Saturday, May 09, 2009

SEM VOLTA


No volvere a ser joven

Jaime Gil de Biedma

Que la vida iba en serio
uno lo empieza a comprender más tarde
-como todos los jóvenes, yo vine
a llevarme la vida por delante.

Dejar huella quería
y marcharme entre aplausos
-envejecer, morir, eran tan sólo
las dimensiones del teatro.

Pero ha pasado el tiempo
y la verdad desagradable asoma:
envejecer, morir,
es el único argumento de la obra.

Não voltarei a ser jovem

Que a vida se foi seriamente
comecei a perceber muito mais tarde
-como todos os jovens, eu fui
levando a vida adiante.

Deixar uma marca queria
e marchar entre aplausos
-envelhecer, morrer, era tão só
as dimensões do teatro.

Mas o tempo passou
e a desagradável verdade aparece:
envelhecer, morrendo,
é o único argumento do livro.

UMA POETISA


KLIMT XVI

Soledad Sánchez M.

El camino es muy largo,
puesto en pie mi horizonte
para alcanzar la altura
de tus besos.

Toda la vida es poca.
El mudo resonar
de mis lamentos,
llamando al tiempo
para apurar sus vértices,
conmueve el palpitar
de las entrañas.

Siento redonda la belleza
del alba que me crece,
cuando me circunscribes.
Deshecha en ti,
erguida hasta la cumbre
de tu vertical fuerza,
tan lejos y tan alto,
pierdo mi nombre
y me prolongo y creo.

Toda la muerte es poca.
No basta el infinito
suspendido,
para aplacar la furia
de tu secante línea.
Siento el tiempo rodar
morándome en anillos
enlazados,
trepándote desnuda
desde dentro.

KLIMT XVI

O caminho é muito largo,
posto em pé meu horizonte
para alcançar a altura
de teus beijos.

Toda a vida é pouca.
O mudo ressonar
De meus lamentos
chamando o tempo
para apurar suas vértices
comove o palpitar
de minhas entranhas.

Sinto redonda a beleza
do alvorecer que cresce,
quando me circunscreves,
desfeita em ti,
erguida até o cume
de tua vertical força,
tão longe e tão alto,
perco meu nome
e me prolongo e creio.

Toda morte é pouca.
Não basta o infinito
suspendido,
para aplacar a fúria
de tua secante linha.
Sinto o tempo rodar
movendo-se em anéis enlaçados
trepando-te nua
Desde dentro.

Friday, May 08, 2009

UMA POESIA INGLESA


Jenny kissed me

Leigh Hunt


Jenny kiss'd me when we met,
Jumping from the chair she sat in;
Time, you thief, who loves to get
Sweets into your list, put that in!
Say I'm weary, say I'm sad,
Say that health and wealth have miss'd me,
Say I'm growing old, but add,
Jenny kiss'd me.


Jenny me beijou

Jenny beijou-me quando nos encontramos,
Saltando da cadeira ficou em pé;
Tempo, seu ladrão, que ama obter
Doces na sua lista, ponha ela!
Diga que estou cansado, diga que estou triste,
Diga que a saúde e a riqueza têm me faltado,
Diga que estou ficando velho, mas acrescente,
Jenny me beijou.

Thursday, May 07, 2009

HART CRANE


Forgetfulness

Harold Hart Crane

Forgetfulness is like a song That,
freed from beat and measure, wanders.
Forgetfulness is like a bird whose wings are reconciled,
Outspread and motionless,
- A bird that coasts the wind unwearyingly.
Forgetfulness is rain at night,
Or an old house in a forest, - or a child.
Forgetfulness is white, - white as a blasted tree,
And it may stun the sybil into prophecy,
Or bury the Gods.

I can remember much forgetfulness.

O esquecimento

O esquecimento é como uma canção
Que, livre da batida e da medida,voa.
O esquecimento é como um pássaro cujas asas são unidas,
desdobradas e vagarosas,
como um pássaro que o vento carregasse nas costas.
O esquecimento é a chuva durante a noite,
ou uma velha casa na floresta, - ou uma criança.
O esquecimento é branco, branco como um tiro na árvore,
e pode atordoar a sibila na sua profecia,
ou enterrar os deuses.

Eu posso me lembrar de muitos esquecimentos.

UM POETA DE LIMA

LA MAGNOLIA

José Santos Chocano

En el bosque, de aromas y de músicas lleno,
la magnolia florece delicada y ligera,
cual vellón que en las zarpas enredado estuviera,
o cual copo de espuma sobre lago sereno.
Es un ánfora digna de un artífice heleno,
un marmóreo prodigio de la Clásica Era:
y destaca su fina redondez a manera
de una rama que luce descotado su seno.
No se sabe si es perla, ni se sabe si es llanto.
Hay entre ella y la luna cierta historia de encanto,
en la que una paloma pierde acaso la vida:
Porque es pura y es blanca y es graciosa y es leve,
como un rayo de luna que se cuaja en la nieve,
o como una paloma que se queda dormida.

A magnólia

Na floresta de aromas e de música plena,
a magnólia floresce delicada e ligeira,
qual presa que esteve envolvida nas garras,
ou como o copo de espumas sobre a água serena.
É uma ânfora digna de uma arquitetura helena,
uma maravilha de mármore da Clássica Era:
e que destaca sua forma redonda à maneira
de um ramo que brilha no seio da blusa decotada.
Não se sabe se é pérola, nem se sabe se é pranto.
Há entre ela e a lua certa história de encanto,
em que um pombo perde ao acaso a vida:
porque é pura e branca e graciosa e leve,
como um raio de lua que se fixa na neve,
ou como uma pomba que se queda adormecida.

Wednesday, May 06, 2009

ROBERTO SOSA

LA ETERNIDAD Y UN DIA

Roberto Sosa

A Francisco Salvador


Se hace tarde, cada vez más tarde.
Ni el viento pasa por aquí y hasta la Muerte es parte
del paisaje.

Bajo su estrella fija Tegucigalpa es una ratonera.

Matar podría ahora y en la hora en que ruedan sin amor las palabras.
Solo el dolor llamea
en este instante que dura ya la eternidady
un día.

¿Qué hacer?¿Qué hacer?
Alguien que siente y sabe de qué habla
exclama, por mejor decir, musita - hagamos algo pronto,hermanos mios,
por favor muy pronto.
(De "El llanto de las cosas")


A ETERNIDADE E UM DIA


Se faz tarde, cada vez mais tarde.
Nem o vento passa por aqui e até a morte é parte
da paisagem.

Sob sua estrela fixa Tegucigalpa é uma ratoeira.

Matar poderia agora e na hora em que as palavras rolam sem amor.

Só a dor acesa
neste momento que dura já uma eternidade
e um dia.

O que fazer?O que fazer?Alguém que sente e sabe do que fala
Exclama ou melhor dizendo, sussurra - nós façamos algo logo, irmãos meus,
por favor, logo, logo.

Tuesday, May 05, 2009

NOS BONDES DE MAIO


Seems Like Old Times
(Carmen Lombardo e John Jacob Loeb)


Remember all the things we did together.
All the fun we had on New Year's Eve,
How we danced til dawn,
Then darling you were gone,
Now it's almost too good to believe.
Seems like old times, having you to walk with,
Seems like old times, having you to talk with.
And it's still a thrill just to have my arms around you,
Still the thrill that it ws the day I found you,
Seems like old times, dinner dates and flowers,
Just like old times, staying up for hours,
Making dreams come true,
doing things we used to do,
Seems like old times, being here with you.

Como nos velhos tempos

Lembre-se de todas as coisas que fizemos juntos.
Toda a diversão que tivemos no ano novo na Estação das Docas,
Como dançamos até o amanhecer,
Então, querida eu estava passando,
Agora é quase bom demais para acreditar.
Parece como nos velhos tempos,
depois de andar com você,
Parece como nos velhos tempos,
depois de falar com você.
E é ainda uma emoção o ter meus braços em torno de você,
Ainda é a mesma emoção do dia que te encontrei,
Parece como nos velhos tempos, o jantar, as datas e as flores,
Tal como nos velhos tempos, mantendo-se durante horas,
Tornando os sonhos verdade como costumávamos fazer,
Parece como nos velhos tempos, estar aí com você.

Ilustração: olhares.aeiou.pt/quase_velhos_tempos_foto1494...

CARLOS GARGALLO


Orácion desesperada

Carlos Gargallo

El verso silencioso, es la noche,

la noche con alas de plata

rompe el corazón a borbotones

con esbelta sombra dulce

de fantasma

-hallazgo imprevisto de un destino

sin tu corona de espinas-.

Aunque a muchos sorprenda:Te amo.

Te amo porque no te veo

y bebo tu sangre cada día,

la encuentro en el pecho

del niño en la cuneta

con su fusil encima,

en otras mujeres

que no tienen escaparates

para asomar su mirada,

en tantos, en tantos

que si pensara que no estás ahí,

en la noche, en el día,

en los confines al menos,

creo que te inventaría.

Sé resurrección, o lo que quieras,

pero quédate en este mundo,

aquí es donde haces falta.

Oração desesperada

O verso silencioso é a noite,
a noite com as asas de prata
que rompe o coração aos borbotões
com uma esbelta sombra doce
de fantasma -achado imprevisto
de um destino sem tua coroa de espinhos-
Ainda que a muitos surpreenda:
Te amo.
Te amo porque não te vejo
e bebo teu sangue em cada dia,
a encontro no peito
da criança na sarjeta
com o fuzil em cima,
em outras mulheres
que não tem vitrines
Para serem olhadas
tanto, tanto
que se pensa que não estais aí,
na noite, no dia,
nos confins ao menos,
creio que te inventaria.
Se ressurreição ou o que queiras,
Porém, ficas neste mundo,
Aqui é onde fazes falta.

Monday, May 04, 2009

EU NÃO SABIA...


10,000

Wu Men

Ten thousand flowers in spring,
the moon in autumn,
a cool breeze in summer,
snow in winter.

If your mind isn't clouded
by unnecessary things,
this is the best season of your life.


10.000

Dez mil flores na primavera,
a lua, no Outono,
uma brisa fria no verão,
neve no inverno.

Se a sua mente não está encoberta
por coisas desnecessárias,
esta é a melhor época de sua vida.

Sunday, May 03, 2009

UMA POETISA ARGENTINA


Y AQUÍ ESTA MI CANCION

Matilde Alba Swann

Yo te canto colmena, por eso, por colmena,
y mi canto que quiso ser un grito de guerra,
un clarín de protesta, una arenga viril,
Después de conocerte Berisso bien de cerca
se repliega y comprende, que te haría feliz
alguna canción dulce de amor que te conmueva,
una canción de cuna sutil que te adormezca
bajo un cielo que el humo camufló de gris.

E aqui está a minha canção

Eu te canto abelha, por isto, pela colméia
e meu canto que quis ser um grito de guerra,
um clarim de protesto, uma arenga viril,
Depois de conhecer-te ovelhinha bem de perto
se retrai e compreende que te faria feliz
alguma canção doce de amor que te comova,
uma suave canção de ninar que te adormeça
sob um céu que a fumaça camufle de cinza.

Ilustração: sitedepoesias.com.br/poesias/35131

LORCA



SI MIS MANOS PUDIERAN DESHOJAR

Frederico Garcia Lorca

Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

¿Te querré como entonces
alguna vez? ¿Qué culpa
tiene mi corazón?
Si la niebla se esfuma,
¿qué otra pasión me espera?
¿Será tranquila y pura?
¡¡Si mis dedos pudieran
deshojar a la luna!!

Se minhas mãos pudessem desfolhar

Eu pronuncio o teu nome
nas noites escuras,
Quando as estrelas vêm
beber na lua
e dormem os ramos
nas frondes ocultas.
E me sinto vazio
de paixão e música.
Louco relógio que canta
antigas e mortas horas.

Eu pronuncio o teu nome,
nesta noite escura,
e o teu nome me soa
mais distante do que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolorosa que a suave chuva.

Como te querer como antes
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa desaparece,
outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Ah! Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

Ilustração: orestesaraujo.flogbrasil.terra.com.br

JUAN GELMAN


La economía es una ciencia

Juan Gelman

" En el decenio que siguió a la crisis
se notó la declinación del coeficiente de ternura
en todos los países considerados
o sea
tu país
mí país
los países que crecían entre tu alma y mi alma de repente
duraban un instante y antes de irse
o desaparecer
dejaban caer sábanas llenas de nuestros sexos que salían volando alrededor como perdices
quiere decir que cada vez que hicimos el amor dejábamos nuestros sexos allí?
y ellos seguían vivitos y coleando como perdices suavísimas?
qué raro
mirá que lavábamos las sábanas con subordinación y valor
para que los jugos de la noche pasada no inauguraran el pasado
y ningún pasado pusiera una oficina entre nosotros para ordenarnos el hoy
porque el alma amorosa es desordenada y perfecta
tiene mucha limpieza y lindura
se necesita todo un Dios para encerrarla
como le pasó a don francisco
que así pudo cruzar la agua fría de la muerte
es bien raro eso de nuestros sexos volando
pero recuerdo ahora que cada vez que yo entraba en tu sexo
y me bañaban tus espumas purísimas con impaciencia
y dulzura y valor
me parecía oir un pajarerío en el bosque de vos
como amor encendiendo otro amor
o más, es cierto que cada vez nuestros sexos resucitaban
y se ponían a dar vueltas entre ellos
como maripositas encandiladas por el fuego
y se querían morir de nuevo buscando incesantemente la libertad
y había un país entre la vida y la muerte
donde todo era consolación y hermosura
y no poseíamos nuestro corazón
y nuestros sexos se perdían como almas en la noche
y nunca más los volvíamos a ver
para entender
estudio los índices de la tasa de inversióún bruta
los índices de la productividad marginal de las inversiones
los índices de crecimiento del producto amoroso
otros índices que es aburrido hablar aquí
y no entiendo nada
la economía es bien curiosa
al pequeño ahorrista del alma lo engañan en wall street
los sueldos de la ternura son bajos
subsiste la injusticia en el mercado mundial del amor
el aprendiz está rodeado de nubes que parecen elefantes
eso no le da dicha ni desdicha
en medio de las razones
las redenciones
las resurrecciones
se lleva el alma a la nariz para sentir tus perjúmenes
estoy viendo volar los pajaritos que te salían del sexo
mejor dicho
de más allá todavía
de todo lo que valías
o brillabas
o eras
y dabas como jugos de la noche."

A Economia é uma ciência

"Na década que se seguiu à crise
notou-se a diminuição do coeficiente de ternura
em todos os países,
ou seja,
no seu país
no meu país
em todos os países que cresceram entre tua alma e a minha de repente
duravam um momento antes de ir-se
ou desaparecer
deixando cair folhas repletas de nossos que saíam voando ao redor como
perdizes
quer dizer que cada vez que fizemos amor deixamos nossos sexos ali?
E eles seguiam vivíssimos e volteando como perdizes suavíssimas ?
Que engraçado
olha que lavávamos as folhas com subordinação e valor
para que os sumos da noite passada não inaugurassem o passado
e nenhum passado pudesse colocar um escritório entre nós para nos ordenar o hoje
porque a alma amorosa é desordenada e perfeita
tem muito limpeza e lindeza
se necessita todo um Deus para encerrá-la
como aconteceu com a Don Francisco
que assim pode cruzar as águas frias da morte
é bem raro isto dos nossos sexos voando
mas agora lembro que cada vez que entrava no teu sexo
me banhavam tuas espumas puríssimas com impaciência
e doçura e valor
me parecia ouvir um pássaro nos bosque teu
como o amor incendiando outro amor
ou mais, é certo,que toda vez que os nossos sexos ressuscitavam
e se punham a dar voltas entre eles
como se fossem borboletas incandiadas
e só queriam morrer de novo à procura de nova liberdade
e havia um país entre a vida e a morte
onde tudo era consolo e formosura
e não possuíamos os nossos corações
e nossos sexos eram almas que se perdiam na noite
e nunca mais voltávamos a ver
para e entender
estudo os índices da taxa bruta de inversão,
os índices de produtividade marginal do investimento
os índices de crescimento da produção amorosa
e outros índices que é chato falar aqui
e eu não entendo nada
a economia é bastante curiosa
os pequenos poupadores da alma o enganam em Wall Street
os salários são da ternura são baixos
subsiste a injustiça no mundo o amor
o aprendiz está cercado por nuvens que parecem elefantes
Isto não lhe dá sorte ou azar
no meio das razões
das redenções
das ressurreições
se leva a alma ao nariz para sentir teus perfumes
estou vendo a voar os pássaros que te saltam do sexo
ou melhor dito
de mais além, todavia,
de tudo que valias,
ou brilhava
ou eras
ou davas como sumos da noite. "

Saturday, May 02, 2009

OUTRA VEZ ANDRÉS ALFONSO


Tiempo

Andrés Alfonso Ramírez Islas

El tiempo ceniza inevitable
recuerdo estorboso que sacude mi frente
puerta grande que no cabe en ningún lugar

Ardid perfecto, sepultura de flores
jardín sin hojas que siempre cuida
lo que el fuego no se pudo llevar

El tiempo bestia dormida
cadáver efímero pero inmortal
buscador eterno de soledad.

Tempo

O tempo é inevitável virar cinzas
Lembro-me atônito que sacode em minha frente
a grande porta que não cabe em nenhum lugar

Ardil perfeito, sepultura de flores
jardim sem folhas que sempre cuida
do que o fogo não pode levar

O tempo besta dormindo
cadáver efêmero, porém imortal
eterno buscador da solidão.

ANDRÉS ALFONSO RAMIREZ ISLAS


LUNA

Andrés Alfonso Ramírez Islas

Cuando la luna te muerda
y los riscos te oxiden
sal con toda tu risa
alborota al mundo
y dile que se acabó el secuestro.

Lua

Quando a lua te morder
e os penhascos te enferrujarem
com o sal de todos os teus risos
Agita-se o mundo
a dizer que terminou o seqüestro.

Ilustração: eternamentelove.blogspot.com

Friday, May 01, 2009

YANANA MAGRINI


DESEO DE OTRO

Yanina Magrini


Lo hacemos despacio
para que no vuelque,
no salpique
toda excitación
el abuso de la lengua.


Cuando no hay nada que decir
hacemos del oído
necesidad
de palabra
en lo ajeno.

(Qué se yo,
algo así vendría a ser el poema.)

Desejo de outro

O fazemos devagar
para que não capote,
não salpique
toda a excitação
o abuso da língua.

Quando não há nada para dizer
fazemos do ouvir
a necessidade
das palavras
alheias.

(Que sei eu,
se algo assim veio a ser um poema.)

Ilustração: somostodosum.ig.com.br

Tuesday, April 28, 2009

TUDO É UM CIRCO


VOCAÇÃO

Sei que nunca fui mágico
E que, como equilibrista, me desequilibrei,
Porém, a dançarina era você
Que deslizava com um prazer
Que me fez entrar no circo
Pagando o ingresso da ilusão.
Até ensaiei me sair bem
Brincando com o anão
No círculo de fogo,
Mas, você era uma bala humana
Com um desumano coração
E falhei feio como domador.
A lona incendiou
Sem entender a platéia bateu palmas
Enquanto o empresário fugia com toda a renda
E conta a lenda
Que até hoje vivo
Fazendo papel de palhaço.

Ilustração: http://tetefontestintasepinceis.blogspot.com

ANDRES ELOY BLANCO



SONETO DE LA RIMA POBRE

Andres Eloy Blanco

Me das tu pan en tu mano amasado,
me das tu pan en tu fogón cocido,
me das tu pan en tu piedra molido,
me das tu pan en tu pilón pilado.

Me das tu rancho en tu palma arropado,
me das tu lecho en tu rincón sumido,
me das tu sorbo, a tu sed exprimido,
me das tu traje, en tu sudor sudado.

Me das, oh Juan, tu dame de mendigo,
me das, oh Juan, tu toma de pobrero,
tu clara fe, tu oscuro desabrigo,
y yo te doy, por lo que dando espero,
el oscuro esperar con que te sigo
y el claro corazón con que te quiero.

Soneto da rima pobre


Me dás teu pão na tua mão amassado,
Me dás teu pão em teu fogo cozido,
Me dás teu pão na tua pedra quebrado,
Me dás teu pão no teu pilão pilado.

Me dás teu rancho na tua palma empalmado,
Me dás teu leite em teu seio sumido,
Me dás teu gole, na tua sede espremido,
Me dás teu traje em teu suor suado.

Me dás, ó João, tu me dás de mendigo,
Me dás, ó João, tu tomas de um pobrezinho,
Tua clara fé, teu escuro desabrigo,
E eu te dou, porque dando espero,
Do escuro esperar com que te sigo
E o claro coração com que te quero.

Ilustração: joanalucaspintura.blogspot.com

Sunday, April 26, 2009

MAGRINI


NOTICIA DE ÚLTIMO MOMENTO:

Yanina Magrini

Otra vez un poeta
manifiesta en primera persona
el instante fantástico
de su lirismo.

Quiere morir. Matarse
con una rebanada de pan
o una hoja de lechuga.

Cree que puede irse
y dejar
su pequeño monstruo
afuera.

Notícia de último momento:

Outra vez um poeta
manifesta na primeira pessoa
o instante fantástico
de seu lirismo.

Quer morrer. Matar-se
com uma fatia de pão
ou uma folha alface.

Creio que pode ir se
e deixar
seu pequeno monstro
exterior.

UM POETA CHILENO


RECUERDOS DEL FUTURO

Mario Meléndez

Mi hermana me despertó muy temprano
esa mañana y me dijo
"Levántate, tienes que venir a ver esto
el mar se ha llenado de estrellas"
Maravillado por aquella revelación
me vestí apresuradamente y pensé
"Si el mar se ha llenado de estrellas
yo debo tomar el primer avión
y recoger todos los peces del cielo"

Recordações do futuro

Minha irmã me despertou muito cedo
esta manhã e me disse
“Levanta-te, tens que ver isto
o mar está repleto de estrelas”
Maravilhado por aquela revelação
me vesti apressadamente e pensei
“Se o mar está repleto de estrelas
eu devo tomar o primeiro avião
e recolher todos os peixes do céu”.

Ilustração: www.overmundo.com.br

Tuesday, April 21, 2009

UMA POETISA ARGENTINA


XXIII

Yanina Magrini


Casi que nunca amanece. Como equívoco cierto
nada se desprende de hoy.
Cambiemos noche por diluvio y dejemos el exceso
de lo humano sobre el manifiesto de su luz.

(Le sugiero a tu imbecilidad el instante de un relámpago
el intersticio de su voz).

A veces, un mínimo detalle
suele sanar toda intemperie del mundo.

XXIII

Quase que nunca amanhece. Como equívoco certo
nada se desprende de hoje.
Trocamos a noite pelo dilúvio e deixamos o excesso
do humano sobre o manifesto de sua luz.

(Sugiro à tua imbecilidade o instante de um relâmpago
o interstício de sua voz).

Às vezes, um mínimo detalhe
pode sanar toda a intempérie do mundo.

Ilustração: 3.bp.blogspot.com

UM POETA DE PORTO RICO


IX

Iván Segarra Báez

"El hombre es mortal por sus temores e inmortal por sus deseos"

Pitágoras

Descubrimos que la vida se va asesinando
entre pétalos descalzos y llantos desnudos,
como símbolos desterrados
de pequeñas muertes desoladas y tristes.

El tiempo
va trasnochando horizontes muertos de frío
y todo se acuesta entre la nota absurda
de la sombra en pena de la risa muerta.

Descubrimos que los cuerpos son el cosmos,
un deseo que se retuerce en el mar de la lujuria.

IX


“O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos”

Pitágoras

Descobrimos que a vida se vai assassinando
Entre pétalas desfolhadas e prantos desnudos,
Como símbolos desterrados
De pequenas mortes desoladas e tristes.

O tempo
Vai desvairando horizontes mortos de frio
E tudo se comprime entre a nota absurda
E a sombra penosa de um riso morto.

Descobrimos que os corpos são o cosmos,
Um desejo que se retorce em um mar de luxúria.

Monday, April 20, 2009

ASSIM É A VIDA...



BEM PLANEJADA E PAUTADA PELAS CERTEZAS!

O infalível

Só o imprevisível me torna feliz.
Assim planejo cuidadosamente
Cada passo, cada detalhe
Minucioso como só pode ser
Quem não pode errar.
E, quando tenho tudo pronto,
É que me vem à certeza
De que, em muitas coisas,
Só terei surpresas...

VALLEJO



Heces

César Vallejo

Esta tarde llueve, como nunca; y no
tengo ganas de vivir, corazón.

Esta tarde es dulce. Por qué no ha de ser?
Viste gracia y pena; viste de mujer.

Esta tarde en Lima llueve. Y yo recuerdo
las cavernas crueles de mi ingratitud;
mi bloque de hielo sobre su amapola,
más fuerte que su "No seas así!"

Mis violentas flores negras; y la bárbara
y enorme pedrada; y el trecho glacial.
Y pondrá el silencio de su dignidad
con óleos quemantes el punto final.

Por eso esta tarde, como nunca, voy
con este búho, con este corazón.

Y otras pasan; y viéndome tan triste,
toman un poquito de ti
en la abrupta arruga de mi hondo dolor.

Esta tarde llueve, llueve mucho. ¡Y no
tengo ganas de vivir, corazón!


Resquícios

Esta tarde chove como nunca, e não
tenho desejo de viver, coração.

Esta tarde é doce. Por que não o seria?
Visão de graça e pena, visão de mulher.

Esta tarde, em Lima, chove. E eu me lembro
das cavernas cruéis da minha ingratidão;
o meu bloqueio de gelo sobre a papoula,
mais forte do que o seu "Não é assim!"

Minhas violentas flores negras; e a bárbara
e enorme pedra, e a maneira glacial.
Posto o silêncio de sua dignidade
com os óleos queimantes o ponto final.

Por isto, esta tarde, como nunca, vou
com este ônibus, com este coração.

E outros passam, e vendo-me tão triste,
tomam um pouquinho de ti
na súbita ruga das profundezas da minha dor.

Esta tarde chove, chove muito. E não
desejo viver, coração!


Ilustrtação: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdD2mLYfZEKNNmBWiTevSnr0f3x66p4vPF2Drdcct3-LbtlImJGcIrMxubxumFMyAJV2b1y5FV07nA5k1OcR3tf_pgJlJJXWIRPtYMJwBxq7Rky7UHJxmqUepmCPl34emANqTTIg/s400/momentos.bmp

Saturday, April 18, 2009

HAI KAI MESMO!



As palavras são desnecessárias.

Quando um gesto diz tudo.

Meu amor, de emoção, estou mudo!

DICKINSON


Yesterday is History

Emily Dickinson

Yesterday is History,
'Tis so far away
Yesterday is Poetry
'Tis Philosophy

Yesterday is mystery
Where it is Today
While we shrewdly speculate
Flutter both away

Ontem é História

Ontem é História,
Parece tão longe
Ontem é Poesia
Parece Filosofia

Ontem é mistério
Onde está hoje
Enquanto sabiamente especulamos
Flutuam ambos sempre.

Friday, April 17, 2009

NOVA TRAIÇÃO


L'ETERNITÉ

Arthur Rimbaud

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.


ETERNIDADE

De novo me invade.
O quê? - A Eternidade.
É o mar que vai
É o sol que cai.

Alma sentinela
Murmuro um rogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Dos votos humanos
De comum elã
Criam-se desenganos
No voar da manhã.

De coisa nenhuma
Brasas de cetim
O Dever se esfuma
Sem dizer enfim.

Não há esperança,
Nem orientação.
Ciência com paciência,
O castigo é vão.

De novo me invade.
O quê? - A Eternidade.
É o mar que vai.
É o sol que cai.

Ilustração: Recantodasletras.uol.com.br

Thursday, April 16, 2009

HIKA



Intensidad

Hika


el sol ilumina
ese camino que lleva a mi memoria
espejos brillantes
representan con fuego vivaz
las voces irritadas
de tu nombre dominante
que como piedras gigantes
crean la rebelion de mis sentidos


Intensidade

O sol ilumina
Este caminho que me leva à memória
Espelhos brilhantes
Representam com seu brilho fugaz
As vozes irritadas
De teu nome dominante
Que como pedras gigantes
Criam a rebelião de meus sentidos

NOVAMENTE PIQUERAS



VÍA UNITIVA

Joaquín Piqueras

y sin embargo pongamos que llegas de noche
te acuestas a mi lado
y ofreces tu cuerpo desnudo entre las sábanas
y de repente somos

héroes en nuestro pequeño paraíso nocturno
hecho movimiento perpetuo
susurros gemidos caricias a destiempo
y la mística sensación de deshacerte
en la cama en el espacio

y flotando en la oscuridad:

el rostro esquivo y tierno de dios

VIA ÚNICA

e sem embargo pensemos que chegas de noite
e te encostas do meu lado
e ofereces o teu corpo desnudo entre os lençóis
e de repente somos

heróis em nosso pequeno paraíso noturno
feito movimento perpétuo
sussurros gemidos caricias fora de tempo
e da mística sensação de desacerto
na cama no espaço

e flutuando na escuridão:
o rosto furtivo e terno de Deus

JOAQUIN PIQUERAS


VENTANA INDISCRETA

Joaquín Piqueras

el cielo permanece cubierto
todavía...
algunos transeúntes
caminan lentamente,
con aire distante,
como si no les importara el tiempo

a lo lejos alguien observa
tras el cristal
el mismo cielo cubierto,
los mismos transeúntes...

me pregunto si sentirá
el mismo desconcierto
que yo

Janela indiscreta

O céu permanece encoberto
todavia..
Alguns transeuntes
caminham lentamente
com ar distante
como se não lhes importasse o tempo

À distância alguém observa
por trás dos vidros
o mesmo céu encoberto
os mesmos transeuntes
me pergunto se sentirá
o mesmo desconcerto
que eu

RAFAEL DE DIOS



De roca y arena

Rafael de Dios

Apariencia de gélida roca
en las yemas te vas deshaciendo
de mis dedos. Te abrazo, te tiendo
y me bebo la miel de tu boca.

A mi piel, que, desnuda, te toca
y te abrasa cual cántaro hirviendo,
tú respondes amando y gimiendo
de manera fantástica y loca.

Moriría, cariño, de pena,
en tu cuerpo feliz navegante,
si algún día me fueras ajena.

Que preciso gozar, tierno amante,
de tu cuerpo de roca y arena
como el agua del mar incesante.

De rocha e areia

Aparência gelada de rocha
que em gomos se vai desfazendo
em meus dedos. Te abraço, te tendo
e eu bebo o mel de tua boca.

Minha pele, que, nua, te toca
e te abraça qual cântaro fervendo
tu respondes amando e gemendo
de maneira fantástica e louca.

Morreria, querida, de tristeza,
em teu corpo feliz navegante
se um dia ficasse alheio à tua beleza. .

Que preciso gozar, terno amante
de teu corpo de areia e dureza
como a água do mar incessante.

Ilustração: Cundo Bermundez, Mujer peinando su amante

Wednesday, April 15, 2009

IDEA VILARIÑO



UN HUÉSPED

Idea Vilariño

No sos mío
no estás
en mi vida
a mi lado
no comés en mi mesa
ni reís ni cantás
ni vivís para mí.

Somos ajenos

y yo misma
y mi casa.

Sos un extraño
un huésped
que no busca no quiere
más que una cama
a veces.

Qué puedo hacer
cedértela.

Pero yo vivo sola.

Um hóspede

Não és meu
não estais
em minha vida
ao meu lado
não ries nem cantas
nem vives para mim.

Somos estranhos
tu
e eu mesma
e a minha casa.

És um estranho
um hóspede
que não busca nem quer
mais que uma cama
às vezes.

Que posso fazer?
Ceder-te.

Porém, eu vivo só.

Ilustração: http://1.bp.blogspot.com/_c-eQLFG2D3Y/ScMBdNujUCI/AAAAAAAAADg/9QnlqSgYoJY/s320/sozinha.png

Tuesday, April 14, 2009


At the Gate of the Year

by Minnie Louise Harkins

I said to the man who stood at the gate of the year
‘Give me a light that I may tread safely into the unknown.’
And he replied,
‘Go into the darkness and put your hand into the hand of God
That shall be to you better than light and safer than a known way!’
So I went forth and finding the Hand of God
Trod gladly into the night
He led me towards the hills
And the breaking of day in the lone east.
So heart be still!
What need our human life to know
If God hath comprehension?
In all the dizzy strife of things
Both high and low,
God hideth his intention.”

No portão do ano

Eu disse ao homem que ficava no limiar do ano
‘Dê-me uma luz para que possa pisar com segurança no desconhecido.’

E ele respondeu:
‘Vá para a escuridão e ponha sua mão na mão de Deus
Esta será a melhor luz que pode ter para estar mais seguro do que num caminho conhecido!’

Então fui adiante e encontrando a mão de Deus
Senti um incomparável prazer na noite
Ele me levou pelas montanhas
E me fez ver o amanhecer do dia no leste solitário.

Assim meu coração permanece!
O que necessita nossa vida humana saber
Se Deus nos compreende?

Em todas as lutas e coisas, por mais complicadas,
seja nos altos e baixos,
Deus oculta a suas intenções. "

Sunday, April 12, 2009

NOVAMENTE CARLOS GARGALLO



Callada melodía del coloquio

Carlos Gargallo

Bajo la tormenta que aviva el sortilegio,
sucumbe el silbido animado
de una balada de otro tiempo.
Qué razón de olvido
puede tener este aliento,
este sopor del no querer
por tener que seguir queriendo.
Silenciosamente, tornábase alma
aquella callada melodía del coloquio
entre el yo y el universo.
Era temblor, aún más, proeza
sin posibles palabras.
Tal vez los lentos monosílabos
he de escribir con lágrimas
lo que ayer no supieron las palabras.

A calada melodia do colóquio

Sob a tormenta que aviva o sortilégio,
Sucumbe o tinir animado
De uma balada de outro tempo.
Que razão de esquecimento
Pode ter este alento
Este sopro de não querer
Por ter que seguir querendo.
Silenciosamente, tornando-se alma
Aquela calada melodia do colóquio
Entre eu e o universo.
Era o tremor, ainda mais, proeza
Sem palavras possíveis.
Talvez os lentos monossílabos
Escritos com as lágrimas
Que ontem não saberiam as palavras.

Saturday, April 11, 2009

ALEJANDRA ARQUÉS ARRANZ



“Los celos son, de todas las enfermedades del espíritu, aquella a la cual más cosas sirven de alimento y ninguna de remedio.” Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) Escritor y filósofo francés.

MAS ALLA DE MÍ

Alejandra Arqués Arranz

Más allá de mí
sos el motivo
y
nunca pude explicarme

Tarde

Esta alegría
de extrañarte y pensarte
cada día
de pedirte una sonrisa
una foto
leer el gerundio de tu mano
intentar retener este Amor
que ahora es reflejo

Tarde

Los celos vencieron
y no es tiempo de guardar
si aún confío en el torrente
del poema borboteando
como fiel y creyente

Perderme en cada canto
perderme sin perdón
pederme en silencio
sólo perderme
evitarte cualquier dolor


"O ciúme é de todas as doenças do espírito, aquela a qual mais coisas servem de alimento e nenhuma de remédio”. Eyquem Michel de Montaigne (1533-1592) escritor e filósofo francês.

MUITO ALÉM DE MIM

Muito além de mim
És a razão
E eu nunca poderia explicar.

Esta alegria
De te estranhar e pensar em ti
Cada dia
De te pedir um sorriso
Uma fotografia
Ler o gerúndio de tua mão
Intentando reter este amor
Que agora é só reflexo.

É tarde

Os ciúmes venceram
E não é mais tempo de aguardar
Se ainda confio na corrente
Do poema borbulhando
Como fiel e crente.

Perder-me em cada canto
Perder-me sem perdão
Perder-me em silêncio
Somente perder-me
Evitando-te qualquer dor

Ilustração e poesia original extraída do Site http://poetasdehoy.blogspot.com/

AINDA CARLOS GARGALLO



Ser y estar

Carlos Gargallo

Escribimos lo que somos,
mejor dicho,nos quejamos
escribiendo a lo que hemos llegado.
El viejo dice:
-Ahora que la vejez me llega...
El enamorado:
- Ahora que el amor llega a mi...
El joven:
-Cuando sea viejo me gustaría...
El que perdió el amor:
-Si pudiera encontrarte de nuevo.
¿Somos lo que escribimos
o escribimos lo que somos?
Llegado a este punto,
hay un coctel explosivo
de dudas y certezas,
de verdades y desvaríos.
Solo nos queda pensar:
Soy, estoy
y no es poco.

Ser e estar

Escrevemos o que somos,
melhor dito, nos queixamos
escrevendo ao que temos chegado.
O velho diz:
-Agora que a velhice me chega...
O enamorado:
-Agora que este amor chegou a mim...
O jovem:
-Quando for velho gostaria...
O que perdeu o amor:
-Se pudesse te encontrar de novo.
Somos o que escrevemos
ou escrevemos o que somos?
Chegado a este ponto
há um coquetel explosivo
de dúvidas e certezas,
de verdades e desvarios.
Só nos resta pensar:
Sou, estou
e não é pouco.

UM POETA ESPANHOL CONTEMPORÂNEO



Tu secreto

Carlos Gargallo

Tú te conoces, dices,
no quieres
que nadie sepa de tus asuntos,
pero hay cosas que se tienen que saber,
milagros producidos dentro de ti,
suspiros de los que vas dejando por los rincones
y luego, veloz, recoges, archivas muy bien
para seguidamente
esconder bajo la cama.
Tú dices que conoces el como y el porqué
de tanta insistencia en cubrirte el corazón,
pero el corazón, está para vivir intensamente,
no para desterrarlo junto con no sé cuantos más asuntos.
Un oscuro secreto, nunca puede ser tan lóbrego
como para dejar de respirar de repente.

Hoy, voy a desvelar lo indesvelable,
tu enfermedad tiene nombre,
uno que se conoce desde siempre.
Amor, amor y nada más que eso.


Teu segredo

Tu te conheces, dizes,
Não queres
Que ninguém saiba de teus assuntos,
Porém há coisas que se tem de saber,
Milagres produzidos dentro de ti,
Suspiros dos que vão deixando pelos rincões
E logo, veloz, recolhes, arquivas muito bem
Para seguidamente
Esconder debaixo da cama.
Tu dizes que conheces o como e o porquê
De tanta insistência em cobrir teu coração,
Porém, o coração está para viver intensamente,
Não para desterrá-lo junto com não sei quantos mais assuntos.
Um obscuro segredo nunca pode ser tão tenebroso
Como para deixar de respirar de repente.

Hoje, vou revelar o irrevelável,
Tua enfermidade tem nome,
Um que se conhece desde sempre,
Amor, amor e nada mais que isto.

Friday, April 10, 2009

ESTRANHAR É PRECISO



Estranha Poesia

Num certo momento tudo é estranho.
Estranhos são teus filhos.
Estranha tua mulher.
Tua amante, uma estranha.

Tudo estranho como estranho
É o estranho olhar
No estranho rosto
No espelho estranho
Que estranhamente custo a identificar
Como meu.

Estranho como tudo se perdeu
No estranhamento.

Há um breve momento
De reconhecimento na memória
De um passado estranho:
O da minha estranha vida.
E mais estranho por tudo me ser tão familiar
Como se até mesmo o estranhar
Fosse comum.

E, por estranho que pareça,
Não posso continuar:
Até as palavras
Começam a me parecer estranhas.

Ilustração: http://www.popimages.blogger.com.br/05-12-07_1847.jpg

ÓTICAS



Compensação

Ela sabia que era apenas
Uma vadia abandonada
Que se refugiara
Nos braços de um paralítico
Sempre ébrio
A quem jamais fora fiel.
E, no fundo, filosofava
Que a vida é mesmo assim
Que cada qual faz o que pode
E, se compensava,
Quando podia
Com orgasmos múltiplos.

PREGUIÇA PARA QUE TE QUERO



Como se fosse Pessoa

O poeta é um preguiçoso
Se espreguiça tão languidamente
Que finge sentir preguiça
Quando, de fato, a sente.

Thursday, April 09, 2009

NAVEGAR É PRECISO


MASCARÓN DE PROA

Gisela Galimi

Quiero ser el mascarón de proa
de tu vida.
La que va delante tuyo
auyentando los miedos.
La que no sirve para nada.
Ni timón,
ni vela,
ni viento,
ni ancla.
La que se quiere porque sí.
La inútil que se abraza a tu madera
aún en tiempos de tormenta.


Carranca

Eu quero ser a carranca
da tua vida.
Que vai na frente tua
Afugentando os medos.
O que não serve para nada.
Nem leme,
nem vela,
nem vento,
nem âncora.
A que se quer porque sim.
A inútil que se abraça à tua madeira
mesmo nas piores tempestades.

ABRIL



MI POEMA DE ABRIL

Ramon de Almagro

Picoteando la cáscara
de algún viejo recuerdo
con la lluvia de Abril
nacerá mi poema
le pondré mil colores
los más puros y claros
una música tenue
y un perfume de nardos.

Como una luciérnaga
brillará titilando
y se irá por los aires
escapando de mi alma
se estirarán mis manos
sin poder alcanzarlo,
se quedarán mis labios
como siempre rogando:

Que una estrella lo guíe
que lo lleve a tu lado,
pues si tú lo encontraras,
y llegas a escucharlo
mi poema de Abril
quizá viva... hasta Mayo.

Meu poema de abril

Descascando as cascas
de algumas velhas memórias
com as chuvas de abril
nascerá o meu poema
Nele porei mil cores
as mais puras e claras
uma música suave
e um perfume nardos.

Como um vaga-lume
brilhará piscando
e irá pelos ares
escapando da minha alma
se esticaram minhas mãos
sem poder alcançá-lo,
se calarão meus lábios
como sempre rogando.

Que uma estrela o guie
que o leve a seu lado,
pois sei que tu o encontrarás,
e ficarás a escutar
meu poema de abril
quiçá viva ... até maio

Ilustração: Foto da Folha de Vitória

IDEA VILARIÑO



LO QUE SIENTO POR TI

Idea Vilariño

Lo que siento por ti es tan difícil.
No es de rosas abriéndose en el aire,
es de rosas abriéndose en el agua.

Lo que siento por ti. Esto que rueda
o se quiebra con tantos gestos tuyos
o que con tus palabras despedazas
y que luego incorporas en un gesto
y me invade en las horas amarillas
y me deja una dulce sed doblada.

Lo que siento por ti, tan doloroso
como pobre luz de las estrellas
que llega dolorida y fatigada.

Lo que siento por ti, y que sin embargo
anda tanto que a veces no te llega.

O que sinto por ti

O que eu sinto por ti é tão difícil.
Não é de rosas abrindo-se no ar,
È de rosas abrindo-se na água.

O que eu sinto por você. Isto que roda
ou se quebra com tantos gestos teus
ou que com tuas palavras despedaças
e que logo incorporas num gesto
e que me invade nas horas amarelas
e me deixa uma doce sede dobrada.

O que eu sinto por ti, tão doloroso
como pobre luz das estrelas
que chega dolorida e fatigada.

O que eu sinto por ti, e que sem embargo
anda tanto que às vezes não te chega.

Ilustração: http://4.bp.blogspot.com/

Wednesday, April 08, 2009

RAFAEL ALBERTI



Engano

Rafael Alberti

Alguien detrás, a tu espalda
tapándote los ojos con palabras.

Detrás de ti, sin cuerpo,
sin alma.
Ahumada voz de sueño
cortado.
Ahumada voz
cortada.

Con palabras, vidrios falsos.

Ciega, por un túnel de oro,
de espejos malos,
con la muerte
darás en un subterráneo.

Y alguien detrás, a tu espalda,
siempre.


Engano

Alguém por trás de ti, nas tuas costas,
tapando teus olhos com palavras.

Detrás de ti, sem corpo,
sem alma.
Esfumaçada voz sonho
cortado.
Esfumaçada voz
cortada.

Com palavras, vidros falsos.

Cega, por um túnel de ouro,
de espelhos maus,
com a morte
darás em um subterrâneo

E alguém detrás, sempre nas tuas costas,
sempre.

Ilustração: http://www.caiofabio.com/Arquivo/Image/autoengano.jpg

Tuesday, April 07, 2009

TRAINDO RIMBAUD



Sensation

Par les soirs bleus d’été, j’irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l’herbe menue :
Rêveur, j’en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai pas :
Mais l’amour infini me montera dans l’âme,
Et j’irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.

Sensação

Pelas tardes azuis do Verão, irei pelas trilhas,
Cercadas pelos trigais, pisando a erva miúda:
Sonhador, sentirei o frescor nos meus pés
E o vento minha cabeça nua há de deixar banhada.
Não falarei mais, não pensarei mais:
Mas, um amor infinito me invadirá a alma.
E irei longe, bem longe, como um boêmio,
Pela natureza, - feliz como com uma mulher.

Ilustração: fiossoltos.blogspot.com/2008_08_01_archive.html

Sunday, April 05, 2009

A VERDADEIRA ARTE



LEITURA

Leio sempre no teu corpo
Os acordes do prazer
Onde ninguém sabe ler.

NOITES..ESTRELAS...



DISTANTE

O teu corpo não tem explicação possível!
Ceú,estrela, mar,canção,doçura.
Paixão extrema, extrema amargura.
Realidade e meu sonho impossível.

O teu corpo, decerto, é invisível!
Afinal somente o vejo quando sonho
E desperto infeliz e tão tristonho
De que na luz não seja mais visível.

O teu corpo, que é um mundo de promessas,
Somente em fotos tem cores expressas,
Pois, mal o procuro perde toda cor.

Ai!Pobre de mim, infeliz e triste amante,
Condenado a ter somente tão distante
Toda a beleza de meu grande amor.

De Imagens da Incerteza
Ilustração: http://www.becodocrime.net/imagens/foto%20dominio%20mulher%20corpo.jpg

Saturday, April 04, 2009

SANDBURG


GYPSY

Carl Sandburg

I asked a gypsy pal
To imitate an old image
And speak old wisdom.
She drew in her chin,
Made her neck and head
The top piece of a Nile obelisk
and said:
Snatch off the gag from thy mouth, child,
And be free to keep silence.
Tell no man anything for no man listens,
Yet hold thy lips ready to speak.

Cigana

Perguntei a uma amiga cigana
Como imitar uma antiga imagem
E falar com a velha sabedoria.
Ela desenhou seu queixo,
Fez a sua cabeça e pescoço
O topo de uma peça de um obelisco de Nilo
e disse:
Joga fora o truque da tua boca, criança,
E seja livre para manter o silêncio.
Não diga nada que escute de ninguém,
Mas mantém teus lábios prontos para falar.

YEATS


Death a poem

by William Butler Yeats

Nor dread nor hope attend
A dying animal;
A man awaits his end
Dreading and hoping all;
Many times he died,
Many times rose again.
A great man in his pride
Confronting murderous men
Casts derision upon
Supersession of breath;
He knows death to the bone
Man has created death.

Morte, um poema

Nem temor nem esperança atendem
Um dos animais mortos;
Um homem aguarda o seu fim
Receando e esperando por todos;
Muitas vezes ele morreu,
Muitas vezes renasceu.
Um grande homem no seu orgulho
Briga assassinando homens
Expressa sua irrisão
Mediante a supressão do ar,
Ele conhece a morte pelo osso
O homem criou a morte.

Friday, April 03, 2009

MACHADO


LA PLAZA

Antonio Machado

La plaza tiene una torre,
la torre tiene un balcón,
el balcón tiene una dama,
la dama una blanca flor.

Ha pasado un caballero,
-¡quién sabe por qué pasó!-
y se ha llevado la plaza
con su torre y su balcón,
con su balcón y su dama,
su dama y su blanca flor.

A PRAÇA

A praça tem uma torre,
a torre tem um balcão,
o balcão tem uma dama,
a dama tem uma flor.

Ali passou um cavalheiro
-quem sabe por que passou-
E foi embora com a praça
com sua torre e seu balcão,
com seu balcão e sua dama,
sua dama e sua branca flor.

UM POETA ARGENTINO



EN TUS BRAZOS

Germán Verdialis

Mamita, mamita,
si tú fueses árbol,
tu hijito en tus ramas
quisiera ser pájaro.

Si tú fueses río
que al mar va cantando,
tu hijito en tus aguas
quisiera ser barco.

Mamita, mamita,
si fueses un río
o fuese un árbol,
tú me acunarías
igual en tus brazos.

NOS TEUS BRAÇOS

Mamãezinha, mamãezinha
Se tu fosses uma árvore
Seu filhinho em teus ramos
Quisera ser pássaro.

Se fosses um rio
Que ao mar vai cantando,
Teu filhinho em tuas águas
Quisera ser um barco.

Mamãezinha, mamãezinha,
Se fosses um rio
Ou se fosses uma árvore
Tu me agasalharias
Igual em teus braços.

Ilustração: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXctAkwmniITi5N1m7vTQKlpPWNIMsYagelU9iE_v1FAzGJHHVRXEmj20oddPXrPC-b0czF_l2ihDKlMhJC9ap9cM5ZXxwVTxAG_RK0GmCFSc7EvThpvC_NhaTIePha0OJ9dav/s400/beb%C3%AAnasm%C3%A3os.jpg