Sunday, August 01, 2010

PURA DISTRAÇÃO



Dull Boy

by Mudvayne

All work and all play makes me a dull boy...

Live in a secret, life in a lie
Live in a dark hole beneath the black sky
Live like a martyr and draw my last breath
Feel like and old man with a knife in my chest

Live like a chancey, live lika a thief
Hiding in a closet griding my teeth
Sit in a small room with the walls closing in
Open the shutters but everything still

Papers!
For all the things, I've done in my past
Papers!
For everything, there are no take backs

I'm not the reason, It's no my fault
It's not my problem, I'm not the cause
I'm not your scape goat, I'm not your god
I'm not your martyr, I'd leave you all

All work and all play makes me a dull boy
Feel like a clown without my funny nose
Walk to the window break it out with my fist
Jump from the ceil and ill plunge to my death
You can be selfish, whatever you think
Throw back my pills and a sip of my drink

Walk under the ground
Walk under the trees
Always again covering me

Papers
For all the thing, I've done in my past

I'm not the reason, It's no my fault
It's not my problem, I'm not the cause
I'm not your scape goat, I'm not your god
I'm not your martyr, I'd leave you

Sunshine is gone
It's all gone

By the way, just so you know
Always, this is how I feel

By the way, just so you know
Always, everything, this is how I feel

I'm not the reason, It's no my fault
It's not my problem, I'm not the cause
I'm not your scape goat, I'm not your god
I'm not your martyr, I'd leave you

This is how I feel
By the way, just so you know
Always, everythig, this is how I feel

Menino chato

Todo o trabalho e todo o jogo que me faz um garoto chato ...

Vivo em segredo, a vida em uma mentira
Vivo num buraco negro no céu escuro
Vivo como um mártir a tirar o meu último suspiro
Sinto-me como um homem velho com uma faca no meu peito

Vida dê-me uma chance, faça-me um ladrão
Escondendo-se num armário rangendo meus dentes
Sinto-me numa pequena sala com as paredes se fechando
Abro as janelas, mas, tudo ainda me comprime.

Papéis!
Por todas as coisas, que eu fiz em meu passado
Papéis!
Por todas as coisas, não há nenhum para retomar

Eu não sou a razão, não tenho culpa
Não é problema meu, eu não sou a causa
Eu não sou o seu bode expiatório, eu não sou seu deus
Eu não sou o seu mártir, só quero deixar todos

Todo o trabalho e todo o jogo me faz um menino chato
Sinto-me como um palhaço sem um nariz engraçado
Caminho para quebrar a janela com a força de meu punho
Salto além do teto e mal para minha morte
Você pode ser egoísta por si mesmo, enquanto pensa
Devolva os meus comprimidos e um gole da minha bebida

Caminho sob a terra
Ando sob as árvores
E tudo sempre de novo me cobrindo

Papéis
Para todas as coisas, eu fiz no meu passado

Eu não sou a razão, não é minha culpa
Não é problema meu, eu não sou a causa
Eu não sou o seu bode expiatório, eu não sou seu deus
Eu não sou o seu mártir, só quero deixá-lo

O sol está sumindo
Tudo se foi

Vou pelo caminho, só assim você sabe
Sempre, de todas as coisas, assim é como me sinto

Vou pelo caminho só assim você sabe
Sempre, de todas as coisas, de como me sinto

Eu não sou a razão, não é minha culpa
Não é problema meu, eu não sou a causa
Eu não sou o seu bode expiatório, eu não sou seu deus
Eu não sou o seu mártir, só quero deixá-lo

Isto é como me sinto
vou indo pelo caminho, só assim você sabe
Sempre, de todas as coisas, assim é como me sinto

Saturday, July 31, 2010

JUAN GELMAN




Lo que pasa

Juan Gelman

Yo te entregué mi sangre, mis sonidos,
mis manos, mi cabeza,
y lo que es más, mi soledad, la gran señora,
como un día de mayo dulcísimo de otoño,
y lo que es más aún, todo mi olvido
para que lo deshagas y dures en la noche,
en la tormenta, en la desgracia,
y más aún, te di mi muerte,
veré subir tu rostro entre el oleaje de las sombras,
y aún no puedo abarcarte, sigues creciendo
como un fuego,
y me destruyes, me construyes, eres oscura como la luz.

O que se passa

Eu te dei meu sangue, meus sons,
minhas mãos, minha cabeça,
e o que é mais, a minha solidão, a grande dama,
como um dia maio dulcíssimo outono,
e o que é mais ainda, todo o meu esquecimento
para que te desfaças e dures na noite,
na tempestade, na desgraça,
e mais ainda, te dei a minha morte,
verás subir teu rosto entre as ondas das sombras
e ainda não posso abarcar-te, segues crescendo
como um incêndio,
a me destruir, me construir, és escura como a luz.

CORTAZAR



buenos deseos

Julio Cortazar

Si he de vivir sin ti, que sea duro y cruento.
La sopa fría, los zapatos rotos, o que en mitad de la opulencia
se alce la rama seca de la tos, ladrándome
tu nombre deformado, las vocales de la espuma, y en los dedos
se me peguen las sábanas, y nada me dé paz.
No aprenderé por eso a quererte mejor
pero desalojado de la felicidad
sabré cuanta me dabas con solamente a veces estar cerca

Bons desejos

Se hei viver sem ti, que seja difícil e sangrento.
A sopa fria, os sapatos rasgados, ou que, na metade da opulência
se eleve ao ramo seco da tosse seca, latindo-me
o teu nome deformado, as vogais de espuma, e nos dedos
se me peguem as folhas, e nada me dê paz.
Por que não aprenderei a te amar melhor,
porém, desalojado da felicidade
saberei o quanto me davas, por vezes, com apenas estar perto de mim.

E, POR FIM, O POETA DE BILBAO



Requiem aeternam donet tibi

Jon Juaristi

Tú, que de toda carne has tomado el camino,
solidario en la culpa de hermanos taciturnos,
¿esperabas acaso encontrar otra cosa
ques esta oquedad batida por élitros y valvas?
Que el corazón del hombre sea un vaso de infamia
nada importa a los ojos de dioses impasibles.

"Diario de un poeta recién cansado" 1985

Réquiem

Tu, que toda a carne tem tomado no caminho,
solidariedade na culpa de irmãos taciturnos,
Será que acaso esperavas encontrar outra coisa
que não a oca cavidade batida por conchas e asas?
Que é o coração do homem senão um copo de infâmia
Nada importa, aos olhos dos deuses impassíveis

MAIS JUARISTI



As man grows older

Jon Juaristi

Por mi edad turbulenta
-o sea, de los veinte a los cuarenta-,
mejor pasar como si sobre ascuas.
Bebí, amé (es un decir)
y gasté por encima
de lo que la prudencia aconsejaba.
Tú, que me envidias, debes
saber que cambiaría sin mirarla
tu juventud oscura por los años
de la edad turbulenta
en que trastabillé más de la cuenta.

"Los paisajes domésticos" 1992


Como o homem envelhece

Por minha idade turbulenta
-ou seja, dos vinte aos quarenta-
melhor passar como se sobre brasas.
Eu bebi, amei (por assim dizer)
e gastei mais
do que a prudência aconselhava.
Tu, que me invejas, deves
saber que trocaria sem olhar
tua juventude obscura pelos anos
da idade turbulenta
em que tropecei mais do que a conta.

JUARISTI NOVAMENTE



Reloj de melancólicos

Jon Juaristi
A Regaña Candina

Como una mala comedia de enredo,
así tus años mozos, por fortuna ya idos.

Querrías, sin embargo, que la frágil ternura
que todavía asocias a ciertas remembranzas
no fuera solamente ilusorio desvío
de la memoria al borde de su disolución.

Pues aunque te sobraran de una mano diez dedos
para sacar la cuenta de los instantes gratos,
aunque copia abundosa de amargura te empuje
hacia adelante siempre, desde el mojón anclado
en medio del camino, etcétera, te guarde
esta rara certeza de que atisbaste un día
algo parecido a la felicidad
contra las asechanzas de la vieja enemiga
cuando se borre el mundo tras la lluvia de otoño.
"Arte de marear" 1988


O relógio dos melancólicos


Como uma má comédia de enredo,
assim teus anos moços, por fortuna já foram.

Querias, sem embargo, que a frágil ternura
que todavia associas a certas relembranças
não fossem tão somente ilusório desvio
da memória próxima da dissolução.

Pois, ainda te sobraram de uma mão dez dedos
para sacar a conta dos instantes gratos,
ainda que a copia abundante de amargura te empurre
até adiante sempre, desde o marco ancorado
ao meio do caminho, etcetc, te guarde
esta rara certeza que tivestes um dia
algo parecido com a felicidade
contra as armadilhas da velha inimiga
quando o mundo se dissolve por trás das chuvas de outono.

JON JUARISTI



Las ollas de Egipto

Jon Juaristi


Qué inútil el recurso a los recuerdos
o al consuelo banal de otras caricias,
porque has perdido para siempre a aquélla
que devastó tu carne enamorada.

(Sólo el remordimiento prevalece).

"Diario de un poeta recién cansado" 1985

As ondas do Egito

Que inútil o recurso das recordações
ou ao consolo banal de outras caricias,
porque se perdeu para sempre aquela
que devastou tua carne enamorada.

(Só o arrependimento prevalece).

Monday, July 26, 2010

OSCAR HAHN



Lee, Señor mis versos defectuosos...

Oscar Hahn

Lee, Señor mis versos defectuosos
que quisieran salir pero no salen:
ya ves que poco valen mis esfuerzos
y mis desdichas ay qué poco valen

Con tu ayuda saldrían universos
de palabras preñadas pero salen
débiles moribundos estos versos:
deja que el último suspiro exhalen

Ayúdame, Señor: que no zozobre
en la mitad de este terceto pobre
mira estas ruinas: palpa su estructura

dónales lo que tengas que donarles:
y la vida que yo no supe darles
dásela tú, Señor, con tu lectura.

Lê, Senhor, os meus versos defeituosos

Lê, ó Senhor, os meus versos defeituosos
que queriam sair, porém, não saem:
Já vês que pouco valem os meus esforços
e os meus problemas, oh, tão pouco valem

Com a sua ajuda sairiam universos
de palavras grávidas, porém, não saem
débeis moribundos estes versos:
deixa que o último suspiro exalem

"Ajuda-me, Senhor, que não sossobre
na metade deste terceto pobre
Olha estas ruínas: apalpa a sua estrutura

Doa-lhe o que tenhas que doar:
e a vida que eu não soube lhes dar
dá-lhe tu, Senhor, com tua leitura.

OSCAR HAHN



Estrellas fijas en un cielo blanco...

Oscar Hahn

Estrellas fijas en un cielo blanco,
son los bellos sonetos pues no giran
en torno de orbe alguno
ni han rotado sus densas masas de catorce cifras

No reflejan la luz del sol tampoco
pero irradian su propia luz de adentro
Y en el albor parecen en reposo
o muertos cuyas tumbas son sus cuerpos

Y sin embargo las estrellas fijas
a veces bienhechoras o malignas
siempre de harta energía están cargadas

Y aunque hace miles de años extinguidas
su fulgor todavía nos alcanza
sea por vista o por astrología


Estrelas fixas num céu branco

Estrelas fixas num céu branco,
são os belos sonetos, pois, não giram
em torno de mundo algum
nem hão de ter rodado suas massas densas de catorze valores

Não refletem a luz solar tampouco,
porém, irradiam sua própria luz de dentro
E na madrugada parecem em repouso
ou mortos cujas tumbas são seus corpos

E, sem embargo, as estrelas fixas
às vezes benéficas ou malignas
sempre de energia estão carregadas

E, embora milhares de anos atrás extintas
o seu fulgor todavia nos alcança
seja pela visão ou pela astrologia

OSCAR HAHN



El hombre

Oscar Hahn

Emergió de aguas tibias
y maternales
para viajar a heladas
aguas finales.

A las aguas finales
de oscuros puertos
donde otra vez son niños
todos los muertos.

O homem

Emergiu das águas mornas
e maternais
para viajar às geladas
águas finais.

As águas finais
de portos obscuros
onde novamente são crianças
todos mortos.

Sunday, July 25, 2010

JON JUARISTI



Lauretta

Jon Juaristi

Ya cesaron las lluvias.
Ya perdieron su flor los jacarandáes.
Pronto me iré de aquí.

No hice muchos amigos.
No bajé a los infiernos como Lowry,
y nada me importabas
cuando te conocí.

Ojalá no te hubiera conocido,
boca de ajonjolí.
Ojalá no te hubiera querido
así.

Sólo espero que nunca la tristeza
te trate como a mí.

"Suma de varia intención" 1987


Lauretta

Já cessaram as chuvas.
Já perderam suas flores os jacarandás.
Pronto vou deixar aqui em breve.

Não fiz muitos amigos.
Não baixei aos infernos como Lowry,
e nada importava para mim
quando te conheci.

Oxalá não te tivesse conhecido,
boca de gergelim.
Oxalá não te houvesse querido
assim.

Só espero que nunca a tristeza
te trate como a mim.

UM GRANDE POETA DE BILBAO



Muchacha en la ventana

Jon Juaristi

Fumas. La tarde lenta
de julio va cayendo
sobre el cercano mar.
En esta larga huida
de la luz, solamente
la brasa del cigarro
y la brisa que mueve
los dos geranios mustios
parecen desasirse
de la paz mineral
(tan oscuros e inciertos
el mar de piedra pómez
y tus cabellos húmedos).

"Diario de un poeta recién cansado" 1985

A moça na janela

Fumaça. A tarde lenta
de julho vai caindo
sobre o mar próximo.
Neste longo vôo
de luz
somente a brasa do cigarro
e a brisa que move
os dois gerânios murchos
parecem se libertar
da paz mineral
(Tão obscuros e incertos
o mar de pedra pome
e teus cabelos molhados).

Claribel Alegria



Amor

Claribel Alegria

Todos lo que amo
están en ti
y tú
en todo lo que amo.


Amor

Todos os que amo
estão em ti
e tu
em tudo que amo.

Claribel Alegria



Ars poética

Claribel Alegria


Yo,
poeta de oficio,
condenada tantas veces
a ser cuervo
jamás me cambiaría
por la Venus de Milo:
mientras reina en el Louvre
y se muere de tedio
y junta polvo
yo descubro el sol
todos los días
y entre valles
volcanes
y despojos de guerra
avizoro la tierra prometida.

Ars poética

Eu,
poeta de profissão,
muitas vezes condenado
a ser obscuro
jamais me trocaria
pela Vênus de Milo:
ainda que se encontre no Louvre
e morra de tédio
acumulando poeira
eu descubro o sol
todos os dias
e entre os vales
os vulcões
e os resíduos de guerra
enquanto aguardo ansioso a terra prometida.

Claribel Alegria


Día de lluvia

Claribel Alegria

Nunca más esta lluvia
ni esa mancha de luz
en el peñasco
ni el borde
de esa nube
ni tu inmóvil sonrisa
fugitiva.
Nunca más este instante
que ya me dice adiós
desde tus ojos.

Dia de chuva

Nunca mais esta chuva
nem esta mancha de luz
sobre o penhasco
ou a borda
desta nuvem
nem teu imóvel sorriso
fugitivo.
Nunca mais este instante
que já me disse adeus
pelos teus olhos.

Claribel Alegria



Ausencia

Claribel Alegria

Hola
dije mirando tu retrato
y se pasmó el saludo
entre mis labios.
Otra vez la punzada,
el saber que es inútil;
el calcinado clima
de tu ausencia.


Ausência

Olá
disse olhando teu retrato
e surpreendido pela saudação
entre meus lábios.
Mais uma vez a punhalada,
o conhecimento é inútil;
o clima, seco,
com tua ausência.

Saturday, July 24, 2010

AUGIER DE VOLTA




No te voy a decir...


Angel Augier

No te voy a decir
que quiero ser la arena
que tus pies desnudos acaricie,
ni los rayos del sol que bajen jubilosos
a dorar más aún
la fina miel que forma tu epidermis,
ni el agua que la abrace con su espuma
ni el viento que la bese
y agite sus cabellos.

Sólo quiero pedirte que no dejes
que el beso y la caricia
de la arena y las olas,
de la luz y del aire,
destruyan la huellas de los míos
ni mi recuerdo que te sigue
como muda presencia inevitable.


Não vou te dizer ...

Não vou te dizer
que quero ser a areia
para acariciar teus pés descalços,
ou os raios do sol que baixem jubilosos
a dourar mais ainda
o fino mel que forma tua epiderme,
nem a água que te abraça com sua espuma
nem o vento a beijar
e agitar teus cabelos.

Só quero pedir-te para que não deixes
que beijos e carícias
da areia e das ondas,
da luz e do ar,
destrua os meus vestígios
nem memória que te segue
como silenciosa presença inevitável.

Angel Augier



Ansiedad

Angel Augier

Esta flor mía, viva luz sin reflejo,
ahogada en ella misma,
bebiéndose a mi sombra su más íntima savia,
su perfume más puro,
sintiendo en cada pétalo, la clausura del aire
y el secuestro del agua, de la nube, del árbol...

Esta flor mía, encendida, consumiéndose sola,
muerta en su propia música,
apretada en su tallo, quebrado ya de angustia;
quemándose a sí misma,
en tanto que la tierra desnuda su ternura
y es más ancha la vida,
y el canto,
y la mañana...

Ansiedade

Esta flor da minha, viva luz sem reflexo,
afogado em si mesma,
bebendo à minha sombra seu íntimo sabor,
seu perfume mais puro,
sentimento em cada pétala, a clausura do ar
e o seqüestro de água, da nuvem, da árvore ...

Esta flor minha, acendida, consumindo-se só,
morta em sua própria música
pressionado em seu caule, quebrado já de angústia;
queimando-se a si mesma,
enquanto que a terra desnuda sua ternura
e é mais larga que a vida
e o canto
e a manhã.

Friday, July 23, 2010

AINDA MONTEJO



La poesia

Eugenio Montejo

La poesía cruza la tierra sola,
apoya su voz en el dolor del mundo
y nada pide
ni siquiera palabras.

Llega de lejos y sin hora, nunca avisa;
tiene la llave de la puerta.
Al entrar siempre se detiene a mirarnos.
Después abre su mano y nos entrega
una flor o un guijarro, algo secreto,
pero tan intenso que el corazón palpita
demasiado veloz. Y despertamos.


Poesia

A poesia cruza a terra só,
apóia sua voz na dor do mundo
e nada pede
nem sequer palavras.

Vem de longe e sem hora, nunca avisa;
Tem a chave da porta.
Ao entrar sempre param para nos olhar.
Depois abre sua mão e nos entrega
uma flor ou uma pedra, algo secreto,
porém, tão intenso que o coração bate
muito rápido. E despertamos.

EUGENIO MONTEJO



Dura menos un hombre que una vela...

Eugenio Montejo

Dura menos un hombre que una vela
pero la tierra prefiere su lumbre
para seguir el paso de los astros.
Dura menos que un árbol,
que una piedra,
se anochece ante el viento más leve,
con un soplo se apaga.
Dura menos un pájaro,
que un pez fuera del agua,
casi no tiene tiempo de nacer,
da unas vueltas al sol y se borra
entre las sombras de las horas
hasta que sus huesos en el polvo
se mezclan con el viento,
y sin embargo, cuando parte
siempre deja la tierra más clara.

Dura menos um homem do que uma vela

Dura menos um homem que uma vela,
mas, a terra prefere a sua luz
para seguir os passos das estrelas.
Dura menos que uma árvore,
que uma pedra,
se anoitece ante o vento mais leve,
com um sopro se apaga.
Dura menos um pássaro,
um peixe fora d'água
quase não tem tempo de nascer,
dá algumas voltas ao sol e acaba
entre as sombras das horas
até que seus ossos na poeira
se misturam com o vento
e, sem embargo, quando parte
sempre deixa a terra mais clara.

Wednesday, July 14, 2010

Enrique Jaramillo Levi



Barco a la deriva

Enrique Jaramillo Levi

Hay que salvar la nave,
su tripulación,
el cargamento.
Sálvala tú que sabes el oficio,
que puedes tranquilizar el desorden
de las máquinas y el fragor de las olas
con el simple roce de tus dedos,
con el bálsamo de una sonrisa.
No permitas que naufrague
este terco barco a la deriva.
Ofrécele al final tu puerto,
condúcelo
a su muelle húmedo,
y verás cómo se aquieta
este incendio voraz
que me consume.

Barco à deriva

Temos de salvar o navio,
sua tripulação,
e o carregamento.
Salva tu que conheces o ofício,
que podes tranquilizar a desordem
das máquinas e o fragor das ondas
com o simples toque de teus dedos,
com o bálsamo de um sorriso.
Não permita que naufrague
este singelo barco à deriva.
Ofereça-lhe ao final teu porto
leva-o
a tua doca
e verás como se acalma
este incêndio voraz
que me consome.

Tuesday, July 13, 2010

Mia novamente



Hay dos caminos en mi vida...

Mía Gallegos

II
Hay dos caminos en mi vida. Siempre
los hubo. En cada uno hallé un ánfora
con el agua hasta los bordes. De las dos
aguas he bebido hasta saciarme. Mas
ahora, he llegado al final de cada trecho
y las aguas han sido consumidas.
Me coloco el peplo y te escojo a ti, vida,
como tercer camino.

Há dois caminhos em minha vida

Há dois caminhos na minha vida. Sempre
lá estavam. Em cada um encontrei um pote
com água até as bordas. Dos dois
bebi água até saciar-me. Mas,
Agora, cheguei ao fim de cada trecho
e as águas foram consumidas.
Coloquei o roupão e escolhi a ti, vida,
como um terceiro caminho.

Ilustração: fmodia.terra.com.br/.../200909archive001.asp

Mia Gallegos



Vuelvo a la noche

Mía Gallegos


De pronto vuelvo
a la noche
con mis zapatos de agua.

Me desnudo
en el lento
ejercicio de mis manos
y busco
solamente
un objeto mío,
un pequeño barco,
un cometa,
un circo de inventadas cosas,
figuras cotidianas,
tuyas y mías,
que amo.

Pero sé
que de pronto
me vuelvo inaccesible
y vuelvo a ser silencio
y llama oscura,
donde mi barco
se escapa de tu orilla.

Volto à noite
De repente volta
à noite
com meus sapatos de água.

Me desnudo
no lenta
exercício das minhas mãos
e busco
somente
um objeto meu,
um pequeno barco,
um cometa
um circo de coisas inventadas
figuras cotidianas,
tuas e minhas,
que amo.

Porém, eu sei
de repente
me torno inacessível
e volto a ser silêncio
e lama escura
onde o meu barco
escapa do seus laços.

Ilustração: umpontoazul.blogspot.com/2005_03_01_archive.html

Joguinho


É aqui
E é lá.
É em todo lugar
que se esteve
ou se está.

É aqui
e não é.
E é lá
e não é.
E é em lugar nenhum
que não se esteve
ou não se está.

Não desejo explicar
nem entender.
Deixo só
como está
pra você.

Saturday, July 10, 2010

AINDA GELMAN



El juego en que andamos

Juan Gelman

Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta salud de saber que estamos muy enfermos,
esta dicha de andar tan infelices.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta inocencia de no ser un inocente,
esta pureza en que ando por impuro.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
este amor con que odio,
esta esperanza que come panes desesperados.
Aquí pasa, señores,
que me juego la muerte.

O jogo que jogamos

Se me deixam eleger, eu elegeria
Esta saúde de saber que estamos muito enfermos,
Esta sorte de andar tão infelizes.
Se me deixam eleger, eu elegeria
Esta inocência de não ser um inocente,
Esta pureza em que ando tão impuro.
Se me deixam eleger, eu elegeria
Este amor com que odeio,
Esta esperança que come pães desesperadamente.
O que acontece, senhores,
É que jogo com a morte.

GELMAN



Epitáfio

Juan Gelman

Un pájaro vivía en mí.
Una flor viajaba en mi sangre.
Mi corazón era un violín.
Quise o no quise. Pero a veces
me quisieron. También a mí
me alegraban: la primavera,
las manos juntas, lo feliz.
¡Digo que el hombre debe serlo!
Aquí yace un pájaro.
Una flor.
Un violín.

Epitáfio

Um pássaro vivia em mim.
Uma flor viajava em meu sangue.
Meu coração era um violino.
Quis ou não quis. Porém, às vezes,
Me quiseram. Também a mim
Me alegravam: a primavera,
As mãos dadas, ser feliz.
Digo que o homem deve ser-lo!
Aqui jaz um pássaro.
Uma flor.
Um violino.

Ilustração: http://globalaio.wordpress.com/

JUAN GELMAN


Costumbres

Juan Gelman

no es para quedarnos en casa que hacemos una casa
no es para quedarnos en el amor que amamos
y no morimos para morir
tenemos sed y
paciencias de animal

Costumes

Não é para ficarmos em casa que fazemos uma casa
Não é para ficarmos no amor que nós amamos
E não morremos para morrer
Temos sede e
Paciências de animal.

Sunday, July 04, 2010

Juana de Ibarbourou



LA HORA

Juana de Ibarbourou


Tómame ahora que aun es temprano
y que llevo dalias nuevas en la mano.

Tómame ahora que aun es sombría
esta taciturna cabellera mía.

Ahora que tengo la carne olorosa
y los ojos limpios y la piel de rosa.

Ahora que calza mi planta ligra
la sandalia viva de la primavera.

Ahora que mis labios repica la risa
como una campana sacudida a prisa.

Después..., ¡ah, yo sé
que ya nada de eso mas tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo,
como ofrenda puesta sobre un mausoleo.

¡Tómame ahora que aun es temprano
y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no mas tarde. Antes que anochezca
y se vuelva mustia la corola fresca.

Hoy, y no mañana. ¡Oh amante! ¿no ves
que la enredadera crecerá ciprés?

A hora

Leve-me agora que é cedo
e eu levo dálias novas na mão.

Leve-me embora agora que é sombra
silêncio é a minha cabeça.

Agora que tenho a carne perfumada
e os olhos claros e a pele rosada.

Agora que calço no meu pé ligeiro
a sandália viva da primavera.

Agora que em meus lábios sobram risos
como uma campainha que ficou presa.

Depois ..., ah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!

Então, seu desejo será inútil,
como uma oferenda posta sobre um mausoléu.

Leve-me agora que é cedo
e eu tenho as mãos ricas de nardos!

Hoje, e não amanhã. Ò amante, não vês
que a trepadeira virará cipreste?

Sunday, June 20, 2010

Alfonsina Storni



VOY A DORMIR

Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.
Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Dejame sola: oyes romper los brotes…
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
para que olvides… Gracias.
Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido…

Vou dormir

Dentes de flores, tampa de spray,
mãos de ervas, tu, gentil enfermeira
me emprestes as folhas de terra
e um edredon de musgos encardido.
Vou dormir, minha doce mãe,vou para a cama.
Dê-me uma luz na cabeçeira;
uma constelação, o que tu gostas;
todas são boas, só baixa um pouco.
Deixe-me só: ouves os gomos quebrando ...
me embala um pé celeste lá de cima
e um pássaro irá traçar alguns compassos
para que esqueças ... Obrigado.
Ah, um pedido:
se ele chamar novamente por telefone
diga-lhe que não insista, que eu sai ...

Saturday, June 19, 2010

Wolfovitz



Si un Pájaro...

Karl Wolfovitz

Si un pájaro levanta el vuelo
no puedo inventar el poema,
si las flores se abren al sol
no puedo cantar mi pena,
si el agua del arroyo baja fría
no podré mojarme me apenas,
si las nubes ocultan el sol
no te veré tan joven y llena,
si llueve a cántaros
nos esconderemos en una cueva
y allí haremos el amor
------------- alocados
hasta que escampe la niebla
por encima de la cresta.

Se um pássaro ...

Se um pássaro levanta vôo
não posso inventar o poema,
se as flores se abrem ao sol
não posso cantar minha pena,
se a água corrente desce fria
não posso molhar-me apenas,
se as nuvens escondem o sol
não te verei tão jovem e plena,
se chove a cântaros
nos esconderemos numa caverna
e ali faremos amor
------------- como loucos
até que ele páre de chover e a névoa
por cima do cume se esfume.

Tuesday, June 15, 2010

Ruben Dário



La canción de la noche en el mar

Ruben Dário

¿Qué barco viene allá?
¿Es un farol o una estrella?
¿Qué barco viene allá?
Es una linterna tan bella
¡y no se sabe adónde va!
¡Es Venus, es Venus la bella!
¿Es un alma o es una estrella?
¿Qué barco viene allá?
Es una linterna tan bella…
¡y no se sabe adónde va!
¡Es Venus, es Venus, es Ella!
Es un fanal y es una estrella
que nos indica el más allá,
y que el Amor sublime sella,
y es tan misteriosa y tan bella,
que ni en la noche deja la huella
¡y no se sabe adónde va!

A canção da noite no mar

Que barco vem lá?
É um farol ou uma estrela?
Que barco vem lá?
É uma lanterna tão bela
E não se sabe onde vai!
É Venus, é Venus a bela!
É uma alma ou uma estrela?
Que barco vem lá?
É uma lanterna tão bela ...
E ninguém sabe vai!
É Venus, é Venus, é ela!
É um farol e é uma estrela
que indica mais além
e que o amor sublime sela,
e é tão misteriosa e tão bela
que nem na noite deixa rastro
E ninguém sabe onde vai!

Sunday, June 13, 2010

Dámaso Alonso



GOTA PEQUEÑA, MI DOLOR

Dámaso Alonso

Gota pequeña, mi dolor.
La tiré al mar.
Al hondo mar.
Luego me dije:
¡A tu sabor ya puedes navegar!
Más me perdió la poca fe...
La poca fe de mi cantar.
Entre onda y cielo naufragué.
Y era un dolor inmenso el mar.


Gota pequena, minha dor

Gota pequena, minha dor.
Eu a joguei no mar.
No fundo do mar.
Logo me disse:
Para o teu gosto já podes navegar!
Mas me perdeu a pouca fé ...
A pouca fé me fez cantar.
Entre o céu e a onda naufraguei.
E era uma dor imensa o mar.

UMA POESIA DE BREL



Jacques Brel

Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu'est notre grand amour
Quand on n'a que l'amour
Mon amour toi et moi
Pour qu'éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour
Quand on n'a que l'amour
Pour vivre nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d'y croire toujours
Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs
Quand on n'a que l'amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours
Quand on n'a que l'amour
Pour habiller matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours
Quand on n'a que l'amour
A offrir en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour
Quand on n'a que l'amour
A offrir à ceux-là
Dont l'unique combat
Est de chercher le jour
Quand on n'a que l'amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour
Quand on n'a que l'amour
Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson
Pour convaincre un tambour
Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains
Amis le monde entier.



Quando só temos o amor
Ao sofrer na partida
No dia da grande viagem
Que é o nosso grande amor
Quando só temos o amor
Meu amor, tu e eu
Na explosão de alegria
De cada hora de cada dia
Quando só temos o amor
Para viver nossas promessas
São nulas outras riquezas
Como muitos ainda acreditam
Quando só temos o amor
Para cobrir com as maravilhas
E cobrir com o sol
A feiúra dos subúrbios
Quando só temos o amor
È o único motivo
È a única canção
E o único recurso
Quando só temos o amor
Para vestir pela manhã
Pobres e vagabundos
casacos de veludo
Quando só temos o amor
Para oferecer em oração
Para os males da Terra
Tão simples
Quando só temos o amor
Para oferecer a estes
Cuja a única luta
É olhar para o dia
Quando só temos o amor
Para traçar um caminho
E forçar o destino
Em cada cruzamento
Quando só temos o amor
Para falar com canhões
E só uma canção
Para convencer um tambor
Assim, sem nada
Que o poder do amor
Temos em nossas mãos
Amigos em todo o mundo.

Saturday, June 12, 2010

RIMBAUD



Sensation

Rimbaud

Par
les soirs bleus d’été, j’irai dans les sentiers,

Picoté
par les blés, fouler l’herbe menue :

Rêveur,
j’en sentirai la fraîcheur à mes pieds.

Je
laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je
ne parlerai pas, je ne penserai pas :

Mais
l’amour infini me montera dans l’âme,

Et
j’irai loin, bien loin, comme un bohémien,

Par
la Nature, - heureux comme avec une femme.

Sensação

Nas tardes azuis de Verão, seguirei pelos
caminhos,

Guarnecidos pelos trigais,
pisando na erva miúda:

Sonhador, sentirei o
frescor nos meus pés.

Deixarei que o vento banhe
minha cabeça nua.

E não falarei mais, não
pensarei mais:

Mas, um amor infinito há de me
invadir a alma.

E irei longe, bem longe,
como um boêmio,

Pela natureza, - feliz
como se tivesse uma mulher.

Thursday, June 10, 2010

A REAL REVOLUÇÃO



Uma revolução não deve destruir muros
Ou derrubar paredes.
Deve vir em feitio de oração
Ou lenta e longa
Como os musgos que se criam nas pedras
E não revelar sua beleza
Senão quando a flor,
Com toda sua beleza,
Brotar ante o assombro
Dos que sempre contam
Com a inexistência da poesia.

Wednesday, June 09, 2010

José Martí



Cuando me puse a pensar

José Martí

Cuando me puse a pensar
La razón me dio a elegir
Entre ser quien soy, o ir
El ser ajeno a emprestar,

Mas me dije: si el copiar
Fuera ley, no nacería
Hombre alguno, pues haría
Lo que antes de él se ha hecho:
Y dije, llamando al pecho,
¡Sé quien eres, alma mía!?

Quando me pus pensar

Quando me pus a pensar
A razão pela qual me elegeu
Sendo quem sou, ou ir
Um outro estranho buscar,

Então me disse: se a cópia
Fora lei, não nasceria
Homem algum, pois, teria
que existir antes de ser feito:
E disse, chamando-me ao peito,
Seja quem és, alma minha?

Efrén Rebolledo


Los besos

Efrén Rebolledo

Dame tus manos puras; una gema
pondrá en cada falange transparente
mi labio tembloroso, y en tu frente
cincelará una fúlgida diadema.

Tus ojos soñadores, donde trema
la ilusión, besaré amorosamente,
y con tu boca rimará mi ardiente
boca un anacreóntico poema.

Y en tu cuello escondido entre las gasas
encenderé un collar, que con sus brasas
queme tus hombros tibios y morenos,

y cuando al desvestirse lo desates
caiga como una lluvia de granates
calcinando los lirios de tus senos.

Beijos

Dê-me tuas mãos puras, uma gema
Porei em cada falange transparente
Meus lábios trêmulos, e na tua fronte
Esculpirei um fulgurante diadema.

Teus olhos sonhadores, onde trema
A ilusão, beijarei amorosamente
E com tua boca rimará a minha ardente
Boca num anacreôntico poema.

E no teu pescoço escondido entre as gazes
Farei com beijos, e um colar brilhante, as pazes
Queimando teus ombros suaves e morenos,

E ao se despir das roupas, solta, sem nada,
As perolas em ti explodirão como uma granada
Como meus beijos nos lírios de teus seios pequenos.

Tuesday, June 08, 2010

BENEDETTI



Cálculo de probabilidades

Mario Benedetti

Cada vez que un dueño de la tierra
proclama
para quitarme este patrimonio
tendrán que pasar
sobre mi cadáver
debería tener en cuenta
que a veces
pasan.

Cálculo de probabilidades

Cada vez que um latifundiário
proclama
que para remover-me deste patrimônio
terão que passar
sobre o meu cadáver
devem ter em conta
que às vezes
passam.

Monday, June 07, 2010

Angel Gonzalez



¿CÓMO SERÉ

Angel Gonzalez

¿Cómo seré o
cuando no sea yo?
Cuando el tiempo
haya modificado mi estructura,
y mi cuerpo sea otro,
otra mi sangre,
otros mis ojos y otros mis cabellos.
Pensaré en ti, tal vez.
Seguramente,
mis sucesivos cuerpos
-prolongándome, vivo, hacia la muerte-
se pasarán de mano en mano
de corazón a corazón,
de carne a carne,
el elemento misterioso
que determina mi tristeza
cuando te vas,
que me impulsa a buscarte ciegamente,
que me lleva a tu lado
sin remedio:
lo que la gente llama amor, en suma.
Y los ojos
-qué importa que no sean estos ojos-
te seguirán a donde vayas, fieles.

Como serei?

Como serei
ou quando não serei eu?
Quando o tempo
mudar a minha estrutura,
e meu corpo seja outro
outro o meu sangue,
outros os meus olhos e outros meus cabelos.
Pensarei em ti, talvez.
seguramente
meus corpos sucessivos
-prolongando-me,vivo, até a morte-
se passaram de mão em mão
coração a coração,
de carne a carne,
o elemento misterioso
que determina a minha tristeza
quando te vais,
que me impulsiona a buscar-te cegamente
que me leva a teu lado
sem remédio:
o que a gente chama de amor, em suma.

E os olhos
-que me importa que sejam estes olhos-
te seguiram aonde vais, fiéis.

De novo Julio Martínez Mesanza



Nunca he visto gozosa la victoria

Julio Martínez Mesanza

Nunca he visto gozosa la discordia,
no conozco el olor que tiene el campo
después de la batalla. Nunca he visto
caballos sin jinete entre las picas
vagar y entre los muertos. No conozco
la voluntad de ser invulnerbale
ni el estupor que nace con la herida.

Nunca tive a alegria da vitória

Nunca vi a discórdia alegre
Não conheço o cheiro que tem o campo
depois da batalha. Nunca vi
cavalos sem cavaleiros entre as espadas
vagar e entre os mortos. Não conheço
a vontade invulnerável
nem o espanto que nasce com a ferida.

Julio Martínez Mesanza



No deja de llover

Julio Martínez Mesanza

No deja de llover sobre las ruinas
que rodean mi casa, vieja y pobre,
aislada en medio de este descampado.
No llueve igual más lejos, en los huertos
que nunca pisaré, ni en las ciudades
que conservan indemnes sus iglesias;
pero sí en las trincheras, en los fosos,
en los taludes donde fui soldado.
Y llueve igual que aquella amarga noche,
mientras pasaba la segunda hora
del frío turno que precede al alba,
la hora en que los vigías se abandonan
a las ensoñaciones y en que el miedo
y con él la atención desaparecen.

Não pára de chover

Não pára de chover sobre as ruínas
que rodeiam minha casa, velha e pobre,
isolada em meio ao descampado.
Não chove tanto assim, nos jardins
nunca pisarei, ou nas cidades
que conservam enxutas suas igrejas;
Porém, nas trincheiras, nos fossos,
nas encostas onde eu fui soldado.
E chove, como naquela noite amarga,
enquanto passava a segunda hora
do turno frio antes do amanhecer,
nas horas em as vigias se abandonam
para os sonhos e em que o medo
e com ele a atenção desaparecem.

Sunday, June 06, 2010

Traduzi esta canção de Serge Gaisnbourg



Por ser um retrato de uma época de gestos heróicos. Hoje a realidade é feita de mortes diárias, burocracias insensíveis, aparelhamento de estado, patrulhas não ideológicas e sem a menor canção ou poesia. Salve os guerrilheiros santos que não empunharam armas nem amaram o poder a qualquer custo.

Chatterton

Serge Gaisnbourg

Chatterton suicidé
Hannibal suicidé
Démosthène suicidé
Nietzsche fou à lier
Quant à moi
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

Chatterton suicidé
Cléopatre suicidé
Isocrate suicidé
Goya fou à lier
Quant à moi
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

Chatterton suicidé
Marc-Antoine suicidé
Van Gogh suicidé
Schumann fou à lier
Quant à moi
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

Chetterton

Chatterton se suicidou
Hannibal se suicidou
Demostenes se suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
Quanto a mim
Quanto a mim
E eu não vou nada bem

Chatterton se suicidou
Cléopatra, se suicidou
Isócrates se suicidou
Goya enlouqueceu
Quanto a mim,
Quanto a mim,
E eu não vou nada bem

Chatterton se suicidou
Marco Antonio se suicidou
Van Gogh se suicidou
Schumann enlouqueceu
E eu não vou nada, nada bem

Saturday, June 05, 2010

EU NÃO SOU CANDIDATO A COISA ALGUMA



Eu não sou candidato a nada- esta é a verdade.
Não tenho nem a plataforma para teu amor.
De fato agora cheguei numa idade
Em que de viver de enganar tenho pavor.
Minha única candidatura é à felicidade
Que sei ser um estado impossível,
Mas, podem espalhar pela cidade
Que ando atrás de tudo que é risível,
Pois, o único desejo que ainda tenho
È de rir muito, gargalhar feito um palhaço,
Deixando apenas amor e riso onde passo
E comer, beber e amar na medida do possível
Gozando em cada canto e cada espaço!

Teresa Royo



De ti recuerdo

Teresa Royo

de ti
recuerdo la hoguera,
el olor a humo,
que todavia se impregna
com esencia de laurel.

de ti,
recuerdo la huerta
el herizo que se hizo sombra
com tu presencia.

de ti
conservo
parte de mi historia,
el sonrojar em mis mejillas
y um ramito de violetas.

De ti recordo

de ti
recordo a fogueira,
o cheiro da fumaça,
que todavia se impregnou
com essência de louro.

de ti,
recordo o jardim
o ouriço que se fez sombra
com tua presença.

de ti
conservo
parte da minha história,
do meu rosto corado
e de um ramo de violetas.

Cinnerea


El tiempo

Cinnerea

Toma tiempo el conocer
toma tiempo el amar
toma tiempo el reconocer
toma tiempo el recordar
toma tiempo el olvidar.

Y el tiempo nos toma
lentamente, nos estruja
el alma, hasta lograr a forma
que ni una bruja.

Podría suportar a tentación
de tan osada acción
transformaciones locas
que gozan las bocas.

Al sentir el beso
anhelado del ser amado
anhelos amassados
con ternura por largos tiempos

Han de hacerse realidad
en algún momento
solo tomara tiempo...

O tempo

Toma tempo o conhecer
toma tempo o amar
toma tempo o reconhecer
toma tempo o recordar
toma tempo o esquecer.

E o tempo que nos toma
lentamente, nós espreme
a alma, para alcançar uma forma
que nem uma bruxa.

Poderia suportar a tentação
de tão ousada ação
transformações loucas
que gozam as bocas.

Ao sentir o beijo
desejado do ser amado
desejos acumulados
com ternura por um largos tempos

Hão de se fazer realidade
em algum momento
só tomara tempo ...

Thursday, June 03, 2010

FLÓREZ OUTRA VEZ



RESURRECCIONES

Julio Flórez

Algo se muere en mí todos los días;
la hora que se aleja me arrebata,
del tiempo en la insonora catarata,
salud, amor, ensueños y alegrías.

Al evocar las ilusiones mías,
pienso: "¡yo, no soy yo!" ¿por qué, insensata,
la misma vida con su soplo mata
mi antiguo ser, tras lentas agonías?

Soy un extraño ante mis propios ojos,
un nuevo soñador, un peregrino
que ayer pisaba flores y hoy... abrojos.

Y en todo instante, es tal mi desconcierto,
que, ante mi muerte próxima, imagino
que muchas veces en la vida...he muerto.

Ressureições

Algo já morre em mim todos os dias;
A hora que se afasta e me arrebata,
Do tempo na silenciosa catarata,
Saúde, amor, os sonhos e as alegrias.

Ao evocar as minhas ilusões,
Penso: “Eu não sou eu!” por que insensata,
A mesma vida com seu sopro mata
Meu ser antigo e traz lentas aflições?

Sou um estranho ante meus próprios olhos,
Um novo sonhador, um peregrino,
Que ontem pisava flores e hoje...abrolhos.

E em todo instante é tal meu desconcerto,
Que, ante minha morte próxima, imagino
Que, muitas vezes, vivo já estou morto!

PLÁ



Cómo

Josefina Plá

Ay, cómo abrirte este dolor de llaves,
en soledad de pulso amurallado.
Lo que ya se llevaron, cómo darte,
sueño, renunciación, ausencia, olvido.

Cómo franquear a tu claror las puertas
tras las cuales murió crucificado
cada latido virgen de tu nombre,
desposado no obstante de tu imagen.

Cómo agotar la senda de la ausencia,
el rumbo del viaje jamás hecho,
las jornadas cautivas del suspiro.

Ay, cómo en ascua recobrar ceniza,
y de la piedra absorta hacer el nardo
que se encienda a la orilla de tu sangre...

Como

Oh, como abrir-te esta dor de chaves,
em solidão de prisão amuralada.
O que é já o levaram, como dar-te,
sono, renúncia, ausência, esquecimento.

Como franquear a teu brilho as portas
por trás das quais morre crucificada
cada lembrança virgem de teu nome,
despojado, no entanto, de tua imagem.

Como esgotar o caminho de tua ausência,
o rumo da viagem jamais feita,
as jornadas cativas do suspiro.

Oh, como recuperar em brasa as cinzas
e da pedra e inanimada criar o nardo
que se incendeia nas bordas do teu sangue ...

Julio Flórez


HUMANA

Julio Flórez

Hermosa y sana, en el pasado estío,
murmuraba, en mi oído, sin espanto:
-Yo quisiera morirme, amado mío;
más que el mundo me gusta el camposanto.

Y de fiebre voraz bajo el imperio,
moribunda, ayer tarde, me decía:
-No me dejes llevar al cementerio...
¡Yo no quiero morirme todavía!

¡Oh señor... y qué frágiles nacimos!
¡Y que variables somos y seremos!
¡Si la tumba está lejos... la pedimos!
¡Pero si cerca está... no la queremos!

Humana

Formosa e sã, no verão passado,
Murmurava em meu ouvido sem espanto:
-Eu quisera morrer, ó meu amado;
Mais que o mundo gosto do campo santo.

E da febre voraz sob o império,
Moribunda, ontem, à tarde me dizia:
-Não me deixes levar ao cemitério...
Eu não quero morrer agora, todavia!

Oh!Senhor...Ó quão frágil nós nascemos!
E tão variáveis somos e seremos!
Se o túmulo está longe...o pedimos!
Porém, se perto está...não o queremos!

Tuesday, June 01, 2010

AMOR...FANTASIA



Só a ilusão que não se desfaz
Permanece como o sonho que é
E faz de ti a perfeita mulher
Das que,infelizmente,não mais se faz!

Sei que sempre estarei no teu pensamento,
Ainda que a beleza ceda lugar à dor
Hás de pensar em mim por um momento
E em toda a beleza que teria o nosso amor.

E como uma canção que leve nos encanta
Te perderás no jogo da magia
Na crença no pássaro que saiu da manta,
Como a vida e o amor, uma pura fantasia.

Monday, May 31, 2010

JORGE DEBRAVO




Jorge Debravo

Este es mi amor, hermanos, este esfuerzo
denso, maduro, alto,
estos dedos agónicos y este
manojo de entusiasmo.

Yo no os amo dormidos:
Yo os amo combatiendo y trabajando,
haciendo hachas deicidas,
libertando.

Amo lo que de dioses se os revela
ante el miedo y el látigo,
lo que suda, viviente y guerrillero,
en el fondo del hueso americano,
lo que es amor no siendo más que carne,
lo que es lucha no siendo más que paso,
lo que es fuego no siendo más que grito,
lo que es hombre no siendo más que árbol.

Este é o meu amor

Este é o meu amor, meus irmãos, este esforço
denso, maduro, alto,
estes dedos agônicos este
feixe de entusiasmo.

Eu não os amo dormidos:
Eu os amo combatendo e trabalhando,
fazendo artes deícidas,
ibertando.

Amo o que de deuses se revela
ante o medo e o chicote,
o que sua, vivente e guerrilheiro,
no fundo do osso americano,
o que é amor não sendo mais que carne,
o que é luta não sendo mais do que passo
o que é fogo não sendo mais que grito,
o que é o homem não sendo mais que árvore.