Tuesday, June 03, 2008

UM POETA DA NICARÁGUA

Como Tinaja

Gioconda Belli

En los días buenos,
de lluvia,
los días en que nos quisimos
totalmente,
en que nos fuimos abriendo
el uno al otro
como cuevas secretas;
en esos días, amor
en mi cuerpo como tinaja
recogió toda el agua tierna
que derramaste sobre mí
y ahora
en estos días secos
en que tu ausencia duele
y agrieta la piel,
y el agua sale de mis ojos
llena de tu recuerdo
a refrescar la aridez de mi cuerpo
tan vacío y tan lleno de vos.

Como um pote

Nos bons dias
de chuva,
nos dias que nos quisemos
totalmente,
em que fomos abrindo
um ao outro
como cavernas secretas;
nesses dias, amor
em que meu corpo como um pote
recolheu toda a água terna
que derramaste sobre mim
e agora
nestes dias secos
em que tua ausência dói
racha a pele
e a água sai de meus olhos
plena de tua recordação
a refrescar a aridez de meu corpo
tão vazio e tão cheio de você.

UM POETA DE PORTO RICO

POEMA DE LA INTIMA AGONIA

Julia de Burgos

Este corazón mío, tan abierto y tan simple,
es ya casi una fuente debajo de mi llanto.

Es un dolor sentado más allá de la muerte.
Un dolor esperando... esperando... esperando...

Todas las horas pasan con la muerte en los hombros.
Yo sola sigo quieta con mi sombra en los brazos.

No me cesa en los ojos de golpear el crepúsculo,
ni me tumba la vida como un árbol cansado.

Este corazón mío, que ni él mismo se oye,
que ni él mismo se siente de tan mudo y tan largo.

¡Cuántas veces lo he visto por las sendas inútiles
recogiendo espejismos, como un lago estrellado!

Es un dolor sentado más allá de la muerte,
dolor hecho de espigas y sueños desbandados.

Creyéndome gaviota, verme partido el vuelo,
dándome a las estrellas, encontrarme en los charcos.¡

Yo que siempre creí desnudarme la angustia
con solo echar mi alma a girar con los astros!¡

Oh mi dolor, sentado más allá de la muerte!
¡Este corazón mío, tan abierto y tan largo!

Poema da intíma agonia
Este coração meu tão aberto e tão simples
É já quase como uma fonte debaixo de meu pranto.

É uma dor sentada muito além da morte.
Uma dor esperando...esperando...esperando...

Todas as horas passam com a morte nos ombros
E só a sigo quieta com a sombra em meus braços

Não me cesa nos olhos de golpear o crepúsculo,
Nem me tomba a vida como uma árvore cansada.

Este coração meu, que nem mesmo se ouve,
Que nem mesmo se sente de tão mudo e generoso

Quantas vezes o vi pelas sendas inúteis
Recolhendo reflexos como um lago estrelado!

É uma dor sentada muito além da morte,
Dor feita de espigas e de sonhos debulhados

Crendo-me gaivota, verme partido no vôo,
Dando-me as estrelas, me encontrando nos pântanos.

Eu que sempre acreditei em desnudar-me a angústia
Somente com fazer minha’lma girar com os astros.

Oh! Minha dor, sentada mais além da morte!
Este coração meu, tão aberto e tão generoso.

Saturday, May 31, 2008

AINDA WALCOTT

Midsummer, Tobago

Derek Walcott
Broad sun-stoned beaches.
White heat.
A green river.
A bridge,
scorched yellow palms
from the summer-sleeping house
drowsing through August.

Days I have held,
days I have lost,
days that outgrow,
like daughters, my harbouring arms.

Meio verão, Tobago

Largas praias apedrejadas de sol.

Um calor branco.
Um rio verde.

Uma ponte,
Chamuscada de palmas amarelas.
Uma sonolenta casa de veraneio
Afogando-se em agosto.

Dias que prendi,
Dias onde me perdi,


Dias que superei, como filhas,
Em meus braços se abrigando.
Ilustraçâo: A Madona de Edward Münch

WALCOTT DE VOLTA

Love After Love

Derek Walcott

The time will come
When, with elation,
You will greet yourself arriving
At your own door, in your own mirror,
And each will smile at the other’s welcome,

And say, site here. Eat
You will love again your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
To itself, to the stranger who has laved you

All your life, whow you ignore
For another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

The photographs, the desperate notes,
Peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.


O Amor Depois do Amor

Há de vir o tempo
Quando, com alegria,
Hás de saudar a ti mesmo chegando
Na tua própria porta. No teu próprio espelho
E cada sorriso dará boa vinda aos outros.

E dirás, senta aqui. Come
Tu amarás novamente a ti mesmo.
Dê o vinho. Dê o pão. Dê outra vez seu coração
Para si mesmo, para o estranho que te amou

Por toda a vida, o qual ignoras
Por outro, que te conhece pelo coração.
Retira de volta as cartas de amor da estante,

As fotografias, as desesperadas notas,
Retoca tua própria imagem no espelho.
Senta. Sinta o prazer de tua vida.

Thursday, May 29, 2008

A DOR DA VIDA, QUERIDA


The Flower


Robert Creeley


I think I grow tensions
like flowers
in a wood where
nobody goes.
Each wound is perfect,
enclosed itself
in a tiny imperceptible blossom,
making pain.
Pain is a flower,
like that one,
like this one,
like that one,
like this one.


A Flor

Eu penso que crio tensões
como flores
num jardim onde
ninguém vai.
Cada ferida é perfeita,
enclausurada em si mesma
como um leve e imperceptível botão
causando dor.
A dor é como uma flor,
como aquela
como esta,
como qualquer uma
como ela mesma.

Wednesday, May 28, 2008

DO FUNDO DO BAÚ


Menu Fretin

Blaise Cendrars

Lê ciel est d’um bleu cru
Lê mur d’ena face est d’um blanc cru
Lê soleil cru me tape sur la tête
Une négresse installé sur une petite
terrasse fait frire de toul petit
poissons sur um réchaud découpé
dans une vieille toite à biscuits
Deux négrillons rougent une
tigre de canne à sucre

Peixe Miúdo

O céu é de um azul cru
O muro da frente de um branco cru
O sol cru me golpeia a cabeça
Uma negra sobre um pequeno terraço
frita pequenos peixes
em pequenas porções sobre um fogareiro
feito de uma velha lata de biscoitos.
Dois negrinhos chupam cana de açúcar

UM POETA DO URUGUAI


LO INEFABLE

Delmira Agustini


Yo muero extrañamente... No me mata la Vida,
no me mata la Muerte, no me mata el Amor;
muero de un pensamiento mudo como una herida.
¿No habéis sentido nunca el extraño dolor de un
pensamiento inmenso que se arraiga en la vida
devorando alma y carne, y no alcanza a dar flor?
¿Nunca llevasteis dentro una estrella dormida
que os abrasaba enteros y no daba fulgor...?
¡Cumbre de losMartirios...¡Llevar eternamente,
desgarradora y árida, la trágica simiente
clavada en las entrañas como un diente feroz...!
Pero arrancarla un día en una flor que abriera
milagrosa, inviolable... ¡Ah, más grande no fuera
tener entre las manos la cabeza de Dios!

O Inefável

Eu morro estranhamente...Não me mata a vida,
Não me mata a morte, não me mata o amor;
Morro de um pensamento mudo como uma ferida.
Não sentistes nunca uma estranha dor

De um pensamento imenso que se prende à vida
Devorando alma e carne, e não consegue dar flor?
Nunca levastes dentro de ti uma estrela adormecida
Que se incendiava inteira, mas não dava fulgor?

O maior dos martírios....! Levar eternamente
Desenraizada e árida, a trágica semente
Cravada nas entranhas como um dente feroz

Porém, arrancá-la um dia numa flor que se abria
Milagrosa, inviolável...Ah! Maior não seria
Ter a cabeça de Deus nas mãos de nós!

Tuesday, May 27, 2008

JÁ NEM SEI...


DUALIDADE

Saberás que já não te amo muito tarde
Quando o fogo tiver o gosto extinto.
De todas as coisas que ainda sinto
E do fogo que ainda em mim arde.
Eu não te amo por ainda assim amar-te,
Como se fosse apenas como o instinto
De buscar fazer verdade do que minto
Transformar em todo o que é só parte.
Te amo, e não te amo, como se tivesse
Nas mãos os sonhos frágeis da menina
Que a incerteza de frustrar me detivesse
E ao meu amor que como um louco clamo,
Mas é loucura, justamente, por ser sina
Não te amar assim do jeito que te amo.

Sunday, May 11, 2008

O BEM OU O MAL DE CERTAS NOITES

MAUI NIGHT

by Vernyce Dannells
Sometimeswhen the air is fevered
and breathing seems the only motion in the universe
we know the stars will lose their places
and streak a radiant trajectory to earth
It is these nights we seek the air mattress, tarp
and build a careful bed in the backyard still.
We awaken, dog nestling right, cat opposing
moon muzzling sunrise
We’ve clutched each other – not against cold
but solitude.
[]

Noite Maui

Algumas vezes quando o ar está fervido
e respirar parece ser o único movimento no universo
nós sabemos que as estrelas irão perder seus lugares
e uma seqüência de radiante trajetória para a terra.
São nestas noites que nós procuramos um colchão de ar, casaco
e ainda construir uma cuidadosa cama no quintal.
Nós despertamos, cão aninhado direito, gato oposto
à lua amordaçando o nascer do sol
Nós nos cutucamos uns aos outros - e não contra o frio
mas contra a solidão.

Saturday, May 10, 2008

UMA POETISA DA NICARÁGUA

Quebrá la Luna

Gioconda Belli

Quebrá la luna entre tus manos,
hacela pedazos
y úntate de su polvo fino y negro.


Protejámonos de los símbolos y de los sueños,
cubrámonos de las frustraciones
con una costra dura de realidad.
Aceptemos el día como día
y la noche como noche,
pasando por el tiempo
con la espalda recta y los ojos secos;
porque la mente no es dueña de la vida
y los deseos no son las leyes:
hay que acatar la moral y el orden,
revestirnos de una sonrisa de bolsillo,
apretarnos el corazón en un puño
y aceptar el sacrificio.

Quebra a lua

Quebra a lua entre suas mãos,
Faz em pedaços
E se cobre de sua poeira fina e preta.

Protejamo-nos dos símbolos
e dos sonhos,
cubramo-nos das frustrações
com uma crosta dura de realidade.

Aceitemos o dia como o dia
e a noite como a noite,
passando pelo tempo
com a espinha reta e os olhos secos;
porque a mente não é dona da vida
nem os desejos são leis:
Há que acatar a moral e a ordem,
revestirmo-nos de um sorriso de bolso,
apertarmos o coração num punho
e aceitar o sacrifício.

OUTRA VEZ MIESES BURGOS

AMOR

Franklin Mieses Burgos

("Quien a las llamas del amor no muere")


Es el amor en todas las edades
del ser que valeroso lo frecuenta,
una oscura semilla que fermenta
en etapas de calma y tempestades.
Más dado a lo irreal que a realidades
del suelo material donde se asienta,
va como oveja dulce que apacienta
en prados de celestes claridades.
Arquitecto del cielo que idealiza:
arde desde la lava a la ceniza
de sus propios volcanes desatados.
Hasta que por el fuego que lo inflama,
es consumido por la misma llama,
"en soledad de dos acompañados".

Amor

“Quem nas chamas do amor não morre?”

É o amor em todas as idades
Do ser que valoroso o freqüenta
Uma escura semente que fermenta
Em etapas de calma e tempestades.

Mais dado ao irreal que a realidades
Do solo material onde se assenta,
Vai como ovelha doce que se apascenta
Em prados de celestes claridades.

Arquiteto do céu que idealiza:
Arde desd' a lava até a cinza
De seu próprios vulcões desatados.

Até que pelo fogo que o inflama,
É consumido pela mesma chama,
“Na solidão de dois acompanhados”.

UM POETA DA REPÚBLICA DOMINICANA




Franklin Mieses Burgos


Mayo trajo la flor, la milagrosa
palabra vegetal que arrulla el viento.
Mayo pobló su propio firmamento
con la sola presencia de una rosa.
Yo la miré ascender tan jubilosa
a su pequeño, débil monumento,
que fue como si viera el nacimiento
de una terrestre aurora luminosa.
Era su viva lumbre madrugada
una encendida hoguera encarcelada
en el cielo cerrado de su esfera.
Única roja rosa amanecida.
Rosa de una estación empobrecida.
¡Sólo con ella fue la primavera!
Humilde Maio

De maio trago a flor, a milagrosa
Palavra vegetal que arrulha o vento.
Maio povoa seu próprio firmamento
Somente com a presença de uma rosa.

Eu a vi ascender tão jubilosa
Em seu pequeno, débil monumento,
Que foi como se vira o nascimento
De uma terrestre aurora luminosa.

Era sua viva luz da madrugada
Uma acesa fogueira encarcerada
No céu fechado de sua própria esfera

Única rosa vermelha amanhecida
Rosa de uma estação empobrecida.
Só com ela contando a primavera!

Monday, May 05, 2008

OS MOMENTOS INESQUECÍVEIS


Reminiscências

Nem quero pensar
Em tanto amor que tive
Nem nos tempos felizes
Que vivi nos teus braços.
Hoje sinto que os espaços,
E o tempo, são miúdos, pequenos
E a ternura e o desejo mais amenos.
Que já não existe a sofreguidão,
A procura, a pressa, a loucura
Do tempo em tudo era ilusão
E que respirar era viver.

Saturday, May 03, 2008

UMA POETISA INGLESA


XLIII

Elizabeth Barrett Browning

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of everyday's
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints,--I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life!--and, if God choose,
I shall but love thee better after death.

XLIII

Como eu te amo? Impossível saber os meios.
Eu te amo com a profundidade de abismos e altitudes,
onde a alma alcança o azul da visão das plenitudes,
Para além do próprio ser, do ideal e dos receios.

Eu te amo dia a dia, com cândida beatitude,
desde da luz da manhã até ao anoitecer;
eu te amo livremente, sem leis nem poder;
eu te amo com orgulho, com paixão e atitude.

Eu te amo com um amor que parece desencanto,
com a fé infantil, que permanece forte,
E inabalável como a dos crentes e dos santos.

Eu te amo com paixão, com lágrimas e sorte.
E se Deus o quiser, implorando aos prantos,
amar-te-ei, também, até depois da própria morte!

Tuesday, April 29, 2008

SENTIMENTOS INCONSCIENTES


Muitas vezes
Te amei com um ódio
sem tamanho
que tudo confundia.

Certas vezes te vi anjo
ou demônio
e subi aos céus
e desci ao inferno
violento ou terno.

Muitas vezes
te amei com um amor
tão sem limites
que tudo se embaralhava.

Certas vezes
dormi sem desejo ou cansaço
e gozei como um devasso
ou fui puro como um santo
imerso no pecado.

Muitas vezes
não tive a menor
noção do que fosse o amor
e, para mim, tudo era só sexo.

Certas vezes
tive a sensação
de que amar ou odiar
era só uma ilusão
que nem importava
ser pecador ou santo.

Tantas vezes
te amei
que o amor se tornou um hábito
e, um dia, dormi com uma amante
e acordei com uma irmã.

Tuesday, April 22, 2008

AMANTES II

Jorge Gaitán Durán

Desnudos afrentamos el cuerpo
como dos ángeles equivocados,
como dos soles rojos en un bosque oscuro,
como dos vampiros al alzarse el día,
labios que buscan la joya del instante entre dos muslos,
boca que busca la boca, estatuas erguidas
que en la piedra inventan el beso
sólo para que un relámpago de sangres juntas
cruce la invencible muerte que nos llama.
De pie como perezosos árboles en el estío,
sentados como dioses ebrios
para que me abrasen en el polvo tus dos astros,
tendidos como guerreros de dos patrias que el alba separa,
en tu cuerpo soy el incendio del ser.

Amantes II
Despidos enfrentamos o corpo
Como dois anjos equivocados,
Como dois sóis roxos num bosque escuro,
Como dois vampiros ao se fazer o dia,
Lábios que buscam a jóia do instante entre dois músculos,
Boca que busca a boca, estátuas erguidas
Que na pedra inventam o beijo
Somente para que um relâmpago de sangue juntas
Cruze a invencível morte que nos chama.
De pé como pesarosas árvores no estio,
Sentados como deuses ébrios
Para que me abracem como um polvo teus dois astros,
Estendidos como guerreiros de duas pátrias que o amanhecer separa,
No teu corpo sou o incêndio do ser.

Wednesday, April 16, 2008

DOROTHY PARKER

A Very Short Song

Dorothy Parker

Once, when I was young and true,
Someone left me sad-
Broke my brittle heart in two;
And that is very bad.

Love is for unlucky folk,
Love is but a curse.
Once there was a heart I broke;
And that, I think, is worse.
Uma Canção Muito Curta

Certa vez, quando fui jovem e real,
Alguém me deixou triste -
Partindo meu coração em dois;
E isto é muito ruim.
Amor é para azaradas folclóricas,
O amor é feito uma maldição.
Certa vez houve um coração quebrado;
E lá, penso, foi muito pior.

UM AMOROSO POETA COLOMBIANO


POEMAS DE AMOR II

Dario Jaramillo Agudero

Podría perfectamente suprimirte de mi vida,
no contestar tus llamadas, no abrirte la puerta de la casa,
no pensarte, no desearte, no buscarte en ningún lugar común y no volver a verte,
circular por calles por donde sé que no pasas,
eliminar de mi memoria cada instante que hemos compartido,
cada recuerdo de tu recuerdo,
olvidar tu cara hasta ser capaz de no reconocerte,
responder con evasivas cuando me pregunten por ti
y hacer como si no hubieras existido nunca.
Pero te amo.

Poemas de Amor II
Podia perfeitamente suprimir-te de minha vida,
Não responder teus chamados, não abrir a porta de casa,
Não pensar em ti, não te desejar,
Não te buscar em nenhum lugar nem voltar a te ver,
Circular somente por ruas onde não passas,
Eliminar de minha memória cada instante que temos compartilhado,
Cada recordação de tua recordação,
Esquecer teu rosto até ser capaz de não te reconhecer,
Responder com evasivas quando me perguntem por ti
E fazer como se não tivesses existido nunca.
Porém, te amo.

Wednesday, April 09, 2008

BENEDETTI

Confidencial

Mário Benedetti

Fueron jóvenes los viejos
pero la vida se ha ido
desgranando en el espejo

y serán viejos los jóvenes
pero no lo divulguemos
que hasta las paredes oyen.

Confidencial

Os velhos foram novos
porém a vida foi
se descascando no espelho

e serão velhos os jovens
porém não o divulguemos
que até as paredes têm ouvidos.

Tuesday, April 08, 2008

UM POEMINHA DE STEIN


Red Faces

Gertrude Stein

Red flags the reason for pretty flags.
And ribbons.
Ribbons of flags
And wearing material
Reason for wearing material.
Give pleasure.
Can you give me the regions.
The regions and the land.
The regions and wheels.
All wheels are perfect.
Enthusiasm.

As Faces Vermelhas

As bandeiras vermelhas são a razão das bandeiras serem bonitas.
E as fitas.
As fitas das bandeiras
E o vestido material
Razão para o material vestido
Dar prazer.
Pode você me dar as regiões.
As regiões e a terra.
As regiões e as rodas.
Todas as rodas são perfeitas.
Entusiasmo.

Friday, April 04, 2008

OUTRO POETA DO MÉXICO

BITACORA DEL REGRESO

Sergio Cordero

¿no es el acto que apresa la ironía
obstinado creador de mis recuerdos?

1
¿dónde están las paredes que viví?
remuevo el barro fresco
de las casas antiguas
y descubro
los rasgos de mi padre
2
porque hay días que no puedo perder
en esta ciudad ciega
yo la amo
aquí la luz se da como los frutos
es un sitio cuidado desde el simple poder
de una mirada
mordiéndose los labios
3
pon las manos en la noche más alta de tu pecho
asómate al abismo
la pregunta
confiesa tu rencor por esta tierra
deseas que vaya al sitio donde el sol
ha secado mis pasos
y por eso al tocarte
me acaricio

Vivir al margen, 1987


Caderno do Regresso

Não é o ato que apressa a ironia
obstinado criador de minhas memórias?

1
Onde estão as paredes em que vivi?
Removo o barro fresco
das casas antigas
e descubro
traços de meu pai
2
porque há dias em que não posso
me perder
nesta cidade cega
que amo
aqui a luz se dá como as frutas
é um local cuidado desde do simples poder
de um olhar
mordendo-se os lábios.
3
ponho as mãos na noite mais alta de teus seios
aproxima-se do abismo
a pergunta
confessa teu rancor por esta terra
desejas que vá ao local onde o sol
secou meus passos
e por isto ao tocar-te
me acaricio.

Viver à Margem, 1987

NÃO QUE SEJA FÁCIL


The House Was Quiet And The World Was Calm

Wallace Stevens

The house was quiet and the world was calm.
The reader became the book; and summer night

Was like the conscious being of the book.
The house was quiet and the world was calm.

The words were spoken as if there was no book,
Except that the reader leaned above the page,
Wanted to lean, wanted much to be
The scholar to whom his book is true, to whom
The summer night is like a perfection of thought.
The house was quiet because it had to be.
The quiet was part of the meaning, part of the mind:
The access of perfection to the page.
And the world was calm. The truth in a calm world,
In which there is no other meaning, itself
Is calm, itself is summer and night, itself
Is the reader leaning late and reading there.

A Casa Era Quieta e o Mundo Estava Calmo
A casa era quieta e o mundo estava calmo.
O leitor se tornou o livro; e a noite de verão
Era como a consciência de ser o livro.
A casa era quieta e o mundo estava calmo.
As palavras eram faladas, como se não houvesse livro,
Exceto que o leitor se inclinava sobre a página,
Queria inclinar-se, queria muito ser
O estudioso o qual seu livro é, na verdade, para quem
A noite de verão é como a perfeição do pensamento.
A casa era quieta porque tinha de ser.
A calma fazia parte do sentido, parte da mente:
O acesso à perfeição da página.
E o mundo estava calmo. A verdade na calma do mundo,
No qual não existe nenhum outro significado, em si mesma.
É calma, ela mesma o verão e a noite, ela própria
É o leitor inclinado tardiamente lendo ali.

Thursday, April 03, 2008

UM POEMA DE CORTAZAR

Soneto erótico

Julio Cortazar

A sonnet in a pensive mood.

Para C.C., que paseaba por las calles de Nairobi

Su mono azul le cine la cintura,
le amanzana las nalgas y los senos,
la vuelve um muchachito y le da plenos
poderes de liviana arquitectura.

Al viento va la cabellera oscura,
es toda fruta y es toda venenos;
el remar de sus musclos epicenos
inventa uma fugaz psicultura.

Amazona de mono azul, el arte
la fija en este rito paralelo,
cambiante estela a salvo de mudanza;

viejo poeta, mirala mirarte
con ojos que constelan otro cielo
donde no tiene puerto tu esperanza.


Soneto erótico

Um soneto no modo pensativo

Para C.C., que passeava pelas ruas de Nairobi

Seu macacão azul apertava a cintura,
Amansava as nádegas e os seios,
Tornando-a um rapazinho com plenos
Poderes de uma clara arquitetura.

No vento flutua a cabeleira escura,
Que é toda fruta e toda venenos;
Ao remar de seus músculos epicenos
Que inventa uma fugaz piscicultura.

Amazona de macacão azul, a arte
Conserva-a num rito paralelo,
cambiante estrela a salvo da mudança;

O velho poeta, ao mirá-la, mira a arte
Com os olhos que, no céu, tem outro anelo
No qual não tem porto nem esperança.

Wednesday, April 02, 2008

UM POETA DO MÉXICO

CONTRADICTIO (1)

Marco Antonio Campos

El ajedrez de la muerte
se quedó en una pieza
Arrojo los naipes, trémulo, incendiado
y no dicen mi suerte
Y tuve una bestia de orgullo
que arrastró mi bestia
Moribunda,
una mujer pasea triste, descalza en la calle
Y es tarde para ser otro hombre
Salgo de mi casa, pontífice, ajeno,
con el crucifijo -una mujer-
colgado en mi tristeza
Si regreso, señor,
quiero ser otro pero no Campos
¿Para qué vivir agarrado como loco al reloj?
Ya la gula de vivir se detuvo en mi garganta
Y mísera mi perra más odiada fue la angustia
Pero, Señor, yo converso en voz alta,
Antes, en otro oceáno,
arrepentí, modifiqué el pasado
Y tus ojos caminaron tristes, inmensos,
en las pájinas de mis libros
Mañana partiré, me iré del todo
Aunque hoy puedo decir:
tengo amigos, no amo a mujer alguna,
el tétano del sol duerme en la ciudad de México

Muertos y Disfraces, 1974


CONTRADIÇÃO (1)

O xadrez da morte
Esbarrou numa peça.
Arrojou os naipes, trêmulo, incendiado
E não disse minha sorte.
E tive um besta orgulho
Que arrastou minha besta
Moribunda,
Uma mulher passeia triste, descalça na rua,
E é tarde para ser outro homem
Saio de minha casa, pontífice, alheio,
Com o crucifixo-uma mulher-
Preso em minha tristeza
Sem regresso, senhor,
Quero ser outro, porém não Campos
Para que viver agarrado como louco ao relógio?
Já o desejo de viver se deteve em minha garganta
E mísera minha cadela mais odiada foi a angústia,
Porém, senhor, eu converso em voz alta,
Antes, em outro oceano,
Me arrependi, modifiquei o passado,
E teus olhos caminharam tristes, imensos
Nas páginas de meus livros,
Amanhã partirei, irei de todo
Ainda que hoje não possa dizer:
Tenho amigos, não amo mulher alguma
O gérmen do sol dorme na cidade do México.

Mortos e Disfarces, 1974.

Tuesday, April 01, 2008

OUTRO POETA DA COLÔMBIA

CANCIÓN

Piedad Bonnet

Nunca fue tan hermosa la mentira
como en tu boca,
en mediode pequeñas verdades banales
que eran todo
tu mundo que yo amaba,
mentira desprendida
sin afanes, cayendo
como lluvia,
sobre la oscura tierra desolada.
Nunca tan dulce fue la mentirosa
palabra enamorada apenas dicha,
ni tan altos los sueños
ni tan fiero
el fuego esplendoroso que sembrara.
Nunca, tampoco,
tanto dolor se amotinó de golpe,
ni tan herida estuvo la esperanza.
Canção

Nunca foi tão formosa a mentira
Como em tua boca, no meio
De pequenas verdades banais
Que eram todo
Teu mundo que eu amava,
Mentira desprendida
Sem pressa, caindo
Como a chuva,
Sobre a terra escura desolada.
Nunca tão doce foi a mentirosa
Palavra enamorada apenas dita,
Nem tão alto os sonhos
Nem tão feroz
O fogo esplendoroso que acendia.
Nunca, tampouco,
Tanta dor se amotinou de um golpe
Nem tão ferida esteve a esperança.

Monday, March 31, 2008

UMA POETISA ARGENTINA

LA SIN TIEMPO

Luisa Futoransky

deshice casas
perdí bibliotecas
me fui con lo puesto
en una valija
dos valijas
tres
indivisible
la trinidad
es

lágrimas
patitas
para qué te quiero

las actrices pobres y viejas
terminan sus días
emparedadas
tomando mate
en un asilo temible
la Casa del teatro
¿Acaso no matan a los caballos?
Fonte: Palabravirtual.com


A Sem Tempo

Desfiz casas
perdi bibliotecas
segui com o que coube
numa valise
duas três
valises
indivisível
a trindade
é

lágrimas
pequeninas
para que te quero

as atrizes pobres e velhas
terminam seus dias
emparedadas
tomando seu mate
num asilo terrível ylum frightful
a Casa dos Artistas

Por acaso não matam os cavalos?

Tuesday, March 25, 2008

O VELHO MALDITO DE VOLTA

you

Charles Buckowski

you’re a beast,
she said
your big white bell
yand those hairy feet.
you never cut your nail
sand you have hands
paws like a catyour bright red nose
and the biggest balls
i’ve ever seen.
you shoot sperm like awhale shoots water out of the
hole in its back.
beast, beast, beast,
she kissed me,
what do you want for
breakfast?



Besta é tu



Você é uma besta,
ela me disse
com sua barriga enorme e branquela
e estes seus pés cabeludos.
Você nunca corta as unhas
tanto que suas mãos parecem patas de gato.
Este seu narigão brilhoso e vermelho
e com estas bolas gigantescas
como parecem ser.
Você esporra como
uma baleia que espirra água
pelo buraquinho das costas.
Besta, besta, besta,
ela disse me beijando
e perguntou o que você quer
comer
no café da manhã?

WALLACE STEVENS


THE MAN WITH THE BLUE GUITAR

Wallace Stevens
The man bent over his guitar,
A shearsman of sorts. The day was green.

They said, "You have a blue guitar,
You do not play things as they are."

The man replied, "Things as they are
Are changed upon the blue guitar."
And they said to him, "But play, you must,
A tune beyond us, yet ourselves,
A tune upon the blue guitar,
Of things exactly as they are."
II
I cannot bring a world quite round,
Although I patch it as I can.
I sing a hero's head, large eye
And bearded bronze, but not a man,
Although I patch him as I can
And reach through him almost to man.
If a serenade almost to man
Is to miss, by that, things as they are,
Say that it is the serenade
Of a man that plays a blue guitar.

De The Man with the Blue Guitar, 1937


O HOMEM DO VIOLÃO AZUL

O homem curvado sobre o violão,
Como se uma foice fosse. Um dia verde.

Eles disseram: "Você tem um violão azul,
Que não toca as coisas tais como são".

O homem replicou: As coisas tais como são
Mudam com ao som do violão azul ".
Eles disseram: "Toca uma canção
Que esteja além de nós e seja nós,
No violão azul, toca a canção
Das coisas exatamente como elas são".

II
Eu não sei fazer o mundo bem redondo,
Ainda que o remende como sei.
Eu canto heróis de grandes olhos, barbas
De bronze, mas homem não cantei
Ainda que o remende como sei
Quase cheguei a cantar o homem que não cantei.
Mas se sempre cantar o homem falta
Deve-se as coisas tais como são,

Então que seja só a serenata
De um homem que toca seu violão azul.

Saturday, March 22, 2008

O MARAVILHOSO RENÉ DAUMAL

É o centenário de Daumal. Um poeta francês que aprendi a amar na sua língua e que escreve de uma forma totalmente pessoal, única. Não consegui encontrar na minha confessa desorganização uns poemas que, na época em que possuía alguma coragem, verti do francês para o português. Queria mostrar algo de Daumal e achei este poema em inglês. Nem sei de quem é a tradução. Porém, trai o traidor por uma causa justa. Espero que gostem. Eu mato aquilo que amo é puro Oscar Wilde.

Skin of Light

René Daumal


The skin of light enveloping this world lacks depth and I can actually see the black night of all these

similar bodies beneath the trembling veil and light of myself it is this night that even the mask of the sun cannot hide from me I am the seer of night the auditor of silence for silence too is dressed in

sonorous skin and each sense has its own night even as I do I am my own night I am the conceiver

of non-being and of all its splendor I am the father of death she is its mother she whom

I evoke

from the perfect mirror of night i am the great inside-out man my words are a tunnel punched

through silence I understand all disillusionment I destroy what I become I kill what I love.


A Pele de Luz

Á pele da luz envolvendo este mundo falta profundidade e posso atualmente ver que a preta noite de todos estes
corpos similares tremendo sob o véu e a luz de si mesmo é esta noite que mesmo a máscara
do sol não pode esconder de mim que sou o profeta da noite, o auditor do silêncio para o silêncio demasiado vestido
em sonora pele e cada sentido tem sua própria noite mesmo para eu que sou a minha própria noite que sou o conhecedor
do não ser e de todo seu esplendor, que sou o pai da morte ela sua mãe a quem
evoquei
do espelho perfeito da noite eu que sou o grande homem do engano cujas palavras são um túnel perfurado
através do silêncio que compreendo que, como toda desilusão, eu destruo o que venho a ser;
eu mato o que eu amo.

PONTOS DE VISTAS POÉTICOS

BUSY

by michael rothenberg

I’m too emotional to see anyone. Decorum
doesn’t mean squat.I buy broccoli
and cook it alone. If you’ll let me be myself,
ask nothing of me, won’t pick up the phone
when it rings, you can come share the broccoli
with me. I was raised to be transparent.
In bed no lover wonders if my mind is
somewhere else. They know. My mother lies
between my lover and poetry to make sure
I am respectful I want to be anonymous
Invisible. So I’m painting the clear plastic
window to my world with a rainbow
from the inside. In the future you’ll have to
ask me where I’m at. Maybe I’ll tell you
[]

Ocupado

Eu estou emocionado demais para ver qualquer um. Decoro não significa agachamento. Eu compro brócolis e
cozinho sozinho. Se você me deixar ser eu mesmo,
não me perguntar nada, talvez pegue o telefone
quando tocar e você possa vir compartilhar os brócolis
comigo. Eu levantei da cama para ser transparente.
Na cama nenhum amante quer saber se minha mente vai
à algum lugar outro. Eles sabem. Minhas mentiras de mãe,
entre meus amantes, e a poesia certificam
que sou respeitável e desejo ser um anônimo
invisível. Assim pinto uma plástica e brilhante janela
de meu mundo com um arco-íris interior.
No futuro você terá que
perguntar-me onde estava. Talvez eu lhe diga.
[]

EDWIN ARLINGTON ROBINSON E A FLOR HUMANA

Richard Cory

Edwin Arlington Robinson

Whenever Richard Cory went down town,
We people on the pavement looked at him:
He was a gentleman from sole to crown,
Clean favored, and imperially slim.

And he always quietly arrayed,
And he was always human when he talked;
But still he fluttered pulses when he said,
“Good morning”, and he glittered he walked,

And he was rich-yes, richer than a king
And admirably schooled in every grace:
In fine, we thought that he was everything
To make us wish that we were in his place

So on we worked, and waited for the light,
And went without the meat, and cursed the bread;
And Richard Cory, one calm summer night,
Went home and put a bullet through his head.

Richard Cory

Sempre que Richard Cory ia até a cidade cada mês,
Que o povo, na calçada, o olhasse era fatal:
Era um cavalheiro da cabeça aos pés,
De feições perfeitas, esbelto, imperial.

E sempre elegantemente bem vestido
E sempre muito humano quando falava;
Mas só em falar as pulsações haviam crescido,
"Bom dia", e até no andar ele brilhava.

E era rico-sim, mais rico do que um soberano
E admirável e educado em cada assunto singular:
Em suma, devia ter tudo possível a um ser humano.
O que nos fazia desejar estar no seu lugar

Assim nós vivemos esperando luz para a alma
E fomos sem a carne, e o pão a maldizer tão tolos ;
E Richard Cory, num verão, na noite calma,
Em casa estourou, com uma bala, os miolos.

O SILÊNCIO ÀS VEZES NECESSÁRIO

EN SILENCIO

María Luisa Artecona de Thompson

En el fondo de mí
ya no hay
palabras.
Sólo un cristal
de otoño
ceniciento
que escucha el golpear
de algunas hojas
y el pasaje fugaz
de gotas finas.
Ya no me queda
al fin
de esta jornada,
sino el mirar
sin ver
de mis pupilas;
ni el crepitar
del llanto
existe ahora;
soy, apenas;
la piedra del camino.
Sostengo
a solas
mi frutal
maduro
por el sol de la angustia
y de la pena.
No sé
de dónde llegan
mis heridas
ni a qué destinos
yo
y ellas vamos.
En el fondo de mí
ya no hay
palabras.
Sólo hay un ser que piensa
y se amalgama
con el silencio y en silencio
estamos.



EM SILÊNCIO

No fundo de mim
Já não há palavras.
Só um cristal de outono cinzento
que escuta o desfolhar
de algumas folhas
e a passagem fugaz das finas gotas.
Já não me sobra ao fim desta jornada,
senão o cego
olhar de minhas pupilas;
nem o crepitar do pranto existe agora;
sou, apenas, a pedra do caminho.
Sustento a sós
meu pomar maduro
pelo sol da angústia e da pena.
Não sei de onde chegam
minhas feridas
nem a que destinos
eu e elas chegaremos.
No fundo de mim
já não há palavras.
Só há um ser que pensa
e se converte no silêncio
e em silêncio estamos.

Tuesday, March 18, 2008

UM POETA COLOMBIANO

APARICIONES

Dario Jaramillo Agudero




No son de carne o espíritu
tampoco son la confusa mezcla de ambas,
ni bestias ni ángeles
ni su desquiciado promedio.
Son destellos,
huecos de tiempo llenos de luz o sin ella,
galopes sobre la luna,
seres que invento y son mi vida,
entre visiones de un jardín sagrado,
formas de poesía,
milagros en metáfora de cuerpo,
metáfora incompleta sin tacto ni perfumes,
metáfora total, plenitud donde no existe el tiempo
donde no existen los efímeros tactos y perfumes que están
dentro del tiempo.

Aparições

Não são de carne ou espírito
tampouco são a confusa mescla de ambas,
nem bestas nem anjos,
nem a desengonçada média.
São lampejos,
buracos de tempo cheios de luz ou sem ela,
galopes sobre a lua,
seres que a invento e são minha vida,
entre visões de um jardim sagrado,
formas da poesia,
milagres em metáfora de corpo,
metáfora incompleta sem tato nem perfumes,
metáfora total, plenitude onde o tempo não existe
onde não existem os efêmeros tatos e perfumes que estão
dentro do tempo.

Monday, March 17, 2008

UM POETA COLOMBIANO

LA LUNA BLANCA...Y EL FRÍO...

León de Greiff

La luna blanca... y el frío...
y el dulce corazón mío
tan lejano... tan lejano...

¡tanto distante su mano...!

La luna blanca, y el frío
y el dulce corazón mío
tan lejano...

Y vagas notas del piano...
Del bosque un aroma arcano...
Y el remurmurar del río...

Y el dulce corazón mío
tan lejano...!

A Lua Branca…E o Frio

A lua branca...e o frio...
e o doce coração meu
tão distante...tão distante...

tão distante sua mão...!

A lua branca, e o frio
e o doce coração meu
tão distante...

E as vagas notas do piano...
Do bosque um aroma arcano...
E o murmurejar do rio.....

E o doce coração meu
tão distante…!

Sunday, March 16, 2008

SEI QUE EXAGEREI NA LIBERDADE POÉTICA..

MINHA PROFESSORA DE INGLÊS ME PERDOE!

Against the Gods

Rebecca Lu Kiernan

What makes me alive,
How can I contain it
So it doesn't bleed
Into you,
And parts of you becoming me,
Not the way I am,
But how you see me?

What makes me human?
How to seal it off
In case you become merciless
Reducing me to some ragged beast
Busy with survival needs,
Dreaming not of love,
Breathing not
Poetry.
What makes me a woman?
How to hold it?
In case angels ascend
Leaving me guardless
In this park,
In the surrender
Of willow limbs
Reaching for the grave, untended,
Just honeysuckle to whisper
In the stir of midnight air,
Never forget
We have walked
Against the gods

Contra os deuses

O que me conserva vivo,
assim como me contenho
sem sangrar
por você,
e parte do que vim a ser ,
não é a maneira que sou,
mas como você me vê?

O que me faz mais humano?
Como cair fora
caso você se torne cruel
reduzindo-me a alguma besta áspera
ocupada apenas com a sobrevivência,
sonhando não com o amor,
não respirando
a poesia.

Que me faz uma mulher?
Como o prendê-lo?
Caso os anjos ascendam
Deixando-me desprotegida
neste parque,
capitulada
aos galhos do salgueiro
que procuram a sepultura, desentendida,
trepadeira agitada a chorar
no ar da meia-noite,
Nunca se esqueça que
nós temos caminhado
contra os deuses

Saturday, March 15, 2008

UM POETA NORTE-AMERICANO

WHELP

by Corey Mesler

Melancholy as a hearse-plume,
I rattle the keys
and little words appear:
clouds of vapor breath.
What I work here,
it's easy to say,
is for the children, my progeny
loose in the world,
coins rolled down the sidewalk.
These poems are worthless to them.
I add little. But, sometimes,
when I'm alone,
and they're as far away
as my own clamant youth,
I think of a phrase
which can hold them,
a handful of well-placed words,
that work like a charm.
Then it's gone
and I'm back here,
a man in a bag, a blind dog.
Coitadinho

Melancólico como uma pena morta
eu chocalho as chaves
e as palavras pequenas aparecem: nuvens
de respiração do vapor.

O que eu trabalho aqui,
é fácil dizer,
é para as crianças, minha geração
perdida no mundo,
moedas rolando ladeira abaixo.

Estes poemas são insignificantes
para eles. Eu adiciono
pouco. Mas, às vezes,
quando estou sozinho,
e tão distanciado
quanto a minha própria clamante juventude,

Eu penso numa frase
que possa prender-lhes a atenção,
um punhado de palavras bem-colocadas,
que tragam como por encanto.
aquilo que se foi
e, aqui, eu ando atrás,

um homem num saco, um cão cego.

UMA POETISA DA COLÔMBIA

VENGANZA

Laura Victoria

Quieres borrar con el sopor del vino
la hiel de olvido que dejé en tu boca,
y eres la polvareda en mi camino
y yo soy en tus vértigos la roca.

Es inútil que sigas mi destino
con el sarcasmo que tu pie provoca.
Yo fui para tu orgullo el torbellino,
y tú la inundación que se desboca.

Por eso para ahogar tus ambiciones,
te azotaré con risa en mis canciones,
y como esclavo te unciré a mis huellas.

Mientras que cien pupilas de mujeres,
te ofrecerán en lúbricos placeres
mi propia imagen deformada en ellas.

Vingança

Queres apagar com o torpor do vinho
o fel do abandono que deixei na tua boca,
e és a poeira que ficou no meu caminho
e nos teus trajetos sou uma rocha.

É inútil que sigas meu destino
com o sarcasmo que tua razão provoca.
eu fui para teu orgulho o torvelinho,
e tu a inundação que em mim desemboca.

Por isto para afogar tuas ambições,
Te chicotearei com meus risos e canções,
e como escravo te unirei às minhas trilhas.

Ainda que cem pupilas de mulheres,
te ofereçam em lúbricos prazeres
minha própria imagem deformada nelas.

Friday, March 14, 2008

UM CERTO SR. WONG

Evocación de la doncella

Oscar Wong

El rostro dúctil de la niña,
la sonrisa etérea de la niña,
la cadera ansiosa de la niña,
el rotundo bramido de las piernas de la niña.

Retumba la ternura transparente en esta niña,
el Amor transfigura el semblante complacido de la niña,
la turbación retrocede ante el vigor minucioso de la niña.

Ahora tiemblan los labios de la niña,
voraz se turba el cuello de la niña,
se estremecen los pechos contundentes de la niña,
clandestinos naufragan los muslos de la niña
(y la fértil vulva de la niña me calcina).

Evocação da Donzela

O rosto doce da menina,
o sorriso do etéreo da menina,
o meneio ansioso da menina,
o provocante ruído das pernas da menina.

Ecoa a ternura transparente desta menina,
o amor transfigura o semblante prazeroso da menina
a perturbação passa ante o vigor exuberante da menina.

Agora tremem os lábios da menina,
voraz se turva o colo da menina,
estremecem os seios salientes da menina,
clandestinos somem os músculos da menina
(e a vulva fértil da menina me queima).

Wednesday, March 12, 2008

VIVER É PRECISO

INQUIETAÇÕES Nº 2

Há, certamente, sensações que nunca terei...
Viajar por uma estrela cadente
Sempre me passou pela mente
Ou acordar mais jovem de repente
Ou recuperar o amor que não amei.

Os sonhos me parecem mais reais
Quando me conscientizo agora
Que o tempo que já foi embora
Me exige ter prazer com a hora,
O minuto, o segundo e até mais,
Com coisas como a fé.

È preciso não me inquietar.
Surge como um raio o pensamento
De que a vida, como um breve vento,
Passa. Viva-se ou não, e tento
Olhando teu retrato não chorar
E voltar a respirar o mesmo ar.

Inútil. Inquietações ou desejos.
Mesmo que voltes, os beijos
Nem nós somos mais os mesmos
E não há mais razões nem ensejos
Para que exista a mesma paixão
E o mesmo amor que criou a ilusão
De que tivemos o mundo nas mãos.

UM POETA PANAMERICANO


CULTIVO UNA ROSA BLANCA

José Marti

Cultivo una rosa blanca,
en julio como en enero,
para el amigo sincero
que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca
el corazón con que vivo,
cardo ni ortiga cultivo:
cultivo una rosa blanca.

Cultivo uma Rosa Branca

Cultivo uma rosa branca,
Em julho como em janeiro,
Para um amigo sincero
Que me dê sua mão franca.

E para o cruel que me arranca
O coração com que vivo
Cardo nem urtiga cultivo:
Cultivo uma rosa branca.

Friday, March 07, 2008

VIVENDO OU NÃO....PASSA

Fora de Ritmo

É ainda com o mesmo olhar de menino
Que procuro meus brinquedos
De homem velho.
Há, é certo, muito além
Da inocência de outrora
A urgência do desejo e da hora
E a maldade, envolta
Em palavras gentis e suaves,
Que examina as promessas,
Mesmo as mais reais,
Com incredulidade.
Não me alimento de saudade
Nem de esperança.
Sei que o mundo é uma dança
E vou me balançando como posso.

Thursday, March 06, 2008

A MORTE PODE SER A VIDA

HUÉSPED SÚBITO

Manuel Del Cabral

Ahora estás aquí.
¿Pero puedes estar?
Tú dices que te llamas... Pero no, no te llamas...
Desde que tengas nombre comienzo a no respirarte, a confirmar que no existes,
y es probable que desde entonces no te nombre, porque cualquier detalle, una línea, una curva,
es material de fuga;
porque cada palabra es un poco de forma,
un poco de tu muerte.
Tu puro ser se muere de presente.
Se muere hacia el contorno.
Se muere hacia la vida.

HOSPÉDE SÚBITO

Agora estais aqui.
Porém podes dizer que estais?
Tu dizes que te chamas…Porém não te chamas...
Desde que tenhas nome começo a não te respirar,
A confirmar que não existes,
E é provável que desde então não te nomeie,
Porque qualquer detalhe, uma linha, uma curva,
É material de fuga.
Teu puro ser que morre de presente.
Morre na busca do contorno.
Morre na busca da vida.

Tuesday, March 04, 2008

NADA MUDOU...

OVAÇÃO

De longe você vem
Desenterrar velhos fantasmas.
Lembrar de tempos de paixão e poesia,
Abrir de novo as portas da magia,
Soltar as amarras do cotidiano,
Do palco abrir as cortinas
E gritar:
-Ação!
É tarde.
Por pura covardia não me movo.
E, de novo, a platéia joga ovo!

(De Poema Mal-Comportados)

Monday, March 03, 2008

UM POETA DO CHILE

Y de la vida. Y de la muerte

Alfredo Lavergne

¿ Qué somos...
La autobiografía de América
Su memoria institucional
La palabra de sus chozas
O el discurso del abrazo electrónico?.
Con el olvido que me es permitido
No sé cuanto llovió anoche
Ni los meses que nevó este año en tu país
O la razón de la sequía de la tierra que no he leído
O si mis sentidos y los actos son efectos de un final
O si el hombre que pasa a mi lado dejó su origen.
Sólo sé
Que anoche escribí pateando un tapón de botella.


E da Vida. E da Morte
O que somos?
A autobiografia da América
Sua memória institucional
A palavra de suas choças
ou o discurso do abraço eletrônico ?
Com o esquecimento que me é permitido
Não sei o quanto choveu ontem à noite
Nem quantos meses nevou este ano em teu país
Ou a razão da seca da terra que eu não li
Ou se meus sentidos e os atos são efeitos de um final
Ou se o homem que passa a meu lado deixou sua origem.
Eu sei somente
Que ontem à noite escrevi chutando uma cortiça de garrafa.

Friday, February 29, 2008

DE NOVO PAZ

MONÓLOGO

Octávio Paz
Bajo las rotas columnas,
entre la nada y el sueño,
cruzan mis horas insomnes
las sílabas de tu nombre.
Tu largo pelo rojizo,
relámpago del verano,
vibra con dulce violencia
en la espalda de la noche.
Corriente oscura del sueño
que mana entre ruinas
y te construye de nada:
amargas trenzas, olvido,
húmeda costa nocturna
donde se tiende y golpea
un mar sonámbulo, ciego.

MONÓLOGO

Sob as rotas colunas,
Entre o nada e o sonho,
Cruzam minhas horas insones
As sílabas do teu nome.

Tu dilatada de rubor, relâmpago de verão,
Vibra com doce violência
Nas costas da noite.

Corrente escura do sono
Que brota entre ruínas
E te constrói do nada:
Amargas tramas, esquecimento,
Úmida costa noturna
Onde se estende e golpeia
Um mar sonâmbulo, cego.

Thursday, February 28, 2008

O MESTRE BENEDETTI

El infinito

Mario Benedetti

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.


Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.
O infinito

De uns tempos para cá
o infinito
tem se encolhido
perigosamente.

Quem iria supor
que segundo a segundo
cada migalha
de seu pão sem limites
iria assim despedaçar-se
como um seixo rolando
no abismo.

Wednesday, February 27, 2008

DE VOLTA UM POETA MEXICANO

Los sueños al poder

Raúl Aceves

Del tiempo nuevo
no veremos sino la sombra
como la luz que se presiente
adentro del cuarto cerrado.
Se mezclarán
los ruidos de lo que comienza
con los ruidos de lo que acaba.
No sabremos si nuestro destino
fue el de pasarnos la vida
esperando y presintiendo.
El deseo nos mueve
como plumas en el viento,
nunca si somos plumas
o si somos viento.

Enramada (antología), 1984

Os sonhos de poder

Do novo tempo
Não veremos senão a sombra
Como a luz que se presente
No quarto fechado.
Se misturaram
Os ruídos do que começava
Com os ruídos do que acabava.
Não saberemos se nosso destino
Foi o de passar a vida
Esperando e pressentindo.
O desejo nos move
Como plumas ao vento,
Nunca sei se somos plumas
Ou se somos vento.

Monday, February 25, 2008

O POETA UNAMUNO

LA ORACIÓN DEL ATEO

Miguel de Unamuno

Oye mi ruego Tú, Dios que no existes,
y en tu nada recoge estas mis quejas,
Tú que a los pobres hombres nunca dejas
sin consuelo de engaño. No resistes

a nuestro ruego y nuestro anhelo vistes.
Cuando Tú de mi mente más te alejas,
más recuerdo las plácidas consejas
con que mi alma endulzóme noches tristes.

¡Qué grande eres, mi Dios! Eres tan grande
que no eres sino Idea; es muy angosta
la realidad por mucho que se expande

para abarcarte. Sufro yo a tu costa,
Dios no existente, pues si Tú existieras
existiría yo también de veras.


A Oração do Ateu

Ouve meu rogo Tu, Deus que não existes,
E em ti nada recolhes com minhas queixas,
Tu que aos pobres homens nunca deixas
Sem o consolo do engano. Não resistes

Ao nosso rogo e nossos desejos vistes.
Quando Tu de minha mente te afastas,
Mais recordo as fábulas fantásticas
Com que minha alma adoça as noites tristes.

Que grande és, meu Deus! Ès tão grande
Que não és senão idéia; é muito pequena
A realidade por muito que se expande

Para te abarcar. Sofro por tua pena
Deus não existente, pois se Tu existiras
Existiria eu também deveras.

Saturday, February 23, 2008

MAIS UM POETA MEXICANO

Como desnudar uma mulher com saxofone

Rubén Medina

Cómo desnudar a una mujer
con saxofón
No es fácil.
El aire que sale del estómago
debe traer
la sal del mar.
Las llemas de los dedos
deben hablar
de palmeras
de membrana a surco
o de soles que trabajan
de noche.
Los sonidos,
agua y metal,
casi vena,
deben confundir
oído y hombro,
y descender las rodillas
con la misma suavidad
de quien maneja
un chevrolet 53
a 30 millas por hora,
en un freeway de Los Angeles.
Los ojos deben permanecer
cerrados
hasta que la noche
tenga 24 horas,
la semana más de siete días
y no existe la palabra
desempleo.
Y entonces,
abres los ojos,
y quizá
encuentres la sonrisa
de ella.
Pero esto no significa
más que un categórico
saludo de hola,
quihúbole,
wat's going on, ese,
porque también
en la plusvalía
hay
pasión.


Como desnudar a una mujer com saxofone

Como desnudar uma mulher


Com saxofone
Não é fácil.
O ar que sai do estômago
Deve trazer
O sal do mar
As palmas dos dedos
Devem falar
De palmeiras.
De membranas e sulcos
Ou a solos que trabalham
De noite.
Os sons,
De metais e água,
Quase veia,
Devem confundir
Ouvido e ombro
E deslizar as rodas
Com a mesma
Suavidade
De quem maneja
Um chevrolet 53
a 30 milhas por hora,
numa superodovia de Los Angeles.
Os olhos devem permanecer
Fechados
Até que a noite
Tenha 24 horas,
A semana mais de sete dias
E não exista a palavra
Desemprego.
E então,
abre os olhos,
e quem sabe
encontre o sorriso
dela.
Porém isto não significa
Mas que uma categórica
Saudação de óla,
Um meneio,
ou como vai indo, isto,
porquê também
há mais valia
na paixão.