
porque ele vai fugir de você.
Aprenda como é difícil a partir dele
que ele virá atrás de você.

Thursday, July 02, 2009

WILDE



La Fuite de la Lune

by Oscar Wilde

To outer senses there is peace,
A dreamy peace on either hand,
Deep silence in the shadowy land,
Deep silence where the shadows cease.

Save for a cry that echoes shrill
From some lone bird disconsolate;
A corncrake calling to its mate;
The answer from the misty hill.

And suddenly the moon withdraws
Her sickle from the lightening skies,
And to her sombre cavern flies,
Wrapped in a veil of yellow gauze.


O Voo da lua

Para outros sentidos é a paz,
Um sonho de paz em uma das mãos,
Profundo silêncio sombrio na terra,
Profundo silêncio onde as sombras cessam.

Salva como um grito que ecoa estridente
De algum pássaro solitário e desconsolado;
Uma codorna apelando para a sua companheira;
A resposta de uma colina enovoada.

E de repente a lua denuncia
Com sua foice nos brilhantes céus,
E, para sua sombria caverna voam as moscas,
Envoltas num véu de gaze amarela.

Wednesday, July 01, 2009

SEM CAMINHO


Caminhar

Eu quero caminhar e nada mais.
Não sigo tuas pegadas pelo cais
Nem olho para as velas junto ao porto.
Só caminho e nada mais.
Só caminho
Por um caminho morto.

Caminho mesmo onde não há caminho
E faço o caminho ao caminhar
Sem esperança de poder voltar
Ou te encontrar por acaso no caminho
Que não há.

Não olho para trás
Nem para as estrelas.
Só vejo as pedras e as cobras
Nas veredas
Que me cansam
Como a falta de ilusão.

BENEDETTI


Ayer

Mario Benedetti

Ayer pasó el pasado lentamente
con su vacilación definitiva
sabiéndote infeliz y a la deriva
con tus dudas selladas en la frente

ayer pasó el pasado por el puente
y se llevó tu libertad cautiva
cambiando su silencio en carne viva
por tus leves alarmas de inocente

ayer pasó el pasado con su historia
y su deshilachada incertidumbre/
con su huella de espanto y de reproche

fue haciendo del dolor una costumbre
sembrando de fracasos tu memoria
y dejándote a solas con la noche.

Ontem

Ontem o passado passou lentamente
com a sua vacilação definitiva
sabendo-te infeliz e à deriva
com tuas perguntas seladas na sua frente

Ontem passou o passado no poente
e levou tua liberdade tão cativa
mudando o teu silêncio em carne viva
contra os teus leves alarmes de inocente

Ontem passou o passado com tua história
e seu desgastado e incerto lume
com seu rastro de horror e reprovação

Foi fazendo da dor apenas um costume
semeando de fracassos tua memória
e deixando-te só com, da noite, a solidão.

Tuesday, June 30, 2009

AO SABOR DO VENTO



ROSA DE LOS VIENTOS

Alex Pausides

Esta noche alumbrada ferozmente por tus ojos
el azar hizo arder nuestros cuerpos
hasta dejarlos mojados limpios incorruptibles
La más violenta rosa de los vientos
Pálida y roja ordenanza de la furia
En mi rota camisa de fuerza
tremolas mis banderas al garete
Mujer habitada un fuego un velamen

Rosa dos Ventos

Esta noite ferozmente iluminada por teus olhos
Criou a oportunidade de arder os nossos corpos
Até deixá-los molhados limpamente incorruptíveis
A mais violenta rosa dos ventos
Pálida vermelha ordenadora da fúria
Na minha rôta camisa de força
Fez tremular as bandeiras à deriva
Mulher habitada pela fogo de uma vela

Thursday, June 25, 2009

POUND


Ité

Ezra Pound

Go, my songs, seek your praise from young and
from the intolerant,
Move among the lovers of perfection alone.
Seek ever to stand in the hard sophoclean light
And take your wounds from it gladly.

Ité

Vai, meus versos, buscar os teus louvores entre os jovens
e os intolerantes,
Move-te entre os amantes da perfeição somente.
Busca sempre permanecer sob a clara e severa luz de Sófocles
E dela recece teus ferimentos alegremente.

Wednesday, June 24, 2009

PERI ROSSI


R.I.P.

Cristina Peri Rossi

Ese amor murió
sucumbió
está muerto
aniquilado fenecido
finiquitado
occiso perecido
obliterado
muerto
sepultado
entonces,
…………………¿porqué late todavía?


“Inmovilidad de los barcos” 1997



Este amor morreu
Sucumbiu
Está morto
Aniquilado fenecido
Fuzilado
Falecido perecido
Enterrrado
Morto
Sepultado,
Então,
........Por que lateja todavia?

Monday, June 22, 2009

ROUBEI DA SOFTVELVET



Fui no blog da Ines Mota, www.softvelvet.blogspot.com e vi o poema que gostei e, sem pedir, traduzi numa homenagem a ela que tem muito bom gosto e talento.

(Leonid Afremov)

y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad.

entre vasos vacíos y ceniceros sucios,

qué hermoso era saber que estabas
ahí como un remanso,
sola conmigo al borde de la noche,
y que durabas, eras más que el tiempo,

eras la que no se iba
porque una misma almohada
y una misma tibieza
iba a llamarnos otra vez
a despertar al nuevo día,
juntos, riendo, despeinados.


e que o prazer que, juntos, inventamos
seja outro sinal de liberdade.

entre copos vazios e cinzeiros sujos,

que beleza era saber que estavas linda
ali como um remanso
só comigo na beira da noite
e que duravas mais do que o tempo

épocas que não iam
porque um mesmo travesseiro
e uma mesma fraqueza
ia nos chamar outra vez
no despertar de um novo dia
que surgia nos vendo juntos, rindo, despenteados.

ESTADOS CRÍTICOS


APESAR DE MIM

Hoje esta tristeza que me invade
Só mostra
Que, em algum lugar,
Deixei a felicidade passar.
Talvez por ter fechado a porta,
Por não ter seguido outro caminho,
Por não ter aberto a janela,
Por não perceber um olhar.
Olho o sol forte e a vida continua bela
Mesmo sem, para eu, brilhar.

Friday, June 19, 2009

KILMER



Trees

Joyce Kilmer

I think that I shall never see
A poem lovely as a tree.

A tree whose hungry mouth is prest
Against the earth’s sweet flowing breast,

A tree that look at God all day
And liffs her leafy arms to pray;

A tree that in warm summer wear
A nest of robins in her hair;

Upon whose bosom snow has lain;
Who intimately lives with rain.

Poems are made by fools like me,
But only God can make a tree.

Arvores

Eu penso que não verei nunca
Uma poesia tão bela quanto uma árvore.

Uma arvore que é uma boca faminta aberta
Para o hálito doce e flutuante da terra.

Uma árvore que olha para Deus o dia todo
Com os braços de folhas estendidos numa prece.

Uma árvore que quando vem o verão quente
Acolhe um ninho de sábias nas suas folhagens

E quando a neve põe seu branco diadema
Convive com a chuva na maior intimidade.

Poesias podem ser feitas por tolos como eu,
Mas, somente Deus pode fazer uma árvore.

Saturday, June 13, 2009

DICKSON



Heart, We Will Forget Him

Emily Dickinson


Heart, we will forget him,
You and I, tonight!
You must forget the warmth he gave,
I will forget the light.

When you have done pray tell me,
Then I, my thoughts, will dim.
Haste! ‘lest while you’re lagging
I may remember him!
Coração, vamos esquecê-lo

Coração, vamos esquecê-lo,
Você e eu, a noite!
Você tem que esquecer o carinho que ele deu,
Eu irei esquecer a luz.

Quando você tiver feito sua prece diga-me,
Então, eu, meus pensamentos, vão escurecer.
Ímpeto! Enquanto você estiver em atraso
Eu posso lembrar dele!

TAGORE OUTRA VEZ


The Water is silent

Tagore

The fish in the water is silent,
the animals on the earth is noisy,
the bird in the air is singing.
But man has in him the silence of the sea,
the noise of the earth
and the music of the air.

The meaning of our self
is not to be found in its separateness from God and others,
but in the ceaseless realisation of yoga,
of union.

The newer people,
of this modern age,
are more eager to amass than
to realize.

O silencio da água

Os peixes na água são silenciosos,
os animais na terra são barulhentos,
o pássaro no ar está cantando.
mas, o homem tem em si o silêncio do mar,
o ruído da terra
e a música do ar.

O significado de nossa independência
não é para ser encontrado na separação de Deus e dos outros,
mas na realização incessante da ioga,
de união.

As pessoas mais novas,
nesta idade moderna,
são mais ansiosas para acumular
do que para perceber.

TAGORE


Life

Tagore

Life is given to us,
we earn it by giving it.
~
Let the dead have the immortality of fame,
but the living the immortality of love.
~
Life's errors cry for the merciful beauty
that can modulate their isolation into a
harmony with the whole.
~
Life, like a child, laughs,
shaking its rattle of death as it runs.

A Vida

A vida é dada para nós,
nós temos que ganhá-la vivendo.
~
Deixe os mortos terem a imortalidade da fama,
mas, vivamos a imortalidade do amor.
~
Os erros da vida choram a misericordiosa beleza
que podem modular o seu isolamento dentro
da harmonia com o todo.
~
A vida, como uma criança, ri,
agitando seu guizo da morte, uma vez que é executado.

Wednesday, June 10, 2009

SARA TEASDALE


The Kiss

Sara Teasdale

I hoped that he would love me,
And he has kissed my mouth,
But I am like a stricken bird
That cannot reach the south.

For though I know he loves me,
To-night my heart is sad;
His kiss was not so wonderful
As all the dreams I had.

O Beijo

Eu esperava que ele me amasse,
E ele já beijou a minha boca,
Mas eu sou como um pássaro ferido
Que não pode alcançar o sul.

Por que eu sei que ele me ama,
Esta noite o meu coração está triste;
Seu beijo não foi assim tão maravilhoso
Quanto em todos os sonhos que tive.

DOS EUA



THE LOST ART OF SWOONING

Judith Pordon.

.....Attentive, polite and pliable,
.........never looking like a wreck,

............with lotioned palms, sculpted nails
...............draped around his solid neck,

...................she curves into his leading,
..................sways in his strong arms,

................dances through the marble
..............of his hardening charms.

...........She sways before his smile,
......pretending it's the wine,

....he dips her, as her long curls
.....swirl around him like a vine.

.....Contentedly off center,
......and elegant in receiving,

..........shes not from the United States,
............where a swoon would ruin the evening.


A arte perdida de desmaiar

...... Atencioso, educado e maleável,
......... nunca parecendo um navio naufragado,

............ loções nas palmas, unhas esculpidas
............... em torno de sólidos pescoços vestidos,

................... ela curvas, na sua direção,
.................. enfeites nos seus braços fortes,

................ danças através do mármore
.............. de seu endurecido charme

........... Ela preparando antes seu sorriso,
......fácil fingindo que é o vinho,

.... ele mergulhando nela, como longos cachos
.....em redemoinho em torno dele como uma vinho.

..... Contentamento deslocado
...... e elegância em receber,

.......... Ela não oriunda dos Estados Unidos,
............ onde um chilique iria estragar a noite.

Ilustração: www.ligeiramentelouca.blogger.com.br/

Saturday, June 06, 2009

OUTRA VEZ BENEDETTI


ONCE

Mario Benedetti

Ningún padre de la iglesia
ha sabido explicar
por qué no existe
un mandamiento once
que ordene a la mujer
no codiciar al hombre
de su prójima.

Onze

Nenhum padre da igreja
Sabe explicar
Porque não existe
Um mandamento onze
Que ordene a mulher
Não cobiçar ao homem
De sua próxima.

BENEDETTI


TEORÍA DE CONJUNTOS

Mario Benedetti

Cada cuerpo tiene
su armonía y
su desarmonía.
En algunos casos
la suma de armonías
puede ser casi
empalagosa
En otros
el conjunto
de desarmonías
produce algo mejor
que la belleza.


Teoria dos conjuntos


Cada corpo tem
Sua harmonia e
Sua desarmonia.
Em alguns casos
A soma das harmonias
Pode ser quase
Melosa
Em outros
O conjunto
De desarmonias
Produz algo melhor
Que a beleza.

EGUREN




Canción cubista

José María Eguren

Alameda de rectángulos azules.

La torre alegre
Del dandy.

Vuelan
Mariposas fotos.

En el rascacielo
Un gallo negro de papel
Saluda la noche.

Más allá de Hollywood,
En tiniebla distante
La ciudad luminosa,
De los obeliscos
De nácar.

En la niebla
La garzona
Estrangula un fantasma.

Canção Cubista

Alameda de retângulos azuis.

A torre alegre
do dândi.

Voam
Borboletas imagens.

No arranha-céu
Um galo negro de papel
Saúda a noite.

Mais além de Hollywood
Na escuridão distante
A cidade luminosa,
Dos obeliscos
De nácar.

No nevoeiro
A garçonete
Estrangula um fantasma.

UM POETA PERUANO




La luz de Varsovia


José María Eguren

Y en la racha que sube a los techos
Se pierden, al punto, las mudas señales,
Y al compás alegre de enanos deshechos
Se elevan divinos los cantos nupciales.

Y en la bruma de la pesadilla
Se ahogan luceros azules y raros,
Y, al punto, se extiende como nubecilla
El mago misterio de los ojos claros.

A luz de Varsóvia

E na rachadura que sobe para o teto
Se perdem, no ponto, os mudos sinais,
E o compasso alegre de pequenos resíduos
Se elevam divinos como cantos nupciais.

E na névoa do pesadelo
Se afogam astros azuis e raros
E, no ponto, se espalha como nuvens
O mágico mistério dos olhos claros.





Ilustração: somentevarsovia.blogspot.com/

Friday, June 05, 2009

O MOTIVO



Manuel Zequeira y Arango

Canta el forzado en su fatal tormento,
Y al son del remo el marinero canta,
Cantando, al sueño el pescador espanta,
Y el cautivo cantando está contento:

Al artesano en su entretenimiento
Le divierte la voz de su garganta;
Canta el herrero que el metal quebranta,
Y canta el desvalido macilento.

El más infortunado entre sus penas
Con la armónica voz mitiga el llanto,
Y el peso de sus bárbaras cadenas;

Pues si el dulce cantar consuela tanto
Al mísero mortal en sus faenas,
Yo por burlar mis desventuras canto.

O motivo de meus versos

Canta o forçado em seu fatal tormento,
E ao som do remo o marinheiro canta,
Cantando o sono o pescador espanta,
E o cativo cantando está contente:

Ao artesão em seu entretenimento
O diverte a voz de sua garganta;
Canta o ferreiro que o metal quebranta
E canta o desvalido macilento.

O mais desafortunado em suas penas
com a harmônica voz mitiga o pranto,
E o peso de suas bárbaras cadeias;

Pois, o doce cantar consola tanto
Ao misero mortal nas suas fainas,
Eu para enganar minhas desventuras canto.

LEÓN


MAZAZO

Rafael de León

Sonó la palabra "dinero"
y todo lo echaste a rodar
y en vez de decirte: "Te quiero",
te dije: -¿Qué quieres cobrar?-

Y me valoraste las rosas,
poniéndole precio al jardín
y fueron tomando las cosas
un tono metálico y ruin.

Y aunque esta verdad me traspasa,
prefiero saber la verdad:
que al mes, pago luz, pago casa
y pago la felicidad.

Soprar

Soou a palavra "dinheiro"
e tudo tu fizestes rodar
e em vez dizer: "Te quero"
Eu disse: - O que queres cobrar? -

Eu avaliei em rosas
colocando preço no jardim
e foram tomando as coisas
um tom metálico e ruim.

E ainda que esta verdade me ultrapasse,
Eu prefiro saber a verdade:
que ao mês, pago a energia, pago casa
e pago pela felicidade.

LEÓN DE NOVO


ENCUENTRO

Rafael de León

Me tropecé contigo en primavera,
una tarde de sol delgada y fina,
y fuiste en mi espalda enredadera
y en mi cintura, lazo y serpentina.

Me diste la blandura de tu cera
y yo te di las sal de mi salina.
Y navegamos juntos, sin bandera,
por el mar de la rosa y de la espina.

Y después, a morir, a ser dos ríos
sin adelfas, oscuros y vacíos,
para la boca torpe de la gente...

Y por detrás, dos lunas, dos espadas,
dos cinturas, dos bocas enlazadas
y dos arcos de amor de un mismo puente.

Encontro

Eu tropecei contigo na Primavera
uma tarde de sol delgada e fina,
E fostes, na minha espádua, enredadeira
e na minha cintura, laço e serpentina.

Me destes a suavidade de tua cera
e eu te dei o sal de minha salina.
E nós navegamos juntos, sem bandeira,
pelo mar da rosa e da espinha.

E depois de morrer, para ser dois rios
sem arbustos, escuros e vazios,
para a boca torpe do povo ...

E por trás deles, duas luas, duas espadas,
duas cinturas, duas bocas enlaçadas
e dois arcos de amor da mesma ponte.

UM POETA CUBANO


A NARCISA EN SUS DÍAS

Manuel Zequeira y Arango

¡Qué estupendo banquete, qué función
Te preparo, oh Narcisa, que festín
Tendrás las ricas frutas de Turín,
Las tortas te vendrán desde Tolón.

El rey de Esparta tocará el violón,
El de Palmira trinará un violín
Y Alejandro vendrá con el flautín
Que tocaba el ilustre Agamenón.

Treinta mil reposteros te vendrán
De Pekín, de Moscú y de Jaén
Y un millón de princesas de Tetuán:

De Sajonia será dorado el tren;,
Y contigo los dioses beberán
Del licor que bebió Matusalén.

A Narcisa em seus dias

Que estupendo banquete, que função
Te preparo, oh Narcisa, que festa
Aproveite as ricas frutas de Turim,
Os bolos que te virão de Toulon.

O rei de Esparta tocará o violão,
E de Palmira trinará um violino
E Alexandre virá com o flautim
Que tocava o ilustre Agamenon.

Trinta mil reposteiros te virão
De Pequim, de Moscou e de Jaen
E um milhão de princesas Tetuán:

Da Saxônia virá um trem dourado,
E os deuses irão beber com você
Do licor que bebeu Matusalém.